19 de março de 2026

VASCO DA GAMA 3 x 2 FLUMINENSE

Ontem 18 de março de 2026. Quarta-feira, Maracanã, 21:30h, Campeonato Brasileiro .

Fluminense franco favorito, com toda razão (menos pela inexistente lógica do futebol), posto que o Fluminense era o 3º colocado, com 13 pontos, e o Vasco o 15º com 5 pontos.

Até a IA, consultada, apontou o Fluminense como favorito. Sem saber que fatores objetivos não são considerados no futebol.

https://www.lance.com.br/fora-de-campo/inteligencia-artificial-crava-resultado-de-vasco-x-fluminense.html

O tricolor sai na frente: 1x0 aos 55 segundos de jogo. Amplia para 2x0. A IA comemorava 😂😂😂.

O Vasco tem elenco mais modesto, mas conta com uma torcida realmente apaixonada e que não desiste. Não sem motivo o Gigante da Colina é considerado o time da virada.

E na sequência o Vasco fez 3 gols virando o resultado final para 3x2.


Pode ser que no returno o resultado seja outro. Pode ser. Por que não? Mas esta vitória épica, heroica, empolgante, maravilhosa, entra definitivamente para a história do confronto e da competição.


Imagem: Google

17 de março de 2026

Água escondida (nheterõîa em tupi)

Uma das teorias mais aceitas é que o termo "Niterói" tem raízes tupi-guarani. A palavra "Niterói" é frequentemente associada à combinação de duas palavras tupi-guarani: "Nety" que significa "água" e "ro'i" que significa "escondida". Portanto, "Niterói" pode ser interpretada como "água escondida" ou "lugar de águas ocultas". Essa interpretação é consistente com a geografia da região, que possui diversas enseadas e áreas de águas tranquilas.

Ao longo dos séculos, o nome "Niterói" passou por diversas variações e adaptações. No período colonial, era comumente escrito como "Nitheroy". Com o tempo, a grafia foi simplificada, resultando na forma atual "Niterói".

Ao fim e ao cabo destas variações, os nascidos e os moradores chegamos a "Nikiti", apelido carinhoso e popular de Niterói. 

A cidade foi fundada em 1573 pelo cacique indígena Araribóia, sendo a única cidade brasileira fundada por um líder nativo.


Ei-lo acima, admirando a Baia da Guanabara, desde o Cento da cidade, na praça que leva seu nome.


Praia das Flechas em dia de mar bravo. Ao fundo o MAC.


Mercado São Pedro

https://cidadedeniteroi.com/cidades/mercado-de-peixes-remonta-a-tradicao-sabor-e-memoria-coletiva-em-niteroi/

Muitas obras no Centro


Na ponta rochosa de Jurujuba (foto abaixo), onde a Baía de Guanabara encontra o oceano, a Fortaleza de Santa Cruz da Barra vigia a entrada do Rio de Janeiro desde 1555. É o sítio de ocupação militar contínua mais antigo das Américas e, com mais de 7 mil metros quadrados, foi a maior fortaleza da América Portuguesa. De dentro dela, o Pão de Açúcar aparece a menos de 1.500 metros de distância, tão perto que parece possível tocá-lo (abaixo).



Em destaque, no centro, a Ilha da Boa Viagem

Interior do Teatro Municipal

Praia oceânica


Praça Leoni Ramos (Praça da Cantareira)

Vista panorâmica do Centro da cidade

Notas:

1. Nome e demais informações históricas colhidas via Google e/ou IA. 

2. Nem tudo são flores na cidade. São problemas sérios e urgentes a resolver: ocupação do espaço urbano (ambulantes), sem teto (moradores de rua), trânsito (desordenado) e segurança (precária).

16 de março de 2026

A lógica portuguesa

Sou apenas neto de portuguesa, nunca morei em Portugal, onde só estive como turista. Em assim sendo como entender a lógica dos lusitanos genuínos, castiços.

Para exemplificar onde quero chegar, vou recorrer a Luiz Fernando Veríssimo e um caso por ele narrado.

