17 de julho de 2026

Covardia x Letargia

Um terceiro lugar tem posição no pódio, é certo. Conta no ranking da FIFA, entra nas estatísticas e deve valer mais grana (a apurar), para a colocada.

Até deverei assistir (assisto a jogos do Vasco 😂), mas o desempenho das duas seleções envolvidas na disputa no próximo sábado, não merece nada além do esquecimento, do ostracismo. Não deixarão saudades, só frustrações.

Um apático e outro covarde nas semifinais.


Sou carioca, portanto brasileiro, mas se existisse o poleiro das almas a que alude o João Ubaldo, em "Viva o Povo Brasileiro", na minha vez optaria pela Inglaterra, Londres, e seria um autêntico torcedor do Arsenal.


Por outro lado, como já consagrou Hemingway,  "Paris é uma Festa". A França tem seus museus, docerias, seus croissants, seus vinhos. E tem características de jogo ofensivo, vertical, como gosto.



Por isso tanto se me dá se ganhar um ou outro.

Já no domingo, com escusas de Messi (a quem reverencio), serei Espanha, Lamine Yamal, Rodri.


Notas:

1. Para quem não leu: Em "Viva o Povo Brasileiro", de João Ubaldo Ribeiro, o Poleiro das Almas é uma alegoria para a dimensão espiritual. Trata-se de uma espécie de "limbo" cósmico ou esfera metafísica onde as almas recém-criadas aguardam, reúnem coragem e se preparam para encarnar na Terra.

2. Já "Paris é uma Festa" é um livro de memórias, como sabem.

16 de julho de 2026

O pardal (Passer domesticus)

Muitos deles povoavam o pequeno quintal da casa onde morávamos na Ponta d'Areia.

Há muito, entretanto, já não os vejo ao vivo.


Breve histórico. O pardal (Passer domesticus) não é uma ave nativa do Brasil. Ele foi trazido de Portugal em 1906 por um particular chamado Antônio B. Ribeiro, que soltou cerca de 200 indivíduos no Campo de Santana, no Rio de Janeiro. 

A introdução foi feita com o objetivo de que os pássaros ajudassem no combate aos insetos na cidade, que na época passava por campanhas de higienização e saneamento lideradas pelo médico Oswaldo Cruz. A iniciativa acabou alterando o ecossistema local, pois a ave exótica se adaptou muito bem e se espalhou por todo o país. 

Pela maneira como se reproduziram e se espalharam praticamente por todo o território nacional, poderiam ser considerados coelhos com asas 😂😂😂.

Ou sapos alados em face da predileção por insetos 😂😂😂.

Entretanto, com a mesma velocidade reprodutiva estão, aparentemente em extinção. O sumiço de uma das aves mais comuns dos centros urbanos acende um alerta sobre a biodiversidade.

Toda espécie, todo o indivíduo vivo, animal ou vegetal, faz falta. Todos cumprem um papel.

Mas cá para nós, no reino das aves, uma que não é canora, de plumagens simples, sem graça como o tempo de São Paulo (capital), sempre  acinzentado, e ainda transmissora de doenças seu papel é de mera figuração. 

Nem precisa de proteção legal, como tem, por ser ave silvestre, mesmo que invasora. Quem teria trazer em aprisionar um pardal? Não canta, só pia e olhe lá. Abriga piolhos ...

Fruto de pesquisa virtual, descobri que "os pardais acompanham os seres humanos há cerca de 10 mil anos, desde o surgimento da agricultura. Ao longo desse período, encontraram alimento e abrigo próximos às comunidades humanas e, por isso, espalharam-se por praticamente todos os continentes. Entretanto, a urbanização acelerada modificou completamente esse cenário. Hoje, os mesmos espaços que antes favoreciam a espécie passaram a dificultar sua sobrevivência".

Aí está os pardais estão desaparecendo das cidades porque "os mesmos espaços que antes favoreciam a espécie passaram a dificultar sua sobrevivência". 

Vejamos causas atribuíveis e atribuídas por especialistas (existem sempre sobre tudo e para todos os fins).

