9 de junho de 2026

Notas sobre mim: As músicas que são portais em minha alma

 


Por 

Alessandra Tappes



 


Tem dias em que eu coloco os fones de ouvido e percebo que a música não é apenas som; ela é um portal temporal e emocional. Ela me leva a lugares onde jamais caminharia a pé e desperta sensações que as palavras mal conseguem descrever, mas que o coração sente com precisão de agulha no vinil.

A minha playlist é o mapa da minha alma.

Quando toca "Talking Out Of Turn" (The Moody Blues), eu sou transportada para o topo de uma montanha verdejante — tenho quase certeza de que na Irlanda. Ali, sentada, vento no rosto, me vejo lendo as cartas de um grande amigo da década de 80, aquele que fez desabrochar em mim o amor pela escrita. Eu nunca estive naquela montanha fisicamente, mas meu coração mora lá sempre que o rádio toca.

Se muda para ABBA, o cenário vira as Ilhas Gregas, mas com o melhor tempero da vida: gosto de infância, de bolo nega maluca e piscina de plástico. É impossível ouvir ABBA e não ver minha amada tia Sônia dançando na sala nos anos 80, sem pudor algum, sem medo de ser feliz, puxando todo mundo junto. O ABBA tatuou a minha mente com a alegria dela.

E o meu pai... meu grande amor. Quando ouço "Raindrops Keep Fallin' on my Head", volto aos meus 7 anos. Vejo o chaveiro dele, uma caixinha de música com a foto da sua formatura em Técnico de Enfermagem. Ele nos mostrava aquilo com tanto orgulho, e eu sentia o mesmo por ele. Ele me apresentou ao seu amado Supertramp, a "Amapola", "Born Free" e às grandes orquestras. Mas hoje, quando "Everything I Own" toca, a emoção me toma por inteiro. Eu daria tudo para tê-lo de volta. Esse é o lugar sagrado que revisito em mente todas as noites antes de dormir.

A música também acolhe as minhas cicatrizes mais profundas. Falar em Ana e nas músicas que veredavam nossas esquinas, ainda faz o coração palpitar sem controle, as vistas embaçarem e a lágrima escorrer salgada. É uma dor em carne viva. Mas quando toca "Because You Loved Me", a dor divide espaço com uma gratidão imensa por tudo o que ela foi e por quem me tornei ao seu lado durante 16 anos lindos. Ouvir "Summer of '42" e "Autumn Leaves" é lembrar do carinho e respeito que ela tinha pela sua história e pela sua mãe. Ana foi como o Cometa de Halley: uma raridade brilhante que tive a honra de ver passar pela minha vida.

Mas a vida também pede movimento, e a música sabe como me curar. Meu gosto é eclético porque meus sentimentos também são. Tem dias em que a música é terapia. Em outros, as notas indianas me transformam em uma verdadeira bailarina de Bollywood, dispersando qualquer tensão entre cores e ritmos, mesmo sem eu entender uma palavra. Para os dias exaustivos de trabalho, minha playlist tem Judah & the Lion. Músicas como "Find another reason why" ou "Spirit" me devolvem a cor e a energia.

E por falar em energia e em sonhar alto, a música me conecta ao amor mais puro que existe: a maternidade. Meu filho habita meu coração há 26 anos. Nenhum de nós dois jamais pisou em um festival de música, mas sempre que pode, ele me convida para o Rock in Rio ou para o Lollapalooza. Nós alimentamos o sonho de, um dia, estarmos juntos no meio da multidão cantando Coldplay ou Imagine Dragons (porque convenhamos, não há quem não cante e lute um bom "boxe no chuveiro" ao som de "Believer").

Mas enquanto esse dia não chega, falar dele é falar de uma canção que selou a nossa história: "Oração", de A Banda Mais Bonita da Cidade. Ele tinha apenas 10 anos quando se apaixonou por essa música. Naquela época, eu vivia a minha fase de mãe solo, precisando ser valente e capaz todos os dias. E o meu menino cantava para mim. Aqueles versos viraram o nosso hino de força, de afeto e de abrigo.

