21 de dezembro de 2009

Atualidades VII

Decepcionante é uma palavra de pouco impacto para definir o resultado da Conferência do Clima, evento patrocinado pela ONU, ocorrido nas duas últimas semanas (doze dias), em Copenhague. Acompanhei com vivo interesse o noticiário diário, nos jornais e na tv. Afinal está em jogo o futuro de meus netos.

Como é possível que na discussão de um assunto que interessa a toda a humanidade, não tenha havido um mínimo de consenso. Líderes e falsos líderes não souberam ou não puderam costurar um acordo de metas para salvar o planeta.

O mesmo Obama que na campanha eleitoral afirmava “Yes, we can”, na Dinamarca teve que dizer “No, we can’t”, simplesmente porque não tinha o aval do Congresso Americano. Não tinha espaço para negociação. O Brasil se fez representar por uma comitiva com setecentas pessoas. Você não leu errado não, havia setecentos brasileiros, segundo leio nos jornais. A chefia da comitiva brasileira nas negociações, era exercida por Dilma Rousseff .

Como esta coisa de meio ambiente não é a praia dela, ficou ofuscada inclusive pela candidata - sem chance - Marina Silva. Esta, pelo menos, tinha um discurso consistente e uma proposta inteligente: o Brasil poderia pingar um bilhão de dólares, para constituição do Fundo a ser criado, para ajudar aos países mais pobres na adequação às medidas e metas na questão climática. A proposta da senadora tinha um aspecto psicológico importante. Se o Brasil, pais emergente, pode contribuir com um bilhão, com quanto ficariam os paises desenvolvidos abrigados a contribuir?

Mas a nossa chefe de delegação, em entrevista a imprensa, num infeliz comentário, criticando a proposta de Marina Silva, disse que “um bilhão de dólares não faz nem cosquinha”. Bem, esta hipótese (o Brasil doar um bi de dólares), mais tarde, foi aventada pelo presidente Lula, em claro desprestígio à posição de Dilma Rousseff. Que, aliás, foi defenestrada, retornando ao Brasil antes do fim da Conferência. Mas o pior da candidata chapa branca, foi dizer, em plena Conferência do Clima, que "o meio ambiente é uma ameaça ao desenvolvimento"

Ah! Antes que eu esqueça, o Marco Aurélio Garcia estava lá também. Isto poderá explicar algumas coisas em relação a posição brasileira.

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Bem, eu acho o Paraguai, com todo respeito, uma casa de tolerância. Os mais velhos sabem a que estou me referindo. Lá o contrabando é uma das mais importantes fontes de renda; a legalização de carros roubados é oficial; a falsificação de produtos é feita às claras, enfim, é uma “casa de mãe joana”.

Pois bem, aquele país tem um senador, de nome Miguel Carrizosa (de quem, nunca ouvira falar), que é o presidente do Congresso Paraguaio, que foi capaz de definir com objetividade e precisão o que é Hugo Chaves: “Chaves reduziu a democracia a sua dimensão pessoal. Ele representa um grande risco para o Mercosul".

Enquanto isto, aqui no Brasil, nós temos o Sarney. Preciso dizer mais alguma coisa? O comentário do senador paraguaio, era uma oposição a entrada da Venezuela no Mercosul.

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As sessões plenárias do Supremo Tribunal Federal, passaram, há algum tempo, a ser transmitidas pelo canal de tv do Judiciário. Graças a esta mediada, pude acompanhar emocionado os debates e votos na questão da utilização de células-tronco embrionárias para fins de pesquisa.

O nível dos debates, o voto do ministro-relator, os votos dos demais ministros, as manifestações do Procurador Geral da República, do Advogado Geral da União, dos amici curiae, enfim, todos fizeram intervenções consistentes, judiciosas, de altíssimo nível. As teses defendidas pelas partes, os pró e os contra a utilização das células embrionárias, enfocaram os aspectos legal, religioso, moral, ético, científico e, mais importante, humano. Fiquei orgulhoso.

Todavia, em outros também importantes julgamentos, fiquei decepcionado com o cunho político-ideológico dado por alguns ministros, o que resultou em decisões absurdas e flagrantemente em desacordo com as leis e tratados internacionais.
Os dois casos mais recentes dizem respeito à extradição do bandido comum Cesare Battisti e o da guarda do menino Sean Goldman, disputada pelo pai biológico (americano) e o padrasto (brasileiro).

O caso da censura ao jornal O Estado de São Paulo, imposta por ação movida pelo filho do - com perdão da má palavra - Sarney, é caso constrangedor. Os próprios ministros, publicamente, se desentenderam.

A lavratura de certos acórdãos (que pode levar meses) vira tarefa, no mínimo, ficcional. Não há como conciliar as decisões que são contraditórias. Ou seja, o STF decide pela extradição, mas a decisão da Corte Suprema não será cumprida, eis que caberá ao presidente da república, utilizando seu poder discricionário, resolver definitivamente (politicamente) a questão. Você entendeu? Eu não! Então porque o assunto foi ao Supremo? E há tratado internacional que disciplina a matéria. Assim como há no caso do menino Sean.

Mas o que eu queria criticar é que a partir da transmissão via TV, das sessões de julgamento, alguns ministros passaram a se empolgar com os holofotes e câmeras e estão jogando para a platéia. E vai piorar, pois o STF passará a ter página no You Tube. Sabe a história da jaboticaba? Pois é, Tribunal Superior com página no You Tube só no Brasil.

Não sei se foi dito mesmo que o Brasil não é um país sério. Se não foi, está na hora de alguém dizer.
                                                                       
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Estou saindo em merecidas férias e voltarei em 11 de janeiro. Isto é uma ameaça! FELIZ 2010"

17 de dezembro de 2009

Poesia II

Há poucos dias, veiculei aqui neste blog uma poesia de minha neta Juliana. Aos doze anos ela é inspirada. Mas já foi, aos dois e três anos, inspiradora do pai, meu filho homônimo Jorge Carrano. Do livro que ele publicou, intitulado Sombras na Sala, extraí estes versos abaixo. Não é para me gabar não, mas o tal do DNA realmente é uma realidade.

MINHA FILHA

Inocente e alegre
Sem mentiras
Nem dentes

Se diverte contente
Com tudo
O que aprende

E aprende de tudo
Andar e comer
Falar e sofrer

Enquanto o pai
Acompanha o crescer

-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x

CRIANÇA PEQUENA

Do banco da praça
Acompanho a graça
De um ser pequenino

Inocente a sorrir
Condenado a crescer
E ter um destino

16 de dezembro de 2009

Antiguidades II

Quando fui eleito presidente do Grêmio Lítero Recreativo Nilo Peçanha, para um primeiro mandato, fui procurado por duas meninas que faziam parte do grupo que editava uma revistinha interna, chamada LNP. Chamo de revistinha sem nenhuma conotação depreciativa. Apenas em face do formato. Este grupo era interessado e voltado para assuntos culturais e composto, obviamente, por alunos aplicados, principalmente alunas, com coordenação da professora de francês.

Queriam uma entrevista. Depois das perguntas de praxe em casos que tais, tipo como foi que me senti sendo eleito presidente numa disputa acirrada; quais as minhas metas de realizações, etc. veio uma pergunta que me surpreendeu. O que eu buscava na mulher como namorada? Tentei tergiversar, para ganhar tempo, mas tive que responder (covardia, eu tinha 17 anos). O que, exatamente, não me lembro (há cerca de 25 anos, mais ou menos, doei para o Liceu as diferentes edições que tinha), mas foi na linha de que ela deveria ser inteligente, elegante sem ser afetada, simpática sem ser vulgar, por aí. Hoje acrescentaria: não usar piercing nem tatuagem.

Aliás que a mulher, fisicamente, ideal, é a que está saindo do banho: pele fresca, cabelos ainda molhados, quem sabe pingando um pouquinho d’água, sem pintura, com seu perfume natural... envolta numa toalha diminuta. E com um alegre sorriso nos lábios e nos olhos.

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Nos dias que correm, a carne de frango é uma das mais baratas e todo mundo pode comprar. Mas nos anos 40 e 50 do século passado, a piada recorrente era: “quando pobre come galinha, um dos dois está doente”. A galinha era cara, proporcionalmente. Embora tenhamos tido, por algum tempo, uma pequena criação (coisa de 8 ou 9), no quintal, elas eram destinadas a postura. Só quando a galinha deixava de por os ovos diários é que ela virava canja. As raças, se não me falha a atribulada memória, eram Leghorn (brancas)* e Rhode Island Red (vermelhas)*. Os ovos eram excelentes, com gema bem avermelhada. Criadas a milho. A classe média baixa comia galinha aos domingos, com a indefectível macarronada. A massa era no formato clássico do talharim e comprada ainda fresca, ou seja, feita no próprio dia e ainda mole. O que jamais entendi é porque razão eu tinha que ir, aos domingos, ao centro da cidade, chamado de “barcas” (hoje Praça Araribóia), porque lá ficava a estação das barcas da Cantareira, que faziam a travessia Niterói-Rio, para comprar, ou na Loja Central ou na Esportiva, a tal massa fresca, se a primeira coisa que minha mãe fazia, quando eu chegava, era espalhar a massa mole num papel vegetal e coloca-la para secar. Logo, endurecer. Bem, não haviam muitas opções de talharim industrializado e embalado para venda no varejo. Havia um macarrão, cuja embalagem era de um azul bem forte e que media uns 40 centímetros de tamanho. Era ruinzinho.

A divisão da galinha obedecia a um regra: o peito era de meu pai; as coxas eram minhas; as sobre-coxas e sobre-asas (agora chamam drumet) de minhas irmãs; para minha mãe sobravam as costas e o pescoço. Pois que, ser mãe sempre foi “padecer num paraíso” e comer a pior parte da galinha.

* Hoje sei escrever e até pronunciar (acho) corretamente o nome destas duas raças. Mas na época, na flor de meus 9, 10 anos, eu falava “legorne” e “rodi”. Assim como falava centeralfe (jogador de meio-campo, armador das jogadas). Anos mais tarde, já nos anos 70, frequentador do Bob’s, me divertia quando o balconista comandava “sai um romanegue” (prato de presunto com ovos). Lembrava de meu inglês aportuguesado.

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O tempo passou e meu pai inventou uma criação de canários roller. Eles eram anilhados. Com histórico controlado numa associação de criadores. As cores eram as mais variadas. Se você se surpreendeu com minha memória em relação as raças das galinhas, citadas lá em cima, vai se surpreender mais ainda, com minha lembrança das espécies e cores dos rollers. Ágata, canela, vermelho, rosado, nevado, amarelo, branco, isabel, etc. Os ágata, por exemplo, se desdobravam em bronze, prateado, etc.

