quinta-feira, setembro 17, 2026

Sistema viário Anchieta/Imigrantes

Rodovia dos Imigrantes - SP 160


"Rodovia brasileira ganha fama mundial ao cortar a Mata Atlântica com viadutos de até 70 metros: 20 km de curvas suaves reduzem riscos sob neblina. "

https://www.terra.com.br/mobilidade/rodovia-brasileira-ganha-fama-mundial-ao-cortar-a-mata-atlantica-com-viadutos-de-ate-70-metros-20-km-de-curvas-suaves-reduzem-riscos-sob-neblina,0d729fab6f221b87745a7d6d44d282055p38cs44.html?mt=1


Via Anchieta - SP 150

Nem tudo é cinza, nem tudo é "um chopps e dois pastel", ou "olha a pamonha". Agora nem tanto, mas nas décadas de 70 e 80, do século passado, ir ao aeroporto de Congonhas, para tomar cafézinho e ver aviões decolando e aterrissando era programa de classe média.

São Paulo, a cidade, capital do Estado, é imbatível no que se refere a culinária. Tem todas as cozinhas, oferecidas em restaurantes e bistrôs os mais variados. 

Hotéis, shoppings, hospitais, de padrão internacional. E ótimos museus. Se a cidade de São Paulo fosse um país independente, seria primeiro mundo.

Morei lá muitos anos, sempre reclamando do estilo de vida, do trânsito caótico nas duas marginais, do ar poluído, da falta de sol.

Mas agora visto à distância, sem ter que suportar os ônus de morador, reconheço que a cidade e o Estado como um todo, têm muitas coisas positivas.

E muita natureza exuberante, como a desfrutável nas rodovias das fotos (ao alto), do complexo Anchieta/Imigrantes, que liga a região metropolitana ao litoral.
Guarujá

As praias do Guarujá e as do denominado Litoral Norte, como Ubatuba, Caraguatatuba, Ilhabela, etc.

O Parque Estadual do Jaraguá, com suas  ricas flora e fauna.



quarta-feira, setembro 16, 2026

AUTOCONTROLE II

Estava me coçando, louco para quebrar compromisso público assumido aqui neste espaço, em:

https://jorgecarrano.blogspot.com/2026/09/autocontrole.html

Faltava um impulso inicial, assim como o Buick 1938 de meu pai precisava vez ou outra de um empurrão para pegar.

Aí vem o Riva e comenta:

RIVA disse...

Será que nosso caro BM teve controle ontem e resistiu a ligar a TV para ver como andava a sessão (no Twitter se escreve ceção) no PSTF ?
 Se não viu ou ainda não sabe (o que eu duvido kkk), adianto que foi uma VERGONHA TOTAL !!!
.................. omissis .............

Pronto!!!

Assisti de ponta a ponta. Da abertura ao encerramento. Com vergonha, constrangimento, decepção, com repulsa.

Quisera ser um poeta, ou um astronauta - porque ambos vivem no mundo da lua - ao invés de advogado.

Como consignado na postagem encontrável no link acima sempre fui combativo pelas minhas ideias, opiniões e princípios.

Aqui, conforme links a seguir, e nas páginas dos principais veículos informativos, no Rio e em São Paulo: O Globo, O Estado de São Paulo e Folha de São Paulo, e outros veículos de menor circulação e abrangência.

Nestas postagens com links a seguir abordei a trapaça do ministro Nelson Jobim, ao incluir no texto constitucional matéria não discutida e aprovada em plenário.

https://jorgecarrano.blogspot.com/2018/07/cartas-para-as-redacoes.html

https://jorgecarrano.blogspot.com/2010/01/implicancias.html https://www.passeidireto.com/arquivo/6184194/george-marmelstein-o-caso-jobim-artigos-nao-votados-da-cf-88

https://jorgecarrano.blogspot.com/2019/10/prisao-em-segunda-instancia.html

https://www1.folha.uol.com.br/folha/brasil/ult96u54227.shtml

https://congressoemfoco.uol.com.br/especial/noticias/o-segredo-constitucional-de-nelson-jobim-e-gastone-righi/

https://memoria.oglobo.globo.com/jornalismo/edicoes-especiais/sem-votaccedilatildeo-9938719