No fim das contas, a música me faz ser tudo: viro dançarina de Bollywood, viajo no tempo, revisito meu velho e saudoso Rio Grande do Sul, leio cartas em montanhas distantes, abraço meu pai na saudade e celebro a força da mãe que me tornei. Tantas novas e velhas canções. Tantas sensações que não quero parar de sentir. Porque, como meu filho me ensinou a cantar naquela época:

“ ...Coração não é tão simples quanto pensa Nele cabe o que não cabe na despensa Cabe o meu amor Cabe essa brisa leve e curta Cabe jasmim, caju, de tudo surta Cabe até o meu amor por você Cabe até o meu amor por você...” ️✨

 


8 de junho de 2026

Copa do Mundo da FIFA 2026

 A Copa do Mundo da FIFA já foi disputada em dois países. Esta edição que começará dentro em breve, pela primeira vez será disputada em três diferentes países: Estados Unidos, México e Canadá, em 16 cidades, a saber:

Estados Unidos (11): Atlanta, Boston, Dallas, Filadélfia, Houston, Kansas City, Los Angeles, Miami, Nova York/Nova Jersey, São Francisco (Bay Area) e Seattle.

México (3): Cidade do México, Guadalajara e Monterrey.

Canadá (2): Toronto e Vancouver.

O México é o país que mais vezes terá, ao fim e ao cabo,  sediado o evento: 1970, 1986 e agora 2026.

O Brasil por duas vezes de tristes memórias: em 1950 perdeu a final para o Uruguai; na segunda vez é eliminado pela Alemanha, com o fatídico 7x1.

A Copa do Mundo de 2030 será realizada em seis países de três continentes diferentes, sendo os anfitriões principais Espanha, Portugal e Marrocos. Para celebrar o centenário do torneio, os jogos de abertura também ocorrerão na América do Sul, com uma partida realizada no Uruguai, uma na Argentina e outra no Paraguai.

Veja os grupos nesta versão 2026:

GRUPO A: México, África do Sul, Coreia do Sul e República Tcheca

GRUPO B: Canadá, Bósnia, Catar e Suíça;

GRUPO C: Brasil, Marrocos, Haiti e Escócia;

GRUPO D: Estados Unidos, Paraguai, Austrália e Turquia GRUPO E: Alemanha, Curaçao, Costa do Marfim e Equador;

GRUPO F: Holanda, Japão, Suécia e Tunísia;

GRUPO G: Bélgica, Egito, Irã e Nova Zelândia;

GRUPO H: Espanha, Cabo Verde, Arábia Saudita e Uruguai;

GRUPO I: França, Senegal, Iraque e Noruega;

GRUPO J: Argentina, Argélia, Áustria e Jordânia;

GRUPO K: Portugal, RD Congo, Uzbequistão e Colômbia;

GRUPO L: Inglaterra, Croácia, Gana e Panamá.

A antiga Iugoslávia se desmembrou, ao longo de quinze anos, iniciados em 1991, constituindo 7 novos países:

Eslovênia, Croácia, Bósnia e Herzegovina, Sérvia, Montenegro, Macedônia do Norte e Kosovo (com reconhecimento internacional parcial).

Destes jovens países, dois estarão disputando a Copa: Croácia e Bósnia. Assim como dois do Reino Unido: Inglaterra e Escócia. A diferença é que Croácia e Bósnia queriam e conseguiram independência; já a Escócia pretende, mas ainda não conseguiu.

Favoritos para conquistar a Copa:

Previsão alargada: França, Espanha, Argentina, Alemanha, Portugal e Brasil.

Previsão estreitada: França, Espanha e Alemanha

Previsão afunilada: França e Espanha. 

Não é o que quero, mas sendo realista. Mas como alguém já lecionou, o “futebol é uma caixinha de surpresas.”

Vai que, não tendo o status de favorita a seleção nacional surpreenda a conquiste o hexa tão aguardado.

Azarões: Haiti, Curaçao, Jordânia e Panamá

Comentário final: eu teria testado os seguintes jogadores, por seus desempenhos no Campeonato Brasileiro. Queria os três no meu time - CRVG.


Jonathan Jesus
zagueiro do Cruzeiro
Arthur Dias zagueiro
Athletico Paranaense



Zé Vitor volante do Vitória


Never say never

Never say never, equivale a “nunca diga nunca”. E tem título de filme do agente 007: “Never say never again”.

E a que propósito menciono isso? Ora!!! Porque uma vez mais, descumpro compromisso de parar, pausar com postagens, entretanto eis-me aqui de novo, para gáudio de meu ego, e talvez desprezo, decepção, descontentamento de alguns outros.

