7 de setembro de 2025

7 de setembro de 1822


                               
"O Grito do Ipiranga" - Pedro Américo de Figueiredo Mello (1888).

Quando minha curiosidade supera a preguiça mental, e a aceitação da ignorância como normal, vou à luta.

Seria a famosa tela de Pedro Américo  uma abstração pictórica? Uma licença poética com utilização de tintas e pinceis? Uma ficção criada desde atelier profissional? Ou foi inspirada em outra tela?

Seria possivelmente uma representação fiel, fidedigna, de fato testemunhado por pessoas idôneas, confiáveis, isentas, do gesto heroico?

Vejamos os fatos históricos, auditáveis, para me fixar em vocábulo da moda. 

O primeiro fato, se confiável a Wikipédia, que já elidiria metade de minhas dúvidas, é que a "Proclamação" ocorreu em 7 de setembro de 1822. Portanto 21 anos antes do nascimento do celebrado artista polivalente, que nasceu em 29 de abril de 1843.

Logo, não estava naquela comitiva como se fora um pintor impressionista com interesses políticos internacionais. 

A icônica tela é de 1888. Pedro Américo contaria então 45 anos de idade. Logo teria tido tempo  para pesquisar, ouvir testemunhas oculares e com base em informações confiáveis foi para seu atelier e reproduziu em tela, manejando pinceis e utilizando tintas, a cena memorável da independência do Brasil.

Acho pouco provável e muito pouco fidedigno que alguém presente  tivesse prestado atenção nas demais pessoas, também presentes ao ato, que pudessem municia-lo - a ele Pedro Américo - com informações precisas e tão detalhadas.

Resta a inspiração em outra obra, mexida aqui e ali, seja para disfarças o plágio, seja para tornar o momento mais verossímil. Fico com esta hipótese, a partir da informação obtida de que outro artista, um francês de nome François-René Moreaux, então radicado no Brasil, pintou sob encomenda o momento da proclamação de independência, e que colo abaixo.

Logo, se confiáveis as datas, Pedro Américo tinha um ano de idade quando Moreaux concluiu seu trabalho.

"Proclamação da Independência" -  François-René Moreaux - (1844) 

Na tela do pintor francês, D. Pedro está mais centralizado,  em destaque na tela. Em contrapartida na obra de Pedro Américo, D. Pedro de Alcântara de Bragança, está em local pouco mais elevado, destacando-se do povo e demais acompanhantes do Príncipe Regente.

Chego ao fim destas considerações e assalta-me nova dúvida: foi bom para nós (eu, mulher e filhos), que nem descendentes diretos somos dos primeiros brasileiros livres do domínio português, a proclamação de independência? 

Se tivéssemos continuado sob a coroa portuguesa teríamos em Niterói a iguaria da confeitaria portuguesa conhecida como pastel de Belém?

Notas:
1. Somos de origem portuguesa por vinculo materno e italiana por laços paternos.

2. Se a montaria de D. Pedro era um belo cavalo, e não uma mula como insinuam alguns detratores, como seria o nome do animal? O de Calígula era Incitatus; o do herói Fantasma se chamava Herói; o de outro herói dos quadrinhos, o Zorro, era chamado Toronado, e por fim, para não ficar enfadonho, o de Alexandre, era o Bucéfalo.


5 de setembro de 2025

RIR (AINDA) É O MELHOR REMÉDIO?

 


Além de ditado popular, era ou é, coluna fixa na Revista do Readers Digest, que lia na minha infância, porque meu pai era assinante (vai saber por que). As matérias, de modo geral,  reforçavam a admiração e respeito pelo "american way of life".


Recebidos de amigos, via WhatsApp, agradecendo reproduzo aqui vídeos engraçados:








4 de setembro de 2025

O dia em que ousei delatar o incensado Veríssimo

Estou me referindo ao Luís Fernando, e não ao Érico.

Era muito fã do LFV, e por conta disso durante longo tempo colecionava as crônicas dominicais dele, publicadas em importantes órgãos de imprensa brasileiros. Sim, eu as recortava  e guardava.

Essa prática acabou por se tornar ultrapassada,  desnecessária e inconveniente pois com o tempo os recortes de jornais amarelavam, cheiravam desagradável, etcetera (et cetera) e tal.