Por que os pardais estão desaparecendo?

1. Falta de alimento para os filhotes

Embora os pardais adultos se alimentem principalmente de grãos, os filhotes dependem quase exclusivamente de insetos nas primeiras semanas de vida. No entanto, o uso intenso de pesticidas e a diminuição das áreas verdes reduziram drasticamente a quantidade desses pequenos animais nas cidades. Como consequência, muitos filhotes não conseguem sobreviver.

2. Menos espaços para fazer ninhos

As construções antigas costumavam ter telhados, frestas e beirais que serviam como abrigo natural para os pardais. Hoje, porém, edifícios modernos utilizam estruturas completamente fechadas, com vidro e concreto. Dessa forma, as aves encontram cada vez menos locais seguros para construir seus ninhos.

3. Poluição sonora e luminosa

Além da falta de abrigo, a iluminação artificial e o excesso de barulho também afetam diretamente a espécie. A luz durante a noite altera o ciclo natural das aves. Enquanto isso, o ruído constante dificulta a comunicação entre os pardais, prejudicando o acasalamento e a reprodução.

4. Predadores nas áreas urbanas

Outro fator importante é o aumento da população de gatos domésticos e de rua. Estudos internacionais apontam que esses animais estão entre os principais predadores de aves urbanas. Como os pardais vivem próximos às residências, acabam ficando mais vulneráveis aos ataques."

Também de especialistas, registro as seguintes considerações:

"O sumiço dos pardais representa um alerta para um problema maior: a perda da biodiversidade nas cidades. Pesquisadores chamam esse fenômeno de "silêncio ecológico", expressão utilizada para descrever a redução dos sons naturais provocada pela diminuição das populações de aves. Além disso, diversos estudos mostram que ouvir o canto dos pássaros e manter contato com a natureza contribui para reduzir o estresse, melhorar o humor e favorecer o bem-estar. Por isso, quando os pardais desaparecem, não é apenas a fauna que perde. As pessoas também deixam de conviver com elementos importantes para a qualidade de vida nos centros urbanos."

Nota: 

https://www.terra.com.br/vida-e-estilo/pardais-estao-desaparecendo-das-cidades-entenda-por-que-isso-acontece-e-como-ajudar,b761d141913a9bda90cca9c790f5317f09unrz8p.html?utm_source=clipboard


15 de julho de 2026

Foi empáfia? Salto alto? Ôba-ôba?

A França era tida e havida, não sem motivos, como favorita à conquista da Copa do Mundo de Futebol.

Meio parecido com a edição de 1950, quando o selecionado nacional era considerado favorito. Favas contadas.

E deu no que deu nos dois casos.

Poderíamos atribuir a entrega, a determinação e aplicação dos espanhóis, o que faltou aos franceses.

Assim como muitos atribuíram a Obdúlio Varela, à raça e disposição dos uruguaios o êxito em 1950.

Obdúlio Varela

Mas não foi  só a aplicação tática dos espanhóis e a disposição dos uruguaios que elevaram às vitórias. No caso da Espanha ainda e apenas até à final de domingo.

O Uruguai tinha um bom time, já fora campeão em 1930 e já possuía dois títulos olímpicos no futebol: 1924, em Paris e 1928, em Amsterdã.

Mais história e tradição do que o Brasil.

Assim como a Espanha vem de resultados ótimos, invencibilidade de muitos jogos, e dois ótimos jogadores: Rodri e Lamine Yamal.

Acho que a explicação está num ditado popular, chulo, mas que encerra verdade.

Brasil em 1950 e França em 2026, "contaram com o ovo no cú da galinha".

Muito engraçado, mas é uma triste realidade

Como sabem também eu sou um vascaíno sofredor nos últimos anos.

Sempre confiante num futuro melhor. Temos um nome respeitado, uma história linda, muitas conquistas e uma torcida apaixonada de âmbito nacional.


Desabafo após uma derrota:


Não é hoje, é quinta-feira, contra o Vitória (BA), a primeira partida com o novo técnico, lusitano, ó pá!



