15 de janeiro de 2017

Telemetria, juiz de vídeo e outras inovações

A telemetria matou a “Formula 1”. Virou autorama. A habilidade, a audácia, a perícia do piloto agora são fatores secundários.

A enorme quantidade de botões nos volantes facilita a vida dos pilotos, que precisam ter, além da perícia na condução do veículo, habilidade digital. Precisam ser bons em vídeo game.


Chefes de equipe e engenheiros, das cabines e boxes. decidem quando é possível acelerar por causa da economia de combustível ou dos pneus.

Alertam aos pilotos quaisquer sinais de anormalidade no carro. E, pior, fazem jogo de equipe, determinando ultrapassagens ou proibindo-as.


Cansei, fiou chato. Aqueles pegas que eram decididos no braço e no peso do pé direito não existem mais.

Agora vem aí o juiz de vídeo no futebol. Qualquer dia adotam capacetes nos jogadores e teremos o football de bola oval. Ao invés dos americanos desenvolverem o soccer, irão nos impor o football deles, jogado basicamente com as mãos.


A Copa do Mundo da FIFA vai virar a Copa São Paulo de Futebol Júnior (Copinha), com mais de 120 clubes disputando.

Peraí, 48 seleções nacionais em condições de disputar título? Que chatice!!!

Pode ser que outro dia, mais tolerante e paciente, desenvolva minhas opiniões sobre estas e outras inovações tecnológicas que estão tirando o protagonismo dos homens.

Imagens: Google

13 de janeiro de 2017

Melhor jogador do mundo


O nome do troféu é inadequado: The Best.

Alguém tem dúvida de que “the best” jogador em atividade se chama Messi? O que poderíamos aceitar é que o Cristiano Ronaldo, por sinal muito bom jogador, na temporada passada teve melhor desempenho e melhores resultados. 

Por seus méritos e porque o Messi teve problemas de contusões. Mas CR7 não é o melhor jogador na atualidade.

Este título já foi, sem questionamentos, de Pelé e de Maradona. Já foi de Zizinho, de Di Stefano, de Puskas. Opinião pessoal.


O Cristiano Ronaldo contou, além de seus méritos, com os problemas enfrentados pelo Messi. Assim como o Leicester conquistou a Premier League, em boa parte, pela péssima temporada do Chelsea, do Manchester United, do Arsenal (que acabou vice) e Manchester City.

Ou alguém pode achar que se estes grandes clubes citados tivessem apresentado o futebol costumeiro e que deles se espera pelos elencos que possuem, o Leicester, não obstante a temporada muito boa, teria sido campeão?

O Arsenal, por exemplo, ganhou do Leicester no turno e no returno, mas perdeu outros jogos incríveis em seu próprio estádio.

Comparar jogadores de estilos distintos e, pior ainda, de épocas diferentes do futebol, é impróprio. A rotação, a velocidade do jogo mudou muito ao longo dos anos.

Vocês podem imaginar Didi correndo em campo para alcançar uma bola? No dizer poético e assertivo de Nelson Rodrigues ele desfilava em campo como se fora um príncipe etíope arrastando seu manto. E nos encantando com sua genialidade, seu passe perfeito, sua folha seca.

Garrincha, um dos fora de série do futebol, hoje, com toda a tecnologia a disposição das comissões técnicas, com vídeos, tabelas, estatísticas, conseguiria driblar sempre do mesmo jeito e ainda assim superar seus marcadores?

Será que um cabeça de bagre qualquer (um “joão”, como diria o próprio Garrincha), pela exaustiva repetição de vídeos, os treinamentos com divisão do campo em quadrantes, tendo cada jogador um espaço delimitado de atuação, não conseguiria deter o das pernas tortas?

Atualmente os goleiros dispõem de estatística (e vídeos) de como cada jogador costuma cobrar suas penalidades. E vice versa, com cada atacante sabendo para que lado se atira o goleiro habitualmente.