Sobre este assunto já havia, na época, me manifestado através da mídia impressa, conforme cópia abaixo, de matéria publicada em "O Globo", na edição de 12 de outubro de 2003, em "Muitas "maracutaias"

São dezenas, repito DEZENAS, de cartas publicadas (tenho recortes e cópias), sobre os mais diferentes temas, como esta a seguir, publicada na Revista da OAB, em julho de 2006, sobre o STF.


Nunca me omiti, nunca silenciei quando o assunto me incomodava. Posicionei-me publicamente sobre a adoção do divórcio, instituto mais socialmente justo do que  o desquite então em vigor, e sobre a pena de morte, que defendi, como defendo; enviei  muitas cartas, inclusive para o Congresso, e aderi a abaixo-assinados; enfim nunca temi me expor.

Caro Riva, enquanto acadêmico de Direito, o STF tinha como componentes, conforme a seguir, nomes respeitáveis, como na legenda da foto. 

Composição do Supremo com 16 ministros, em 1965: Da esquerda para a direita, sentados: Ministros Victor Nunes, Vilas Boas, Lafayette de Andrada, Ribeiro da Costa (Presidente), Candido Motta Filho (Vice-Presidente), Luiz Gallotti, Gonçalves de Oliveira.
Na mesma ordem, de pé: Ministros Aliomar Baleeiro, Oswaldo Trigueiro, Prado Kelly, Evandro Lins, Pedro Chaves, Hermes Lima, Adalicio Nogueira, Carlos Medeiros e Dr. Alcino Salazar (Procurador-Geral da República). Ausente o Ministro Hahnemann Guimarães.  

Agora o notável saber jurídico e ilibada conduta foram substituídos por fatores tais como: ser tremendamente evangélico; ser amigo do presidente que o indica; ter sido advogado do presidente ou de seu partido político e alinhamento ideológico.

A Instituição - STF - é absolutamente necessária, fundamental num Estado Democrático de Direito, mas os critérios de constituição do colegiado hão de ser revistos.

Como? Não sei, mas há de ser encontrada uma fórmula, mais impessoal, objetiva, meritória, republicana.

Aí está Riva, a opinião de um cidadão, eleitor, louvado no que tem sido veiculado, sem acesso aos autos:  Mendonça comportou-se como um moleque travesso, elucubrando "agora vou foder o Xandão". E o Alexandre está mais sujo do que pau de galinheiro, tantos e tão graves os indícios delituosos, se pesando sobre um ministro do STF.

terça-feira, setembro 15, 2026

Teorias sobre o papel higiênico

Foram estas matérias, com links de acesso a seguir, que motivaram esta postagem.

"Colocar o papel higiênico para a frente ou para trás: qual é a posição correta e por que é recomendado fazê-lo apenas desta forma?"

https://www.tudogostoso.com.br/noticias/colocar-o-papel-higienico-para-a-frente-ou-para-tras-qual-e-a-posicao-correta-e-por-que-e-recomendado-faze-lo-apenas-desta-forma-a31082.htm

Papel higiênico para frente ou para trás: qual é o jeito certo e recomendado.

https://www.itatiaia.com.br/trends/papel-higienico-frente-tras/


Antes de ingressar na questão do posicionamento do rolo, resgato antiga piada sobre papel higiênico.

Numa reunião de engenheiros aeronáuticos, que discutiam a solução para sério problema que ocorria com um novo projeto de avião (as asas partiam ao meio quando a aeronave atingia certa altura), o português que integrava equipe apresentou uma solução: picotar as asas exatamente no ponto onde de partiam. Denominou de teoria do papel higiênico.

