12 de setembro de 2022

Conflitos de consciência

 



 

Graças a uma parceria com meu caçula, já estou no terceiro – e último - volume da trilogia escrita por Robert Harris, sobre  Marco Tulio Cicero (Marcus Tullius Cicero), cônsul, escritor, filósofo, advogado e maior orador de sua época, depois de um intervalo aguardando a edição deste terceiro volume no Brasil.

Harris apoia seus relatos numa verossímil narrativa, em forma de biografia, escrita por  Marco Tulio Tiro, (Marcus Tullius Tiro) que durante 36 anos foi um leal e astuto secretário particular de Cícero, convivendo com o jurista em seus momentos de glória e também nos de desprestígio e sofrimento, como no exílio de seu antigo senhor.

Não pretendo contar aqui a história do autor das “Catilinárias”, senão apenas falar do momento de sua dúvida, então no exílio, quando poderia aceitar um aceno de Pompeu e retornar a Roma e à vida pública ao preço de renunciar a alguns de seus princípios, e humilhar-se frente a Cesar.

Cicero combateu e denunciou os poderosos Cesar, Pompeu e Crasso, do histórico triunvirato,  quando descobriu seus planos de implantar uma ditadura.

O preço de apego aos seus princípios democráticos tinha lhe custado o exílio, a pobreza e o sofrimento.

Eis o conflito de pensamentos nas palavras de Cícero, reproduzidas por Tiro, quando recebeu de um mensageiro a proposta de Pompeu:

“Que utilidade tenho para minha família ou para meus princípios preso nesta pocilga para o resto de minha vida? Ah, sem dúvida um dia eu poderia me tornar uma espécie de exemplo notável a ser ensinado a alunos entediados: o homem que se recusou a comprometer sua consciência.

Talvez, depois que eu estiver morto possam até erigir uma estátua minha na parte de trás  da rostra. Mas eu não quero ser um monumento. Minha habilidade é a arte de governar, e isso requer que eu esteja vivo e em Roma.”

De sua parte Pompeu o perdoaria e redimiria, mas Cícero, ele próprio, precisava convencer Cesar.

No texto acima as reflexões antes de escrever a Cesar acenando um pedido de paz.

 

Notas:

1.  rostra significa tribuna. Na Roma antiga era uma plataforma alta, em madeira, utilizada para discursos e pronunciamentos.

2. Tiro foi escravo de Cicero, mas foi libertado por este mais tarde.

9 de setembro de 2022

Charles III - o Absorvente

 

Muitos monarcas tiveram epítetos, ou cognominações.

Abaixo dois exemplos:



Mas ainda houve muito mais, como  na França, por exemplo:
Carlos V - o Sábio
Carlos VI - o Louco
João de Valois – o Magnífico


Já o Charles III, da Inglaterra, acima, coitado  será Carlos III – o Absorvente.

Com todo o respeito majestade. Mas fostes vós mesmo quem o disseste.


7 de setembro de 2022

Montagens reveladoras

Estou quase seguro que já contei neste espaço virtual a história de um amigo, que foi meu chefe no Grupo Matarazzo.

Além de culto, inteligente e poliglota, tinha raciocínio muito rápido.

Ele havia sido contratado fazia cerca de um mês e eu estava em sua sala conversando sobre aspectos gerais. Ele diretor geral e eu gerente administrativo da divisão têxtil do  Grupo.

Olga, sua secretária de muitos anos, levada por ele, anunciou que estava na linha um velho amigo dele. 

Depois das cordialidades de praxe, pela resposta imediata que ele deu a uma pergunta do interlocutor, logo deduzi qual teria sido a pegunta.

Disse ele em resposta: "fica entre o deprimente e o degradante".

A sede da divisão têxtil ficava no bairro do Belenzinho, na capital paulista.

Analisando as montagens feitas com fotos, consoante abaixo, lembrei das palavras do Marcos Telles (esse era o nome do diretor/amigo).

São adequadas ou não são? Aplicam-se ou não, as figuras retratadas? Como escolher?




Nota do blogueiro: poderia ser outra a opinião do Marcos em relação ao Belenzinho?

Ele morava nos Jardins, como ele dizia "a duas confortáveis quadras do Pinheiros", onde tinha quadra de tênis reservada três dias na semana, pela manhã, para jogar com convidados.

Colecionador, tinha uma pinacoteca na cobertura onde morava.

Gradil, guarda-corpo?

 Não sei no linguajar de engenharia como denominar corretamente o guarda-corpo colocado no calçadão, desde a subida da Boa Viagem até o término da Praia das Flechas e início da Praia de Icaraí, quando a  faixa de areia mais larga já não expõe a risco os transeuntes.