Tentei, por diversão, montar mentalmente uma seleção de meus sonhos, com todos os jogadores brasileiros e estrangeiros que vi atuar. De 1947 (tinha 7 anos de idade) para cá.

O resultado, difícil, não daria liga. Muito provavelmente um adversário com dois cabeças de área raçudos e de alguma técnica e laterais com fôlego para apoiar e recuar em velocidade para marcar, poderia anular meu time.

Ficaríamos dependendo de um lampejo, de uma jogada individual, do improviso, da genialidade de algum dos atacantes ou do meia armador que encontrou o espaço para enfiar uma bola para o goleador.

Assim como fez o Gerson encontrando o Pelé em condições de dominar no peito e marcar um golaço. Naquele lance especificamente, quem foi o melhor? (se você não sabe de que lance me refiro está no blog errado).

Brincadeirinha, acesse o link a seguir e assista a dois mestres jogando bola.







11 de janeiro de 2017

Minha estante - William Shakspeare ou Bernard Shaw ?


Shaw or Shakespeare ?  “That is the question”, responderia parafraseando um personagem criado pelo segundo.

Uma das mais famosas frases da literatura universal, e repetida ad nauseam com viés filosófico, encontra-se no terceiro ato, na primeira cena de “A tragédia de Hamlet”.

Minha preferida é “Meu reino por uma cavalo” , porque nas circunstâncias era o que diria um monarca guerreiro, combativo. Ricardo III, na batalha de Bosworth, vencida pelo conde de Richmond. Essa batalha determinaria o novo soberano da Inglaterra.

Vou confessando minha preferência por Shaw e não é porque somos xarás. Apesar de admirar profundamente a obra de William Shakspeare, gosto um pouquinho mais de George Bernard Shaw.

Shaw
Shakespeare










Por que? Talvez pela irreverência e pela capacidade de satirizar com fina ironia. Não, não é isso. Talvez o espírito contestador mais agudo, mais militante.

Admiro pessoas que lutam por seus ideais. Mesmo que, por vezes, discorde deles.

Ambos nasceram no Reino Unido, eis que quando Shaw nasceu a atual República da Irlanda ainda pertencia ao Reino Unido.

Tive a oportunidade de conhecer Stratford-upon-Avon, cidade onde nasceu e morreu Shakespeare, razão pela qual ele é cognominado “Bardo de Avon”.


Casa onde morou Shakespeare.
Minha mulher está à esquerda, olhando para a câmera.

Rua principal de Stratford
Pequena, simpática e acolhedora, sempre repleta de turistas como eu, e que fica, claro, às margens do rio Avon.


O blog manager às margens do Avon
Quem não leu Bernard Shaw e William Shakespeare, que me perdoe, mas sua experiência literária está empobrecida. E de nada adianta proclamar que escreve bastante e bem, porque devemos nos orgulhar do que lemos e não do que escrevemos, já agora parafraseando outro muito bom escritor, mais moderno e aqui de nosso continente mesmo - Jorge Luiz Borges.

Olha o nome Jorge de novo batizando um grande autor.

Os livros de Shakespeare mais conhecidos e citados são “Romeu e Julieta”, “Otelo”, “Hamlet” e “Rei Lear”, mas em sua vasta obra encontramos outras igualmente notáveis envolvendo personagens históricos, como Ricardo III.






Até o ano de 2015, Bernard Shaw era a única pessoa que havia conquistado dois prêmios cobiçados: o Oscar e o Nobel. Em 2016, tendo sido laureado com o Nobel de Literatura, o cantor Bob Dylan agora se igualou ao dramaturgo, pois já havia conquistado um Oscar.

Clássicos de Shaw:





Imagens obtidas no Google, exceto as fotos da cidade de Stratford-upon-Avon, com a casa do bardo e o rio Avon.


9 de janeiro de 2017

Minha estante – Os reis malditos

Maurice Druon, escritor francês, membro da Academia Francesa, é o autor de uma das mais importantes coleções de livros do gênero romance histórico (melhor seria dizer história romanceada), uma das que mais aprecio.