Perplexidade total. Então veio a explicação dada pelo lusitano para sua proposta: o papel higiênico nunca rasga no picotado. 😂😂😂.

Hoje pode não ter graça, mas na época fazia rir.

Vamos ao que estimulou este tema, da colocação do papel higiênico para a frente ou para trás: qual é a posição correta?

De novo recorro ao passado. Li em algum lugar que as mulheres sempre colocavam o papel para trás. E os homens, sempre para a frente. Fiquei intrigado e resolvi testar, na família.

Com a foto a seguir indaguei como cada um colocava o papel no dispositivo.



Não deu outra, as mulheres o colocavam virado para trás. 

Esta matéria citada na abertura do texto, afirma que só há uma posição correta e enumera razões.

Como o momento político-jurdico tangencia a utilidade do papel higiênico, elejo as peanuts como referência para abordar.

Nota:

"Peanuts"  é o título original da famosa tira de quadrinhos criada por Charles M. Schulz, da qual o Snoopy e o Charlie Brown fazem parte. A distribuidora escolheu o nome Peanuts (uma gíria em inglês que significa "múltiplas coisinhas pequenas", "miudezas" ou "insignificantes").

Peanuts em inglês é amendoim.

domingo, setembro 13, 2026

AUTOCONTROLE

Estou orgulhoso - de mim mesmo - por estar conseguindo me controlar, mantendo-me silente diante do quadro estarrecedor que se delineia em face da implosão do STF.

Em outros tempos estaria enviando correspondência datilografada, antes da informatização, ou e-mails depois dela, para as redações dos principais veículos de informação do país, manifestando opinião e verberando contra o estado de coisas.

Experimentei satisfação semelhante em 1982, quando dos preparativos da viagem que faríamos na Semana Santa, para refúgio em nossa modesta casa em Inoã, distrito de Maricá.

Resolvido a parar de fumar, decidi não levar cigarros sabedor da dificuldade que teria em lá comprar posto que a casa ficava distante da birosca mais próxima onde eventualmente encontraria o  Carlton que fumava.

Assim fiz e nunca mais fumei e já lá se vão mais de quarenta anos. 

Algo semelhante, sob o ponto de vista de determinação levada a cabo, deu-se em 1995, quando decidi abandonar o cargo de diretor estatutário (eleito em AGE), de um laboratório farmacêutico constituído  sob a forma de sociedade anônima, para retornar a Niterói.

Deixei boa renda e mordomias (fringe benefits) inerentes ao cargo, como carro (Santana) com todas as despesas pagas, bom plano de saúde e outros penduricalhos, para começar tudo de novo sem ideias claras, sem projeto estruturado, senão o desejo de voltar ao lar, ao lugar onde tinha raízes.

Estou resistindo e me mantendo calado, ansioso com as mãos nos bolsos, como o personagem torcedor da velha piada.

Para os mais novos e os de má memória, recordo a piada. Um amigo comentou com um torcedor apaixonado como ele conseguia se controlar e manter comportamento aparentemente tranquilo durante a partida de seu time.

O indagado retirou as mãos dos bolsos e exibiu as mãos cheias de pelos pubianos (pentelhos para os íntimos) dizendo apenas "cada um torce como pode." 

Virou tema musical.

                                                                                                Cada um torce como pode - Sivuca

                                                                                https://www.youtube.com/watch?v=cgg0uUOAM-A

 

sexta-feira, setembro 11, 2026

Neurótico sim, mas bem acompanhado

Sei que são poucos, mas os que acompanham este blog sabem de meu temor, desde sempre, com os avanços dos algoritimos na inteligência artificial.

Pesquisa utilizando o mecanismo disponível qui mesmo, encontrará uma série de postagens  sobre a malsinada ferramenta.

E eu sempre arredio, desconfiado, em pânico com os seus avanços sem controle e sem regras rígidas, através de organismo multilateral, a exemplo do que ocorre no campo da energia nuclear, terreno onde há ricos iminentes, mas que, bem ou mal, conta com o controle da IAEA -  International Atomic Energy Agency.