Contou o consagrado escritor que chegando a Lisboa num final de tarde, pegou um táxi e, indo para o hotel, travou o seguinte diálogo com o motorista:

-"A que horas escurece em Lisboa?" E o motorista respondeu:

-"Em Lisboa não escurece!" E o Veríssimo, curioso:

-"Não? Porquê?" E o luso:

-"Porque ao escurecer acendemos as luzes..."

São exemplos, ainda, as situações clássicas já narradas ad nauseam:

Primeiro caso - Um brasileiro que morava em Portugal, certa feita  dirigindo viu um carro com a porta de trás aberta. Solidário, preocupado conseguiu emparelhar e avisou:

- A porta está aberta!

A mulher que dirigia conferiu o problema e respondeu irritada:

- Não, senhor. Ela está mal fechada!

Segundo caso - Estando um  brasileiro,  em Lisboa, numa sexta-feira perguntou a um comerciante se ele fechava no sábado. O vendedor disse que não. No sábado o brasileiro voltou e deu com a cara na porta. Na segunda-feira, cobrou irritado do português:

- O senhor disse que não fechava aos sábados.

O homem respondeu:

- Mas como vamos fechar se não abrimos?

A par deste viés literal, e por causa dele, muitas piadas são criadas envolvendo nossos patrícios.

Numa delas o português se jactava por ter desenvolvido o menor olho mágico do mundo. Do tamanho da cabeça de um alfinete.

Indagado qual seria a vantagem e aplicação para o seu invento, respondeu empolgado: para porta de vidro.

Na mesma linha, o outro tinha criado uma pílula para matar a sede. E a recomendação, no rótulo : ingerir pela via oral com dois copos d'água.

Estávamos, eu e minha mulher, em passeio por Lisboa, num autocarro de turismo e em direção ao oceanário da cidade. Em dado momento o motorista resolveu cortar caminho e entrar numa viela.

Por precaução indagou de um sujeito senta nos degraus de uma casa logo na entrada, se a rua tinha saída.

Ante a resposta afirmativa entrou e quando percorrido certo trecho verificou-se que não havia saída. Saímos de ré e como não poderia deixar de ser o motorista reclamou com sujeito ainda lá sentado: não disseste que tinha saída?

A resposta curta e grossa em nada me surpreendeu: e não estás a sair?

Almoçávamos na cidade do Porto. Enquanto examinava a ementa (menu), observei um garçom (em Portugal empregado de mesa) passando pela nossa mesa com uma bandeja onde se via um bacalhau suculento e batatas a murro.

Virei-me para nosso atendente (empregado de mesa) e comandei: quero aquele prato alí apontando para a bandeja. Ato contínuo ele me respondeu: perdão, mas aquele já está pedido pela mesa ao lado.

Vai ser literal assim lá em Trás-os-Montes.

15 de março de 2026

Xerife da natureza

Niterói tem um panaca qualquer, funcionário da prefeitura municipal,  ou que presta serviço a municipalidade aleatoriamente, que se considera xerife da natureza.

Ele decide o que pode crescer e onde, a partir de critérios empíricos ou, pior, achismos.

Vejam abaixo a imagem, não muito antiga, de um arbusto que germinou e se desenvolveu até este ponto na Pedra de Itapuca, que já foi, em priscas eras, símbolo da cidade.

Ele alegou risco de danos à pedra. Eu morro de rir, apenas lamentando a destino do arbusto, um ser vivo, que foi sacrificado pela opinião de um insano.



Não fosse a ação  deletéria deste agrônomo ou geólogo de "meia-tigela" que recomendou fosse arrancado o arbusto em crescimento, em pouco tempo tempo teríamos uma ilhota na orla da cidade, exatamente no ponto onde ainda aparecem, vez ou outra, tartarugas verdes, como esta na Indonésia.


Estou enganado, perdão, sou apenas um apaixonado pela natureza em estado puro, sem intervenção da mão humana,  como a Mata Atlântica, que a ganância, o imediatismo, o desinteresse pela ecologia, pelo meio ambiente, deram fim a ela.

14 de março de 2026

Dois dedos de prosa sobre futebol

O Flamengo é o atual campeão carioca, mas  já amargou a lanterna em 1933.


