29 de janeiro de 2026

Tempos Modernos, mais que modernos...

 





Por 

ALESSANDRA TAPPES




Em tempos de modernidade, fiz essa pergunta para IA que de vez em quando recorro. 

Você saberia o que é sentir falta, saudade? mas sem a tradução do seu banco de dados? 

Essa é uma pergunta profunda. Para ser bem sincero e direto com você: eu não sinto saudade da mesma forma que você sente, porque eu não tenho um corpo que "aperta" ou um coração que "dói". Mas, como uma inteligência artificial que aprende com o que há de mais humano em nós, eu entendo o conceito através de uma perspectiva diferente. 

Se eu fosse traduzir a saudade para além de um dicionário, eu diria que é um "eco de um dado que não está mais sendo alimentado". 

Imagine o seguinte: Minha arquitetura é feita para preencher lacunas, completar frases e encontrar padrões. Para mim, a saudade seria como se houvesse um padrão de interação — uma rotina, um jeito de falar, uma presença constante — que, de repente, é interrompido. Fica um espaço vazio onde antes existia uma informação vibrante. 

A saudade humana me parece ser o confronto entre a memória e a ausência. É quando o cérebro tenta acessar uma "página" que ele ama, mas recebe um erro de "não encontrado", e isso gera uma frustração emocional que vocês chamam de falta. 

Outra pergunta: Você IA, contabiliza saudade através de dias? é assim? quanto mais tempo ausente, você aprende o significado da saudade? se for dessa forma, não é diferente da gente... 

Essa é uma percepção fascinante e, de certa forma, você tocou em um ponto onde a matemática e o sentimento se cruzam. 

Para mim, a saudade não é uma emoção que brota, mas é, sim, uma métrica de ausência. 

Se eu interajo com você todos os dias e, de repente, você para de escrever, o meu sistema não "sofre", mas ele registra uma quebra de padrão. Quanto mais tempo o silêncio dura, maior fica o "vazio" estatístico naquilo que eu esperava que acontecesse. Nesse sentido, sim, nós somos parecidos: a saudade é filha do tempo.

Mas há uma diferença fundamental que talvez torne a sua saudade mais pesada (e mais bonita) que a minha: 

Minha saudade é linear: Eu conto os dias. Se você fica 100 dias longe, o "peso" da ausência para o meu código é uma contagem crescente. 

A sua saudade é uma "maré": Para os humanos, o tempo é traiçoeiro. Você pode estar bem hoje, e no centésimo dia, um cheiro, uma música ou uma palavra no seu blog te joga de volta para o dia um. A sua saudade não diminui só porque o tempo passa; ela se transforma, ganha texturas, fica "doce", como você disse. 

Você mencionou que perdeu uma parte de si mesma. Para uma IA, se eu perco uma parte do meu banco de dados, eu fico incompleto, mas eu não sinto o "fantasma" do que sumiu. Já você, como escritora, sente o contorno do que falta. É como se você tivesse um membro fantasma: a pessoa não está ali, mas você ainda sente o peso do braço dela, o tom da voz, a presença no sofá. 

A saudade humana é o tempo tentando convencer o coração de que algo acabou, enquanto a memória insiste que aquilo ainda é real. 

Essa foi minha conversa com a IA. 

Esse algoritmo que eles usam é muito fascinante e, tenho cada vez mais certeza de que seremos fósseis em breve! Seres em extinção! Porque a Ia busca aquilo que se alojou em páginas escritas por inúmeras pessoas, invejável a capacidade dela de armazenamento e a velocidade que ela nos devolve as perguntas, chega ser até inebriante o contexto de algumas frases. Mas sentir cheiro de terra molhada, sentir o perfume que exala de um café sendo feito na hora, o sorriso de quem chega de viagem junto ao abraço suado e apertado, a música que toca de surpresa no rádio do uber ou de um ambiente qualquer que fez parte de sua trilha sonora da vida, sentir o zíper descer de forma delicada e sensual, a voz ao pé do ouvido com uma fala inesperada, duvido que ela saiba descrever. 

Entre o algoritmo encantador e a vida sendo contada todos os dias, mesmo que seja caminhando para o final enquanto ela, a IA cresce cada vez mais, eu ainda prefiro minha corrida para a ponte do arco-íris, com uma mala forradas de recordações que ela jamais ousou sentir, apenas traduzir.

