20 de agosto de 2026

CACHIMÔNIA

Eis uma palavra, fora de uso corrente, que tem muitos significados. Meu pai, se bem me lembro, a usava no sentido de perder a paciência.

Ele tinha pouca paciência, pouca calma. Daí que, aos cinquenta e sete anos de idade, fez um infarto fulminante. Quando os médicos chegaram era tarde e só restava certificar o óbito. Fizeram um rapapé. O da ambulância solicitada por minha mãe por telefone, disse para o que morava perto e fui buscar na casa dele: "faz e assina você que é conhecido da família."

Faleceu jovem, digo eu hoje, do alto de meus 86 anos.

Se eu fosse usar esta palavra nos dias que correm, teria que explicar o que pretendia, se o contexto da frase não levasse à compreensão.

Cachimônia se aplica a múltiplas situações e fatos, no sentido de paciência (perda da): com o Vasco, com a política, com os políticos, com a economia, com a insegurança pública, ... e seguiria citando outros fatores esgotando os limites de minha cachimônia, no significado de lembrar das coisas. 

Com valiosos auxílios do Google, da IA, dos dicionários Aurélio e Houaiss, e dos restos de minha memória, temos que:

"A palavra cachimônia é um termo popular que significa cabeça, juízo, inteligência ou a capacidade de se lembrar das coisas. Também pode significar paciência e calma. É comum em expressões como "perder a cachimônia" (perder a paciência) ou "puxar da cachimônia" (pensar bastante)."

Principais Significados:

Cabeça ou mente: O lugar onde ficam os pensamentos e as ideias.

Juízo e inteligência: Ser esperto ou ter bom senso.

Memória: A capacidade de lembrar de algo.

Calma: Manter a paciência diante de uma situação difícil.

Numa reunião de família, há algum tempo, um de meus filhos comentou que só eu uso a palavra chiste, ao invés de piada, gracejo.

Passados alguns segundos ele mesmo arrematou: "ah! e também apedeuta."

Riso geral 😂😂😂.

       

 

19 de agosto de 2026

Do Ghost Writer à Inteligência Artificial, variações sobre o tema

Conheço um ghostwriter que escrevia os discursos do “Big Boss” de uma multinacional, para eventos internos: seminários, comemorações, etc.

Não é um intelectual pelo conceito corrente. Formado em comunicação social e leitor assíduo e seletivo, sabia escolher as palavras (mais do que os sentimentos) do “Poderoso Chefão”, adequadas para cada momento. Esta missão lhe rendia uns bons trocados.

Fico matutando, com meus botões, se me sentiria bem lendo como sendo de minha lavra, uma mensagem escrita por terceiro contratado, que sequer refletiria meu âmago.

Comparação esdrúxula, mas elucidativa: jamais trapaceei num jogo de cartas (buraco ou biriba), em dupla ou individualmente. Não pelo receio de ser apanhado, mas pela ausência do sentimento satisfação pelo êxito, por saber que obtido à sorrelfa.

Não importaria que os demais partícipes ignorassem os artifícios escusos. Eu sabia e era o quanto bastava.

Lidar com fraude é difícil para mim. Tive um cliente, gerente de banco, que não trapaceou. Praticou um ato condenável, ilícito mesmo, de favorecimento a parente. Foi difícil defende-lo numa apuração disciplinar interna. A meu juízo ele era culpado, embora tenha argumentado que errou  involuntariamente.

Menos mal que não resultou em prejuízo para terceiros, e principalmente para seu empregador.

Voltando aos escritores ocultos (fantasma), alguns famosos (v.g. Augusto Frederico Schmidt) eles ainda têm mercado de trabalho?

Os algoritmos da Inteligência Artificial (IA) serão capazes, com pleno sucesso, de produzirem discursos notáveis, para “big shots” ricos em referências, a custo zero, num piscar de olhos, e o segredo fica restrito.

Da mesma forma que nunca trapaceei no jogo, como enfatizei acima, não pediria a IA para escrever um post para este blog. Não sem mencionar que pedi, jamais assumindo a autoria.

No passado justificaria que precisava poder me olhar no espelho para me barbear. Hoje, sem fazer barba diariamente, diria que preciso repousar a cabeça no travesseiro.

Profissionalmente, se transcrevo trechos doutrinários, faço-o entre parênteses e com menção da fonte autoral.

Também aqui no blog, excertos, citações, são sempre acompanhados de alusão às fontes originais, em seguida ou nas notas de rodapé.

Tenho como dito.