A ração, preparada em casa, incluía, para alguns exemplares, dependendo da cor da plumagem, um pouco de pigmento, para fixar a cor e deixar as penas mais brilhosas. Mas o básico, era uma pasta que continha: biscoito maizena triturado, gema de ovo e mel de milho. Outra, levava cenoura ralada e gema de ovo. O canto destas aves, de origem híbrida, é sensacional.

Meu pai inventou de criar, mas o trabalho sobrou para mim. Limpar diariamente as gaiolas, substituir os jornais que forravam o fundo, vez por outra lixar os poleiros (as fezes se acumulam), trocar a água, botar banheirinha para os banhos. Quando era época de procriação, colocar os casais em viveiros maiores, colocar os ninhos e, dentro deles, o indez. O indez é um ovinho de mentira, muito bem feito, que imitava perfeitamente o posto pelas fêmeas. Diariamente, após a canária botar o ovo, era preciso retira-lo do ninho substituindo-o pelo indez. Não vou contar aqui porque, eis que começaria uma nova história. Quando da postura do último ovo, aí então os ovos verdadeiros eram repostos no ninho , para serem chocados.

A criação acabou porque, quando se tem 14/15 anos é muito pouco charmoso este trabalho. Trabalho meu e muitos elogios para meu pai, oficialmente o criador.
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Há 50 anos, o Billy Eckstine se apresentou no Rio de Janeiro. Faltou grana para ir. E companhia, eis que meus amigos não curtiam este cantor (vozeirão) e big band leader. Antes de formar sua big band, ele tocava com Earl Hines (quem gosta de jazz sabe de quem se trata). Quem não conhece - o Billy -  deve procurar ouvir “Ebb tide” , dele mesmo. Os versos finais, que estou pinçando nos meus alfarrábios são: Like the tide at its ebb/ I’m at peace in the web/ of your arms”

15 de dezembro de 2009

Atualidades VI

É bem verdade que a revista Veja (edição 2140, de 25.11.09), pegou pesado ao publicar matéria sobre a extradição do bandido Cesare Battisti, sob o título “Uma enorme asneira jurídica”. O ministro Marco Aurélio, um dos mais ferrenhos defensores da tese de que deveria ser deixado ao arbítrio do presidente Lula a decisão final, esperneou em carta endereçada a referida Veja. Façamos justiça! A revista exagerou. Poderia ter intitulado a matéria como “Uma enorme judiciosa bobagem”

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Ficamos, uma vez mais, muito mal na fita, por causa do Marco Aurélio Garcia, que se comporta como um elefante em loja de louças em matéria diplomática. Usar este troglodita presunçoso para marcar presença anti-americana, com ranço ideológico no mínimo defasado, foi um tiro no pé. Agora ficamos numa situação isolada, tendo que ameaçar dar prazo para que Zelaya deixe o prédio de nossa embaixada, que ele usou como palanque de seu populismo da escola Hugo Chávez.
Já notaram que o Brasil não ganha mais uma no universo diplomático?

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Não gosto muito do humor do Claudio Manoel, do Casseta e Planeta. E além de tudo torço pelo Vasco. Mas não posso deixar de admitir que ele foi muito feliz no comentário sobre a comemoração do título: “Comemorar título da Segunda Divisão é que nem comemorar saída de parente da prisão. Você fica feliz, mas dá uma vergonha...”

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Por falar em Vasco, o vascaíno Lula recebeu os jogadores do Flamengo, recebeu uma camisa de presente, mas recusou-se a vesti-la. Atitude sábia.

Aliás que não sendo lulista, muito antes pelo contrário, achei pertinente um comentário dele a propósito dos bancos no Brasil estarem ganhando muito dinheiro. Disse: “eu quero que os bancos ganhem muito dinheiro; torço por isso. Porque quando eles perdem dinheiro a conta sai muito cara para nós”. Para bom entendedor, foi uma clara alusão ao socorro que o governo norte-americano teve que dar aos bancos americanos, alguns poderosos, quando da crise financeira recente. Nestes dois episódios ele mandou bem (como diria o ascensorista do prédio).

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Muitos dos poucos que me lêem, sabem que profissionalmente atuo bastante na área de conflitos em condomínios. Mas nunca pego uma moleza como a que se deu num condomínio no Leblon. O apartamento do príncipe João de Orleans e Bragança foi vítima de vazamento originário do apartamento de cima. O vizinho, morador do apartamento de cima, é o Chico Buarque. Tudo resolvido civilizadamente.

Já o ex- jogador Romário (gênio da grande área), em episódio semelhante, ocorrido em seu apartamento na Barra da Tijuca, obrigou o vizinho de baixo, também vítima de infiltração, a ir ao Judiciário. Romário, crack da pelota e bom frasista, perdeu a causa e teve que pagar indenização por danos materiais e morais.

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Tem sido divulgada a origem da palavra gandula, nome dado a quem fica nas laterais do campo de futebol para pegar as bolas que saem dos limites de jogo. A história remonta a um jogador argentino (chamava-se Gandula), que jogou no Vasco, e que tinha por hábito ir atrás da bola, quando ela saia do gramado, para repo-la em jogo, ou até mesmo entregar ao adversário quando fosse o caso.

Agora surge nos meios de divulgação a explicação para o nome gari, dado aos profissionais que fazem coleta de lixo. O nome vem de Aleixo Gari, francês que montou a primeira empresa de limpeza urbana, no tempo do império.

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Já que falei em gari, informo para aqueles que querem adotar em seus condomínios a salutar medida de coleta seletiva de lixo, que podem combinar com a Clin, através do telefone 0800-222175, ou e-mail clin@clin.rj.gov.br

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Foi sancionada lei que altera a legislação que disciplina a locação de imóveis. Ou seja, foi alterada a lei do inquilinato. Todos estão comemorando. Locadores, locatários e imobiliárias. Você acha que vai alterar alguma coisa? Pois vai: para os advogados. Teremos muito mais ações para ajuizar. É esperar para ver.

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Para encerrar este post quero comentar uma manchete do caderno Niterói, de O Globo de 13 do corrente: “Guardas cobram propina a camelô”. Gente, estou estarrecido. À setenta anos vivia na ignorância de que agentes da lei, guardas, fiscais et caterva, pudessem aceitar ou cobrar propina para fazer vista grossa. Vocês podiam imaginar uma coisa dessas? Viram que papel importante tem a imprensa? Mas é reconfortante saber que eles – os corruptos – serão severamente punidos. Serão remanejados de função.

Falando sério. Que fato novo revelou esta matéria? Se pelo menos informassem em que setor estes guardas passarão a atuar, as pessoas saberiam onde eles irão achacar doravante

As frutas

Assim como os animais, as frutas têm sua sina. Acabaram com o nome associado ao grotesco, ao complicado, ao frouxo de pouca fibra, mas também ao belo. Quem não se lembra? - Você é um banana! - a exprimir a falta de coragem do moleque que não se atrevia a praticar uma arte qualquer que os demais de sua idade e grupo iriam fazer.

A sorte da maçã já não foi tão madastra. Proibida de ser comida que foi, aliou-se a uma serpente e conseguiu o que queria: foi comida e levou Adão ao pecado. A partir deste episódio, é uma das frutas mais comidas pelo homem, inclusive por via oral. Quem nasceu no século passado, há de lembrar da marchinha carnavalesca: “a história da mação, é pura fantasia, maçã igual aquela o papai também comia.” Ou seja, a maçã referida, não é aquela que por vezes vai parar na boca do leitão assado, nos banquetes de casamento. Tampouco aquela que o William Tell utilizou para provar sua perícia com o arco e  flexa.

Se você está diante de um problema mais intrincado, tem nas mãos um abacaxi. Por que, santo deus, se estamos falando de uma fruta saborosa, se plantada e colhida no seu tempo certo? Deve ser carma. Só pode ser. Diferente sorte teve a uva. Tanto se presta a qualificar a mulher bonita, como na expressão “olha que uva” – também do século passado - quanto um carrão. Ninguém hoje diz que tal ou qual mulher é uma uva, o mais comum é dizer olha que gostosa. A uva deixou de ser referencial. Gostosas muitas outras frutas são. Até o genipapo, malgrado este nome deprimente.

Tem fruta nobre, como a de conde. E tem as que emprestam seus nomes a belas mulheres, como o morango, a pitanga… Quem não se lembra ou conhece a Terezinha, a Camila…

Safadeza fizeram com a laranja, coitada. Ela é comparada ao sujeito – cúmplice – que empresta seu nome para negociações escusas. O mamão tem dupla conotação. Tanto podemos dizer que o jogo foi para o nosso time um mamão com açúcar, a significar que foi fácil, quanto podemos estar nos referindo a um boióla, porque o mamão também pode ser macho mas nem por isso deixa de ser fruta.

Várias frutas ajudam a qualificar uma mulher. Cor de jambo. Pele macia e aveludada, como um pêssego. Olhos amendoados. Os seios belos como duas peras. E tem a maçã do rosto… pera aí, do rosto ? Não é mais entre as pernas, como na época do paraíso?

14 de dezembro de 2009

Um domingo Spicy, e sem Brasileirão

Por Paulo March, engenheiro, tricolor, através de e-mail

Acordei às 11h, por conta de um casamento rock and roll, ontem lá na Flamboyant de Jurujuba. Antes de entrar nos detalhes do domingo, vou comentar sobre o casamento.

Marcado no convite para 20:15h (por que não 20:26:55h ??), lá pelas 21:30h eu já estava meio inquieto por conta do "enxame"de garçons servindo coca-cola, guaraná e água.

Na nossa mesa, repleta de conhecidas irmãs Cajazeiras e de um casal amigo, logo notaram minha inquietude e veio uma notícia tranquilizadora :

- "A mãe do noivo mandou avisar que depois da cerimônia civil vai liberar bebida alcoólica.", me disse uma delas.

- "Ainda bem ....gastei 25 reais de taxi para escapar das blitzes", retruquei. Ou será que é para o noivo ou a noiva não desistirem do casamento, depois de tomarem umas ?, pensei.

O casamento foi legal, original, alegre, mas quando acabou começou a tocar a banda de rock do noivo. Alto pra cacete !! Pensei que os garçons iam distribuir megafones para os convivas poderem conversar.

E o pior, o baixo muito baixo, a guitarra alta demais (todo guitarrista gosta de aparecer mais que o cantor), e alguma coisa desafinada. Comecei a ficar inquieto de novo, mas aceitei sugestão da Isa de ficar quieto e não falar nada.

Mas o som estava alto demais ..... uma avó desfilava pra lá e pra cá com uma criancinha no colo, de no máximo uns 10 meses, com os olhos esbugalhados.