A coleção tem por título “Os reis malditos”, e é composta por sete volumes, que abrangem o período histórico compreendido entre os últimos monarcas da dinastia Capetiana e os primeiros da casa de Valois.

Claro que seria impossível tratar de tal período da monarquia francesa sem resvalar para a inglesa. Os parentescos, as guerras, as tramas, acordos e, principalmente, as Cruzadas, tornaram entrelaçadas as histórias de França e Inglaterra.

Alguns personagens trafegam por quase toda a coleção, com papel de destaque, como é o caso do Conde Roberto III de Artois.

Com efeito Robert d’Artois é meu personagem predileto.

O primeiro volume, intitulado “O rei de ferro”, claro, trata de Felipe IV - o Belo. Seguem-se, pela ordem de continuidade histórica: “A rainha estrangulada”, “Os venenos da coroa”, “A lei dos varões”, “A loba de França”, “O lis e o leão” e termina com “Um rei perde a França”.

Li dois destes volumes emprestados pelo Hermes Santos, que não tinha a coleção completa. Fiquei apaixonado, mas a grana era muito curta e não tinha como comprar os demais da série dos Reis Malditos.

Não muitos anos depois, mas seguramente pelo menos uns três, já estando trabalhando no departamento legal da Cia. Fiat Lux, numa conversa ocasional com Fernando Guimarães, um dos advogados da empresa,  fiz menção aos livros e comentei o quanto lamentava não ter podido ler toda a coleção.

O leitor mais sagaz já antecipou que por coincidência o Fernando Guimarães tinha a obra completa e se propôs a me emprestar os volumes que não lera.

Foi isso mesmo que aconteceu, não sem antes ouvir, como recomendação que eu tivesse o maior cuidado com os livros. E uma advertência. Só emprestaria um quando eu devolvesse o que estava em meu poder.

Muito tempo depois, morando e trabalhando em Ribeirão Preto, e já então frequentador de livrarias pois o salário permitia adquirir livros que me interessassem, achei numa última prateleira, quase ao rés-do-chão se  me permitem a imagem para me referir à primeira das prateleiras contadas estas de baixo para cima, muito empoeirados,  seis volumes da coleção.

Quase tive um orgasmo porque era (e ainda sou) apaixonado pela série, que a par de nos entreter nos dá lições de história sem que percebamos. Maurice Druon não era um escritor qualquer e a julgar pelo conteúdo, pela consistência da obra, fez um excelente trabalho de pesquisa.

Meu filho Ricardo e minha nora Erika mandaram encadernar, com capa dura, a coleção que originariamente, no Brasil, foi editada em brochura.

Meus filhos, minha irmã, minha nora, leram e gostaram e eu li duas vezes (porque quando encontrei a coleção completa li de cabo a rabo), os sete volumes - sim porque depois consegui, em edição diferente, o sétimo e último volume da série -  não deixando de apreciar e me empolgar.

Leitura para quem aprecia história romanceada sem plumas e paetês, apresentada nua e cruamente.









8 de janeiro de 2017

Consultores, bah!

Este texto, atropelando a programação do blog (tenho 3 postagens que estavam programadas para os próximos dias), foi consequência de um comentário que iria fazer, endossando parcialmente o comentário do Riva, no post de ontem. Ficou muito extenso e incompatível.

Vivenciei uma das maiores reorganizações que uma multinacional poderia fazer. Final dos anos 60 (sessenta).

Não ficou pedra sobre pedra. A empresa ostentava uma situação confortável no mercado. Determinava sua participação  (market share). Só vendia com pagamento à vista. Fluxo de caixa positivo, com gerentes de bancos fazendo fila na porta do diretor financeiro para fazer captação de aplicações. Tinha um escritório central e seis unidades fabris, além de reservas florestais. Como sói acontecer com empresas de controle inglês, a ênfase era na controladoria e na contabilidade. Os americanos focam (ou focavam) na direção financeira e no marketing.

