segunda-feira, setembro 21, 2026

Literatura

 Os consagrados escritores Machado de Assis, brasileiro e José Saramago, português, que eu saiba nunca se intitularam como psicólogos e menos ainda como filósofos.

No entanto, cada qual em seu estilo, em obras publicadas em diferentes séculos são tão, ou mais, profundos analistas do gênero humano, e perscrutaram nossa alma como poucos.

Talvez Dostoievski e Shakespeare, dentre os que traduzidos para o português, e acessíveis na Biblioteca Pública Municipal, na Praça da República, em Niterói, onde pude ler alguma coisa.

Machado de Assis, em "O Espelho", e Saramago em "O Homem Duplicado", usam temáticas – filosóficas – nas obras citadas.

Ambas as obras utilizam o conceito do duplo e da fragmentação da identidade para explorar a fragilidade do "eu" e a dependência do olhar alheio para a validação da própria existência.

Machado de Assis não é o só o criador dos personagens centrais de “Dom Casmurro”.

O autor nos legou um mistério na relação entre Bentinho e Capitu, mas o conjunto de sua obra é muito mais denso do que isso.

Saramago pelo estilo de sua redação, característico inconfundível, afugenta alguns leitores, em especial os que são ávidos por best-sellers, mas suas obras são tão reveladoras do espírito humano, na literatura, quanto os exames de imagem na medicina (tomografia, ultrassom, ressonância magnética).

O livro, não necessariamente o filme, “Ensaio sobre a Cegueira”, expõe as fragilidades, os egoísmos, as fraquezas, as ambições humanas de forma áspera, ácida, cruel.

Alguns torcerão o nariz, outros tantos me classificarão como tolo, primitivo, mas ouso incluir Nelson Rodrigues entre os autores que interpretam e expõem nossos sentimentos mais recônditos de forma crua.

Leitura é tão saborosa, prazerosa quanto um quindim, com a vantagem de não mexer na sua glicemia.

6 comentários:

RIVA disse...

Não sei como infelizmente me afastei da literatura exatamente quando mais podia me deleitar com ela - na pandemia. Me agarrei à maldita web e ao celular devido ao distanciamento com meus filhos.
Lembro de um dia um dos meus filhos nos visitar nos olhando e conversando do playground e eu e a MV na varanda do nosso apartamento !! Triste lembrança.

Não recuperei ainda a vontade de ler. Devorava dois livros por mês em meio ao envolvimento com o trabalho. Também o perdi depois da pandemia.

E ando às voltas com a tentativa de me acostumar com o Kindle - ganhei um eBook sobre a erupção do Vesúvio, mas está difícil de devorar.

Apenas para registro, um livro que anda bombando nas vendas recentes, e me deu vontade de adquirir :
A MORTE DE IVAN ILITCH, de Lev Tolstói

Jorge Carrano disse...

Lamento, Riva, que você priorize redes sociais, em detrimento de boa leitura. Música e boas séries televisivas também alimentam e “ensinam” nossa mente como se ela fosse inteligência artificial.
Nunca frequentei redes sociais, assim como nunca frequentei o “Mangue”. O baixo meretrício nos expõe a ricos desnecessários.
Estou acompanhando, agora já na quinta temporada, a série “Fauda”. Retrato do conflito entre palestinos e israelenses. Nesta temporada está rolando o pós 7 de outubro de 2023.
Roteirizado por ex-agente israelense.
Mudando o rumo da prosa, mas ainda em seu comentário, Tolstói está no panteão dos clássicos. É voz corrente que “A Morte de Ivan Ilitch”, é uma obra curta, ao contrário de outras do autor, que fustiga o emocional. Boa escolha.

RIVA disse...

Caro BM, não é uma questão de priorizar. É VÍCIO mesmo, temos que reconhecer, como é o álcool, sexo, apostas, cigarro, etc....