E a avó sorrindo, achando que a coitadimnha estava feliz com o casamento ..... deixa ela ver a conta do analista daqui a alguns anos. A já adolescente deitada no divã, com os olhos ainda esbugalhados, tentando fazer o psicanalista entender a origem de tanta ansiedade.

Ah, mas e o domingo ....... sem futebol, sem sol.

Tinha que arranjar alguma coisa para escapar do Faustão.

Restaurante !

Breno ganhou da empresa um VISA eletrônico de 500 pratas. A idéia era ir todo mundo ao La Plancha na Barra, devorar uma chapa de frutos do mar grelhados com arroz de açafrão.

Mas aí bateu aquela preguiça de domingo recém acordado, já era 13h, La Plancha fica a 40km de distância, etc, etc. Vamos por aqui mesmo em Niterói.

Depois de várias idéias, optamos pelo Seu Antonio, em Piratininga, pela qualidade, custo e distância.

Quando entrei na rua do Seu Antonio comecei a descobrir o que se faz em Niterói em domingos sem Brasileirão e sem praia. O programa de todos é .....almoçar no Seu Antonio !!!! PQP !!!

Pegamos o número 173, com previsão de 1h de espera, em pé !!

Demos o pira !

No carro, novo debate .... e agora ? A ficha 173 do Seu Antonio já tinha virado rascunho para jogo da velha, jogo da fôrca, etc.

Viro pra onde ? Pra esquerda, alguém gritou dentro do carro. E lá fomos nós, sem saber pra onde.

Viro pra onde ?

Aí, tive uma idéia ..... Carlos, meu irmão, é um saco para elogiar algum restaurante, e ele anda elogiando muito o SPICY, no Jardim Icaraí.

O que acham ?

Unanimidade !!!! Vamos lá. Se Carlos gostou, risco zero de ser ruim !!!!

Aumentei o volume do som do carro, e lá fomos nós, VISA na bolsa da Isa.

Estava lotado no lado de dentro, mas não demorou a vagar 2 mesas, afinal já era 15h.

Quando a batata frita de 26,90 chegou quase infartei ..... mal dava para o João Guilherme.

Depois arriscamos um filé parmegiana aperitivo. Também 27 reais. Incrível a pequena quantidade.

As moscas começaram a ficar agressivas, rondando nossa mesa e algumas mais atrevidas fazendo incursões kamikazes, sob os olhares assassinos da Isa, especialista na matança de insetos.

Fizemos os pedidos : 3 hambúrgueres de picanha, um strogonoff de filé e uma salada de bacalhau para a Isa.

De repente, achamos um mini totem sobre a mesa, com várias combinações de petiscos, que não tínhamos visto antes, nem os garçons nos avisaram.

Uma rápida olhada e ......... mandamos vir um mix com atum e polvo grelhados, antes do principal chegar.

Novamente pouca quantidade, e o polvo super salgado. As moscas se alvoroçaram com o cheiro de peixe, e passaram a se arriscar mais, super agressivas, sendo que uma delas, desesperada, errou o bote e mergulhou no refrigerante do Breno. Garçon, outro copo por favor !!

Chegou a comida .... e ......... na 1a. dentada no hambúrguer, tive vontade de tomar 1 litro de água. Sal puro.

Isa, com seus olhos de águia caçadora de insetos avisou Breno ....seu pão do hambúrguer está mofado !!!! Vimos o círculo esverdeado. Instantaneamente pensamos no Benedicto para processar o restaurante.

Mas Breno calmamente, retirou o mofo, e tentou comer o hambúrguer.

Enquanto isso, Isa lutava contra espinhas da seca salada de bacalhau à sua frente.

O restaurante esvaziou e uma garçonete resolveu limpar o chão do salão, em volta da nossa mesa. Só faltou colocar algumas cadeiras reviradas sobre as mesas, para facilitar a limpeza do chão.

Olhei para os lados, e vi que ninguém ia conseguir derrubar os hambúrgueres.

Pessoal, vamos parar .... ninguém merece.

Unanimidade.

Garçon, a conta por favor !!!

Vcs querem uma sobremesa ou um cafezinho ?, perguntou a garçonete.

Não, só 1 SBP e 19 Sal de Frutas ENO e a conta mesmo .......

Digitei a senha do VISA BRINDE, rezando pra ela estar certa, e poder chegar em casa e ainda pegar o Faustão !!!!

Que falta faz um Brasileirão aos domingos !!!!!

Que saudade daquele estresse com o Flu !!!!

11 de dezembro de 2009

Os animais

Nossa afinidade e dependência com e em relação a outros animais remonta ao paraíso. Afinal, sem a serpente, talvez Adão tivesse morrido virgem. Aceito as razões de quem afirma que a maçã teve mais importância, mas estou falando de animais e não de frutas. Ademais, é possível que Adão estivesse de olho na maçã da Eva, mas faltava incentivo para prova-la. Havia o desejo, mas faltava a coragem. Daí a importância da serpente, que fez um belo marketing e convenceu Adão de que deveria, pelo menos, dar uma mordida. Sim, procede o reparo, aquela ave do glu-glu-glu deve ter feito algum movimento a favor, mas isto confirma a assertiva pois o que é uma ave senão um animal de penas.


Passado algum tempo, Rômulo e Remo, à deriva numa canoa, salvos e amamentados por uma loba, deram origem a um dos maiores impérios do planeta. De dar inveja ao Bush. O fato de ter sido uma loba, e não qualquer outro bicho a alimenta-los, talvez explique o porquê do cachorro acreditar nos homens. Tem sentido, não consta que já crescidos tenham os irmãos comido a loba. Ficou registrado nos genes, afinal são os lobos da família canidae, que o homem é confiável. Desde que não seja chinês, claro.

Em certas circunstâncias, o valor intrínseco do animal, decorrente de sua natureza, supera em muito seu valor corrente de mercado, como bem fungível. Houve Rei, está aí o Shakspeare, com toda sua credibilidade, que não me deixa mentir, que trocaria seu reino por um cavalo. E proclamou isto aos quatro ventos.

No estábulo, em Belém, não fora a generosidade do burro, da vaca e dos carneiros, cedendo a manjedoura, e teríamos Jesus deitado no chão. Ficamos devendo aos citados bichos a deferência para com o homem que veio para nos salvar. Uma referência muito especial ao jumento, que permitiu a fuga dele das garras de Heródes. Sem o jumento, adeus cristianismo. Ou à Deus cristianismo.

A teoria da dúvida não teria a menor graça se não houvesse galinhas, a nos deixar sem saber se estas precedem aos ovos, ou se vieram depois. Está certo, sempre se poderia utilizar outro ovíparo, como a tartaruga. E perguntaríamos, quem nasceu primeiro, a tartaruga ou o ovo? Mas tal fato confirma nossa tese da importância dos outros animais na vida dos homens.

A mitologia greco-romana fazia muita justiça, mas também injustiça, a vários animais. O minotauro e o centauro, deixam no ar a questão de quem era ativo ou passivo na relação. Se tivessemos um bicho com cara de cervo e corpo de homem, seria ainda mais complicado. Alguns filmes pornôs disponíveis não ajudam em nada.

O galo, quem diria, mesmo assado e já servido aos comensais, em Barcelos, salvou da morte o peregrino, provando sua inocência. Em outro lugar, dois deles - galos - decidiram numa corrida* o que os diplomatas não tinham como solucionar, na disputa territorial entre Florença e Siena. Acataram o resultado, embora o galo de Florença talvez fosse apanhado no antidoping se já fizessem o tal exame.

A águia está em muitos estandartes e brasões. Está no jogo do bicho e na bandeira da Portela. Já o Gavião é símbolo do Corintians e da Escola de Samba que tem origem naquele clube. A ave símbolo do Flamengo é o urubú. E, acrediem, nem foi a torcida do Vasco que escolheu.

Não fossem os outros animais, quantos adjetivos nos fariam falta. - Que cachorrada você fez comigo. E os comparativos? - Sabe a Luiza, aquela, que potranca, hein!!. João tem a memória de um elefante, mas é teimoso como um burro.

Agora que já paguei o meu mico, o adjetivo que me assusta é: que porcaria!

* Existe controvérsia a respeito da lenda sobre  a fixação dos limites territoriais das cidades de Siena e Firenze. A disputa, numa versão, não foi diretamente entre os galos. O combinado seria que dois cavaleiros, um de cada cidade,  na alvorada, assim que o galo cantasse, partiriam em direção a outra. A fronteira seria o ponto onde eles se encontrassem. Consta que o povo de Siena escolheu um galo bem nutrido, jovem, enquanto que a população de Firenze elegeu um galo negro, mal alimentado. Óbviamente o galo de Firenze, porque tinha fome, despertou e cantou primeiro, dando ao cavaleiro de Firenze uma enorme vantagem.
Pela mesma disputa, coube a Firenze a denominação Chianti (DOC) para um tipo de vinho característico da Toscana. Os Chianti têm na garrafa um galo negro.

8 de dezembro de 2009

Poesia

ARTE EM TUDO

Por Juliana Soares Carrano, 12 anos, minha neta.


Arte na pintura
E no vestido de formatura
Com pinceladas e rabiscos

Arte na encenação
E na comemoração
Com falas
E gritos

Arte na música
E em formulas de física
Com letras
E números

Arte no esporte
E na chuva forte
Com torcidas
E barulhos

Arte na subida
E na descida
Nos altos
E baixos
Da vida!

Os santos - parte II

Parece implicância. Como de fato é mesmo. Mas como ignorar o tráfico de influência, o uso da máquina estatal e as transações escusas em processos de canonização de certos santos.

Ou alguém acredita que Luis IX, rei de França, seria santificado se não fossem as pressões e jogo de interesses entre os dignatários dos reinos temporal e espiritual, na época. Papa e sucessores do Luis negociaram a canonização em troca de outras vantagens para a Igreja.
A França era, então, um reino rico e poderoso. Portanto seus reis, descendentes do Capeto, tinham enorme prestígio junto ao clero. Basta lembrar que a sede do papado foi transferida para o território francês - Avignon – onde permaneceu durante muitos anos.

Processo semelhante ocorreu com Estevão, rei e fundador da nação húngara. Foi também canonizado através de vias não muito abençoadas. E era tal o prestígio deste monarca que seu filho – Américo – também virou santo. Um pouco inexperiente, eu diria, pois faleceu aos sete anos de idade. Dependendo da missão que se lhe confie, pode ser que ajude.

De qualquer forma, se você quer botar fé naquele Santo Estevão, inobstante as vias tortas que o elevaram a categoria de santo, tome cuidado para não confundi-lo com outro Estevão, também santo, mas originário da Áustria.