17 de agosto de 2026

AMIGOS

Os cachorros são os melhores amigos do homem, segundo conceito popular. Quem elege o whisky, argumenta que a bebida é o cão engarrafado, como já lecionado por Vinicius de Moraes.

Ou como recomenda Eurípedes Alcântara: "Se precisar de um migo fiel, compre um cachorro."

Tive também um cão fiel como já assumi aqui no blog, inclusive ontem, e conservo na memória,  mas os Amigos que serão citados foram leais, o que por ser racional é humano.

Filhos, a meu juízo, estão num andar acima daqueles que colocamos os Amigos. Colegas, conhecidos (aqui incluídos eventualmente clientes e vizinhos), ficam no térreo.

Hoje entro na definição, pessoal e sem pretensões de  transferível, do que seja Amigo, grafado com maiúscula.

Recorro a imagens e conceitos consagrados em sistemas de valoração utilizados em administração.

Elege-se uma bateria de fatores importantes e pertinentes, tais como lealdade, confiança, afinidades, respeito, compreensão, solidariedade, estima e, se o caso, outros desnecessários enumerar aqui e agora para o fim colimado.

Não perco de vista o aforismo: "Boas cercas fazem bons vizinhos."

Atribuo a cada um dos fatores um peso, considerando, para mim mesmo, a relevância do que expressa. Por exemplo, afinidades é mais relevante do que a lealdade?

O Amigo deve pontuar em todos os fatores do pacote. Nem pensar em hierarquizar  estas amizades, porque ao fim e ao cabo no somatório os resultados se equivaleriam.

Você que me lê estará pensando, porque não tem como arguir agora, o Carrano estabeleceu um sistema de escolha da mulher para se casar.

Certo! Tirante beijo na boca e sexo, os valores importantes num casamento, são também para amizades sólidas, duradouras.

Este tema me veio a mente ainda há pouco, ao lembrar que três de meus melhores Amigos faleceram: Mário Castelar, Hermes Santos e João Jorge Bazhuni.

Com eles fiz projetos, planos, compartilhamos aventuras. E nos auxiliamos em alguma medida quando necessário.

Os  três deram provas concretas, palpáveis, de  lealdade, apreço e consideração, em diferentes momentos e contextos.

Se existe vida após a  morte, com absoluta certeza gostaria de reencontrá-los... 

Espero que seus espíritos estejam seguindo seus caminhos, com paz e luz.


Notas:

1https://www.poder360.com.br/opiniao/se-precisar-de-um-amigo-fiel-compre-um-cachorro-escreve-euripedes-alcantara/


2.  https://www.pensador.com/frase/MTEwMw/

16 de agosto de 2026

Bill, meu cachorro, captava as emoções refletidas em meu rosto

                                     Bill no jardim de minha casa em São José de Imbassai - Maricá

William Longhall, Bill para os poucos íntimos, era um pastor manto negro, que adquiri no Campo de São Bento, às oito semanas de idade.

Fui seu tutor e professor do básico para um cão de seu porte e comportamento atávico. Não contratei um adestrador porque o mais próximo existente de São José de Imbassai, onde morava, cobrava um preço que daria para mandar um de meus filhos para Oxford.

A primeira lição foi no primeiro dia, ao chegarmos em casa. Coloquei ração no recipiente, e ao pega-lo de volta para reposicionar, ele rosnou e pegou meu dedo. Era bravo desde os dois meses.


Dei-lhe um soco no focinho para ele aprender quem era o chefe ali. Nunca mais ousou rosnar para mim, nem mesmo  quando, a guisa de teste, tirava o osso (iguaria predileta) de sua boca.

Era mal-humorado e assustador mesmo abanando o rabo. Era respeitado, quer saber, melhor dizendo temido. Belo porte, orelhas sempre eretas e olhar reluzente.

Quando já adulto, resolvi vender a casa e me mudar, o comprador era um oficial da Polícia Militar. Lidava com os cães de sua corporação. Viu o  Bill e comentou: "vê-se que tem atitude".

Nem mesmo seu veterinário lidava tranquilo com ele se eu não estivesse ao lado. 

Lembro que quando foi preciso operar, para extirpar, uma unha anatomicamente incorreta na  pata dianteira, estando Bill deitado na mesa elevada, o veterinário pediu-me para ficar ao lado da mesa. Por questão de segurança.

Há 17 anos, desde quando este blog foi concebido e construído, pretendia comentar a capacidade que ele tinha de interpretar meus sentimentos.

