Os consagrados escritores Machado de Assis, brasileiro e José Saramago, português, que eu saiba nunca se intitularam como psicólogos e menos ainda como filósofos.
No entanto, cada qual em seu estilo, em obras publicadas em diferentes séculos são tão, ou mais, profundos analistas do gênero humano, e perscrutaram nossa alma como poucos.
Talvez Dostoievski e Shakespeare, dentre os que traduzidos para o português, e acessíveis na Biblioteca Pública Municipal, na Praça da República, em Niterói, onde pude ler alguma coisa.
Machado de Assis, em "O Espelho", e Saramago em "O Homem Duplicado", usam temáticas – filosóficas – nas obras citadas.
Ambas as obras utilizam o conceito do duplo e da fragmentação da identidade para explorar a fragilidade do "eu" e a dependência do olhar alheio para a validação da própria existência.
Machado de Assis não é o só o criador dos personagens centrais de “Dom Casmurro”.
O autor nos legou um mistério na relação entre Bentinho e Capitu, mas o conjunto de sua obra é muito mais denso do que isso.
Saramago pelo estilo de sua redação, característico inconfundível, afugenta alguns leitores, em especial os que são ávidos por best-sellers, mas suas obras são tão reveladoras do espírito humano, na literatura, quanto os exames de imagem na medicina (tomografia, ultrassom, ressonância magnética).
O livro, não necessariamente o filme, “Ensaio sobre a Cegueira”, expõe as fragilidades, os egoísmos, as fraquezas, as ambições humanas de forma áspera, ácida, cruel.
Alguns torcerão o nariz, outros tantos me classificarão como tolo, primitivo, mas ouso incluir Nelson Rodrigues entre os autores que interpretam e expõem nossos sentimentos mais recônditos de forma crua.
Leitura é tão saborosa, prazerosa quanto um quindim, com a vantagem de não mexer na sua glicemia.

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