Agora vejo que estou beirando a paranoia, mas muito bem acompanhado, até mesmo por descendentes, ou parentes próximos dos algoritimos. Vejam:



Robôs protestam nas ruas da Polônia contra o avanço da IA.


Cerca de 30 robôs foram às ruas de Varsóvia nesta segunda-feira (7) para exigir que a Polônia regulamente a inteligência artificial. A marcha foi promovida pelo Democratism, iniciativa que debate os efeitos da IA e da robotização no mercado de trabalho.

As principais críticas à inteligência artificial (IA) envolvem riscos éticos, sociais, econômicos e de segurança, destacando o avanço descontrolado da tecnologia e a falta de transparência nos algoritmos.

É preciso, e urgente, deixar o campo crítico a partir para a regulamentação, para o estabelecimento de regras auditáveis, controláveis por organismo internacional.

Sei que organismos internacionais atravessam uma quadra de descrédito, esvaziamento, vide a ONU; e também outros regionais ou mais específicos, como a OTAN, e até mesmo a União Europeia está sendo colocada em xeque.

Mas alguma coisa deverá ser feita, e logo. Não tenho que ter solução ... ter opinião num assunto tão hermético e desconhecido para mim já é uma temeridade. 

As grandes potências devem ter interesses comuns que precisam preservar colocando a salvo do descontrole agressivo como um câncer mortal.

Perdão por expor minha fraqueza, minha insegurança ante o desconhecido (para mim).

NOTAS:

1.A principal organização internacional que monitora e fiscaliza a energia nuclear é a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), fundada em 1957 e tem sede em Viena, na Áustria. A função principal da AIEA é promover o uso pacífico da tecnologia nuclear e impedir que ela seja desviada para fins militares ou armas nucleares.

https://www.iaea.org/


2. Links de acesso a postagens (algumas):

https://jorgecarrano.blogspot.com/2024/08/a-inteligencia-artificial-se-impondo.html

https://jorgecarrano.blogspot.com/2026/08/brincando-com-fogo.html

https://jorgecarrano.blogspot.com/2026/08/do-ghost-writer-inteligencia-artificial.html


3. Matéria sobre protesto dos robôs

https://olhardigital.com.br/2026/09/07/robotica/robos-protestam-nas-ruas-da-polonia-contra-o-avanco-da-ia/


4. Matérias críticas sobre IA

https://dialogosembalados.com.br/blog/inteligencia-artificial-pode-ser-chamada-de-inteligencia/

https://jornal.usp.br/artigos/inteligencia-artificial-na-pesquisa-ferramenta-ou-ameaca/

https://www.anamid.com.br/impacto-da-inteligencia-artificial-no-pensamento-critico/?gad_source=1&gad_campaignid=22178107088&gbraid=0AAAAApFzK8jUPzqO9zl1-EuZVK1-3jSU5&gclid=Cj0KCQjwh4TVBhCWARIsAG0czmqNOjOUkLqZdIVajzLrPmzNpxWTust2uUZk21ajCDYyPYdTPoXUdtIaAogeEALw_wcB

https://periodicos.unb.br/index.php/fmc/article/view/57831

https://posdigital.pucpr.br/blog/riscos-inteligencia-artificial/

quarta-feira, setembro 09, 2026

Bolinho de chuva

 

Fui criado no meio de uma família portuguesa. Vó e duas tias mais velhas nascidas em  Viseu, Portugal. 

Daí que inevitavelmente comi muito bolinho de chuva nos lanches das tardes.

Existem algumas versões da iguaria, e até mesmo no seio da família existiam diferenças de receitas, ingredientes e até mesmo nome do bolinho.

Minha mãe, nascida no Brasil, herdou da mãe e irmãs mais velhas, o modo de preparo e simplificação de ingredientes.