Esta coleção de recortes, e minha então boa memória, despertaram minha atenção para duas crônicas semelhantes, tipo variações sobre o tema, publicadas num intervalo de 6 anos. Em janeiro de 2000 e novembro de 2006.

Vejam em:

https://jorgecarrano.blogspot.com/2011/02/variacoes-sobre-o-tema.html


Sete anos depois desta postagem na qual me exibi como atento e assíduo leitor,  publiquei  um outro post, em janeiro de 2018, ressaltando a dificuldade de escrever regularmente, sob pressão de prazo para entrega dos textos que serão publicados em veículos importantes e atingirão milhares de leitores.

Está em:

https://jorgecarrano.blogspot.com/2018/01/falta-de-assunto-ou-falta-de-memoria.html

Afirmei que a prática de recortar jornais foi abandonada, e não expliquei devidamente porque se tornou desnecessária.

A exemplo de outros cronistas, Veríssimo  passou a publicar coletânea de suas. 

Estas publicações serviam não só para satisfazer meu prazer de releituras, como se prestavam para presentear amantes da leitura em datas especiais como Natal e aniversários.





3 de setembro de 2025

O Julgamento

Para além do interesse profissional e a atitude mental sempre disponível para o aprendizado, inobstante a área criminal ser, para mim, muito árida, inóspita, tem o aspecto litúrgico, ritualístico, formal, que se somam aos conceitos gerais aplicáveis, teses, doutrina, e jurisprudência, muitas vezes cabíveis na área cível que frequentei até ontem (figurado).

Acabei me estendendo nas sentenças explicativas e não chequei ao fim da intenção do prólogo, que era pontuar o fato aderente que a par do interesse do advogado, tem a expectativa, a curiosidade do cidadão, apegado às leis e a ordem constitucional.

Ao contrário dos vitupérios, das aleivosias assacadas contra o Judiciário brasileiro como um todo e o ministro Alexandre de Moraes, pelo arrogante, prepotente, mas inculto e despreparado para conduzir uma das maiores potências econômicas e militares do planeta, o que vi e ouvi pela TV Justiça (canal 24 da Sky), foi um julgamento  fiel ao devido processo legal, assegurada a ampla defesa e o contraditório (livremente exercido pelos advogados de defesa desde a tribuna), pilares de um julgamento transparente, público, como não se conhece em muitas outras partes do mundo.

Talvez no cinema, mas lá são tratados julgamentos populares, com jurados sorteados, em tribunais com juiz togado singular, que profere sentença unilateral limitada à dosimetria.

Chama atenção, ao tempo em que demonstra para Trump que não há no Brasil, caça às bruxas, não há  tirania no  Judiciário.

Nenhum, repito, nenhum dos advogados que atuaram na defesa dos oito acusados, sequer tangenciou a narrativa da perseguição, do caráter político, muito pelo contrário validaram a legalidade do processo e a independência e capacidade técnica/cultural  dos julgadores (até distinguidos nas falas dos patronos na tribuna).

Assim sendo, Trump, enfia a língua e mete o bedelho em assuntos que lhe digam respeito; e lhe sirva de lição que aqui no hemisfério sul em episódios como o  da invasão do Capitólio - onde ocorreu até morte - não ficaria sem julgamento limpo, justo, hígido.

Aliás que aqui você sequer estaria na presidência porque temos um instrumento legal, denominado popularmente como lei da ficha limpa, que o impediria de concorrer.

Para encerrar volto ao ponderado que foram obedecidos e assegurados o devido processo legal, a ampla defesa e o contraditório, para ressaltar que a suscitação do cerceamento de defesa e restrição a eventual celeridade na tramitação, são inoportunas, posto que é do processo arguir cerceamento de defesa, vícios e nulidades processuais; os julgadores observarão a procedência, ou não.

Podem conduzir a absolvições e até anulação do processo.

Quanto à celeridade deveria estar sendo louvada, posto que o mais das vezes acusamos a Justiça de ser morosa, pior que cega é ser extremamente lenta.

Todo este entendimento está alicerçado no que ocorreu até agora. O futuro, bem o futuro só será conhecido quando chegar sua hora.

Procurando a nova musa ... no tênis

Durante longo tempo, Maria Sharapova foi a musa deste blog, no modo tênis


Ah! Sim, também jogava tênis muito bem. Muitas vezes campeã.

