16 de março de 2026

A lógica portuguesa

Sou apenas neto de portuguesa, nunca morei em Portugal, onde só estive como turista. Em assim sendo como entender a lógica dos lusitanos genuínos, castiços.

Para exemplificar onde quero chegar, vou recorrer a Luiz Fernando Veríssimo e um caso por ele narrado.

Contou o consagrado escritor que chegando a Lisboa num final de tarde, pegou um táxi e, indo para o hotel, travou o seguinte diálogo com o motorista:

-"A que horas escurece em Lisboa?" E o motorista respondeu:

-"Em Lisboa não escurece!" E o Veríssimo, curioso:

-"Não? Porquê?" E o luso:

-"Porque ao escurecer acendemos as luzes..."

São exemplos, ainda, as situações clássicas já narradas ad nauseam:

Primeiro caso - Um brasileiro que morava em Portugal, certa feita  dirigindo viu um carro com a porta de trás aberta. Solidário, preocupado conseguiu emparelhar e avisou:

- A porta está aberta!

A mulher que dirigia conferiu o problema e respondeu irritada:

- Não, senhor. Ela está mal fechada!

Segundo caso - Estando um  brasileiro,  em Lisboa, numa sexta-feira perguntou a um comerciante se ele fechava no sábado. O vendedor disse que não. No sábado o brasileiro voltou e deu com a cara na porta. Na segunda-feira, cobrou irritado do português:

- O senhor disse que não fechava aos sábados.

O homem respondeu:

- Mas como vamos fechar se não abrimos?

A par deste viés literal, e por causa dele, muitas piadas são criadas envolvendo nossos patrícios.

Numa delas o português se jactava por ter desenvolvido o menor olho mágico do mundo. Do tamanho da cabeça de um alfinete.

Indagado qual seria a vantagem e aplicação para o seu invento, respondeu empolgado: para porta de vidro.

Na mesma linha, o outro tinha criado uma pílula para matar a sede. E a recomendação, no rótulo : ingerir pela via oral com dois copos d'água.

Estávamos, eu e minha mulher, em passeio por Lisboa, num autocarro de turismo e em direção ao oceanário da cidade. Em dado momento o motorista resolveu cortar caminho e entrar numa viela.

Por precaução indagou de um sujeito senta nos degraus de uma casa logo na entrada, se a rua tinha saída.

Ante a resposta afirmativa entrou e quando percorrido certo trecho verificou-se que não havia saída. Saímos de ré e como não poderia deixar de ser o motorista reclamou com sujeito ainda lá sentado: não disseste que tinha saída?

A resposta curta e grossa em nada me surpreendeu: e não estás a sair?

Almoçávamos na cidade do Porto. Enquanto examinava a ementa (menu), observei um garçom (em Portugal empregado de mesa) passando pela nossa mesa com uma bandeja onde se via um bacalhau suculento e batatas a murro.

Virei-me para nosso atendente (empregado de mesa) e comandei: quero aquele prato alí apontando para a bandeja. Ato contínuo ele me respondeu: perdão, mas aquele já está pedido pela mesa ao lado.

Vai ser literal assim lá em Trás-os-Montes.

4 comentários:

Jorge Carrano disse...

Fui criado no meio deles. Minha avó materna e suas 3 primeiras filhas, nasceram em Portugal. Estas filhas casaram , aqui no Brasil, com portugueses.
Foram muitos portugueses na minha infância.

RIVA disse...

Meus avós maternos eram portugueses e moravam conosco até os meus 25 anos de idade.

Convivíamos todos os dias, almoços, jantas, aniversários, enfim, tudo .... e nunca percebi nada por parte deles em relação a essas "tiradas" famosas mencionadas no post, e que viraram um folclore para nós. Mas que é real, isso é ... rsrsrsrs.

Um grande amigo em Lisboa pegou um taxi em frente ao hotel e pediu que o levasse até o consulado ou embaixada do Brasil.

O taxista disse "pois não", ligou o carro, deu uma pequena acelerada de uns 30 metros e parou ..."Chegamos", disse ....

Mas o senhor não me disse que era ao lado do hotel ...resmungou meu amigo para o taxista.

O senhor não me perguntou, só pediu para eu o levar ....

PANO RÁPIDO

Jorge Carrano disse...

E as piadas? São muitas. Uma que agora lembro.
Perguntaram ao Manuel se ele era a favor do sexo antes do casamento. Ele respondeu prontamente: sim, desde que não atrase a cerimônia. rsrsrsrs

RIVA disse...

Esse suculento bacalhau da foto me remete também ao PORTO, onde devorei um bem parecido na famosa casa MAJESTIC, quase uma irmã gêmea da nossa COLOMBO. Aguando ........