Em nossa (de meus pais) casa chamávamos de "sola" ou "solado". Mas em outros lares da família chamavam de "orelha" (o formato esparramado lembrava), e até de "sonho" pela semelhança, sem  recheio.


Estes da foto foram, provavelmente, feitos a partir da receita mais tradicional, com os ingredientes abaixo, que achei em

https://www.tupi.fm/entretenimento/receita-de-bolinho-de-chuva-fofinho-e-sequinho-aprenda-todos-os-truques/

Ingredientes

2 ovos

1 xícara (chá) de açúcar

1 xícara (chá) de leite

2 e 1/2 xícaras de farinha de trigo

1 colher (sopa) de fermento em pó

3 colheres (sopa) de açúcar para polvilhar

1 colher (sopa) de canela para polvilhar

1 litro de óleo para fritar


Os nossos, quando nos mudamos para Niterói (eu já contava 3 anos de idade),  não levavam leite, que era substituído  por um pouco de água, para misturar a farinha e o açúcar. Eventualmente era acrescida a clara de um  ovo, para dar mais liga.

E não colocávamos fermento, o que justificava o nome dado ao bolinho: sola ou solado.

Mais simples impossível.

Bem, o inverno está por terminar, mas dias de chuva virão  ad aeternum. E cada vez mais.

Notas explicativas: 

1. Minha primeira infância foi vivida durante os últimos meses da II Guerra, quando havia racionamento. A farinha de trigo, por exemplo, não era pura de trigo. Era misturada com farinha de outros grãos ou fubá, sei lá. Era escura. Comprar pão era difícil.

2. O orçamento doméstico era apertado.

3. Atualmente, em minha casa, fazemos praticamente seguindo a receita supramencionada, que, convenhamos, é semelhante a do bolo comum, tradicional. A masa fica igual só que uma é frita (bolinho)  e a outra (bolo) assada.

a farinha, com o

segunda-feira, setembro 07, 2026

Uma versão sempre decepciona ...

 ... ou causa imensa surpresa. Explico.

Foi-me oferecido, por empréstimo, o livro "1421 - O ano em que a China descobriu o mundo", de Gavin Menzies, alta patente da Marinha britânica, agora reformado.


A história narrada, com suporte documental, causa espanto a quem cultuou, durante anos, muitos anos, alguns navegadores europeus, responsáveis por descobertas importantes, fruto de coragem, espírito aventureiro e auxílio da sorte.

Cultuar é exagero, talvez reverenciar seja mais indicado, embora também aí poderia ser mais parcimonioso no elogio: admirar é mais consentâneo para o caso.

Vou ao ponto. Afirma o autor que Colombo não foi o primeiro a chegar a América; Magalhães não foi o primeiro a atravessar o estreito que leva seu nome; o capitão Cook não foi o descobridor da Nova Zelândia.

Todos eles valeram-se de cartas náuticas, registros, narrativas e informações deixadas por grandes navegadores chineses, estes sim que a bordo de navios de grande porte para a época, singraram os mares e oceanos.

Preservo-os de mencionar os nomes dos almirantes chineses que teriam comandado grandes frotas de juncos, "por mares nunca dantes navegados" (contrariando Camões).

Outra ingrata surpresa envolve o até então - para mim - famoso navegador Vasco da Gama, descobridor do caminho marítimo para as Índias.

Ora pois, ele empresta seu nome ao clube de meu coração pois foi um nobre, navegador, Conde da Vidigueira, explorador e administrador português. Na "Era dos Descobrimentos", destacou-se por ter sido o comandante dos primeiros navios a navegar da Europa à Índia, na mais longa viagem oceânica até então realizada, superior a uma volta completa ao mundo pelo Equador.

Entretanto, segundo a obra (ibidem), às folhas tantas, consta que ao chegar a Calicute, Vasco da Gama determinou a seu homens que colocassem em file os prisioneiros indianos e lhes decepassem as mãos, orelhas e narizes.