14 de julho de 2026

"TEMPUS FUGIT"

 

Este ano perdi para a vida eterna meu amigo, contemporâneo do Liceu Nilo Peçanha, e da Faculdade de Direito de Niterói, Carlos Augusto Lopes Filho.

Também blogueiro, mencionou-me em uma postagem encontrável no link a seguir, quando cobrei dele maior frequência em seu blog:

https://calfilho.blogspot.com/2018/09/memoria-nacional.html

O post é de 2018, fase pré-eleitoral, e serve como  uma luva para os dias que vivemos.

Publico a seguir um excerto, mas sugiro a leitura integral, utilizando o link acima ofertado.

“ Ontem, recebi um prazeroso telefonema do meu ex-colega Jorge Carrano,  do Liceu Nilo Peçanha de Niterói, onde estudamos alguns anos de nossas vidas. Batemos um agradável papo e ele me cobrou porque eu não escrevia mais nada aqui no meu despretensioso blog. Respondi-lhe que não estava tendo inspiração para ser alegre ou espirituoso, que considero requisitos indispensáveis para quem se dispõe a colocar no papel alguma coisa. A situação do nosso Brasil atualmente, perdido na política e com os políticos, justamente quando se aproximam as eleições que irão escolher os futuros governantes nos próximos quatro anos, não me anima a comentar ou emitir opinião sobre o que está por vir pela frente. Reclamei com ele do radicalismo que domina os pronunciamentos daqueles que pretendem ser presidentes da república ou governadores de Estado: preferem atacar raivosamente uns aos outros, chegando mesmo às ofensas pessoais e, as poucas propostas que apresentam são de uma utopia extraordinária.”

Esta opinião dele, que eu esposava, e mantenho, afastou-o deste meu espaço virtual, onde ensaiou alguns comentários. Foi uma perda que lamentei, por mim e por eventuais seguidores, porque ele agregaria muito em termos culturais e humanísticos em especial.

Em mensagem eletrônica, justificou-se: “perdão Carrano mas não vou debater em seu blog com radicalistas, de visão curta e que não conheço”. E se afastou para nunca mais comentar no blog.

Com imensa simplicidade, longe das vaidades, aliava o gosto pelo popular, como Noel Rosa, a cervejinha “Portuguesa”, bastante consumida na época, o futebol (em especial seu Botafogo), com resultados fantásticos nos concursos públicos aos quais se submeteu antes de desaguar na magistratura.

Banco do Brasil, migrando para o Banco Central quando da constituição deste. Primeiro colocado no ingresso no Ministério Público. E primeiro colocado no ingresso na magistratura estadual, tendo por isso o direito de optar pelo Tribunal do Juri, sua meta, onde judicou até o final de sua carreira no judiciário por aposentadoria voluntária tão decepcionado que não aguardou a promoção a desembargador.

Em outra postagem em seu blog, voltou a mencionar nossas passagens no Liceu Nilo Peçanha, vide, tendo curiosidade, em:

https://calfilho.blogspot.com/2015/02/boas-lembrancas-calfilho-depois-de.html

Ambos gostávamos muito de futebol e, claro, de jogar e não apenas torcer.

Não tínhamos, ambos, grande habilidade; por isso estávamos no time “B”, reserva, no Liceu. Vide foto abaixo:

Para  quem está olhando a foto, estou a esquerda do goleiro, e Carlinhos (Carlos Augusto Lopes Filho) agachado a direita.

Em outra postagem, que está no link abaixo, e pequeno trecho aqui reproduzo, concordamos:


Carrano uma vez comentou num dos “posts” de seu blog que “as amizades verdadeiras são aquelas que fazemos na infância e adolescência”. A frase talvez não tenha sido exatamente esta, mas o sentido é esse. Concordo plenamente com ele. E, nesse encontro, essa afirmação tornou-se mais verdadeira e presente, quando relembramos várias fases de nossas vidas e acabamos concordando que, realmente, a melhor delas foi quando éramos crianças e adolescentes.