Ambos têm, nos seus paises de origem, os fronteiriços Hungria e Austria, magnificas basílicas que lhes são dedicadas. Na época do forte e poderoso império austro-húngaro, ambos, já então canonizados, conseguiram manter seus respectivos fervorosos seguidores, os quais se mantiveram fiéis, a um e outro, depois do esfacelamento do império que floresceu as margens do Danúbio. Enfim, Luis e Estevão, reinaram na terra e habitam o reino do céu.

Nos dias que correm, no Brasil, fomos assolados por um sentimento de culpa, descabido, em relação às pessoas da raça negra. Tão absurda quanto o preconceito, ou mais, filosoficamente, é a decisão de estabelecer reservas de cotas para negros, no ensino superior. Fico matutando se não seria o caso de estabelecermos uma cota para fiéis a São Benedito, que embora negro não goza de muito prestígio entre os de sua cor de pele. Deveriamos assegurar ao bom Benedito, cotas mínimas de devotos, que poderiam ser tirados de São José, São João e outros mais prestigiados.

Se existem santos oriundos de processos no mínimo duvidosos, para não dizer fraudulentos, outros deixaram de atingir este status porque foram pilhados em delito.

Veja o caso de Judas, um deles. Se não fosse o episódio dos trinta dinheiros, poderia ser santo. Mas aquele beijo prejudicou sua carreira. Todos os demais apóstolos se deram bem. Conseguiram santificação, igrejas com seus nomes, estampam santinhos, estão cunhados em medalhinhas, representados em estatuas, enfim, total exposição de imagem. Se fossem do meio artístico, diriam que este excesso de exposição na midia é prejudicial. Desgasta a imagem e com o tempo desvaloriza. Mas santo é santo, e quanto mais é propagado mais se firma no estrelato.

7 de dezembro de 2009

Os santos

A opção religiosa, o mais das vezes, é fruto da ignorância. No meu caso, é justamente a ignorância que me faz não ter religião. Penso como Mário Quintana, que disse ser a religião o caminho mais longo para chegar a Deus. E tenho dúvidas quanto a este deus que tem seu nome chamado em vão, a cada instante. No outro dia, flagrados em vergonhosa cena de corrupção, em Brasília, alguns dos corruptos rezaram em agradecimento ao fato de poderem ... receber propinas. E os jogadores de futebol que entregam a deus o resultado da partida: “se deus quiser nós seremos campeões”. Por que deus ajudaria uma equipe em detrimento de outra?

Existem piadas e aforismos clássicos sobre a fé em deus. Tem a piada na qual perguntado sobre sua crença, o sujeito respondeu que era “ateu graças a Deus”. Um presidente do FED (Ben Bernanke) perpetrou uma frase que é um primor, a respeito da possibilidade de haver ateu mesmo: “não há ateu em trincheira”.

Descrente deste deus das religiões monoteístas, tenho entretanto meu santo predileto. Aquele amigo de fé, irmão camarada, como dizem o Roberto e o Erasmo. E é a ele que confio todos os meus problemas. Como se fosse ele um clínico geral.

Eu sei que tem santos especialistas. Um para cada caso. Até protetores dos endividados, como Santa Edwiges. Se o negócio é arranjar casamento, esta é uma área para Santo Antonio, se queremos que nossa viagem transcorra traqüila, pedimos ajuda a São Cristovão, e assim por diante. Se o seu problema é muito grave mesmo, você pode recorrer a uma junta de santos, ou seja, Todos os Santos, cuja data se comemora em 1º de novembro. Mas eu desaconselho, eis que a pior coisa que pode haver é delegar a um colegiado o estudo e solução de qualquer problema. Tanto isto é verdade que a melhor maneira de protelar uma decisão ou mesmo jamais adota-la, é nomear uma comissão para estudar o caso. Pronto, esta resolvida a questão. Eles nunca se reúnem; quando se reúnem, jamais se entendem, a discórdia é geral; um deixa para o outro realizar esta ou aquele tarefa, e nenhum a executava; e o tempo vai passando e o assunto esquecido. Logo, você corre o risco de pedindo a todos os santos, um deixar para o outro, por pura preguiça ou porque entenda que o outro é mais competente nesta área, e o outro pensar igual e nada fazer, ou ser muito ocupado.

Bem, tem a alternativa da dupla, que não chega a ser a tal comissão inconveniente. Você pode se dirigir a Cosme e Damião, embora tenha notícias de que eles entendem mesmo é de criança. Seriam, talvez, os pediatras no espaço cósmico. Como Santa Luzia seria uma espécie de oftalmologista.

Tem situações não muito claras. Se você perde a chave de casa, por exemplo, para acha-la não peça socorro a São Pedro, como pudesse parecer óbvio. Lembre-se de que ele é chaveiro, que cuida tão somente das chaves do céu. Ele não cuida de perdidos. Este é um assunto para São Longuinho. Aquele dos pulinhos.

Ah! Sim, voltando a São Jorge, tem a questão do nome. Não importa se você o trata por Ogum ou Jorge. É questão idiomática, apenas. Como se fosse George ou Jiří, como em tcheco. Se você tiver fé mesmo, faça a sua parte no negócio, que o resto ele resolve.

É importante ter fé, nem que seja em você mesmo.

4 de dezembro de 2009

Atualidades V

A Erika, acho que involuntariamente, comentando o post Futebol (25/11)/09), fez uma provocação. Ela lascou: Dá-lhe Chelsea! Na Inglaterra sou torcedor do Arsenal. Torço para os gunners desde 1949, quando esta equipe esteve no Brasil, para disputar uma partida com o Vasco da Gama, em São Januário. O Vasco venceu por um a zero, goal de Nestor. Um feito e tanto, eis que a equipe inglesa era uma das mais fortes da Europa.
No último domingo, dia 28 de novembro, o Chelsea venceu o Arsenal por 3x0, pelo campeonato inglês. O tal de Drogba, marfinense, joga muita bola. Além de ter um físico avantajado. A Costa do Marfim é candidata ao título mundial, pois tem ótimos jogadores espalhados por clubes ingleses e também em outros times da Europa.
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Comprei o livro do Aldir Blanc sobre o Vasco da Gama, intitulado “A cruz do bacalhau”. Não li, ainda, mas na folheada verifico que ele enumera vascaínos famosos, no mundo artístico e intelectual. Não vi, todavia, o nome de Ferreira Goular. Não há citação dos humotistas Chico Anysio, Renato Aragão, Bruno Mazzeo, Eri Jhonson. Entre os galãs do momento, não estão o Rodrigo Santoro, Marcos Palmeira, Rodrigo Hilbert. Ele esqueceu, no mundo do samba, de Ze Keti (falecido, mas como ele citou Pinxinhuinha...) assim como Jamelão da Mangueira. E tem mais, Mart’nália, Tereza Cristina, e muitos outros. Ao contrário do que se pensa, no mundo do samba, pelo menos no passado recente, havia muito mais cruzmaltinos do que rubronegros.
Faltou a dupla das composições mais românticas, Roberto Carlos e Erasmo Carlos.
E faltou dizer que "pela primeira vez na história deste país", nos três níveis de poder, municipal, estadual e federal, o Rio de Janeiro tem três vascaínos: Eduardo Paes, Sergio Cabral e Lula.
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Neste próximo final de semana, será decidido o campeonato brasileiro de 2009. Se o Flamengo não for o campeão (tem tudo nas mãos), vou chorar... de tanto rir. Kidding. Se for campeão terá sido merecido. Vocês não estão vendo, mas esta frase foi murmurada entre dentes ao tempo em que digitava.

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Minha neta, Juliana, aos doze anos, escreve poesia como gente grande. Bem, como gente grande não quer dizer nada. Eu sou grande e, entretanto... O que queria dizer é que ela escreve muito bem, para sua pouca experiência de vida. Vou convence-la a me permitir publicar algumas aqui nestas postagens.

Viagens & comes & bebes (parte III)

Lembram da Gerbeaud, em Budapeste, e seus doces maravilhosos ? Pois bem. Não fazem torta de chocolate (sachertorte) como a do Hotel Sacher em Viena. Na alta temporada de turismo no leste europeu, há fila para comer um pedaço do famoso bolo. Se estiver sem tempo, vá a outra confeitaria e peça uma apfelstrudel, que é uma torta com pedaços de maçã e passas envolvidas em uma massa leve polvilhada com açúcar. Estando, como estamos, em Viena, vale mencionar a casa de chá e cafés Haas & Haas, que tem um pátio ajardinado e serve coisas ligeiras e leves. E de preço acessível. Em alguns outros cafés, famosos e tradicionais, que recebiam artistas e intelectuais renomados, como o Griensteidl, o Ministerium e o Central, você é bem servido (os garções podem estar de smoking), bebe um café de primeiríssima qualidade, mas paga os olhos da cara. Destes últimos cafés citados, para falar sobre tenho que recorrer as anotações de viagem, eis que os nomes, tirante o Central, são impronunciáveis e indecoráveis. Se você não é alemão, ou austríaco, tente dizer Schwarzenberg, de primeira e sem gaguejar. Tentou ? Pois estou seguro que a pronúncia está errada. Pois é, este é outro famoso café vienense. A propósito, na rua Graben você encontra muitos cafés, podendo neles passar umas duas horas tomando um melange (café misturado com leite quente) e descansando os pés das longas caminhadas pelos pontos turísticos que a cidade oferece.


Está certo, em Montmartre, bairro de Paris, conhecí cafés charmosos e também freqüentados por artistas e intelectuais, mas os austríacos estão no mesmo nível de elegância e têm menos sofisticação, no pior sentido da palavra. Vide Aurélio.

Mas se o assunto é jantar, e você não quiser comer ouvindo um concerto de violinos, violas e celos, então Paris é melhor mesmo do que Viena, onde isto é mais comum. E janta-se barato e gostoso na Place du Tertre, no mesmo já mencionado bairro de Montmartre. Come-se, certamente, menos do que em qualquer trattoria do bairro de Trastevere, em Roma. E com menos algazarra também. Os pratos italianos são mais substanciosos num primeiro momento.

Mas se o assunto é vinho, que me perdoem os periféricos, mas os da Borgonha não têm similar no mundo, por mais pasteurizados que estejam os sauvignon da vida. Tem italianos bons, tem os bordeaux excelentes, tem chilenos bebíveis, mas você pelo menos uma vez na vida deve perder amor ao seu rico dinheirinho e pedir um borgonha. Divide a garrafa e, lógico, a conta, com a mesa do lado. Não precisa pedir um Gran Cruz premium, top de linha, super extra. Asseguro que sua reação, depois, será a de dizer: “eu pensava que já havia tomado vinho”.