Sharapova sucedeu Gabriela Sabatina, que embora argentina  nós a aceitávamos como aceitamos a casta Malbec.

Quem está na fase seletiva é a polaca Iga Świątek (Natália), para facilitar.

Tanto na prática esportiva quanto na plástica. No tocante ao esporte acompanhe o US Open. No respeitante à plástica verifique:











2 de setembro de 2025

Confraternização óbvia, ante inimigo comum

Olha só o efeito diarreia mental de Trump. Ele queria ter o poder que Putin e Xi Jinping têm. 

Já notaram como tudo é: "Porque eu posso ou porque eu quero"?

E quer o Nobel da Paz e a MAGA, se comportando como  elefante em loja de cristais.



Mal comparando é se como a Terra estivesse sob ataque de marcianos verdes , com anteninhas, como estereotipados, e precisássemos nos unir ante a ameaça.

1 de setembro de 2025

PSICOGRAFIA FANTASIOSA

 

Um dos personagens mais admirados que Luís Fernando Veríssimo nos legou é a "Velhinha de Taubaté". Como diria agora, e disse no passado o Louis Armstrong  quando sentenciou sobre jazz : " se você pergunta o que é jazz, então nunca irá entender". 

Parafraseando o "Satchmo" (abreviação de "Satchelmouth), se você não conhece a "Velinha de Taubaté" então esquece, continue navegando na rede até encontrar assunto que você entenda. Você está no blog errado.

Como faço regularmente acessei o site "Migalhas" já tantas vezes mencionado neste espaço virtual, e  encontrei a matéria a seguir, misto de homenagem e crítica política, escrita com muito bom humor. O original está no link a seguir:

https://mail.google.com/mail/u/0/#inbox/FMfcgzQcpdfQWkxTNQtQKdmZscXrfklh

Relato de uma psicografia fantasiosa, que bem poderia ser um dos muitos textos apócrifos que circularam na internet e atribuídos ao verdadeiro criador da simpática velhinha crédula ao extremo. 

Vamos ao texto:

"Direto da Redação"

"Era ainda madrugada, e o sol, preguiçoso como sempre, nem cogitava aparecer no horizonte, quando os funcionários desta casa começaram a chegar ao portentoso edifício-sede de Migalhas. O Sr. Xavier, nosso vetusto redator, tão vetusto que já confunde "Ctrl C" com uma sopa instantânea, ajeitou-se em seu canto. De repente, começou a balbuciar coisas, como se estivesse dialogando com fantasmas de edições passadas.

O corre-corre foi imediato: todos os colaboradores do andar cercaram sua mesa, temendo um colapso ou, pior, um novo artigo sobre crase. Eis que, subitamente, uma luz se acendeu sobre sr. Xavier. Com a mão direita dramaticamente pousada no rosto e a esquerda escrevendo com velocidade incomum.

Ao final de minutos que pareceram séculos, todos espiaram o papel. O que viram, entre boquiabertos e incrédulos, foi o texto que agora entregamos, para gáudio, e paciência, dos leitores:

"Do assento etéreo onde me encontro, mando esta comunicação:

Continuo convencida de que Jair é inocente. Tudo não passa de um petit mal-entendu, uma fofoca amplificada por haters e, vá lá, no máximo, um lapsus administrativo. Tenho fé de que o Supremo reconhecerá a injustiça e que o nosso imbrochável sairá aplaudido, comme il faut, carregado nos ombros como se fosse campeão do Maracanazo ao contrário.

Quanto àquela tarde de 8 de janeiro, convenhamos, foi apenas um tour guiado pelo Congresso, uma visita mal compreendida pelos guardas de Brasília - quase um passeio cívico-turístico, com direito a lembrancinhas das vidraças.

E a família, ah, meus queridos. Flávio é um self-made man que se fez com a ajuda do papai; Carlos é um enfant terrible de WhatsApp; e Eduardo, ah Eduardo. sempre tão jet set, com aquela pose de "embaixador in pectore" em Washington. Um verdadeiro globetrotter da política, ainda que com sotaque de Orlando.

Enfim, sigo acreditando, porque acreditar, meus caros, é o que mantém essa Velhinha viva, ou quase.

"Velhinha de Taubaté""