O regulamento da competição, na época, não previa rebaixamento.


O Bangu sagrou-se campeão naquele ano. A partida final do campeonato foi disputada entre Bangu e Fluminense, no campo das Laranjeiras, em 12 de novembro de 1933, o Bangu sagrou-se campeão após vencer por 4 a 0. 

No campeonato nacional da primeira divisão, em 2013, cujo rebaixamento já era previsto no regulamento, o rubro-negro carioca salvou-se graças à Associação Portuguesa de Desportos (São Paulo).

Se foi intencional (fraude com suborno) foi bem tramado pois não deixou provas.  Lembremos o caso. 

A Portuguesa foi rebaixada no Brasileirão de 2013 no lugar do Flamengo devido ao "Caso Héverton", no qual a Lusa escalou o meia de forma irregular (suspenso) na última rodada contra o Grêmio, resultando na perda de quatro pontos no STJD. 

Héverton foi expulso contra a Ponte Preta (36ª rodada), pegou dois jogos de gancho, cumpriu um, mas jogou contra o Grêmio (38ª rodada). O Tribunal aplicou a punição baseada no art. 214 do CBJD, resultando na perda de 3 pontos mais o ponto relativo ao empate, totalizando a perda de 4 pontos.

A Portuguesa caiu para a 17ª posição com 44 pontos e foi rebaixada. O Flamengo também perdeu 4 pontos, mas terminou em 16º, salvando-se do rebaixamento devido ao critério de desempate pelo número de vitórias.

O "curioso", é que André Santos, jogador do Flamengo, também foi escalado de maneira irregular na mesma rodada e com o mesmo tipo de julgamento. O time carioca também acabou perdendo os mesmos quatro pontos, mas terminou na 16ª colocação.

A seleção brasileira de 1970, campeã mundial,  foi eleita como o melhor futebol de todos os tempos. Concordo!!!

Assisti jogos da seleção húngara de 1954, assisti o Carrossel  Holandês (laranja mecânica) de 1974 e outras menos aclamadas, cantadas em prosa e verso, mas nenhuma, com efeito, se iguala a nossa de 1970. Cheguei a ter dúvida se a de1958 não teria sido melhor, mas já dirimi a dúvida.

E não estou sozinho no julgamento:

Na foto Pelé e Tostão


Todo o elenco

O Vasco com um elenco obeso, mas sem vitalidade, acabou  por emprestar alguns jogadores para aliviar a folha-de-pagamentos.

Com exceção do GB e do Estrella, ao invés de emprestar, deveria ter dado de presente. Não quero o retorno.

Radar dos emprestados: Benjamin Garré - Aris (🇬🇷),
GB - Fortaleza, Guilherme Estrella - CRB, Juan Sforza - Talleres (🇦🇷), Loide Augusto - Caykur Rizespor (🇹🇷), Lyncon - CRB, Ray Breno - Juventude, Riquelme - Panserraikos (🇬🇷).

Encerro "morrendo rir" com esta notícia veiculada logo após a demissão no Flamengo:


Com todo o respeito, foi engraçado.

E surpresa, para mim, foi este ranking abaixo:


 

13 de março de 2026

FATOS INOPINADOS DO FUTEBOL

São dezenas, centenas e talvez até milhares de casos inusitados, surpreendentes, que ocorrem no universo do futebol.

O mais recente, aqui no Brasil, foi a consagração do Barra F.C. como campeão catarinense de 2026.

Fundado em 18 de janeiro de 2013, tem, em consequência, 13 nos de existência.

O Barra Futebol Clube, do Balneário Camboriú, Santa Catarina, Brasil, é carinhosa e popularmente chamado de "Pescador".

O mando de campo de seus jogos ocorre no Estádio Arena Barra FC, com capacidade para 5.500 torcedores, que fica localizado em Itajaí, que dista 11 Km de Camboriú. 

Nestes 13 anos o clube foi subindo de divisão, até alcançar a primeira do futebol catarinense que tem como seus principais e mais tradicionais clubes:  Avaí, Figueirense, Criciúma, Chapecoense e Joinville, conhecidos como os "cinco grandes" do Estado.