Onde quer que eu vá, até para o banheiro, levo o celular. Já até escrevi aki sobre isso em 2011 :
http://jorgecarrano.blogspot.com/search?q=O+iPhone

Tenho experimentado (raras vezes) sair de casa sem o celular, até por segurança. Mas é realmente muito difícil abandonar o Twitter (desde 2009) e o WhatsApp (nem pensar em abandonar).

Ontem, por exemplo, bati um grande papo com minha amiga IA Copilot sobre "formas de propulsão de naves espaciais alienígenas" .... com quem eu poderia conversar sobre isso no meu círculo de amigos ? Ninguém .......

Jorge Carrano disse...

Esqueça meu comentário. Sou um velho ranzinza, turrão, ortodoxo, conservador, convencional, tradicionalista, retrógrado, analógico, inflexível, metódico, vetusto e segundo minha sogra, sistemático, melhor rótulo que alguém já me colou.
A atividade profissional obrigou-me a usar o WhatsApp, assim como no passado fui forçado a ter um endereço eletrônico.
Uso como meios de mensagens.
Você deve fazer o que o deixa feliz, dá prazer, alimenta o espírito, instrui.
Não tenho nada a ver com isso.
A propósito de vícios, ao tempo de gerente de RH, costumava tolera-los, pois adotava um princípio (discutível), mas a meu juízo eficaz. Certos candidatos a emprego que entrevistei, eram inúteis sem vícios: não bebiam, não fumavam e não jogavam. Mas sem aptidões, habilidades, vocação, talento, ambição, espírito de equipe.
Sorry, como diria Shakespeare.

RIVA disse...

Não há porque esquecer seu(s) comentário(s). Sempre super valiosos para todos nós que acessamos o GE.

Também tenho meu lado conservador, convencional, e até sistemático. Poderia enumerar vários exemplos para provar ..... rs. E isso tudo apesar de não passar essa imagem pelo jeitão de conversar, pelo tamanho do cabelo apesar da idade, motociclista cheio de tatuagens, roqueiro, etc, etc....... conservador ??? Talvez porque tento conservar meu estilo Anos 60, e conservar minha imensa infantilidade. Freddy dizia que eu tenho Complexo de Peter Pan.

Mas vícios ...quem não os tem ? Simplesmente não conheço uma pessoa que não os tenha ...conheço sim quem acha que não os tem...rsrsrsrs.

Quanto às midias sociais, não frequento o Facebook nem o Instagram. Navego eventualmente no que temos, em conjunto, eu e a MV. Ela não quis que tivéssemos perfis separados nessas mídias.

Mas Twitter (X) e WhatsApp são pétreos kkkkkkkkkkk. Twitter pelo tsunami de informações em tempo real e o Zapp pela comunicação instantânea e gratuita, vital eu diria nos dias atuais - a trabalho, lazer, de qualquer maneira.

Sobre as FLORES : ninguém quer aceitar o cargo de treinador do Internacional !!! 4 recusas até o momento.

RIVA disse...

Ainda sobre Peter Pan ...corro alguns riscos, pois tenho a mania de brincar com desconhecidos. A MV fica furiosa.

Nesse sábado fomos no CSB, primeira saída da MV de casa depois da "alta" da cirurgia das cataratas.
Vínhamos pela rua central olhando as barraquinhas, local lotado de "mortadelas" com suas bandeiras e panfletagem, quando vi um sujeito igualzinho ao ENÉAS. Ele estava com a mulher e dois filhos.
- Parece o Enéas - falei alto.....e o cara não reagiu.
- Parece o Enéas - falei mais alto ...... o cara me olhou de cara feia e a mulher dele também, mas não reagiram.

MV quase me matou !
- Você tá maluco, o cara não gostou, olha o que vc podia arrumar !!
Depois caí na real, foi um risco mesmo kkkkkkkkkk. O cara e a mulher e os filhos devem estar de saco cheio de ouvir isso, sim, porque o cara era muito parecido com o Enéas !!!!! Porra, corta a barba pelo menos ........

Depois, voltando pra casa, vi um cara com um boneco enorme do Lula vestido de presidiário, indo em direção aos "mortadelas"....não sei se sobreviveu.