16 de agosto de 2026

Bill, meu cachorro, captava as emoções refletidas em meu rosto

                                     Bill no jardim de minha casa em São José de Imbassai - Maricá

William Longhall, Bill para os poucos íntimos, era um pastor manto negro, que adquiri no Campo de São Bento, às oito semanas de idade.

Fui seu tutor e professor do básico para um cão de seu porte e comportamento atávico. Não contratei um adestrador porque o mais próximo existente de São José de Imbassai, onde morava, cobrava um preço que daria para mandar um de meus filhos para Oxford.

A primeira lição foi no primeiro dia, ao chegarmos em casa. Coloquei ração no recipiente, e ao pega-lo de volta para reposicionar, ele rosnou e pegou meu dedo. Era bravo desde os dois meses.


Dei-lhe um soco no focinho para ele aprender quem era o chefe ali. Nunca mais ousou rosnar para mim, nem mesmo  quando, a guisa de teste, tirava o osso (iguaria predileta) de sua boca.

Era mal-humorado e assustador mesmo abanando o rabo. Era respeitado, quer saber, melhor dizendo temido. Belo porte, orelhas sempre eretas e olhar reluzente.

Quando já adulto, resolvi vender a casa e me mudar, o comprador era um oficial da Polícia Militar. Lidava com os cães de sua corporação. Viu o  Bill e comentou: "vê-se que tem atitude".

Nem mesmo seu veterinário lidava tranquilo com ele se eu não estivesse ao lado. 

Lembro que quando foi preciso operar, para extirpar, uma unha anatomicamente incorreta na  pata dianteira, estando Bill deitado na mesa elevada, o veterinário pediu-me para ficar ao lado da mesa. Por questão de segurança.

Há 17 anos, desde quando este blog foi concebido e construído, pretendia comentar a capacidade que ele tinha de interpretar meus sentimentos.

Bill não era fiel, por instinto, era leal por racionalidade. Ciumento ao extremo.

Interpretava meus sentimentos de alegria, de raiva, de preocupação.

Castelar, um amigo já muito citado no blog, foi com a mulher nos visitar em SJI. Enquanto conversávamos no quintal, junto a garagem, ele se virou para Ida (sua esposa), e comentou: "olha como ele não tira os olhos do Carrano".

Era sempre assim perscrutando minhas emoções, minhas reações.

Mas como abordar um tema que ignoro, como muitos outros, conferindo um embasamento científico, acadêmico?

Matérias jornalísticas recentes deram verniz científico ao meu empirismo. Ei-las a seguir:

"Cérebro de cachorros capta várias emoções no rosto humano, segundo estudo".

https://www1.folha.uol.com.br/ciencia/2026/08/cerebro-de-cachorros-capta-varias-emocoes-no-rosto-humano-segundo-estudo.shtml

https://www.bnews.com.br/amp/noticias/bnews-pet/cerebro-de-cachorros-consegue-ler-emocoes-no-rosto-humano-entenda.html

https://exame.com/ciencia/caes-conseguem-ler-emocoes-humanas-pelo-rosto-aponta-estudo/

"Muitos tutores já diziam e agora a ciência comprova. Imagens de ressonância magnética trazem evidências de que os cães têm uma compreensão relativamente sofisticada das emoções humanas. Ao observar fotos de rostos humanos, esses animais são capazes de distinguir expressões de diferentes emoções, como alegria, medo ou raiva."

"Embora essa capacidade não possa ser comparada com a das pessoas, ainda assim a constatação é mais um indício de que convivência de milhares de anos entre as duas espécies aproximou a cognição e as emoções de ambas."

"Os cães são capazes de identificar diferentes emoções no rosto humano e processá-las de maneiras distintas no cérebro. A conclusão é de um estudo publicado na revista iScience na última segunda-feira (dia 10), que utilizou exames de ressonância magnética funcional (fMRI) para analisar como os animais respondem a diferentes expressões faciais."

"Os pesquisadores da Universidade de Viena afirmam que os resultados reforçam a hipótese de que milhares de anos de domesticação favoreceram o desenvolvimento de habilidades sociais que aproximaram a cognição de cães e humanos."

Secando após o banho



Notas:
1. Estes dois últimos trechos foram pinçados de um original publicado em Examke.com. Leiam a matéria completa em https://exame.com/ciencia/caes-conseguem-ler-emocoes-humanas-pelo-rosto-aponta-estudo/?utm_source=copiaecola&utm_medium=compartilhamento

2. Bill já teve uma biografia publicada aqui. Mas como se trata de amigo (ex), nunca é demais.

6 comentários:

Jorge Carrano disse...

Ele adorava passear de automóvel. Eu recuava o banco do carona e deixava o vidro da janela meio aberta. Ele ficava ali com o vento na cara na maior alegria.

Tea with Erika disse...

O Bill era lindo! Pena que convivi muito pouco com ele.
Os cães são animais fantásticos! E a convivência conosco fez com que eles desenvolvessem essa compreensão que nem mesmo nossos primos primatas possuem.

Jorge Carrano disse...

Valeu, Erika. Para quem não sabe, ainda, a Erika construiu este blog para mim. E me ensinou os rudimentos de como fazer a manutenção. Já lá se vão 17 anos.

RIVA disse...

BOY foi meu companheiro na infância e adolescência por uns 14 anos.

Um vira-lata esperto e nervoso (por minha causa). Jogava futebol comigo, agarrava no gol, brincava de Super Homem pelo telhado da casa comigo (sim, no telhado !), mas ai de quem chegasse perto do prato de comida dele ......
Nos treinamentos comigo, a recompensa era um pedaço de banana.

Tomávamos banho juntos no quintal com a mangueira de regar o jardim, uma farra para desespero da minha saudosa vó. No fim do banho ele se divertia com a toalha que eu usava para enxugá-lo.

Dormiu muitas noites na minha cama, com suas pulgas ......kkkkkkk.

Quando comecei a dirigir o Simca do meu pai, ele adorava como o Bill, ir atrás de mim, com a cabeça na minha janela pegando o vento no focinho.

Ia na rua passear, fazer suas necessidades no pequeno bairro do Pé Pequeno, junto com muitos outros cachorros , sempre voltava tranquilo. Às vezes sumia por uns 3 dias e voltava arrebentado da luta com outros cachorros para cruzar com uma cachorra...mas voltava. E cuidávamos dos seus machucados.

Para minha enorme tristeza até hoje, um dia não voltou. Estava cego com a idade avançada, mas saía assim mesmo para a rua, mas choveu muito aquele dia e ele, que voltava pelo faro para casa, não voltou e nunca mais o vimos ......

RIVA disse...

Para não dizerem que não falei de flores .......

Impressionante ver o Vasco jogar (é o time da Matriarca Vascaína). Irreconhecível .... como pode se transformar tanto quando joga contra nosso FLU ? ....

Acabou Vasco 0x3 Santos em San Janú, com boa atuação do menino Ney, e incríveis falhas do bom goleiro Leo Jardim do Vasco.

Anônimo disse...

Sim! Eles conseguem captar e interpretar até microexpressões. É fantástico mesmo!

Beijos