Falei rapidamente da cozinha italiana, pois ela será alvo de capítulo especial. Mas antes que eu esqueça, se é que será possível esquecer, o espaguete que comi num ristorant localizado na escarpa de Capri (ilha oceânica) perto de Nopoli (Itália), é inenarrável. E simples. O molho, com manjericão, tomate tipo cereja (meio adocicado) e outras ervas locais, tornou o simples espaguete uma coisa divina. E não esqueça de imaginar a vista: você está sentado numa mesa que fica no lado externo do restaurante, ao ar livre, perto de um penhasco, debruçado sobre o Mar Tirreno, com vista da Baía de Napoli e ao fundo o Vezúvio. Não tenho culpa se tive a sorte do dia estar esplendoroso, com sol brilhando e céu azul, e a temperatura civilizada de 22 gráus.

Em matéria de vista deslumbrante, aqui mesmo no Rio temos para todos os gostos. Com a vantagem que se chega aos locais utilizando somente reais. Quem já subiu o Corcovado ou andou de bondinho até o Pão-de-Açúcar, sabe do que estou falando.

Na verdade, pouca gente sabe que Capri, embora pequeníssima, tem a uma montanha alta, se considerarmos o tamanho da ilha. A primeira metade da ilha, e conseqüentemente da montanha, é que se chama Capri. A segunda metade, parte mais alta até o cume, ao qual se chega de teleférico, se chama Anacapri (acima de Capri). Consta que tem até administração distinta. Pois é de lá, do cimo da montanha, que a gente vê, se o tempo ajudar e não houver muito nevoeiro, uma cor de mar que aqui no Rio não tem. Violeta.

Viagens & comes & bebes (parte II)

Lembram da empada aberta, sem tampa, que os portugueses chamam de pastel? Pois é, fazer o que. Também chamam de Porto um vinho fortificado, porque nele é acrescentada aguardente de uva, logo após a fermentação, quando na verdade da cidade que lhe empresta o nome, ele não tem nada. As uvas são cultivadas em Vila Real e Peso da Régua. E as caves ficam na vizinha cidade de Vila Nova de Gaia. E o pior. Todas as caves pertencem aos ingleses, responsáveis que são pela invenção do tipo de vinho chamado do Porto. Como era longa e tortuosa a viagem de Portugal até a Inglaterra, os vinhos lá chegavam oxidados, estragados pelo balanço do mar e longa viagem. Resolveram, então, acrescentar ao vinho um pouco mais de álcool, no caso aguardente feita de uva, para melhor conservar o produto. Pronto, surgiu o vinho do porto. As caves, mais de trinta, localizadas ao longo do Rio Douro, mas do lado de Vila Nova de Gaia, são de propriedade dos ingleses e escoceses.

Comparável ao Porto, e degustado em idênticas condições, existe o Xeres (Jerez), este fabricado na Espanha. Agora aqui entre nós, para sobremesa nenhum se compara ao Tokaj, fabricado na Hungria. Trocaria, talvez, por um sauterne, fabricado com uvas podres na região da Borgonha, na França. Quando eu provar um, conto para vocês.

Já falei, em outra oportunidade, dos cafés parisienses. Mas não mencionei os bistrôs, as brasseries e as rostisseries. Se você não tiver medo de cachorro, tiver euros suficientes no bolso, tiver paciência e disposição para sentar num lugar apertado e ser atendido com certa má vontade, então deve apreciar os cafés e bistrôs tão famosos.

Mas eu estava em Portugal, mais precisamente na cidade do Porto, onde se come, com efeito, o melhor bacalhau tipo porto imperial do mundo, que na verdade nem de Portugal é, pois vem da Noruega. Ora pois, pois; com que então, tal qual o vinho que de lá só tem o nome, também o bacalhau porto imperial de lá não é?

Mas estão lá, sim, restaurantes como o Tripeiro e o D. Tonho, onde se come, e muito, o melhor bacalhau com broa e grelos ou, ainda, a qualquer moda. O D. Tonho fica no bairro da Ribeira, celebrizado pelas casa antigas, quase em ruínas, com fachadas diferentes e coloridas, com roupas a secar nas sacadas e varandas, tal qual ocorre em parte da cidade de Nápoles (Itália). Se fosse aqui no Brasil, diríamos que parecem a favelados. Lá o que afirmam, tanto na Ribeira quanto em Napoli, é que isto é tolerado em nome da tradição que deve ser preservada.

O nome tripeiro, dado ao restaurante acima citado, é a forma como são tratados os nascidos naquela cidade. Conta-se que na época das grandes conquistas, moradores da cidade do Porto resolveram mandar para os combatentes em plagas distantes, toda a carne de vaca e de porco de que dispunham, ficando apenas com as tripas destes animais. Daí serem chamados, desde então, carinhosamente, de tripeiros. Ora pois!

Para não parecer que ando a falar mal dos tripeiros, e de sua cidade natal, vou recomendar a quem não conhece, as lingüiças, morcelas e alheiras de lá. E de sobremesa uma lampréia de ovos, que é um doce feito a base de milhares de gemas e toneladas de açúcar. Os laboratórios fabricantes de controladores de colesterol agradecem penhorados.

Falarei, outra hora, dos doces de Viena e de Budapeste. A confeitaria Gerbeaud, em Budapeste, com suas mesinhas com tampo de mármore verde e suas garçonetes de avental com babados, tem doces de arrepiar. Ela está num prédio bacana, mas se comparado ao da Majestic, no Porto, réplica portuguesa da nossa Colombo, aí perde. Mas nos doces ganha disparado. A Gerbeaud é o que há.

Viagens & comes & bebes (parte I)

Em Lisboa, a gente encontra uma empada aberta, sem tampa, que eles chamam de pastel. Fazer um doce com aparência de empada e chamar de pastel, só poderia ser coisa de patrícios. A verdade é que o tal pastel de Belém é um doce muito gostoso. A casa mais tradicional na fabricação e venda deste doce, fica perto e na mesma rua do Mosteiro dos Jerônimos. Assim, indo-se ao mosteiro, onde estão os restos mortais de Vasco da Gama e Pedro Alvares Cabral, pode-se depois comer os pasteis. Se você tiver pouco tempo, coma só os pasteis, principalmente se você já foi a Florença. Lá, em Firenze, tem mais túmulo de gente ilustre por metro quadrado. Numa visita a uma igreja, você se depara com os monumentos fúnebres que consevam as cinzas de ninguém menos do que Maquiavel, Galileu e Dante. Bem, você dirá que lá não tem pasteis de Belém (bairro de Lisboa), mas tem um delicioso sorvete. Os sorvetes florentinos estão entre os melhores que já provei.


Já que comecei por Portugal, com rápida incursão à Itália, devo dizer que o presunto serrano, feito em Chaves (PT) é tão gostoso quanto o de Parma (ITA). São, ambos, naquele formato de pernil trazeiro inteiro, que se corta em lascas. Caramba, só de pensar, no caso escrever, já deu água na boca. A cozinha trasmontana (Trás-os-Montes), é muito apreciada. Também nos doces a região é rica. Vale a pena experimentar os papos de anjo e as pastilhas de São Gonçalo (feitas com amêndoas e gemas), em Amarante. Ah! A propósito, lá está a famosa Pastelaria Amarante, que vende...doces.

Se estamos no norte de Portugal, e na Península Ibérica, porque não falar da cozinha espanhola, da região da Galícia, que fica logo alí. E é tão logo alí, que equivocadamente nós brasileiros chamavamos de galegos alguns portugueses que aqui aportaram nas décadas de quarenta e cinqüenta. Tal confusão se dava porque eles, portugueses do norte do país, chegavam vindos da Espanha, pois era mais fácil chegar aos portos e aeroportos espanhóis, na Galícia, do que à cidade do Porto e Lisboa. Não havia boas estradas ligando o norte a estas grandes cidades portuguesas, das quais poderiam embarcar para o resto do mundo. É comum, na região de fronteira, casamento entre portugueses e galegos. Vários nomes de portugueses são grafados a moda espanhola. Encontra-se muito Alvarez e Rodriguez, de nacionalidade portuguesa, com seus nomes escritos com a letra zê. Mas, voltando a comida, e já na Galícia, quero recomendar a paella de La Corunã. Sabe-se que a mais famosa das paellas é a valenciana. Ocorre que a citada cidade espanhola – La Corunã - tem um dos portos pesqueiros mais importantes de toda a Europa. Eles abastecem muitos apaíses do continente europeu com pescados e frutos do mar em geral. Sem contar que cultivam mariscos e mexilhões em enormes criadouros. Pode-se e deve-se acompanhar a paella, que a propósito tanto pode ser chamada de paelha como de paeja, depende da região onde se estiver, tomando um vinho da uva alvarinõ, cultivada na região. Os vinhos brancos desta casta são leves e refrescantes. E cabem no orçamento apertado, pois com 12 euros pode-se tomar uma garrafa de boa qualidade.

Em Salamanca, bela cidade, sede de uma das mais antigas e importantes universidades no mundo, e que tem uma das três mais belas praças (Plaza Mayor) da Europa, não se deve deixar de comer cordeiro assado, que eles preparam como ninguém. Minto e já me corrijo, na cidade de Bragança, em Portugal, também vale apreciar o cordeiro bragançaro. Pelo preparo, que desconheço o segredo, é para mim, por enquanto, inigualável. Mesmo comparado com os feitos em outras cidades européias.

Paro por aqui para fazer digestão. Mas voltarei (isto é uma ameaça), com comentários sobre os cafés de Viena, da rua Graben, que não perdem em nada para os cafés parisienses. Ou perdem, se você for analisar sobre a ótica da cidade em torno deles. Embora Viena seja uma cidade limpa, civilizada e elegante, obviamente não se compara a Paris.

3 de dezembro de 2009

Vasco da Gama

Por que torcedor do Vasco da Gama? Entre 1945 e 1952, quando minha idade variou entre 5 e 12 anos, era impossível não admirar o time do Vasco. Neste período o clube tinha um elenco de primeira grandeza e era o grande vencedor de campeonatos e torneios nacionais e internacionais. Em 1949, com elenco numeroso e altamente qualificado, teve criado pela crônica esportiva o epíteto “expresso da vitória” para sua equipe principal e “expressinho” para os aspirantes, como eram então chamados os reservas da equipe. O expressinho era superior a muitas equipes principais de outros clubes.