As fotos revelam sobre o que estou escrevendo.

Trago este assunto em face do deplorável estado em que se encontra o gradil ou que nome tenha.

Encontrei na rede mundial que a matéria é disciplinada pela ABNT NBR 14718, mas já seria exigir demais  que eu leia. 


Observem acima que a barra horizontal está solta, pois a ferrugem comeu a ferragem.



Nesta outra imagem acima, vê-se que as sapatas de fixação, em concreto, estão quebradas e já não seguram, a grade. 




A oxidação é visível em todo o trecho do guarda-corpo.




Não encosto de forma alguma, para apreciar a paisagem, pois tenho receio de cair junto com as laminas redondas.

O que acham os engenheiros que bisbilhotam este blog? Minha apreensão tem fundamento?




4 de setembro de 2022

Outras histórias de Niterói

 

As fotos abaixo são da Estação Ferroviária General Dutra, na Av. Feliciano Sodré, onde muitas vezes embarquei com destino a Cachoeiro de Itapemirim para namorar em finais de semana ou durante as férias, num período  4 anos, até que a namorada, em seguida noiva, em dezembro e 1964 tornou-se minha mulher, companheira de fé até os dias de hoje.




A imagem abaixo é da Sociedade Portuguesa de Beneficência, mais conhecido como Hospital Santa Cruz.

O prédio hospitalar está ao alto, na foto, na elevação.


Em maio de 1958, um acidente marítimo acabou dando nome a um trecho da Praia de Itaipu, no praião: Camboinhas.

Um cargueiro com este nome vinha da Argentina e na altura de Mangaratiba apresentou problema, tendo  que ser rebocado.

Só que o reboque não  deu conta do  recado  e o  cargueiro, à deriva, veio dar com os costados aqui em Itaipu.

A Marinha pensou que resolveria o encalhe do Camboinhas com uma corveta, de nome Angustura. Mas qual o quê, o que conseguiram foi encalhar também a corveta,  atirada para a areia pelas ondas.

Agora eram duas as embarcações encalhadas.

Um mês depois enviaram 3 rebocadores de alto mar, (Tristão, Triunfo e Tridente) e mais duas corvetas (Imperial Marinho e Solimões) e na maré baixa retiraram a Angustura.

Mas o Camboinhas teimava em não desencalhar. Resultado: foi desmontado ali mesmo.

Hoje Camboinhas, a praia, e não o cargueiro, é uma das mais requisitadas da cidade.

Abaixo momentos da empreitada.









3 de setembro de 2022

Jabuticaba III


Além da própria fruta e da dúvida suscitada junto ao presidente se o eleito tomará posse, vale registrar para "após ter idade" uma terceira inusitada, diferente,  e no caso agora comentado absurda, bizarra, teratológica, criação que é um "orçamento secreto". Risível aos olhos e ouvidos dos povos civilizados e democráticos. 

Ou seja, cerca de R$ 20 bilhões do seu, do meu dinheiro, arrecadado a título de imposto, são colocados nas mãos de parlamentares que darão  a toda esta fortuna o  destino que lhes aprouver.

https://valor.globo.com/brasil/noticia/2022/08/31/projeto-para-2023-reserva-r-194-bilhoes-a-emendas-do-orcamento-secreto.ghtml

Ninguém sabe que aplicação será dada a esta grana.

Isto também não existe em nenhum outro lugar do planeta.

Bem, nós que não somos tolos por inteiro, sabemos que tal orçamento disfarça a compra de parlamentares, entre outras coisas para blindar o presidente de processo de impeachment.

Assim como o auxílio emergencial, na forma e momento em que foi aprovado, tem fins eleitoreiros.

Ficam os candidatos agora prometendo eternizar o pagamento de um auxílio, uma bolsa, para os desfavorecidos, dos que estão abaixo da linha pobreza. 

Gostaria que um dos candidatos se dispusesse a envidar esforços, desenhar projetos e planos de governo visando a tirar estes milhões de brasileiros da situação em que se encontram, não tendo o que comer.

A preocupação demonstrada nas campanhas que o auxílio, seja que nome tenha será mantido, significa a perenização da miséria. 


Vide jabuticaba  anterior em:

ttps://jorgecarrano.blogspot.com/2022/08/outra-jabuticaba.html


2 de setembro de 2022

Trilogia imperdível

Refiro-me a trilogia, de autoria de Robert Harris, sobre Marco Túlio Cícero (Marcus Tullius Cicero), advogado, político, filósofo, escritor, célebre orador e cônsul romano.