Fui criado no meio de uma família portuguesa. Vó e duas tias mais velhas nascidas em Viseu, Portugal.
Daí que inevitavelmente comi muito bolinho de chuva nos lanches das tardes.
Existem algumas versões da iguaria, e até mesmo no seio da família existiam diferenças de receitas, ingredientes e até mesmo nome do bolinho.
Minha mãe, nascida no Brasil, herdou da mãe e irmãs mais velhas, o modo de preparo e simplificação de ingredientes.
Em nossa (de meus pais) casa chamávamos de "sola" ou "solado". Mas em outros lares da família chamavam de "orelha" (o formato esparramado lembrava), e até de "sonho" pela semelhança, sem recheio.
Ingredientes
• 2 ovos
• 1 xícara (chá) de açúcar
• 1 xícara (chá) de leite
• 2 e 1/2 xícaras de farinha de trigo
• 1 colher (sopa) de fermento em pó
• 3 colheres (sopa) de açúcar para polvilhar
• 1 colher (sopa) de canela para polvilhar
• 1 litro de óleo para fritar
Os nossos, quando nos mudamos para Niterói (eu já contava 3 anos de idade), não levavam leite, que era substituído por um pouco de água, para misturar a farinha e o açúcar. Eventualmente era acrescida a clara de um ovo, para dar mais liga.
E não colocávamos fermento, o que justificava o nome dado ao bolinho: sola ou solado.
Mais simples impossível.
Bem, o inverno está por terminar, mas dias de chuva virão ad aeternum. E cada vez mais.
Notas explicativas:
1. Minha primeira infância foi vivida durante os últimos meses da II Guerra, quando havia racionamento. A farinha de trigo, por exemplo, não era pura de trigo. Era misturada com farinha de outros grãos ou fubá, sei lá. Era escura. Comprar pão era difícil.
2. O orçamento doméstico era apertado.
3. Atualmente, em minha casa, fazemos praticamente seguindo a receita supramencionada, que, convenhamos, é semelhante a do bolo comum, tradicional. A masa fica igual só que uma é frita (bolinho) e a outra (bolo) assada.
a farinha, com o





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