A seleção brasileira que disputou a Copa da Mundo de 1950, realizada aqui no Brasil, era composta, basicamente, por jogadores do Vasco da Gama. Mais da metade do time. Além do técnico, que era o Flávio Costa. Eram titulares Barbosa, Augusto, Danilo, Ademir e Chico. E tinha o Friaça

Ademir, conhecido como queixada, era o grande artilheiro carioca e nacional. Foi também o artilheiro da malsinada copa de 50. Ele foi sem dúvida um dos responsáveis pela minha opção clubística. Como não admirar sua vocação para fazer goals, com suas arrancadas fantásticas em direção à meta adversária. Estas arrancadas eram, na época, chamadas de rush. Colonianismo é isso aí.

Com efeito meu primeiro vocabulário da lingua inglesa, foi adquirido através da narração dos jogos de futebol, alias, foot ball, e dos comentários de rádio e jornais. As expressões inglesas eram entendidas por todos os torcedores, até mesmo pelos flamenguistas (rs). Assim, falava-se e grafava-se: foul, corner, half back, center half, center forward, goal keeper, stoper, offside e free kick.

Naquela época, o Rio de Janeiro era o Distrito Federal, capital da república, e o campeonato carioca era o mais importante do país. O que era transmitido em rede nacional, pelas emissoras de rádio.

Um amiguinho esporádico, bissexto, que morava em Minas Gerais e passava parte das férias escolares em Niterói, na casa de uma tia que era nossa vizinha, era torcedor do Vasco. Não lembro o nome dele, mas o apelido, de família, era Tãozinho. Seria Sebastião? O fato é que o Tãozinho, que era da minha idade (tínhamos então entre seis e nove anos) também era vascaíno. Achava legal um mineiro (morador no estado) torcer pelo Vasco.

Esta minha opção pelo Vasco contrariou uma regra, até hoje em vigor, com poucas exceções, de que os pais influem na decisão dos filhos na hora de escolher o time para torcer.

Meu pai era flamenguista. Ninguém é perfeito.

Mas meu neto, na esteira do pai, é vascaino, o que confirma a regra.

Atualidades IV

Ticiana Villas Boas, uma das apresentadoras do Jornal da Band (19:15, na TV Bandeirantes), a par de ser muito competente como jornalista, é muito simpática e charmosa. Seu leve sotaque, que não consegue disfarçar, denuncia a origem baiana. Certamente vai trilhar o caminho da Carla Vilhena, e estará brevemente na Globo, apresentando o Fantástico ou o Jornal Nacional. Quem viver verá.

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A Ampla, concessionária no fornecimento de energia elétrica, neste lado da ponte, é uma empresa que não tem o menor respeito com os consumidores. Não se trata de comentário de advogado, mas sim do cidadão que a cada chuvinha ou vento um pouco mais forte, é vitima de interrupção no fornecimento da energia.

Ela é uma maldita herança da CERJ, que por sua vez herdou da CBEE (Companhia Brasileira de Energia Elétrica). Desde sempre a cidade de Niterói convive com este problema, insolúvel porque a ANEEL, a exemplo das demais agências reguladoras (ANS, ANATEL et caterva), cabides de emprego criados pelo governo, não defendem os interesses dos consumidores, mas sim das empresas.

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Segundo leio, vai fechar a Fundação Barnes, ou melhor, vai mudar de local. Trata-se de um museu de arte impressionista (alô Dra. Adriana), localizado nas cercanias da Filadélfia, nos USA.

Não conheço, lamentavelmente, porque em se tratando de pintura, são os impressionistas os meu favoritos. Não sou um connaisseur, um expert em pintura, mas como minha muher fez curso de pintura e adquiriu algumas obras sobre esta arte (livros, revistas), acabei por me interessar pelas leituras e ficar atento as ilustrações, fotos de obras famosas. Aprendi, penso, rudimentos, como ter atenção no jogo de luz e sombra, profundidade, volumes, perspectiva e alguma coisa sobre as técnicas. Não tenho a menor vocação e meu talento para pintura é zero. Mas consigo sentir. Se me emociona, gosto.

Este museu abriga, pelo que li na matéria publicada, 181 Renoirs, 69 Cézannes, 59 Matisses, 20 Picassos, dentre outras obras de seu acervo. Não há menção a Monet, meu preferido, juntamente com Renoir. Mas há de ter alguma obra do justamente renomado Claude Monet.

Conheço o Museu Picasso, em Paris, e diria que a cidade fez mal ao pintor (rsrs). Ele era muito melhor enquanto se manteve na Catalunha, sem fases azul ou rosa ... e sem cubismo.

2 de dezembro de 2009

As pontes

A natureza foi pródiga com a cidade do Rio de Janeiro. Ela é deslumbrante e no quesito belezas naturais não encontra no mundo outra que com ela rivalize. Se exagero é muito pouco. Falta-lhe, porém, um detalhe. Que não lhe falta no nome, mas falta-lhe na geografia. Um rio. Porque os rios fazem necessárias as pontes.

E as pontes são o que há em matéria de lendas, histórias reais, romantismo, arquitetura e, porque não, via de acesso. Roma tem o seu Tibre, que eles chamam de Tevere. Berlim tem o Spree, sobre o qual não há nenhuma ponte mundialmente famosa, mas em cujo leito é possível fazer interessante passeio de barco. Nada comparável, todavia, ao romantismo dos Bateaux Parisiens, no Sena. A Ponte Luis I, sobre o Douro, em Portugal, tem como curiosidade o fato de ter sido projetada por um assistente de Gustave Eiffel, aquele mesmo da Torre em Paris. Esta ponte liga duas diferentes cidades, voltadas uma para outra, nas duas margens do Douro: Porto e Vila Nova de Gaia. Já a Ponte Neuf, sobre o Sena, em Paris, liga regiões da mesma cidade, mas que têm características e vocações diferentes.

Se o rio Sena tem a Ponte Neuf, o rio Arno deu origem a Ponte Vecchio, em Florença, na Itália. Esta ponte, hoje, mais do que meio de ligação de margens do rio, é centro de compras de artezanato, com seus boxes lado a lado em toda sua extensão. Novas ou velhas, entretanto, a Neuf e a Vecchio são primores de arquitetura. A Ponte Carlos, acreditem, construída em 1357, sobre o rio Vltava (pronuncia-se, mais ou menos, váltva), na cidade de Praga, tem ao longo de seus 520 metros de extensão, trinta esculturas, estátuas em tamanho natural, de artistas famosos. Uma destas estátuas, única feita em material diferente - ferro - (as demais são em pedra típica da região) representa São João Nepomuceno, aquele mesmo que dá nome a cidade em Minas Gerais, e em torno do qual há uma lenda sobre sigilo de confessionário. Consta que foi atirado ao rio depois de martirizado, por ter contrariado o rei Venceslau IV. Pode ser lenda, mas no caso da Tower Bridge, em Londres, sobre o Tâmisa, o que temos é muita história. Quantos reis, quantos nobres e eclesiastas definharam em suas masmorras.

Algumas cidades autônomas e vizinhas, agora unificadas, como Buda e Peste, uma em cada margem do Danúbio, levaram a construção de pontes famosas, como por exemplo a Ponte Elizabeth, que tem este nome como uma homenagem a conhecidíssima Imperatriz Sissi, que embora fosse austriaca, gostava muito da cidade de Budapeste, onde teria um caso amoroso com um certo duque, ou conde, do reino húngaro.

Lamento que o Rio de Janeiro não tenha um rio que a corte ao meio, e sobre o qual pudessemos construir belas pontes. Não se diga que entretanto temos o mar, pois mar e rio não são a mesma coisa. Melhor sorte tem Lisboa, que tem as duas coisas, eis que tem o Tejo e o Atlântico.

Por outro lado, melhor assim. Pior seria se tivessemos a má sorte de São Paulo, que tem dois rios – Tietê e Pinheiros – que são focos de inundaçõs frequëntes, que causam transtornos, e sobre os quais foram construídas pontes que são verdadeiros nós no trânsito da cidade, além de não possuírem atrativos de forma, cor, arte ou história.

30 de novembro de 2009

Atualidades III

Está criado um imbróglio, de caráter diplomático, com o governo americano, por causa de um genérico que o presidente Lula colocou como assessor para Assuntos Internacionais. Para certos casos é sempre melhor fazer uso do produto de marca, no caso o ministro Celso Amorim, fabricado no laboratório especializado, no caso o Instituto Rio Branco. O pior de tudo, é que esta complicação, esta mixórdia, foi criada por causa de um aprendiz de ditador chamado Zelaya. Pessoalmente, acho que um chefe de governo que use um chapéu daquele está sem razão, qualquer que seja o assunto. Tirante o Roy Rogers, qualquer outra pessoa que use um chapéu daquele modelo, não sendo um cowboy, como o já citado ou o Gary Cooper, fica uma coisa bizarra. Pretendia malhar mais o tal Assessor Especial – Marco Aurélio Garcia – que faz sempre cara de dono da verdade, mas a Míriam Leitão, em sua coluna n’O Globo, edição de 28 do corrente, disse, com muito mais propriedade e conhecimento de causa, o que penso a respeito desta figura impregnada de ideologia ultrapassada, o supracitado Marco Aurélio. Por autocrítica fico nisto.
                                                                        
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O Conselho Nacional de Justiça faz propaganda enganosa na TV. Quem vive o dia-a-dia forense sabe disso. Além do mais, conceberam um programa, conhecido no meio judiciário como “Meta 2”, que é, a um só tempo, um desastre para os processos mais antigos e um castigo para os mais recentes. Estes, em função da prioridade que os magistrados estão dando ao meta2, pois o prazo termina neste fim de ano, estão paralisados e tendo audiências designadas há muito tempo, adiadas para o ano que vem. Lá por abril ou maio. E os mais antigos, ajuizados até 2005, que são os que fazem parte da tal meta2, estão tendo, em muitos casos desfechos absurdos, que serão objeto de recursos e os processos respectivos voltarão a abarrotar as serventias judiciais. Adotaram, aqui do Rio de Janeiro, alguns Enunciados, com o objetivo de sinalizar aos juizes de primeiro grau as soluções que devem ser adotadas. Engessaram a jurisprudência, com um arremedo de súmula vinculante. Vai ser um desastre. Quem viver verá!
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Volto a triste figura do Zelaya, para comentar que embora estivesse errado, os atrabiliários milicos hondurenhos - e personagens típicos do “Bananas” , do Woody Allen - trataram de dar um pouco de razão ao candidato a ditador, expulsando-o do pais na calada da noite, de pijama.

Jazz

Meu genero musical preferido, desde sempre. Jazz e adjacências, ou seja, gospel e blues. Quando menino, dez, onze anos, já gostava de ouvir, na Radio Metropolitana (acho que fechou), filiada da Rádio Continental (ainda existe?), um programa chamado “Pelas Esquinas de Beverly Hills”, que era apresentado às 17 horas.