Contratada uma das maiores e prestigiadas empresas de consultoria e auditoria internacionais. Foi elaborado um organograma. A empresa não tinha, pois não precisava. Todo mundo sabia quem mandava onde.

Quando foi divulgado o novo organograma do departamento de recursos humanos (que não existia; havia apenas um departamento de pessoal, para fazer a folha de pagamento e recolher os encargos). Até mesmo alguns diretores não tinham ideia do que era aquilo e quais seriam as atribuições.

Imaginem setorizar cargos e salários (ninguém sabia o que era um job description, e muito menos sua finalidade), criar setores de treinamento e desenvolvimento, benefícios, recrutamento e seleção de pessoal, etc.

Tive que comunicar a demissão de empregados com mais de 30 anos de serviço na empresa. Alguns foram às lágrimas.

E ouvi, entre outras reações: “Carrano, você não tem ideia do que esta fazendo. O que direi a minha mulher e meus filhos quando chegar em casa?”

E outro, aos 52 anos de idade: “Não sei fazer outra coisa na minha vida. Comecei aqui e não terei como aprender a fazer outra coisa.”
E estou me referindo ao pessoal administrativo.

Eram as décadas de 1960 e 1970. Muitos dos que eventualmente estiverem lendo não têm a menor ideia do que isto significava. O Rio de Janeiro sofreu um esvaziamento quando perdeu a condição de capital federal. Até mesmo sedes de multinacionais migraram para outras cidades pois não se justificava permanecer aqui, com todas as condições desfavoráveis, se era para ficar longe do poder, dos ministérios.

Gente, passada esta fase, na qual me beneficiei com promoção, aumento salarial e oportunidades de desenvolvimento profissional, com cursos pagos pela companhia na PUC e na Fundação Getúlio Vargas, tive um enorme problema de saúde.

Passei meses sofrendo de colite. Os médicos afirmavam, ou você muda de atividade ou não terá cura. A causa seria emocional. Pudera! Não era um robô e tinha missão ingrata a cumprir.

Minha vontade, às vezes, era chorar junto com o antigo colega sendo demitido porque se supunha que ele estava viciado numa forma de trabalhar e reagiria negativamente às mudanças necessárias.

Reitero que fui beneficiado com a reorganização, a tal reestruturação que alguém, fora do Brasil, entendeu necessário efetivar na empresa. Logo, minha critica não é  de alguém que foi prejudicado, e sim de alguém que lucrou, sob o aspecto profissional.

A crítica que faço agora, porque fiz daquela experiência em diante, é de que não se pode chegar numa empresa e achar que tudo está errado e tem que ser reformulado e as peças, também as humanas, têm que ser trocadas.

Quando cheguei numa outra empresa, um pouco menor, mas ainda assim de médio para grande porte, na reunião de minha apresentação como gerente administrativo, com a diretoria e gerencia presentes, usando da apalavra, depois de agradecer a oportunidade e prometendo somar e nunca diminuir, arrematei: quero deixar claro que nada será alterado pela alteração como fim em si mesma. Tudo será feito com muita serenidade e estudo, porque se estou chegando aqui nesta casa hoje tendo esta oportunidade é porque todas as pessoas que me antecederam trouxeram-na até aqui.



Se tudo estivesse errado a empresa não teria sobrevivido. Pessoas a levaram até aquele ponto, e deveríamos agradecer a elas. E acrescentei: o engajamento de cada um - da parte superior do organograma e assim como os da parte inferior - será fundamental, todos temos que acreditar que as mudanças que forem efetivadas serão benéficas.

Tenho preconceito com consultor. Assim como com críticos de arte, eles opinam porque não sabem fazer.

Uma empresa sob meu controle acionário jamais contrataria um consultor. Iria sim ao mercado buscar profissionais qualificados, mas engajados na filosofia e objetivos da empresa.