Surpresa, em todo o mundo, dada a importância da Premier League, foi a conquista do título inglês pelo Leicester City Football Club, na temporada 2015/2016.

Fundado em1884, o clube jamais conquistara o título inglês ... e jamais conquistará de novo (como minha opinião).

Rebaixado em 2023 para a segunda divisão, amarga sérios problemas. Sobreviver já será um grande feito.


NOTAS:

1. https://www.4oito.com.br/noticia/barra-faz-historia-e-conquista-o-catarinense-85757


2. https://www.ogol.com.br/noticias/lanterna-da-terceira-divisao-inglesa-faz-historia-e-volta-as-quartas-da-copa-apos-70-anos/1070723

12 de março de 2026

Viagens de trem

Mais do que cruzeiros marítimos, mais do que viagens interplanetárias, mais do que ir para São Paulo pela Rio-Santos (parte da BR-101), mais de que descer para o litoral paulista pela Anchieta (SP -150) as viagens de trem, talvez com raríssimas exceções, como por exemplo esta abaixo de 1.200 Km, em pleno deserto, nos Emirados Árabes, são mais prazerosas do que as feitas por outros meios.

Por causa da monotonia da paisagem, sempre igual, sem nuances e curiosidades.

Deserto - Emirados Árabes - 1.200 Km

Também não fiz viagens transatlânticas, cruzeiros, embora  incentivado por amigos e parentes, por razões semelhantes, imagino que em alto-mar o visual seja cansativo, aquele marzão, cá para nós, sem graça.

Alto-mar, sem graça e perigoso

O argumento dos que gostam é o de que os navios oferecem mil atrações, como vários ambientes para refeições e degustações, palcos para shows, salões de jogos, piscinas, etc.

Mas peraí posso ter tudo isto em terra firme, sem risco de ser personagem de Titanic.

Sim, argumentam, mas quando você chega à Grécia, tudo valeu a pena.  Mas pondero que poderia fazer o percurso Paris-Atenas via ônibus e trem: https://www.rome2rio.com/pt/map/Paris/Atenas#r/Train-bus-via-Sankt-P%C3%B6lten

Já numa janela de trem as paisagens vão se alternando, por vezes aparecem vistas que parecem telas de impressionistas clássicos.

Eu me amarrava nas viagens ferroviárias, mesmo quando um pouco desconfortáveis e cansativas, como quando ia namorar em Cachoeiro de Itapemirim, saindo de Niterói.

Ou quando, ainda criança, em viagens com a família toda, íamos para Miguel Pereira, então ainda distrito de Vassouras.

E as consideradas turísticas, de pequenos cursos, em Minas Gerais  o no Rio Grande do Sul?

Como por exemplo o "Trem dos Vales", no RS, documentado na foto e link a seguir:


Outras imagens de trens, colhidas ao acaso, na rede mundial:











 



O trem mais longo do mundo (acima), registrado na Austrália, tinha mais de 7 quilômetros de extensão e foi montado para o transporte de minério de ferro em uma região árida. 
Digo eu que para percorrê-lo desde a locomotiva até o último vagão, tinha que chamar o Uber (😂😂😂)






















A foto acima é de percurso na Escócia. Muitas outras em:


Se você pode, então, alugar uma cabine exclusiva num trem que certamente disporá de vagão restaurante, sua viagem será agradável, segura e mais barata.

Meus filhos, há anos, na década de 1990, em tour pela Europa, viajaram entre cidades e países por trem. Muitas vezes fazendo conciliar os horários (à noite) de sorte a economizar diárias de hotéis.

Para encerrar esta lenga-lenga  registro que a viagem através do Eurotúnel é sem graça, embora confortável e rápida na ligação Londres-Paris.

Eurostar - ano 2000

Mais trens em:



11 de março de 2026

Trump mata crianças

Durante parte de minha adolescência, a propaganda anticomunista apregoava que os comunistas comiam criancinha.