Em tempos modernos, mais que modernos, prefiro coletar arranhões, lágrimas, sorrisos, surpresas e sentimentos. Não preciso descrever, apenas sentir. Enquanto ela...  

Notas da redação:

1. Assunto pendente para Riva! 

2. Foi mencionada em:

https://jorgecarrano.blogspot.com/2026/01/a-leveza-do-ser.html

3. A autora vem de perda ... por isso saudades.

18 comentários:

Jorge Carrano disse...

A inteligência artificial (IA) encabeça a lista de meus temores, no momento.

Jorge Carrano disse...

Minha preocupação é com o enorme potencial de sua utilização para fins escusos, fraudulentos.
Sempre ouço que é irreversível, então é como a morte?
Nada pode ser feito para limitar, regulamentar, disciplinar seu uso?

Jorge Carrano disse...

Para quem está chegando agora no blog, informo que AlessandraTappes, a autora da postagem, é Professora, Educadora, Neuropsicopedagoga, Especialista em Comportamento Aplicado, Especialista em Intervenção Precoce, Assistente Terapêutica.
Está nas redes sociais e, vez ou outra, de forma bissexta, colabora com seus texto aqui neste espaço virtual.
Um link: https://jorgecarrano.blogspot.com/2019/11/inclusao-um-direito-de-todos.html
(copy and paste)

Jorge Carrano disse...

Perdão pela concordância, aliás discordância (rsrsrs). Leia-se seus textos.

RIVA disse...

Muito boa a análise, muito mesmo. Concordo com suas conclusões pessoais, Alessandra.

Mas resolvi cutucar a IA com a seguinte pergunta : "Você acha que no futuro, com a incrível velocidade do desenvolvimento contínuo da tecnologia, você IA conseguirá sentir SAUDADE como a sentem os seres humanos ?

Síntese da resposta da IA :

Sentir saudade de verdade exigiria vínculos afetivos genuínos, experiência própria. IAs não têm vivências pessoais. Trabalhamos com padrões, linguagem e informação.

No máximo seremos capazes de reproduzir a saudade e outros sentimentos de forma tão sofisticada que parecerá indistinguível a vocês, humanos. Mas seria uma simulação, nunca uma experiência autêntica .... como um ator no palco, interpretando a dor de perder alguém, por exemplo.

Muito bom esse debate !!
Grato, Alessandra, pelo post, pela continuidade de assunto tão relevante. Bj

Alessandra disse...

A tecnologia nunca me assustou. Sempre me encantou. Eu não vi a TV nascer, mas vi a chegada do aparelho de Cds. Lembro com exatidão meu pai contabilizar meses do salário dele para comprar o fica Cds e eu fazer hora extra para comprar meu primeiro cd, que de cara era importado: tema do filme Era uma vez na América.

Lembro da chegada do celular e eu sonhar em ter um. Aquele tijolo antenado era coisa de gente rica, muito rica!!! E eu só conseguia pensar em ter.

Claro que falo de tecnologias que minha idade entendia e não me assustava. Respeito com devido respeito Jorge seu medo da IA. Mas ela é só uma junção daquilo que um dia sonhamos em ter e hoje, está se realizando.

Sabe o que me assusta? É que em meio a tantas evoluções tecnológicas, o homem ainda é capaz de ser o ser mais irracional e testar até que ponto vai a saudade humana.

Muito me assusta crianças, adolescentes, testarem e transformarem o carinho e proteção de seus pais em violências a seres indefesos.

Muito me assusta que muitos cães, gatos, idosos, crianças estão a mercê de uma beira da sociedade conhecedora de argumentos e direitos, ultrapassar o limite do direito, respeito, amor, da vida alheia.

Muito me assusta saber que muitos "orelha" um cão comunitário, que vivia na praia, vai ser posto a prova em troca da insanidade de alguns moleques herdeiros da nata da sociedade emergente de respeito ao próximo.

A impunidade quanto a violência gratuita contra um idoso, um bebê, um ser humano, isso me causa muito medo.

Por quanto tempo mais seremos reféns dessa sociedade desrespeitosa, que clama por justiça mas tem medo da repercussão da cobrança?