Se um projeto de consultor não der certo foram tempo e dinheiro jogados no lixo. Quem responderá pelo prejuízo? Quem concebe tem que implantar e responder por resultados.

Tenho dito. 


Chiste do Todo Poderoso
Imagens Google.

7 de janeiro de 2017

Decisões açodadas

Hoje pela manhã (05.01.2017) esperei meia hora pela chegada de um ônibus das linhas 47A ou 47B. Isso é absolutamente anormal.

Nesta parada, próxima de minha casa, dependendo do horário, quando muito 3 pessoas aguardam por um destes ônibus. Hoje já éramos 11 pessoas estranhando a demora.

O “apontador”, empregado da empresa que controla a passagem dos veículos, anotando horário e números da roleta, explicou que a ordem da administração a partir de agora, é para que os motoristas só movimentem o veículo quando o passageiro ultrapassar roleta.

A ameaça de punição para os infratores, levou alguns motoristas a estabelecerem operação padrão (diria eu tartaruga), de tal sorte que esperam que o passageiro transponha a roleta e, em alguns casos, sentem.

Típico caso de decisão precipitada, impensada, ou pelo menos mal concebida e posta em prática sem gerenciamento.

Cloro que como envolve aspectos de segurança, não seria tolo de achar errada a decisão da empresa. Acho errada a maneira como implantada. Ameaçar punir (parece que um dos motoristas já tivera que assinar uma advertência), não é o melhor caminho. Que tal uma palestra para conscientiza-los dos riscos envolvidos ao colocarem o veículo em movimento com passageiro ainda embarcando? Que tal alertar principalmente para os casos de idosos? E estabelecer uma contrapartida como, por exemplo, afrouxar o controle dos horários a que estão submetidos.

Trabalhei em empresa de supermercados, em São Paulo, na década de 1970. Era gerente de recursos humanos. Presenciei um caso típico de decisão intempestiva, impulsiva e que provocou transtornos na operação de uma das principais lojas da rede. Esta loja estava situada na Rua Turiassú,  bem próxima do campo do Palmeiras.


Num sábado pela manhã o diretor da rede resolveu dar um giro pelas lojas. Chegando naquela citada observou que só havia 4 caixas em funcionamento. Em cada uma, na fila, não mais do que 3 pessoas.

Check-out de loja de supermercado
Chamou o gerente da loja e recomendou que ele programasse melhor os horários de trabalho das operadoras de caixa porque observara filas naquele horário -  08:00 da manhã.

Assim fez o gerente. Reforçou o número de caixas a partir da abertura da loja, o que ocorria às 06:00 horas.

É importante atentar para a seguinte informação. Naquele primeiro horário matinal, como praxe, as compras eram de saco de leite (ainda era vendido em sacos plásticos), pãezinhos e, eventualmente, açúcar e um pedaço de queijo.

A partir das 11:00 horas, exatamente quando o movimento da loja crescia, com compras mais volumosas, as operadoras de caixa fechavam os caixas para o horário de refeição.

As filas tornaram-se imensas e como as compras eram maiores a demora no atendimento irritava aos consumidores.

Como estava programado, 3 entravam logo na abertura da loja, outras 4 às 10:00  horas,  outras 4 às 12:00 e, finalmente, outras 5, às 14:00 horas. Funcionava até às 22:00 horas. E cada operadora tinha uma jornada de 8 horas.

Decisão açodada. Não foram consideradas todas as circunstâncias. Aumentar o quadro de operadoras seria outra bobagem, que só iria onerar a folha salarial.

Teria sido muito melhor deixar como estava, com espera pelo atendimento de consumidores com poucos itens e de baixo valor.

Numa siderúrgica em São José dos Campos/SP, onde também trabalhei na mesma função, tive um atrito com um “consultor” contratado para racionalizar custos.

Nós mantínhamos sob contrato uma empresa de ônibus, que recolhia os trabalhadores próximos de suas residências.