Ainda um beócio em geopolítica, achava estranho posto que afinal a União Soviética (basicamente a Rússia) lutara ao lado dos Aliados (USA inclusive) no combate ao nazismo.

Agora Trump, presidente dos USA, ficamos sabendo, não come criancinhas pela via oral, mas pode ser praticante de pedofilia, até que seja provado em contrário no processo Epstein, eis que o nome dele aparece repetidas vezes em documentos do processo. Não há, ainda, acusação formada, mas o caso ainda rende e quem sabe?

Como e por que avento a possibilidade dele ser responsável pela morte de mais de 150 pessoas, inclusive e principalmente crianças, em uma escola iraniana torpedeada pelos EEUU? 

O ‘New York Times’, jornal norte-americano, aponta EUA como provável responsável por bombardeio contra escola no Irã.

Leia mais em:

https://www.cartacapital.com.br/mundo/new-york-times-aponta-eua-como-provavel-responsavel-por-bombardeio-contra-escola-no-ira/

A prova mais robusta é que os destroços encontrados no local, são de um  míssil BGM-109 Tomahawk,  somente utilizado pelos americanos neste conflito.

E o celerado ainda atribui aos próprios iranianos o bombardeamento da escola.

A história há de jugar, um dia, as ações deste malfeitor.

Esta "guerra" não interessa ao povo americano, diretamente. Só interessa diretamente aos israelenses, em especial ao Netanyahu.

Indiretamente, como forma de dificultar o suprimento de petróleo à China, eis que ficariam sob controle americano a Venezuela e o Irã, grandes fornecedores, até poderia se justificar. 

Mas a esse preço?

Pinçado na imprensa americana: 

"US Tomahawk struck Iranian base next to school destroyed in deadly attack, video appears to confirm

Footage has emerged that appears to show a US missile targeting the Islamic Revolutionary Guard Corps (IRGC) naval base adjacent…"

https://www.msn.com/en-us/news/world/us-tomahawk-struck-iranian-base-next-to-school-destroyed-in-deadly-attack-video-appears-to-confirm/ar-AA1XPYAn?ocid=nl_article_link


9 de março de 2026

Fui reprovada por um décimo...

 


 

Por

Wanda C. Carrano

 

 

  

Minha família era pobre. E meus pais de poucas letras. Mas tinham uma  aspiração: ver todos os filhos formados. E éramos 8 filhos no total.  Tive 7 irmãos  biológicos (dois já falecidos) e uma irmã afetiva, criada desde pequenina por meus pais. É interessante  como as pessoas mais carentes são exatamente aquelas que mais se preocupam com os outros mais desprovidos  ainda.

 

Ver os filhos formados significava dizer que as mulheres seriam professoras, porque fariam o "curso normal", maior nível de escolaridade possível na cidade. E os rapazes fariam o "curso técnico de contabilidade" pelas mesmas razões: falta de opções.

 

Era com imenso sacrifício que meu pai, concluído o curso primário no “Grupo Escolar Graça Guardia”, de ensino público, nos mantinha em escolas particulares. Mas havia uma regra: não podia repetir o ano, ou seja, se reprovado o destino seria a volta a escola pública.

 

Exatamente por causa desta regra deixei de estudar no "Colégio São Pedro”, que existia na Rua 25 de Março,  onde fazia o curso normal, e fui no ano seguinte para o Liceu de Cachoeiro, onde, finalmente, obtive o grau de professora primária (aqui em Niterói, chamada de normalista). No local onde funcionava o Colégio São Pedro e a Escola de Comércio, hoje tem um Shopping Center.

 

A diferença era que o curso normal na minha cidade, naquela época, tinha apenas dois anos de duração, e nas outras cidades maiores (Vitória, Niterói, Rio) o curso era de três anos.

 

Fiquei reprovada em Psicologia, graças ao padre Murilo que não admitiu me conceder mais um decimo na prova. Bem, o fato é que tive que repetir  o ano. Perdi também, com a mudança de colégio, o contato com as colegas.

Durante o curso primário no "Graça Guardia", a gente morava um pouco distante, no bairro chamado Coronel Borges,  mas ia à pé porque com o tostãozinho do ônibus que mamãe dava  eu comprava um pedaço de coco no bar do seu Jodimir. 