Mas volto por dois bons motivos. Um já ocorrido e o outro está por vir brevemente.

O já ocorrido: post do Riva em https://jorgecarrano.blogspot.com/2026/06/riva-versao-74.html

O que está para ocorrer, é mais uma postagem da Alessandra Tappes. Aguardem. Ela prometeu e costuma cumprir. Controlem a ansiedade.

Acho que não assumi que nunca mais voltaria a postar. Se assumi podem me apupar, xingar (menos a mãe) e até açoitar virtualmente.

3 de junho de 2026

RIVA versão 7.4

 



Por 

Riva




Ontem, 2 de junho, baixei minha nova versão 7.4 e até o momento não há reclamações dos usuários, nenhum BUG identificado. 

Tampouco melhorias ... a nova versão vende que traz algumas atualizações do tipo tolerância melhorada (a ser comprovada), estranho aumento da emoção em jogos de futebol do meu FLUMINENSE, desprezo pela antes relevante seleção brasileira de futebol, mas principalmente, um botão FODA-SE que ao ser clicado, interrompe qualquer envolvimento com a política nacional e internacional (mas precisa ser acionado).

Acredito que vem um novo ciclo voltado para a tentativa de uma vida mais leve, e consequentemente mais feliz, curtindo atividades, eventos, fatos que outrora eram irrelevantes, tais como "não fazer nada", curtir shows musicais, muita leitura abandonada, viagens ao máximo que o já depauperado poder aquisitivo permitir (aceitamos doações), família sempre o máximo possível, cultivar e fortalecer amizades (a política as destrói), passeios de motocicleta, enfim .....DESOPILAR, como falávamos nos saudosos ANOS 60.

Alessandra, se estiver lendo, me ajuda a enriquecer esse parágrafo !!!

Foram 73 anos bem vividos, com muitas alegrias e realizações, tristezas e decepções que a linha do tempo nos impõe, arrependimentos, mas o saldo tem sido positivo, muito. Caminhando há décadas de mãos dadas com minha MV, a Matriarca Vascaína, que me deu um Norte, me deu um AMANHÃ. Amor eterno, incondicional.

Como FUTEBOL não fica de fora do nosso PUB da BERÊ, não acredito no trabalho do ANCELOTTI na seleção, não por sua competência comprovada em clubes, onde tem tempo para implantar suas ideias, o que é impossível para ele e para qualquer outro profissional nesse calendário maluco. Por isso eu preferia a contratação do ABEL do Palmeiras, por estar há 5 anos por aqui e nos conhecer muito mais, em todos os sentidos - futebol, jogadores nativos, torcida, cultura. 

Por favor nenhuma confusão com LANCELOT, que era um super Cavaleiro do Rei Arthur, mas que não conseguiu achar o SANTO GRAAL pois era um pecador, traindo seu rei ao se apaixonar por GUINEVERE, esposa de Arthur ..... o SANTO GRAAL nessa analogia é a TAÇA da COPA do MUNDO, alcançável apenas pelos Cavaleiros da FIFA não pecadores (não sei nesse caso qual a definição de pecador)....

Dia 13 agora o nosso primeiro teste, contra o Marrocos. Olha o número do Zagallo !!!!!

Pra terminar essa curta prosa, sou um Geminiano autêntico : nascido dia 2, numa 2ª Feira, às 2 horas da manhã, num ano de final 2 ...e sou o 02 lá de casa. Acrescentem a isso meu COMPLEXO DE PETER PAN ... ainda não sei o que vou ser quando crescer.


2 de junho de 2026

TRUMP GAROTO PROPAGANDA

Meramente informativo, sem juízo de valor, engajamento ou repúdio.



31 de maio de 2026

Bem mal

Estou macambúzio, como dizia o falecido e muito bem-humorado Washington Rodrigues, de pneus arriados, farol baixo.

Pergunto a mim mesmo por que, e a resposta que me dou é sei lá.

Entretanto motivos não faltariam.


O quadro político é desanimador. Saudades do tempo, nem tão remoto, que tínhamos pelo menos três partidos políticos com programas de matizes distintos, que abrigavam boas cabeças: UDN, PSDD e PTB.


Nomes como Juscelino Kubitschek, João Goulart e Carlos Lacerda. O primeiro ocupando de novo as manchetes porque afinal, depois de anos, chegaram a conclusão de que o acidente rodoviário que o vitimou de morte, não foi acidental.


