Conheço um ghostwriter que escrevia os discursos do “Big Boss” de uma multinacional, para eventos internos: seminários, comemorações, etc.
Não é um intelectual pelo conceito corrente. Formado em
comunicação social e leitor assíduo e seletivo, sabia escolher as palavras (mais
do que os sentimentos) do “Poderoso Chefão”, adequadas para cada momento. Esta
missão lhe rendia uns bons trocados.
Fico matutando, com meus botões, se me sentiria bem lendo
como sendo de minha lavra, uma mensagem escrita por terceiro contratado, que
sequer refletiria meu âmago.
Comparação esdrúxula, mas elucidativa: jamais trapaceei num jogo
de cartas (buraco ou biriba), em dupla ou individualmente. Não pelo receio de ser
apanhado, mas pela ausência do sentimento satisfação pelo êxito, por saber que
obtido à sorrelfa.
Não importaria que os demais partícipes ignorassem os artifícios
escusos. Eu sabia e era o quanto bastava.
Lidar com fraude é difícil para mim. Tive um cliente, gerente
de banco, que não trapaceou. Praticou um ato condenável, ilícito mesmo, de favorecimento
a parente. Foi difícil defende-lo numa apuração disciplinar interna. A meu
juízo ele era culpado, embora tenha argumentado que errou involuntariamente.
Menos mal que não resultou em prejuízo para terceiros, e
principalmente para seu empregador.
Voltando aos escritores ocultos (fantasma), alguns famosos (v.g.
Augusto Frederico Schmidt) eles ainda têm mercado de trabalho?
Os algoritmos da Inteligência Artificial (IA) serão capazes,
com pleno sucesso, de produzirem discursos notáveis, para “big shots” ricos em
referências, a custo zero, num piscar de olhos, e o segredo fica restrito.
Da mesma forma que nunca trapaceei no jogo, como enfatizei
acima, não pediria a IA para escrever um post para este blog. Não sem mencionar
que pedi, jamais assumindo a autoria.
No passado justificaria que precisava poder me olhar no
espelho para me barbear. Hoje, sem fazer barba diariamente, diria que preciso
repousar a cabeça no travesseiro.
Profissionalmente, se transcrevo trechos doutrinários, faço-o
entre parênteses e com menção da fonte autoral.
Também aqui no blog, excertos, citações, são sempre
acompanhados de alusão às fontes originais, em seguida ou nas notas de rodapé.
Tenho como dito.

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