Já ouviu a expressão “a ficha caiu”? Sabe a origem? Talvez não.
Em priscas eras o
transporte coletivo (ônibus) tinha a figura do “trocador”. Como a passagem era
paga através do depósito das moedas (meio circulante, tempo do tostão) nas
caixas coletoras ao lado do motorista, era necessário ter moedas. Logo, tinha
que ter “trocador”.
Com o passar do tempo
este procedimento foi modificado e ao invés de trocar o dinheiro dos
passageiros, o trocador passou a vender fichas, correspondentes ao custo do
percurso.
Estas fichas eram
depositadas (como se fazia com as moedinhas), no desembarque, na caixa coletora
já mencionada. Esta caixa tinha um fundo falso, tipo alçapão, que o motorista
abria puxando um barbante ligado a um dos
lados do fundo falso, na caixa coletora, e com a aberturado do fundo as fichas
caiam dentro da caixa de coleta.
Por vezes a ficha
custava a cair no cofre abaixo do fundo falso da coletora. Além do fundo falso
da caixa coletora, e a bem da verdade, devo confessar que acabo de inventar
esta versão para a “ficha caiu”.
Fui à rede mundial em
busca de auxilio, e verifico que quase acertei. Senão vejamos:
“A
expressão "a ficha caiu" tem origem nos antigos telefones públicos
brasileiros, os orelhões, comuns até a década de 1990. Era necessário inserir
fichas metálicas para fazer ligações, e o som da ficha "caindo"
dentro do aparelho sinalizava que a conexão foi completada e a conversa poderia
iniciar.
A
metáfora é usada quando, após um certo tempo, uma pessoa finalmente entende,
percebe ou se dá conta de algo que não estava claro antes. Semelhante à
expressão inglesa "the penny dropped" (o centavo caiu), refere-se ao
momento de clareza instantânea.
O
objeto físico (ficha telefônica) desapareceu, mas a expressão sobreviveu para
indicar a compreensão tardia”.
Elas equivalem a
dinheiro, ao serem compradas e após o resgate ao final do jogo.
As fichas telefônicas
já foram mencionadas, faltam, para concluir, as fichas para consumo de
cafezinho. Quem se lembra dos enormes balcões, em alguns bares, ao redor dos
quais tomávamos cafezinho?
Já que divago, acrescento que muitas vezes quem pagava e comprava as fichas era quem perdia no jogo dos pauzinhos (porrinha, balofa e outros nomes regionais).
No Centro de Niterói, em relação ao cafezinho, imperavam dois bares, o Santa Cruz e o Sul América. Ambos ladeando outro ícone comercial da cidade, a Padaria Modelo.
Todos estes estabelecimentos com suas frentes voltadas para a Estação das Barcas, do outro lado da Praça Martim Afonso (agora Arariboia).
No mesmo quarteirão, ficava o Cine Central, onde homens só entravam de paletó ou blazer.
As fichas para cafezinho e as utilizadas nos telefones públicos não tinham outras serventias intrínsecas. Mas as dos ônibus, sim. Quando lixadas serviam para jogo de botão. As próprias dos cassinos só prestavam para perder dinheiro 😂.






4 comentários:
Existiam, ainda e também, as fichas em papel (hoje virtuais), na polícia e nos consultórios médicos.
Três médicos que nos consultamos continuam usando as fichas em cartão, onde fazem suas anotações, com canetas com tintas diferentes, para realçar algum detalhe importante.
Eu não aderi à agenda eletrônica. Continuo com as escritas à mão, também com cores diferenciadas : verde para assuntos médicos e aniversários, vermelho para boletos, azul para diversos.
O caro amigo BM talvez tenha se esquecido (acho) que FICHA também era usada como apelido, que hoje se utilizado certamente geraria um processo na justissa brasileira...
Hmmmm.....então não deve ter sido da sua época .....
Meu silêncio implicou em desconhecimento sobre o fato? Minha omissão não colocou em dúvida sua informação. O clínico geral que atende Wanda há anos também faz anotações e registros em fichas.
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