Eram três ônibus, que faziam diferentes percursos. Informo que esta siderúrgica ficava na Rodovia Presidente Dutra, à esquerda no sentido Rio-São Paulo. Só que a grande maioria dos seus empregados morava no lado oposto, onde é realmente a sede da cidade. Cidade que não é pequena. Tinha, na época, cerca de 500.000 habitantes.

Vista parcial de São José dos Campos - São Paulo
Pois bem, o “gênio” propôs a redução das linhas, de três para duas, com reestudo dos percursos. Teoricamente perfeito. Mas e na prática?

Com os novos percursos ficou evidente que algumas pessoas (as primeiras a embarcar) tinham que sair de casa mais cedo, porque o ônibus iria percorrer um trajeto maior. Em zig zag.

Pois bem, estas primeiras pessoas ficavam tanto tempo dentro do veículo, que resolveram reclamar horas extras, sob considerar que já estavam à disposição da empresa desde o momento do embarque.

Por outro lado, os que moravam mais próximos e eram os últimos recolhidos, ficavam nas esquinas esperando um bom tempo. E nem sempre tinham poltrona para sentar quando embarcavam.

E não foram poucos os dias em que se registraram atrasos na chegada à planta da usina.

Provocamos sérios problemas trabalhistas e de relacionamento com empregados, para economizar, sei lá, umas merrecas, não lembro quanto.

Está certo que eram 3 turnos, mas ainda assim na relação custo benefício ficava evidente que era melhor não alterar. Até porque se estava mal dimensionado, o profissional que organizou e implantou não teria sido competente, analisando com cuidado o mapa da cidade e os sentidos de direção das ruas e os endereços dos trabalhadores. Cronometrando trajetos para obter uma média de tempo dispendido.

Mas o “consultor” precisava apresentar serviço e resultado para justificar seu custo. Como depois ele iria embora, palpitar em outras empresas, não tendo compromisso com a operação da Siderúrgica, para ele estava tudo formidável.

Se você está pensando que os empregados não deveriam postular horas extras porque a empresa oferecia um beneficio para eles que poderia ser eliminado, pensou errado. Os transportes coletivos não seriam capazes de atender as demandas, em especial no turno da noite. Forno de aciaria não é desligado.



As imagens são do Google.

6 de janeiro de 2017

ESTÁ DEMAIS …...




Por 
RIVA





A cada dia que passa vou ficando mais e mais preocupado. Muitas notícias de assaltos, assassinatos, violência de todas as maneiras, com muita crueldade, o Estado assistindo e sem nenhuma estrtaégia proativa, a Maldade se organizando e se federalizando, o que é mais assustador.

Sempre fui muito observador, detalhista ao extremo, e isso para mim tem sido muito ruim, porque percebo coisas que muitos não percebem, e acham que estou exagerando. Tudo me incomoda, está demais.

Calor abrasador, meio-dia (tem hífen, Profª Rachel ?), 3 catamarãs novos com ar condicionado parados e nos colocam naquela p.......... de catamarã sem sequer ventilação forçada ! Comecei a fazer um discurso para o vento, enaltecendo a geração do meu pai (sabem porque, certo ? ), e a maioria me olhando como se eu fosse um ET.

Hoje cedo, ouvindo a CBN RJ como sempre, o Jabor me arrasa totalmente, mencionando uma frase do antropólogo belga Claude Lévi-Strauss : “Vamos passar da barbárie à decadência, sem conhecer o que é civilização”. E finaliza temendo que isso se realize no Brasil. Não falo no mundo, porque existem centenas de lugares civilizados no lindo Planeta Azul. Falo do Brasil mesmo.

Mudei meus hábitos radicalmente. Não saio mais de carro (só de táxi ou Uber), raramente utilizo a motocicleta, evito 99% saídas à noite, ando com o mínimo necessário em termos de documentos e outros apetrechos, ou seja, não sou mais eu.

