16 de fevereiro de 2026

Ode ao ócio

Agora octogenário, há já cinco anos, deixei de ter que lutar contra a disposição para o ócio. Mas durante anos, desde os anos ginasianos, o nada fazer por obrigação ou compromisso era meu sonho juvenil.

O ócio é apaixonante, sedutor, rico em oportunidades. Mas é necessário reagir e lutar contra ele. Entregar-se, sem resistir, cobrará preço elevado.

Tive mais sorte do que juízo na travessia dos cursos científico (parte do ensino médio atual) e universitário. Progredir passando de ano, era difícil e corri sérios riscos.

Dois fatores, ocorridos simultaneamente, levaram-me a reagir com mais intensidade, vigor, ao ócio que me encantava.

Noivado e bacharelado em Direito. Pretendia casar e constituir família, e pretendia advogar. Ora, um marido e pai (o que não demorou a acontecer) não pode se permitir o luxo da ociosidade. Assim como também um advogado.

Mesmo tendo o apoio acadêmico de Domenico De Masi, sociólogo italiano que concebeu o ócio criativo, aplaudido por muitos, em especial os publicitários.

Ele se tornou famoso pelo conceito de "ócio criativo" segundo o qual o ócio, longe de ser negativo, é um fator que estimula a criatividade pessoal. 

Não acreditei que no meu caso teria ganho de criatividade e, se ganho houvesse, que fazer com criatividade?

Aliás já me corrijo. A criatividade é um fator importante, seja no pátrio poder seja no exercício de poderes outorgados por clientes.

O que me desagradava era arriscar ser criativo por ser ocioso. Melhor não!

O ócio é primo-irmão da preguiça, por isso vítima de preconceito.😂😂😂

A ode? Não sou do ramo, faltam-me talento, vocação, inspiração.

2 comentários:

Jorge Carrano disse...

Dolce far niente, dizem nossos ancestrais da bota.

Jorge Carrano disse...

Nos últimos anos não tenho tido tempo para nada fazer. Até este blog me ocupa mais do que o agradável.
Não é só gerar conteúdo. Raspar resquícios de memória, pesquisar na rede. É moderar comentários ... já cansei rsrsrs.