E reproduz trecho do historiador    Gaspar Correa descrevendo o ato (amplie o parágrafo no meio da foto). Barbárie.



Não vou mudar de clube, vou adotar o benefício da dúvida, já que desde sempre conhecia outra versão.

Já nem lembro porquê, mas a denominada Guerra do Paraguai, episódio histórico mais sangrento em nosso continente, trouxe-me surpresas, ao ser debatida na mídia recentemente.

https://especiais.gazetadopovo.com.br/guerra-do-paraguai/


Sempre constou, na versão oficial, que em dezembro de 1864, o Paraguai comandado por Francisco Solano López foi o primeiro a invadir a então província brasileira de Mato Grosso (atual Mato Grosso do Sul), logo após aprisionarem o navio brasileiro Marquês de Olinda.

Entretanto ouvi a seguinte versão em noticiários televisivos: o Paraguai sofreu uma catástrofe demográfica; perdeu quase 90% da população masculina adulta, e sua população foi reduzida a menos da metade. O corpo de López foi profanado.

Sabemos, ou deveríamos saber que versões históricas são diferentes maneiras de contar e interpretar um mesmo fato do passado, influenciadas pelo ponto de vista, pelos interesses e pelas fontes de quem o relata.

No Paraguai, como não poderia deixar de ser, é alimentada a tese de que não deram início a guerra contra os aliados Brasil, Uruguai e Argentina, que resultou na quase dizimação (90%) de sua população masculina adulta.

Para nós Caxias é um herói nacional, patrono de nosso Exército e dá nome a cidade, ruas e avenidas, como Marquês ou Duque.

Outro episódio chocante para mim, e prometo que será o último aqui comentado, ocorreu quando em visita a Alemanha, na região da Saxônia.


Minha mulher amuada, com forme
Como não poderia deixar de ser fui a Dresden. E lá ouvi, estarrecido, que Churchill (meu ídolo político), mandara bombardear a cidade após a rendição da Alemanha. O que teria sido abominável, até pela  história da cidade como centro artístico e cultural, não envolvida nos conflitos.

Porque chocado, resolvi fazer pesquisa histórica. E eis o que apurei.

"Dresden não foi bombardeada após a rendição do Eixo ou após o fim da guerra. O trágico bombardeio de Dresden ocorreu durante a Segunda Guerra Mundial, entre os dias 13 e 15 de fevereiro de 1945. 

A confusão histórica costuma acontecer pelo momento em que o ataque foi realizado, mas a linha do tempo oficial esclarece os fatos: O Ataque (Fevereiro de 1945): Quando as forças aéreas britânica (RAF) e americana (USAAC) lançaram toneladas de bombas incendiárias sobre Dresden, a Alemanha nazista ainda estava ativa e lutando. O ataque aconteceu cerca de três meses antes do encerramento das hostilidades na Europa.


A Alemanha só assinou a sua rendição incondicional em maio de 1945 (o chamado Dia da Vitória na Europa ocorreu em 8 de maio), semanas após o suicídio de Adolf Hitler. 

A Segunda Guerra Mundial terminou oficialmente apenas em 2 de setembro de 1945, com a rendição formal do Japão (o último país do Eixo a capitular).

Embora tenha ocorrido antes do fim da guerra, o ataque a Dresden é considerado uma das ações mais controversas dos Aliados. Como a Alemanha já estava militarmente enfraquecida e a derrota do regime nazista era iminente, muitos críticos e historiadores questionam a real necessidade estratégica de destruir uma cidade historicamente artística, repleta de refugiados civis, naquele estágio final do conflito.

Menos mal que ocorreu a destruição ainda sob os efeitos da guerra, a despeito de alguns ainda alimentarem a versão de que o bombardeio da cidade era dispensável.


Certamente outros fatos e episódios históricos padecem de controvérsias, porque dependem de diferentes maneiras de contar e interpretar um mesmo fato do passado, influenciadas pelo ponto de vista, pelos interesses e pelas fontes de quem os relata.