13 de julho de 2026

ECOS DA COPA 2026: Inglaterra

Foi muito controvertida a convocação dos jogadores que comporiam a seleção inglesa. Tanto, ou mais, que a convocação brasileira.

E com um técnico alemão - Thomas Tuchel - com alguma experiência no futebol inglês, haja vista haver treinado o Chelsea em temporada vitoriosa.

Conheço e acompanho, via TV, o desempenho dos dois maiores astros da seleção - Harry Kane e Jude Bellingham - que atuam, respectivamente, na Bundesliga e em La Liga (Alemanha e Espanha).

Bellingham
Kane

Bellingham não é surpresa para mim. É completo.

Mas não levava fé de que os ingleses avançariam até as fases finais da competição, confesso.

Agora, aqui entre nós, é emocionante ver e ouvir um coral de milhares de vozes entoando "Hey  Jude", clássico dos Beatles.


Hey Jude

Canção de Os Beatles ‧ 1968

Hey Jude, don't make it bad.

Take a sad song and make it better.

Remember to let her into your heart,

Then you can start to make it better.

Hey Jude, don't be afraid.

You were made to go out and get her.

The minute you let her under your skin,

Then you begin to make it better.

And anytime you feel the pain, hey Jude, refrain,

Don't carry the world upon your shoulders.

For well you know that it's a fool who plays it cool

By making his world a little colder.

Hey Jude, don't let me down.

You have found her, now go and get her.

Remember to let her into your heart,

Then you can start to make it better.

So let it out and let it in, hey Jude, begin,

You're waiting for someone to perform with.

And don't you know that it's just you, hey Jude, you'll do,

The movement you need is on your shoulder.

Hey Jude, don't make it bad.

Take a sad song and make it better.

Remember to let her under your skin,

Then you'll begin to make it

Better better better better better better, oh.

Na na na nananana, nannana, hey Jude...

(repeat X number of times, fade)


Estamos na fase de semifinais e a seleção até o momento está assim montada:

Notem a ausência de Messi e Yamal.

Em vinte anos, seis eliminações, para europeus

Em 12 anos conquistamos 3 títulos mundiais, e passamos a ser cognominados como "o país do futebol". Campeões em 1958, 1962 e 1970.

Nos últimos vinte anos, portanto desde 2006, o Brasil foi eliminado em seis Copas do Mundo consecutivas sempre por seleções europeias. As quedas ocorreram nas quartas de final (2006, 2010, 2018, 2022), na semifinal (2014) e, mais recentemente, neste ano de 2026, nas oitavas de final.

O que explica tal fato? Nos dois títulos iniciais, os elencos eram parecidos, mas não os  técnicos; já em 1970 o elenco estava bem modificado, e com um terceiro técnico. Dirigiram as equipes no período: Vicente Feola em 1958; Aymoré Moreira em 1962 e Mário Jorge Lobo Zagallo em 1970.

Entre os jogadores, um teve presença marcante em 1958 e 1970 - Pelé, o rei. Em 1962 sofreu forte contusão e não jogou as partidas finais.

Escalação da equipe na final com: Gilmar; Djalma Santos, Bellini, Orlando e Nilton Santos; Zito e Didi; Garrincha, Pelé, Vavá e Zagallo.


Gilmar; Djalma Santos, Mauro, Zózimo e Nilton Santos; Zito e Didi; Garrincha, Vavá, Amarildo e Zagallo


Félix (goleiro), Carlos Alberto Torres (capitão e lateral-direito), Brito e Wilson Piazza (zagueiros), Everaldo (lateral-esquerdo), Clodoaldo e Gérson (volantes), Jairzinho, Pelé, Tostão e Rivellino (atacantes).

Conquistamos outros dois títulos depois desta fase. Em 1994 e em 2002, mas não se compararam a conquista de 1970, com a melhor seleção nacional jamais formada.

E por duas vezes fomos as finais e perdemos. Em 1950, para o Uruguai e em 1998 para a França.