Do outro lado deste bar tinha um campo de bocha, onde eu ia levada por meu avô. Ele ficava jogando e eu no balanço improvisado. Meu avô gostava muito de mim, mas minha avó gostava mais ainda. Eu era a neta preferida.


Na casa dela é que eu matava aula e ela me escondia de minha mãe quando ela ia lá. Ela fazia um prato muito simples, dentro do orçamento familiar, que era uma delícia: macarrão com alho e azeite, e botava um pouquinho de colorau. Até hoje sinto saudades do macarrão de minha avó. As vezes faço aqui em casa, mas não fica igual.

 

No tempo do Liceu, já morávamos na cabeceira de uma das pontes sobre o rio que dá nome a cidade, e já mais grandinha participei de algumas competições esportivas e cheguei a ser eleita princesa do “Jubileu de Prata”. Nesta época construí uma amizade muito firme com Regina Tereza Severiano, que perdura até hoje.

 

Casamo-nos, mais ou menos na mesma época,  temos filhos e netos, ela mora em Vitória e eu em Niterói, mas nos falamos no Natal e nos respectivos aniversários. E já nos vimos umas duas vezes no curso destes 50 anos.

De certo modo devo a mãe dela – Dona Julieta – ter casado com o Jorge. Foi ela que conseguiu convencer meu pai a deixar que eu viesse numa excursão das alunas do Liceu. Ela chefiava o grupo.

 

Ficamos hospedadas no Ginásio do Caio Martins e fomos recebidas no antigo Palácio do Ingá, sede do governo fluminense  (antes da fusão do antigo RJ com o Estado da Guanabara),  pela esposa do governador  Roberto Silveira, que faleceu em desastre de helicóptero algum tempo depois.

 

Foi durante esta  excursão que eu e Jorge  – meu marido há 50 anos –  e que morava em Niterói, começamos  namorar em 1960.

 

Sobre Cachoeiro muito já foi dito no blog e em outros locais na internet. A cidade mudou pouco nestes anos que se passaram desde que, após o casamento, de lá me mudei para Niterói.

 

Naquela época Roberto Carlos cantava na ZYL-9 Rádio Cachoeiro de Itapemirim. Só. Não era, ainda, o Rei. Eu já havia sido princesa (risos).

 NOTAS:

1.Originariamente publicado em:

30 de maio de 2014

https://jorgecarrano.blogspot.com/2014/05/fui-reprovada-por-um-decimo.html


2. Mantida a foto original da postagem. Envelheceu nestes 12 anos decorridos. A propósito no próximo dia 17 irá completar 85 anos. Tá ficando uma velhinha simpática.


3. Republicada porque ontem, "Dia Internacional da Mulher", ela foi, como não poderia deixar de ser, uma das mulheres da minha vida. E há 61 anos.


8 de março de 2026

DIA INTERNACIONAL DA MULHER

 


As mulheres da minha vida, com as quais convivi e convivo. Quatro delas estão na memória afetiva.

Minha mulher - Wanda - há 61 anos me aturando, como amiga, parceira, cúmplice, amante. Criou nossos dois filhos, com sucesso.

Minha avó  materna - Ana - portuguesa de Viseu, que me dava as moedas de 2 mil reis que ganhava das filhas. Faleceu aos 90 anos, porque teve uma queda na qual bateu fortemente com a cabeça numa pedra. O trauma, na idade dela, foi fatal. Dois casamentos, um em Portugal e outro no Brasil (com português), com os quais teve sete filhos (seis mulheres e um homem). Exerceu o papel de matriarca enquanto viveu.


Minha mãe - Edith - que merecia um filho melhor, por todos os contratempos que enfrentou, sem deixar de ser mãe. Casou muito jovem, o que comprometeu dar sequência aos estudos universitários. Criou e educou seus três filhos com amor, energia, equilíbrio e bom senso.


Minhas irmãs - Sara e Ana Maria - que já descansam da vida terrena, amigas, parceiras heroínas, cada uma com sua causa, cada qual na vida que elegeu.