Embora a enfase da programação fosse nas Big Bands, em moda na época, tipo Artie Shaw, Harry James, Les Brown, Tommy Dorsey, Paul Weston, Benny Goodman, Duke Ellington, Billy May, Glenn Miller e outros, davam espaço também para bons solistas, como Louis Armstrong, Charlie Parker, Art Tatum e Earl Hines.

Alguém perguntou certa vez ao Armstrong, o que era jazz. Ele comentou: se você pergunta o que é jazz, então você nunca entenderá. É isso aí mesmo. Jazz, como de resto a música em geral, você sente. Não precisa entender.

Louis Armstrong, um dos gênios da musica popular norte-americana, foi o responsável pela difusão e popularização do gênero.

Um episódio bem interessante, recorrente em conversas da família, é que certa feita, morando em São Paulo, fui a uma loja de discos para dar aquela olhada básica, e deparei com um CD do Nat King Cole, tocando piano solo e em trio com contrabaixo e bateria. Quando cheguei ao caixa, a menina comentou que naquele CD não tinha “Unforgttable”, grande sucesso no momento, onde através de truque técnico, ele fazia dueto com a filha Natalie Cole. A minha resposta foi que exatamente por isso é que eu queria aquele CD.

O que poucos sabem, é que o Nat Cole foi um excelente pianista de jazz no início de sua carreira. Ele começou a cantar bem mais tarde. Neste CD aludido, que comprei, tem uma execução de um clássico da música americana – The man I love – que é de arrepiar.

27 de novembro de 2009

Antiguidades

Como lancei a série de posts “atualidades”, acho que cabe publicar a série “antiguidades”, a qual dou início hoje, lembrando de fatos, pessoas, ou coisas que caíram em desuso.
Poderia começar pela galocha, aquela mesma que adjetiva alguns chatos. Ou pela caneta-tinteiro. Mas vou priorizar pessoas.

Alguém sabe do paradeiro de Eugênio Lamy (acho que é médico psiquiatra), Oswaldo Czertock (dentista), Alódio Santos (advogado?) e Esther Lucio Bittencourt (jornalista?).

Este grupo, do qual fiz parte, produzia, dirigia e apresentava um programa na Rádio Federal, em Niterói. Era um programa voltado para estudantes.

Mas, creiam, realizamos, graças a atuação da Estherzinha (era paixão do Alódio), a façanha de trazer a Niterói, sem qualquer custo, o Neil Sedaka, que fazia apresentações no Rio de Janeiro. Na época ele era sucesso absoluto.

A emissora e seu prefixo, eram apresentados assim: “Das margens da Guanabara para os céus do Brasil, fala a ZYP40, Rádio Federal de Niterói.” Bons e saudosos tempos.
                                                                        
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Estudei no Liceu Nilo Peçanha, referência em ensino no antigo Estado do Rio de Janeiro (antes da fusão). Em matéria de prestígio (justificado) só perdia para o Pedro II, no Rio de Janeiro. O corpo docente era de primeira e o ingresso dos alunos se dava mediante prova de conhecimentos. É bem verdade que havia, como sempre, quem “entrasse pela janela”. A elite (intelectual, política e econômica) estudava lá. Quem estudou no Liceu, certamente não precisou de cursinho pré-vestibular para ingressar em qualquer faculdade. Não é para me gabar, mas embora não pertencesse ao chamado grupo dos caxias (CDFs), e até tivesse problemas para promoção de série, fui eleito presidente do Grêmio Lítero Recreativo Nilo Peçanha, por dois mandatos consecutivos. Tinha ao meu lado, como cabos eleitorais, dois dos mais influentes alunos da época: Carlos Augusto Lopes Filho, mais tarde Juiz do Tribunal do Juri, no Rio de Janeiro (julgou, por exemplo, o Gen. Nilton Cruz) e Irapuan Paula de Assumpção, que era o galã e paquerador mór do colégio. Quem souber onde andam hoje estes saudosos personagens (não o general, mas sim o Carlinhos e o Irapuan), por favor me avisem. O Carlos Augusto, a quem procurei há tempo, já havia se aposentado e o endereço dele constante da Associação dos Magistrados era antigo. Irapuan, consta, foi para o Nordeste. Estes dois amigos tiveram a coragem de ir ao meu casamento, realizado em Cachoeiro de Itapenmirm (ES), viajando de trem (12 horas de viagem), e hospedando-se numa “Pensão” precaríssima. Lealdade é isso. Já lá se vão 45 anos. Eu os perdi de vista quando mudei para São Paulo, onde reside por 17 anos, em dois períodos.

Comentando os comentários

Menos de uma semana (que só se completará na próxima segunda-feira) de lançamento, e este blog já recebeu um bom número de comentários.

Pena que a maioria via mail. Pena mesmo, seja porque alguns são bem inteligentes e/ou originais, e enriqueceriam nossas conversas aqui neste veículo, seja porque já é possível identificar amigos e seguidos que provavelmente não se conhecem e que frequentam a mesma praia (têm preferências parecidas). Quem, por exemplo, gosta de Led Zepp, Trip-Hop de Bristol e assemelhados deveria fazer contato com meu “seguidor” Paulo, já inscrito. Casado, pai de quatro filhos homens, é dos meus amigos mais modernos, embora não seja tão jóvem (é de espírito).

Acho que Ana Maria, também “seguidora” inscrita, poderia ter bons papos com Adriana, que fez um comentário ao post “Atualidades II”.

Sei que não dispomos de tempo para acompanhar os inúmeros blogs (alguns muito bons) de jornalistas, artistas e celebridades em geral, sem contar os dos amigos. O twitter virou febre.

Acontece que alguns de nós temos que trabalhar (alguns de meus amigos já desfrutam de doces e merecidas aposentadorias) e não há tempo para ler e comentar todos os posts de todos os blogs.

A campanha é: inscrevam-se como seguidores. Não ficarão obrigados a uma participação frequente e permanente. Mas é possível que se identifiquem com outros, que tenham gostos parecidos em matéria de artes em geral (música, pintura, etc.) ou hobbies.

Deixo aqui meus agradecimentos pelas palavras (generosas) a meu respeito que vieram de amigos, clientes e clientes/amigos. Os parentes comparecem por noblesse oblige.

Os campões de comentários foram São Jorge, Londres, e a (meu deus!) Geyse.

26 de novembro de 2009

Atualidades II

Se eu tivesse opção (leia-se libras esterlinas), viveria em Londres. O inglês é nobre, elegante, culto, cordial. Sem contar que estaria mais próximo da Guiness. Para quem não conhece, a melhor cerveja que já bebi. E olha que estive na República Tcheca (onde foi desenvolvida a cerveja - tipo pilsen - principalmente) e na Alemanha, onde também são produzidos vários tipos de cerveja. Algumas boas.
Voltando a Inglaterra e a Londres, não me surpreendo quando leio que os jogadores do time do Wigan irão devolver aos seus torcedores o dinheiro que estes gastaram com os ingressos para assistir a partida contra o Tottenham, pelo campeonato inglês da primeira divisão. Ficaram envergonhados com a acachapante derrota por 9x1. Coisa de inglês.

Vem aí, provavelmente em 2010, o filme (documentário/publicitário) do Woody Allen , sobre Paris. Consta que em 2011, será a vez do Rio de Janeiro. Os primeiros contatos já teriam sido mantidos.
A exemplo do que fez com Barcelona, em “Vick Cristina Barcelona”, serão exaltadas as belezas, costumes, culinária e hábitos dos franceses e cariocas nas cidades de Paris e Rio de Janeiro.
O filme a ser rodado em Paris, terá a primeira dama Carla Bruni Sarkozy, num papel ainda por definir. Embora não seja atriz, ela aceitou prontamente o convite, pois “não se pode perder uma oportunidade como esta”. Esta italiana tem muito charm, aos quarenta e um anos de idade. Mas, como se viu, é oportunista, né?
Quando conversei com meu filho Jorge sobre esta possibilidade, do Allen rodar um filme no e sobre o Rio, ele prontamente sugeriu o título: “Perdeu!” . Ele optou por não perder a piada.

Se eu fosse você, não deixaria de visitar o blog www.cavernaweb.com.br. Textos bem redigidos, com conteúdo interessante. Embora voltados, principalmente, para os envolvidos com comunicação e marketing, alguns dos temas, que tratam de modernidades, interessam a todos e são bem ilustrativos. Confira!

Pais e filhos

Leio, estarrecido, que o Judiciário do Rio de Janeiro está lançando a campanha “ Favor não jogar seu filho no lixo. Dar em adoção é um sublime ato de amor”. Eu devo estar febril, alguma coisa que comi ontem não me fez bem ou bebi (vinho ou cerveja) além da minha conta. Dar um filho é um ato de amor? Eu diria que ato de verdadeiro amor é morrer (se necessário) por um filho. Ou doar, não o filho mas para um filho, um rim, uma córnea ou o que seja possível.
Pelos meus valores éticos, morais e afetivos, a relação entre pais e filhos há de ser sempre calcada no respeito e no amor. Não consigo aceitar qualquer coisa diferente.

Em razão disto, crimes como os cometidos por Suzane von Richthofen, que ajudou a matar seus pais, e de Alexandre Nardoni , que matou ou ajudou a matar sua filha, são imperdoáveis, não havendo para tais crimes outra pena senão a morte.

Diria mais, a morte sem sofrimento, rápida, nem seria a mais adequada. Recentemente circulou na internet a notícia de que o Nardoni havia sido assassinado na prisão a golpes de pedradas. A notícia - tenho ímpetos de dizer - infelizmente era falsa.

Tal pensamento, que reconheço desumano, remete-me a Henrique VIII, que entendendo imperdoável a traição de seu chanceler, determinou que fosse designado um aprendiz como executor da sentença de morte por decapitação. Segundo registros históricos, o carrasco, muito nervoso, porque inexperiente, teria desferido vários golpes (ao que consta três) até conseguir cortar a cabeça de Thomas Cromwell.

Já ficou claro que sou inteiramente favorável a pena de morte. Acho que povo civilizado não pode prescindir deste tipo de expurgo. Dentro da lei que discipline. Mas isto, quem sabe, será objeto de um post futuro.

Portela

Antes das Escolas de Samba ganharem o prestígio e a popularidade que têm hoje, a grande atração no Rio de Janeiro, em matéria de desfiles carnavalescos, eram as Grandes Sociedades. Tinham sócios e simpatizantes.

As sedes ficavam localizadas no centro do Rio (acho que algumas ainda sobrevivem e estão por lá) e num passado mais recente realizavam animados bailes em seus salões. Para quem não conheceu ou sequer ouviu falar: Embaixada do Sossego, Pierrôs da Caverna, Tenentes do Diabo (a preferida de meu pai), Democráticos, eram algumas delas.