Um dos meus filhos trabalha na Tôrre Rio Sul, um lugar bonito, diferenciado. Pois bem ; para voltar diariamente para casa tem que selecionar com muita calma o ônibus a pegar, porque muitos têm vindo de Copacabana com gangs dentro, que, ou descem do ônibus para assaltar quem está no ponto do ônibus, ou atacam as pessoas que sobem nesse ponto do Rio Sul. E isso quase diariamente ! Sem qualquer tipo de repreensão ! Não pode ter/usar um celular melhor, um relógio bacana, não pode carregar seus documentos normalmente, enfim, está a ponto de voltar todos os dias de táxi do trabalho até a Pça.XV.

Semana passada conheci uma pessoa que se especializou na transferência legal de famílias inteiras para Portugal. Em 2016 ele levou 26 famílias para residir em definitivo por lá. Eu conheço 6 casais que saíram desse inferno aqui, com destinos diversos : Escócia, Canadá, Austrália, Espanha e  Estados Unidos.

Essa semana encontrei um amigo no catamarã ( 65 anos de idade) que disse estar indo para Portugal em definitivo, pois a filha está criada, a sogra faleceu recentemente, e nada mais o prende aqui para os anos que lhe restam. Vai comprar uma residência nos arredores de Cascais ainda nesse 1º semestre de 2017. Conhece bem o local, pois passa por lá todos os anos, onde aluga um apartamento por 1 a 2 meses, vivendo o dia a dia como um cidadão local.

Ontem conversei com um amigo, com seus 70 anos, que disse estar em processo de compra de uma residência num Senior Condominium perto de Miami, para ficar lá até o fim dos dias. A casa é uma belezinha, simples, custa US$ 65.000, e o condomínio para pessoas idosas é um espetáculo, com uma infraestrutura e segurança sensacionais – praticamente um mini bairro com 300 casas.

Prezados, como deve estar a vida de quem mora fora das zonas mais nobres do Rio de Janeiro ? Eu tenho alguns exemplos, pois muitos dos meus funcionários moram na região metropolitana do Rio. E atesto : é um inferno a vida deles, em todos os sentidos ! Tiroteios diários, assaltos, engarrafamentos para ir e voltar para casa.


São Gonçalo, Mesquita e Nova Iguaçu (que tem 800.000 habitantes para quem não sabe) decretaram estado de calamidade pública. O prefeito de Sto. Antonio de Pádua baixou um decreto onde diz que a gestão dele está entregue a Deus até 2020 !

E não sentimos nenhum movimento de reversão desse cenário, muito pelo contrário. Desafio alguém mencionar alguma coisa, algum serviço que vai bem, solidamente. E não falamos dos 12.000.000 de desempregados, que podem significar mais de 35.000.000 sem grana para o básico em suas vidas.

Como conseguimos, todos nós, deixar isso tudo acontecer ?

E como solucionar ?

Balançando bandeirinhas brancas em passeatas pela paz ?

Vocês acreditam que conseguiremos governantes federais, estaduais e municipais, e nas associações de bairros, que se conectem, se unam independente de partidos políticos, e transformem esse cenário com mudanças nas leis, nos orçamentos, e nos modelos de gestão (não estou falando somente de gestão financeira) ?

Que conquistem investimentos na segurança pública, que gerem empregos, que façam as crianças quererem/poderem retornar às escolas ?

De novo, aos que usam óculos com lente cor de rosa : a Maldade está federalizada !

Nada, mas nada mesmo poderá ser feito sem reconquistarmos o direito de ir e vir com tranquilidade a qualquer lugar, a qualquer hora : ao trabalho, escolas, médicos, cinemas, barzinhos, viajar, andar na praça, etc, etc. Não adianta falar que EDUCAÇÃO e SAÚDE são prioridades, pois não teremos nenhuma das duas se não houver Segurança Pública.

Isso não é um post ; é o registro de um desabafo, de alguém que tem consciência de que estamos perdendo a batalha, todos os dias.