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| Década de 1950 |
Desde cedo frequento a Praia de Icaraí. Mesmo quando morava distante do bairro, e vinha de bicicleta, com meu melhor amigo da época, Doraly José do Canto, colega de colégio e quase vizinho na Ponta D'Areia.
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| Trampolim à direita |
Ainda estava de pé o trampolim de onde eu só saltava da primeira plataforma, e olhe lá.
Quando ingressei no Liceu passei a frequentar a praia, no trecho defronte as ruas Belisário Augusto e Otávio Carneiro, tirando chinfra por causa de minhas ligações liceístas.
E mesmo sendo invasor, fazia coro com eles de que no trecho defronte ao Cine Icaraí "chovia". Era baixo clero, porque lá ficavam os moradores de bairros de bairros distantes, como Fonseca, Cubango e Santa Rosa, porque o ônibus 49, Circular, tinha uma parada bem defronte à Praça Getúlio Vargas.
Lá desembarcavam hordas de "farofeiros".
As caminhadas no calçadão, a pé, como rotina, tiveram início quando comprei meu primeiro apartamento no bairro, na Rua Miguel de Frias.
E quando mudei, como locatário, para o Santos Apóstolos, condomínio ao lado do prédio do Cassino Icaraí (atual sede da UFF), e já então casado, passei a fazer caminhadas matinais na beira d'água, ali onde o mar se rende à areia, molhada e dura, banhada pelo fluxo e refluxo do mar.
E, eventualmente, também à noite no calçadão, após o jantar, para digestão.
Bem, são anos e anos caminhando no famoso calçadão.
Neste interregno encontrava, acenava a mão ou parava para breve papo, com muitos amigos.
E cruzava com muitos desconhecidos que se tornavam conhecidos tantas as vezes em que nos víamos na mesma rotina de caminhar lentamente.
E na fase profissional? Eram tantos os clientes ou condôminos de prédios onde atuava, comparecendo à assembleias ou aforando cobranças que por vezes tinha que parar para um breve cumprimento.
E assim, ainda hoje, mantenho sempre que possível meu hábito de caminhar. Não mais sentando um pouco, num dos bancos da "Curva da Itapuca" porque as tartarugas não mais aparecem no ali no mar junto as pedras famosas (Itapuca e do Índio) e outras menores e anônimas.
Ali, atualmente, só surfistas quando as ondas estão favoráveis.
Estou divagando mas não me afastando do tema que elegi para esta postagem, senão desenhando o contexto.
Como narrado são anos, momentos e circunstâncias nas caminhadas no calçadão, quando encontrava amigos e rostos familiares pela constância do mesmo prazer.
O que me deprime, ou entristece melhor explicitando, é que com o passar dos anos, principalmente estes últimos dez, foram escasseando estes encontros ou cruzamentos, em razão de idade avançada, limitações físicas, mudanças de endereço e outras razões, com prevalência de óbitos.
Onde as caras familiares? Os amigos? Os clientes? Meus médicos? Contemporâneos do Liceu?
Dou-me conta que sou o sobrevivente de tempos maravilhosos, prazerosos, de encanto com a natureza, com o visual.
De quando pela manhã corria e me exercitava, antes de um mergulho.
A água era menos poluída, tinha até tatuís enterrados na areia molhada no quebra mar. Bastava enterra a mão na areia e ao puxa-la não raro vinha um tatuí. Acreditem.
Era muito bom viver em Niterói. Uma aldeia global.
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| A Praia de Icaraí tinha um bonde que subia a Estrada Froes e ia até o Saco de São Francisco |
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| Década de 1950 |
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| Século XXI - quanta mudança em 70 anos. |
Notas:



































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