A propósito das fracassadas tentativas de unir os povos árabes, em torno de uma Federação, ou Repúblicas Árabes Unidas, narradas nas postagens anteriores, ocorre-me uma história verdadeira que acompanhei casualmente em meados da década de 1960.
Com o advento e expansão dos supermercados, os atacadistas "ceboleiros" ou "cerealistas" da Rua do Acre, no Rio de Janeiro, perderam seu poder de compra junto aos produtores. Deixaram de obter preços competitivos em função da escala. Cada qual comprava muito menos individualmente do que as redes de supermercados.
Alguém teve uma ideia, aparentemente muito boa: somar esforços, que no caso seria a criação de um Centro de Compras, que adquiriria dos produtores quantidades que representariam o somatório dos volumes das compras individuais historicamente realizadas por eles atacadistas.
Não vingou, nem saiu do papel. Sabem por que?
Na primeira reunião para definição dos volumes a serem comprados, o item primeiro seria o arroz.
Quando o moderador indagou, na sequência, do primeiro participante quais eram as quantidades que ele costumava comprar, ele subiu nas tamancas: - Peraí, você quer saber quanto eu vendo de arroz? Esse é um dado confidencial, estratégico.
Pronto! Melou o pé de guaco. A desconfiança, a falta de transparência, de lealdade, sepultaram o que talvez fosse uma boa ideia.
Os atacadistas ainda hoje vendem para pequenos mercados de bairro, quitandas, pequenos empórios, a preços que não permitem que estes concorram com os supermercados. Por que compram - eles atacadistas - volumes menores.
Entretanto algumas cooperativas, que têm conceito semelhante, porque cada qual entrega às mesmas o que produz, são exitosas.


2 comentários:
Sim, sei que hoje é uma data muito especial. Diria mesmo especialíssima, posto que tem como referência a mulher.
Tanto não esqueci que já programei, para publicação ao meio-dia, o post sobre as mulheres da minha vida.
Esta postagem foi publicada antes para relacionar atacadistas com o mundo árabe.
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