30 de março de 2026

Opinion, to have or not to have, that is the question

Com perdão pela pobreza da construção idiomática, paráfrase da célebre frase do príncipe, em Hamlet, do bardo de Stratford-upon-Avon, vou dar pitacos:

1. Criação de tipos penais resolve? Utilizar um neologismo para rotular delitos antigos soluciona o comportamento antissocial?

Claro que não, criar o feminicídio só fez mexer com as estatísticas, com a criação de novo fator, novo extrato.

Vicaricídio e por decorrência misoginia só farão alguns poucos irem ao Aurélio ou ao Aulete ou Houaiss.

Minha opinião: pena de morte.

2. Trump, de novo, feito de babaca por Netanyahu. Os americanos ensaiam invadir, por terra, o Irã. Muitos deles morrerão, se acontecer, como no Vietnã no passado.

Enquanto isso Israel fica com o bombardeio e invasão do sul do Líbano, pais indefeso e de paz.

Minha opinião: Trump é babaca.

3. A Copa do Mundo cada vez me motiva menos. O crescimento do número de participantes, técnicos estrangeiros, uso de recursos como VAR e sensores nas bolas para confirmar gols, jogadores que atuam fora dos nossos  olhos, cinco substituições, parada técnica ...

Sou saudosista, o modelo antigo era melhor. Só para lembrar fatos marcantes. Lembram do jogo Itália 4x3 Alemanha Ocidental, Estádio Azteca, na Cidade do México, em junho de 1970. Após um empate por 1 a 1 no tempo normal, na prorrogação teve cinco gols em apenas 17 minutos.

Franz Beckenbauer, o capitão alemão, continuou em campo com o braço enfaixado após deslocar o ombro, já que a Alemanha havia esgotado as substituições. A Itália saiu na frente, tomou a virada na prorrogação, buscou o empate e, finalmente, marcou o gol da vitória. 

A derrota do Brasil para a Itália por 3 x 2 em  1982, conhecida como "Tragédia do Sarriá", na Copa do Mundo na Espanha. Paolo Rossi marcou os três gols da Itália, eliminando o favorito time de Telê Santana, que precisava apenas de um empate para avançar. 

O Maracanaço, aqui em casa,  na partida que decidiu a Copa do Mundo FIFA de 1950 disputada entre as Seleções do Brasil e do Uruguai,  que venceu por 2x1 e deixou os brasileiros desolados, alguns em lágrimas. Também nos bastava um empate e saímos na frente no placar.

O que os casos relatados comprovam? Que técnico não ganha, senão Tele não teria perdido o mundial de 1982. E Feola (o dorminhoco) não ganharia em 1958. Que partidas heroicas como Alemanha x Itália não ocorrem mais, pois agora pode-se substituir quase toda a equipe.

Perdemos a identidade com boa parte dos jogadores selecionados, que jogam em ligas estrangeiras. Zizinho jogou até mesmo no Bangu, aqui diante de nossos  olhos. Pelé foi para os Cosmos em 1975, já tetracampeão, em jogada de marketing.

Minha opinião: Ancelotti não ganha título em Copa do Mundo. Assim como Guardiola não ganharia, e nem  o Jürgen Klopp tampouco. O convívio nos clubes é diário, nas seleções não.

4. Sobre as eleições presidenciais, comparo-as com a feita pelo amigo (e chefe) Marcos Telles de Almeida Santos, ao telefone, explicando a um amigo onde ficava seu novo local de trabalho, no Belenzinho (São Paulo capital).

Resumiu ele: "fica entre o deprimente e o degradante". Já contei o fato aqui no blog.

Minha opinião; consideradas as candidaturas postas, nossa escolha será entre o deprimente e o aviltante.

Melhor faltar que pelo menos não nos comprometemos como coautores.

29 de março de 2026

ALZHEIMER, DEMÊNCIA SENIL, ESCLEROSE, CADUQUICE OU TRANSTORNO DO DÉFICIT DE ATENÇÃO ?

Não sei, mas meu caso talvez possa ser diagnosticado como um dos transtornos  neurocognitivos mencionados no título.

Os sintomas já se apresentam aqui e ali. Hoje, por exemplo, estava escrevendo um post através do qual dava sequência as minhas memórias de infância.

Elas emergiam claras. Nomes, situações, paisagens. Tudo bem com o léxico.

Até que, na hora de tirar 10, salvando o texto para publicação. PUFT!!! Sai do programa antes de salva-lo. Irrecuperável no blogger.