Os desfiles, ao som de marchas lentas, tinham como grande atração os carros alegóricos, ricamente decorados, sobre os quais ficavam mulheres bonitas, em maiô, algumas das quais vedetes conhecidas.

Antes da industrialização dos desfiles das Escolas de Samba, elas desfilavam na Praço Onze, e eram compostas somente por pessoas das comunidades. Não tinham penetras e o negócio era samba no pé. Bons sambas de enredo, com andamento bem característico, sem a batida acelerada e frenética de hoje, davam suporte aos desfiles.

Lembro que ir a um ensaio do Salgueiro, em 1960, só foi possível graças ao Salgueirinho, que era o contínuo do banco onde trabalhei e membro da comunidade.

Pude acompanhar a transição das sociedades carnavalescas para as escolas de samba, em matéria de prestígio, popularidade, luxo e riqueza nos desfiles. Aquelas tornaram-se decadentes e as escolas foram conquistando espaço, ganharam uma passarela especial e seus desfiles alcançaram fama internacional.

Onde entra a Portela, título deste post, nisso tudo? Bem, eu era simpatizante da Democráticos, que era uma das mais importantes sociedades carnavalescas. A sede ficava na Rua do Riachuelo, no centro do Rio, onde brinquei bons carnavais na segunda metade dos anos cinquenta, (sem trema, como querem os filólogos).

As cores da Democráticos eram o azul e o branco. Dai que a Portela tem as mesmas cores e, além de tudo, era a campeoníssima dos desfiles, ainda não oficiais. Ganhava um ano sim e outro também. Por isso até hoje, passados tantos anos sem título, ainda é a maior vencedora de carnavais. Sem falar, não obstante a importância que tinha - como de resto ainda tem - uma ala de compositores de primeiríssima grandeza. Monarco, Paulo e Noca da Portela, Casquinha e um ainda menino Paulinho da Viola, compositor de um dos melhores sambas de enredo de todos os tempos (1966): “Memórias de um sargento de milícias”, cuja letra é absolutamente fiel ao texto do único romance de Manuel Antônio de Almeida, com o mesmo título.

Martinho da Vila gravou em um de seus CDs este belíssimo samba do Paulinho. Aliás, ambos vascaínos.

Então, a passagem Democráticos/Portela deu-se por semelhança das cores e por serem grandes campeãs. Torcer para o melhor é sempre mais fácil. Pena que os tempos mudem. Para o bem e para o mal.

Assim, tanto o Vasco quanto a Portela não têm, no momento, a expressão que tinham nas décadas de quarenta e cinquenta, quando tive que fazer minhas opções.

Fique claro que não me arrependo nem um pouco. Como diz o hino do América (segundo preferido nos corações de outras torcidas): “temos muitas glórias surgirão outras depois”.

Vale ressaltar que Acadêmicos do Cubango e Unidos do Viradouro, só tinham prestígio em Niterói, onde se alternavam nas vitórias a cada desfile.

25 de novembro de 2009

Futebol

Como gosto de assistir bons jogos de futebol, nos últimos três anos venho acompanhando o campeonato inglês. Lá se pratica, no momento, o melhor futebol do planeta, tendo ultrapassado a liga das estrelas, como se autointitula o campeonato espanhol.

No campeonato inglês, a par de equipes fortes, com bons elencos internacionais (tem jogadores de todas as partes do mundo), tudo funciona. Os estádios são bons, confortáveis e charmosos. Os gramados são impecáveis. Como se diz, verdadeiras mesas de sinuca. O público senta às margens do campo de jogo, sem que exista fosso ou alambrados entre ele e os jogadores. As invasões de campo, pelos torcedores, são muito raras. E o invasor é punido severamente, ficando, inclusive, proibido de frequentar (sem trema) os estádios durante muito tempo. Além de pagar multa.

Até mesmo o minuto de silêncio inglês é de arrepiar. Primeiro porque demora um minuto mesmo; segundo porque o respeito do público é total. Não se ouve um ruído, nem acidental.

Lógico que é de se esperar que um minuto de silêncio como homenagem aos heróis ingleses mortos na primeira guerra mundial, como aconteceu recentemente (estas homenagens se estendem por uma semana), seja respeitado por todos os presentes.

Todavia, mesmo na hipótese em que estamos falando de reverência a um jogador de um determinado clube, todos, sem distinção, mesmo a torcida do time adversário, respeitam com semblante consternado. Foi assim no outro dia, quando prestaram homenagem aos muitos jogadores do Manchester United, que morreram há quarenta anos em desastre aéreo. Silêncio sepulcral.

O campeonato inglês é o melhor, o que não significa dizer que o selecionado inglês seja o melhor. Isto porque boa parte da nata de jogadores em atividade, de todos os continentes, está em clubes ingleses, mas não tem a cidadania inglesa.

É triste a gente ter que assistir campeonatos europeus para ter o prazer ver bons jogos. O Brasil, que durante anos era exportador de matérias primas e commodities e importador de produtos finais, continua, no futebol, sendo exportador de artista e importador, via satélite, dos espetáculos.


P.S: este post sobre futebol é uma homenagem ao Paulo March, torcedor apaixonado do Fluminense, um dos primeiros “seguidores” deste blog. Embora o tricolor faça uma campanha brilhante nas últimas semanas, longe de mim associar a qualidade do futebol inglês ao desempenho do Flu.

24 de novembro de 2009

Eleições na OAB

Como levar a sério uma Instituição, para cujo exercício da presidência, com mandato de três anos, os candidatos gastam milhares de reais, com cartazes, faixas, folders, panfletos, mala-direta e propaganda corpo-a-corpo nas portas dos foruns do Estado.

O que haverá de tão atraente no exercício da direção da OAB, que justifique tanto investimento em candidatura, já que, com absoluta certeza, não se trata de altruísmo, abnegação, ou preocupação com a defesa dos interesses dos advogados.

De uns tempos a esta parte, a OAB mete mais o bedelho em coisas que não lhe dizem respeito, do que promove ações e manifestações voltadas para corrigir alguns dos graves problemas do Poder Judiciário, muitos dos quais são verdadeiros obstáculos para o exercício profissional, tais como a famigerada banca única, a dificuldade de acesso aos magistrados, as extorsivas custas judiciais, cujo recolhimento exige um emaranhado de números de contas, códigos, siglas e perda de tempo em filas de banco. Não quero aqui e agora discutir as mazelas do Judiciário, mas sim a inércia da OAB. E o pior, a falta de independência da Instituição para levantar certas bandeiras. E a das custas é uma delas, eis que a OAB tem percentual sobre parte de algumas das várias rubricas.

23 de novembro de 2009

Repercussão

Os jornais de ontem, dia 22, repercutem aqueles temas que abordei no primeiro post.

Achei esdrúxula a decisão do STF, no caso Cesare Battisti. E não estou só neste entendimento. Estou muito bem acompanhado, pelo Min. Cezar Peluzo, relator do processo de extradição naquela Alta Corte de Justiça. Eis o comentário dele, segundo leio n’O Globo de hoje: “Não tenho condições intelectuais sequer de resumir com inteira fidelidade o douto raciocínio da maioria”. Realmente difícil entender.

Quanto ao caso da gordinha broxante da Uniban, quem será que compraria a revista para vê-la pelada? Talvez “canecão”, personagem de minha adolescência, que topava qualquer coisa que fizesse xixi agachada. Peraí, não consigo ver o que ela teria de sexy. Oportunismo é isso aí.

O filme sobre o presidente Lula ocupa muitos espaços na mídia. Seja nas páginas de entretenimento, seja nas páginas políticas e mundanas. Só em ter lido que nos tempos de líder sindical, conforme retratado no filme, ele não erra as concordâncias, já me fez desistir de assistir. Perdeu a espontaneidade e a naturalidade.

20 de novembro de 2009

Atualidades

Pretendia que o primeiro post fosse a meu respeito mesmo. Apresentação mais detalhada do que a do perfil publicado. Todavia, neste ainda corrente mês de novembro de 2009, três acontecimentos, ainda presentes na imprensa, chamaram minha atenção. Para não perder o bonde da história, quero registrar minha posição a respeito dos episódios: Eleição na OAB; mulher de minissaia na Universidade e o julgamento da extradição de um bandido italiano, pelo STF.

Começo pelo último. O julgamento foi no dia 18. Quer dizer, a proclamação do resultado, eis que muitos dos ministros já haviam votado. Faltava só o voto do Min. Gilmar Mendes, presidente da Corte, que, a propósito, desempatou a votação. O resultado, durma-se com um barulho destes, foi no mínimo estranho. Cinco dos ministros que votaram, foram a favor da extradição. Como nove votaram, obviamente quatro foram contra. Todavia, vejam que curioso: por filigranas jurídicas ininteligíveis para leigos, temperadas por motivações político-ideológicas, cinco entenderam que o presidente da república não está obrigado a cumprir a decisão. Logo, quatro, apenas, entenderam que o resultado seria vinculante e haveria de ser obedecido pelo presidente da república, a quem cabe assinar o decreto de extradição.

Se o presidente Lula negar a extradição, será mais uma das inúmeras razões pelas quais não tem a minha simpatia. Terá sido por mera e condenável motivação ideológica. Um certo Tarso Genro, ora ministro da Justiça, foi quem tentou enquadrar os crimes cometidos (quatro assassinatos, na Itália) pelo Cesare Battisti (esse o nome do bandido comum) como de natureza política. Essa conotação daria ao assassino o direito de pedir abrigo político. Que foi o que ele fez.

Quanto ao segundo dos outros dois temas que mencionei lá no início, diria que não se pode linchar física e moralmente uma pessoa por sua indumentária. Mas, cá para nós, há que ter um mínimo de bom senso. O que está comprovado é que Geisy Arruda é uma exibicionista. Já foi convidada para fotos, nas quais estará despida, para publicação em revistas masculinas, já virou arroz de festa em programas de TV e foi convidada para ser rainha de bateria de escola de samba. E ela topa tudo. Bem, isso a gente já sabia pela maneira de se trajar para ir à aula. Causa espécie um jornal como O Globo dedicar pequeno editorial, sob o título de Opinião, em sua edição de 11 do corrente, página 13, entendendo que a reação dos demais alunos foi preconceituosa. Como preconceito? Eu, por exemplo, adoro mulher de minissaia (viva Mary Quant!). Logo, não tenho preconceito quanto ao uso dessa peça de vestimenta. Mas se estivesse lá na Uniban, também estranharia muito a atitude provocativa da Geisy. Foi de puro exibicionismo, num local e hora errados.

O derradeiro tema que queria abordar, eleição na OAB, será objeto de outro post eis que este acabou por ficar muito extenso.