Assim como a morte dos outros dois, membros da "frente ampla", nomes de apelo popular, também ocorreram de forma suspeita e num curto período período de tempo entre  elas.




Diga aí, se entre os candidatos que se colocam, algum deles seria capaz de cunhar, no ato de morte: "Deixo à sanha de meus inimigos o legado de minha morte". Ou,"Serenamente dou o primeiro passo no caminho da eternidade e saio da vida para entrar na história"? Como fez Getúlio Vargas, ditador, populista, estadista, "pai dos pobres".


Sinto falta das conversas com alguns amigos, agora indisponíveis, a menos que eu acreditasse naquele ritual do copo que encarna um espírito que responde suas perguntas indo de uma letra a outra como fazem as abelhas de padaria indo de um doce a outro.

Amigos que tinham opinião porque como eu mesmo faço, ouviam diferentes, divergentes, sopesavam argumentos e formavam uma compreensão, que cristalizava ou não, porque como as nuvens mudam de lugar opiniões mudam também. Sem culpa, sem censura.

Mário Castelar, provavelmente o mais próximo de amigo que jamais tive, dizia que "amigo a gente não julga".

O filósofo Raul Seixas lecionou:

"Prefiro ser

Essa metamorfose ambulante

Eu prefiro ser

Essa metamorfose ambulante

 

Do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo

Do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo"


Não eram, aqueles amigos,  como cavalos de charretes ou carruagens, que têm antolhos que não lhes permitem uma visão periférica.

Nunca me cativaram os que se limitam a mais do mesmo e não crescem, não enriquecem culturalmente, repetem as coisas como papagaios.

A origem de meu desânimo pode estar no futebol. A seleção brasileira comandada por um italiano, vai participar de uma copa que será realizada em três países, com jogos em várias cidades-sede, com participação de 48 seleções. 

Não existem 48 países com seleções de futebol de nível igual, equivalente ou semelhante.

Isso empobrece a competição embora possa render dinheiro para a entidade organizadora e o país anfitrião (agora países). Compromete o aspecto esportivo.

No Brasil meu clube, o Vasco da Gama, de tantas glórias, histórias e tradições, anda à matroca, falido financeiramente.

Na Europa, o clube que tem a minha simpatia, desde a infância, quando ele tinha o melhor time do velho continente, perdeu hoje, pela segunda vez desde quando passou a ser possível acompanhar ao vivo a disputa, por via  televisiva, a chance de conquistar o título continental. A primeira vez, em 2006, perdendo para o Barcelona, e hoje para  o Paris Saint-Germain. Dessa vez eu acreditava ser possível porque o elenco era bom.

Outra possibilidade é o clima, as condições atmosféricas. O sol é o dínamo que carrega minhas baterias, sem ele fico meio barro meio tijolo.

Conheço a fórmula para me reanimar: um bom livro; jazz e blues que tenho em vinil e CDs; um vinho bom nos limites do que posso comprar sem comprometer o orçamento.

Ou um almoço em família com meus filhos, aproveitando o tempo que me resta de convívio presencial.

Quando este estado de espírito acontece quando se é jovem, é mole, sai na urina, mas aos 86 é mais rígido, mais lento e mais triste.

Notas:

https://jorgecarrano.blogspot.com/2016/05/edicao-extraordinaria-leicester.html

https://jorgecarrano.blogspot.com/2020/03/tipos-inesqueciveis-mario-castelar.html


30 de maio de 2026

Transtornos pela frente

Nos três únicos terrenos disponíveis, por enquanto, fruto de demolições, estão previstas obras de edificações, na Rua Dr. Paulo Alves, no Ingá.

Como agravante para os naturais transtornos tipo barulho e poeira, acrescente-se o fato de que a artéria tem grande fluxo de veículos.  Corredor de passagem quase obrigatório em direção ao Centro e à Ponte Rio-Niterói.

Um dos terrenos na esquina do quarteirão onde resido. Os outros defronte ao prédio onde moro.











E a julgar pela construção dos canteiros, as obras serão concomitantes. Uma das edificações a serem erguidas será residencial. As outras ainda não estão publicamente anunciadas.

Como não poderei me refugiar nas montanhas, e tampouco ir embora para Pasárgada, literário local concebido por Bandeira, o jeito será conviver com os inconvenientes.