Comentando com minha mulher meu aborrecimento, posto que passei boa parte da manhã escrevendo, ela decretou: - escreve de novo, afinal hoje é sábado e você não tem obrigações a cumprir.

Esta capacidade de resumir tudo a um mero transtorno, sem gravidade, sem poder ofensivo, de fácil solução, é característica dela. Um amor de companheira.

Mas como da mesma forma que  "não é possível  entrar duas vezes no mesmo rio", para mim é impossível reescrever o que já estava concluído. Assim como tenho preguiça até de reler para corrigir concordâncias, grafia e acentuação. 

Melhor mudar o tema. À falta de outro, resolvi narrar o incidente, a guisa de recurso literário. Sabem o truque dos cronistas obrigados a produzir textos para publicação diária, que por vezes se sentem sem inspiração, sem criatividade, vácuo no cérebro? Que fazem (e cansei de observar este malabarismo  redacional).  Eis o recurso  que usavam: - estou aqui diante desta folha em branco, tendo horário para entregar o texto à redação e faltam-me inspiração  e disposição...

E davam sequência a dificuldade momentânea, ou não, pois bem poderia ser artifício, técnica de beletrista.

Como viram cheguei até aqui ... e salvei a narrativa.

Tenham todos um bom domingo e não se preocupem com o possível transtorno cognitivo que me ameaça. Se e quando ocorrer de fato paro e pronto. Afinal será uma benção não terem que, por amizade, gentileza, ler estas mal traçadas linhas aqui periodicamente publicadas.

28 de março de 2026

SEM COMENTÁRIOS. PRECISA?






 





Pesquisa: Aprovação de Trump atinge pior nível desde o início do mandato

Cerca de 36% dos americanos aprovam o desempenho do republicano, um recuo em comparação aos 40% registrados na semana passada.


https://veja.abril.com.br/mundo/pesquisa-aprovacao-de-trump-atinge-pior-nivel-com-guerra-no-ira-e-disparada-dos-combustiveis/

Matéria jornalística me remete ao passado

A manchete chamou minha atenção, de imediato, porque ando perdendo amigos diletos, de diferentes fases e momentos de minha vida.

E qual é a manchete: "Houve uma época em que os vizinhos se sentavam na calçada para conversar até tarde." 

Encontrável através do link a s guir:

https://www.tupi.fm/entretenimento/houve-uma-epoca-em-que-os-vizinhos-sentavam-na-calcada-para-conversar-ate-tarde/

Principalmente vizinhos que moravam em casas de vila, como foi meu caso, até os 13 anos de idade.

E não eram só os adultos que tinham este convívio quase diário. Também as crianças ficávamos em conversas e brincadeiras.

À falta de fotos de época em meu acervo, que sejam ilustrativas, recorro à utilizada na matéria supramencionada porque é bem representativa. 

https://www.tupi.fm/entretenimento/houve-uma-epoca-em-que-os-vizinhos-sentavam-na-calcada-para-conversar-ate-tarde/

Estas outras a seguir, nas quais estão fotografadas minhas irmãs (ambas com seus espíritos seguindo seus caminhos extraterrenos), são as únicas que possuo que dão ideia da vila em que morávamos,  que se assemelha à centena de outras na mesma cidade de Niterói, e em outros cantos do país.



Mas eu falava do convívio de nós crianças. Algumas das brincadeiras eram só para meninos, por sua natureza, como por exemplo "carniça", escambida, futebol, pipas, peão, bolas de gude e até, eventualmente, guerra de mamonas, com uso de atiradeiras (estilingue), que ocorria no Morro da Penha, posto que esta vila ficava nas fraldas deste morro, no lado oposto ao mar, no bairro "Ponta D'Areia" (agora Portugal Pequeno).

Tem criança, hoje, que não sabe o que é brincar interagindo com outras. É tudo virtual, sedentário, sem sol e sem sal (sal de suor).

Para estas coloco uma ilustração do que vem a ser a brincadeira de "carniça". Ao lado.

Já tratamos disso aqui no blog e na rede tem muita coisa sobre o  tema.


Sim, algumas brincadeiras comportavam a participação feminina, como "pera, uva ou maçã", "chicotinho queimado" e de "pic/esconde".

São muitas as situações, casos e costumes desta época, que afloram a minha memória.

Por exemplo, não raro uma vizinha pedia "emprestado" a outra uma xícara de açúcar, ou dois ovos, ou coisas que tais, que eram religiosamente devolvidos na primeira oportunidade. Se o que foi "emprestado se destinava a fazer uma guloseima, um petisco, não raro como delicadeza e agradecimento, era levado à vizinha um pedaço, umas unidades ou uma fatia, caso se tratasse de bolo, empadinhas ou rocambole. 