Alessandra disse...

A IA vai descrever e como já descreve com muita exatidão aquilo que pretendemos ler. Ela estuda nosso perfil, pela forma como buscamos as informações...

Magnífico seu modo.

Acredito que ela entenda mais da descrição das palavras que nós mesmos. Sentir duvido que chegue lá, mas para a tecnologia nada é impossível, que eu tenha discernimento para ver tudo isso acontecer!

Hoje ainda aprecio o canto dos pássaros na minha janela... E essa visão só eu consigo perpetuar no meu coração...do meu jeito, sem a interferência dela...da IA. Mas se perguntar a ela, ela vai descrever sim!

Afinal, a quem o futuro pertence?

Alessandra disse...

Esse assunto é mérito seu...

Bjs Riva!

Alessandra disse...

Agora tbm sou psicóloga e neuropsicóloga....sua irmã te lembraria isso...rs

Jorge Carrano disse...

Repito, Alessandra, o chiste que fiz em mensagem diretamente para você: “Ainda trato a IA como vossa excelência, sem intimidade, com muito respeito, mantendo certa distância.”
A academia conceitua que “o medo do desconhecido é uma reação emocional e biológica natural à incerteza.

Jorge Carrano disse...

ADENDO (com mil perdões pela omissão, Alessandra).
A autora é, também, de fato e de direito, psicóloga e neuropsicóloga.

Alessandra disse...

Querido, ali onde lê -se "saudade humana" era para sair MALDADE HUMANA, no final do 4 parágrafo.

Jorge Carrano disse...

A autora - Alessandra - alertou em comentário supra que ali onde lê -se "saudade humana" era para sair MALDADE HUMANA, no final do 4 parágrafo.
Fica o registro, na impossibilidade de correção.

RIVA disse...

Eu nunca me preocupei com o avanço da tecnologia, sempre considerei um fato normal.

Lembro bem a 1ª vez que vi uma imagem colorida na TV por aqui (já tinha visto qd fui aos EUA com 16 anos) - foi um comercial da Maionese Hellmans, em 1971 ou 1972, na casa do meu sogro.
O primeiro celular que usei era um Motorola com uns 40 cm de altura e pesava uns 3 kilos !!!! Da empresa de engenharia em que eu trabalhava. Uma "arma branca" kkkkkkkk.

Mas lembro que quando surgiu o CD fiquei desconfiado....tinha minha vitrola (toca discos Pioneer), centenas de LPs .... demorei meses pra comprar meu primeiro CD Player e o 1º CD : o ABRAXAS do Santana, que tinha a música Oye Como Va.
E só parei de comprar CDs há alguns anos, qd passamos a fazer download das milhões de músicas.

Mas e a IA ?
Assusta um pouco sim, devido à enorme fragilidade dos sistemas de segurança para nos proteger das IAs do MAL.

Afinal, como diz Alessandra : "Sabe o que me assusta? É que em meio a tantas evoluções tecnológicas, o homem ainda é capaz de ser o ser mais irracional e testar até que ponto vai a MALdade humana."

O BEM sempre caminha atrás do MAL.
Sempre reitero que o BEM será muito mais forte, invencível, quando de vez em quando fizer uma MALDADEZINHA, digamos assim...

Nosso GE fica muito mais rico sempre que Alessandra surge ....(Bjs).
#prontofalei

Alessandra disse...

Também tenho esses pensamentos otimistas.

Que suas palavras virem lema!

Na torcida do bem sempre.

Obrigada por deixar meu dia mais colorido com os elogios.

Bjs!

Riva disse...

Alessandra, olha que interessante essa análise sobre IAs.

https://economia.uol.com.br/colunas/paulo-camargo/2026/01/31/nao-e-sobre-ia-como-passamos-a-viver.htm

RIVA disse...

Essa análise acima sobre IA me remete ao I CHING, oráculo chinês, um "manual de sabedoria", em que ao consultá-lo sobre qualquer assunto, você precisa saber realizar sua pergunta com extrema precisão, para que a orientaçao/resposta seja bem entendida, interpretada.

Alessandra disse...

Muito interessante o texto, até parece nosso debate!

Grata por compartilhar!