Bill não era fiel, por instinto, era leal por racionalidade. Ciumento ao extremo.

Interpretava meus sentimentos de alegria, de raiva, de preocupação.

Castelar, um amigo já muito citado no blog, foi com a mulher nos visitar em SJI. Enquanto conversávamos no quintal, junto a garagem, ele se virou para Ida (sua esposa), e comentou: "olha como ele não tira os olhos do Carrano".

Era sempre assim perscrutando minhas emoções, minhas reações.

Mas como abordar um tema que ignoro, como muitos outros, conferindo um embasamento científico, acadêmico?

Matérias jornalísticas recentes deram verniz científico ao meu empirismo. Ei-las a seguir:

"Cérebro de cachorros capta várias emoções no rosto humano, segundo estudo".

https://www1.folha.uol.com.br/ciencia/2026/08/cerebro-de-cachorros-capta-varias-emocoes-no-rosto-humano-segundo-estudo.shtml

https://www.bnews.com.br/amp/noticias/bnews-pet/cerebro-de-cachorros-consegue-ler-emocoes-no-rosto-humano-entenda.html

https://exame.com/ciencia/caes-conseguem-ler-emocoes-humanas-pelo-rosto-aponta-estudo/

"Muitos tutores já diziam e agora a ciência comprova. Imagens de ressonância magnética trazem evidências de que os cães têm uma compreensão relativamente sofisticada das emoções humanas. Ao observar fotos de rostos humanos, esses animais são capazes de distinguir expressões de diferentes emoções, como alegria, medo ou raiva."

"Embora essa capacidade não possa ser comparada com a das pessoas, ainda assim a constatação é mais um indício de que convivência de milhares de anos entre as duas espécies aproximou a cognição e as emoções de ambas."

"Os cães são capazes de identificar diferentes emoções no rosto humano e processá-las de maneiras distintas no cérebro. A conclusão é de um estudo publicado na revista iScience na última segunda-feira (dia 10), que utilizou exames de ressonância magnética funcional (fMRI) para analisar como os animais respondem a diferentes expressões faciais."

"Os pesquisadores da Universidade de Viena afirmam que os resultados reforçam a hipótese de que milhares de anos de domesticação favoreceram o desenvolvimento de habilidades sociais que aproximaram a cognição de cães e humanos."

Secando após o banho



Notas:
1. Estes dois últimos trechos foram pinçados de um original publicado em Examke.com. Leiam a matéria completa em https://exame.com/ciencia/caes-conseguem-ler-emocoes-humanas-pelo-rosto-aponta-estudo/?utm_source=copiaecola&utm_medium=compartilhamento

2. Bill já teve uma biografia publicada aqui. Mas como se trata de amigo (ex), nunca é demais.

15 de agosto de 2026

"Entre o Tapete e o Absoluto"

Foi hoje, como programado, no auditório do Museu de Arte Contemporânea (MAC), o lançamento do livro "Entre o Tapete e o Absoluto".

Nem mesmo o tempo chuvoso, foi obstáculo para que amigos e alunos, comparecessem em grande número. 

O autor deve ter ficado com as mãos com câimbras de tanto autografar.






No palco, a entrevista (bate-papo) com a jornalista Fernanda Pimentel despertou interesse. Algumas perguntas efetuadas da plateia foram respondidas pelo autor do livro e pelo convidado, também ele professor (Bruno Jones) e proprietário de Espaço de Yoga.


Como estavam comemorando, também, os dez anos do Espaço Dharma Bhumi, e não poderia servir bolo no auditório, no final, ao se retirar, cada convidado pegava um bolinho alusivo.

14 de agosto de 2026

Será amanhã

 


Na mídia:

"Entre o tapete e o absoluto: Jorge Carrano lança livro que desmistifica o Yoga e celebra 10 anos do Dharma Bhūmi."


https://cidadedeniteroi.com/cidades/entre-o-tapete-e-o-absoluto-jorge-carrano-lanca-livro-que-desmistifica-o-yoga-e-celebra-10-anos-do-dharma-bhumi/

Comentário explicativo do autor:

"O título representa justamente essa jornada. Muitas pessoas chegam ao Yoga buscando alongamento, relaxamento ou fortalecimento físico, sobre um tapete, dentro de um estúdio. Com o tempo, descobrem que a prática amplia a serenidade, o equilíbrio e o autoconhecimento. O “absoluto” simboliza essa conexão mais profunda com a vida, o silêncio, a consciência e tudo aquilo que nos torna verdadeiramente humanos."