São muitas as curiosidades, hábitos e tradições de vizinhança, antes dos "arranha céus".

Jogo de damas
Após o jantar as mulheres discutiam o capítulo da novela radiofônica, algumas de imenso sucesso como "O Direito de Nascer". Os homens jogavam damas ou dominó, se eram mais de dois.

As crianças brincavam de roda ou contavam, uma as outras, o filme que assistira num dos vários cinemas do bairro. No nosso caso os cines Rio Branco, Éden e o Odeon. Todos na rua Visconde de Rio Branco, que chamávamos de "rua da praia".

Isso não tem fim, são muitas memórias, histórias, como por exemplo as dos mascates (eles sim ambulantes porque percorriam as ruas apregoando e vendendo seus produtos, como chapeleiros, amoladores de facas, soldadores de panelas, e vendedores de hortaliças, ovos e frutas.

Havia um chapeleiro, que levava apoiados nos ombros uns quantos guarda-chuvas e sombrinhas e anunciava sua chegada entoando "chapeleleiiiiro" (esticando os is, num estilo peculiar.

Se não for traído por estas remotas - mais de 80 anos - lembranças, hígido e disposto voltarei a este tema.

Terei histórias de alguns dos vizinhos, na vila, que eram: alfaiate, dono de loja de bicicletas, comissário de polícia, bancário ...

26 de março de 2026

Tem gente que não aguenta mais ...

Eu postar sobre Niterói. E olha que nem nasci na cidade.

Tenho minhas razões. Uma delas é que aqui fui criado, estudei e me graduei. Aqui nasceram meus filhos que também aqui estudaram e se graduaram.

Todos nós na Universidade Federal Fluminense.

Volto hoje a tratar da cidade por conta de uma notícia jornalística. A prefeitura pretende fazer novas intervenções no bairro do Ingá, onde resido.

Não faz muito tempo foram realizadas obras neste citado bairro, que já foi elegante, ao tempo em que a cidade era capital de um Estado da Federação - Rio de Janeiro- e nele estava situado o Palácio do Governo, cujo prédio atualmente abriga um museu.

Museu do Ingá

Além deste acima, existem outros dois museus, no mesmo bairro, que são os abaixo:

Museu Antônio Parreiras

Museu Janete Costa

E um Centro Cultural, denominado Solar do Jambeiro, conforme abaixo:

Solar do Jambeiro

Mas voltando as obras anunciadas para o bairro, elas devem ocorrer na Praça César Tinoco, se bem entendi.

Praça César Tinoco

Além desta enorme arvore que se vê em primeiro plano, ladeando a Rua Paulo Alves, outras duas de mesmo porte, como se fossem trigêmeas, tombaram sobre a via pública não faz muito tempo.

A lamentar que as novas obras anunciadas não sejam voltadas para o escoamento de águas pluviais, na medida em que qualquer chuva um pouco mais intensa inunda as ruas adjacentes, que se transformam em rios.

Já perderam a oportunidade na obra anterior. Leiam postagem em:

https://jorgecarrano.blogspot.com/2020/10/transtornos.html

Bem, já que estamos no outono, vale a pena ver como ficarão todas as amendoeiras plantadas ao longo do calçadão, que vai desde a Praia da Flechas, no Ingá, até o final da Praia de Icaraí, que nós, os mais antigos lembramos que se chamava Canto do Rio.


Lindo, não é !?

Teste difícil para a França

Ouvi este comentário jocoso de um debatedor em uma resenha esportiva da Globo Esportes.

Achei engraçado. Fui verificar o retrospecto das partidas entre as seleções masculinas principais entre Brasil e França. Ei-lo, em pesquisa Google:

"O retrospecto geral entre Brasil e França no futebol masculino é equilibrado, com leve vantagem brasileira: 16 jogos, 7 vitórias do Brasil, 5 da França e 4 empates. No entanto, em Copas do Mundo, a França domina, tendo eliminado o Brasil três vezes (1986, 1998, 2006) em quatro confrontos."

O quarto confronto não citado expressamente no briefing acima, teve um resultado memorável a nosso favor. 

Foi na Copa de 1958, na Suécia. A França tinha um time avassalador. De novo com auxílio do Google, fui recordar. 

"O artilheiro da seleção de futebol da França na Copa do Mundo de 1958 foi Just Fontaine, com um recorde histórico de 13 gols em apenas 6 jogos. Ele é o maior goleador em uma única edição de Copa do Mundo, marca que permanece até hoje. A França terminou em 3º lugar, tendo o melhor ataque do torneio."

Entretanto ganhamos por 5x2, com um hat-trick do estreante Pelé, ainda um menino. Fomos campeões pela primeira vez, vencendo a final contra a Suécia, anfitriã,  pelo mesmo placar de 5x2.

O chiste de que o jogo contra o Brasil, hoje, às 17 horas, no "Gillette Stadium", em Boston - USA,  será um bom teste para Les Bleus tem um pouco de fundamento. Afinal três eliminações em Copas não é pouca porcaria.

É esperar cerca de duas horas e conferir.

25 de março de 2026

Farah Diba, imperatriz bonita, elegante e envolvida em causas culturais

Ela é dois anos mais velha do que eu. Portanto está com 87 anos de idade. Foi imperatriz consorte do Irã de 1959 até 1979, pois era casada com o último  Xá do Irã, Mohammad  Reza Pahlavi.

Eu estava saindo da adolescência e entrando na fase adulta quando ela frequentava as manchetes das mídias então existentes. 

Muitas eram as histórias e muitas eram as lendas que envolviam o  casal imperial.

Dizia-se dele que na data de seu aniversário sentava-se num dos prato de enorme balança, e a população depositava joias, metais  e pedras preciosas no outro prato até que a balança equilibrasse.

E dela, como não poderia deixar de ser, enaltecia-se a beleza, a elegância e o porte de nobreza. Eu sonhava ver sua imagem, nos telejornais dos cinemas, nas revistas, para constatar a procedência das loas (laus em latim) sobre sua beleza.

Ela nasceu em uma família próspera cujas fortunas diminuíram após a morte prematura de seu pai.

Enquanto estudava arquitetura em Paris, França, ela foi apresentada ao Xá na embaixada iraniana, e eles se casaram em dezembro de 1959.

Os dois primeiros casamentos do Xá não produziram um filho — necessário para a sucessão real — resultando em grande alegria com o nascimento do príncipe herdeiro Reza em outubro do ano seguinte.

Farah Diba, já então Farah Pahlavi, estava então livre para perseguir outros interesses além dos deveres domésticos, embora não tivesse permissão para um papel político.

Trabalhou para muitas instituições de caridade e fundou a primeira universidade de estilo americano do Irã, permitindo que mais mulheres se tornassem estudantes no país. Ela também facilitou a compra de antiguidades iranianas (persas) de museus no exterior.

Em 1978, a crescente agitação anti-imperialista alimentada pelo comunismo, socialismo e islamismo em todo o Irã mostrava sinais claros de uma revolução iminente, levando Farah e o Xá a deixar o país em janeiro de 1979 sob a ameaça de uma sentença de morte.

Por esse motivo, a maioria dos países relutou em abrigá-los, com o Egito de Anwar Al Sadat sendo uma exceção. Enfrentando a execução caso retornasse, e com problemas de saúde, o Xá morreu no exílio em julho de 1980. Na viuvez, Farha Diba continuou seu trabalho de caridade, dividindo seu tempo entre Washington, nos Estados Unidos e Paris na França.

A imperatriz participou de questões culturais e de bem-estar social que interessavam ao xá e criou seu próprio círculo de patrocínio e influência.

Ela foi patrocinadora do Festival Internacional de Shiraz. Farah, em geral, não estava envolvida na corrupção e nas ações repressivas da corte imperial, mas sua família tinha ampla representação em instituições culturais. 

Ele apoiou fortemente a política de modernização do xá, chamada de "Revolução Branca": expropriação de grandes propriedades, sufrágio feminino, ocidentalização e assim por diante.

Embora essas reformas acabassem não atingindo mais que uma pequena parcela da população, a política econômica ligada ao petróleo favoreceu o enriquecimento excessivo da classe ligada ao poder e o empobrecimento de amplas camadas da população."

Se os dados acima, obtidos via Google e IA, estiverem corretos, merece todos os encômios, não só pela beleza física, senão também pela interior a julgar pelas causas que abraçou.

Espero que seus últimos anos, em exilio na França e USA, estejam sendo vividos com saúde, sucessos e alegrias.

E encerro com louvores à professora Molca, de história, em meus tempos de ginasiano, que nos ensinava sobre a importância de Xerxes e o Império Persa, cujos resíduos históricos guardo na memória.

Duvido que Trump tenha ideia sobre a história dos persas, origem dos iranianos.