28 de janeiro de 2026

NOTAS SOLTAS SOBRE FUTEBOL CARIOCA

Fachada da estação ferroviária de Niterói - General Dutra - em 1948

Meu melhor amigo na época - décadas de 1940/1950 - se chamava Doraly, e o pai dele tinha o controle do bar da estação ferroviária (na Av. Feliciano Sodré, junto ao porto da cidade). Para além disso tinha as concessões para explorar os bares do Caio Martins: estádio e ginásio.

Eu e Doraly - 1955

Oba!!!! Vários domingos eu o acompanhava até o estádio, onde ele entrava com os irmãos mais velhos (Waldyr e Eloy), que tocavam o bar. Eu, claro, apresentado como ajudante do bar.

Por isso pude assistir, ao vivo, Garcia,  Tomires e Pavão, no Flamengo; Barbosa, Augusto e Rafanelli (argentino), no Vasco; Oswaldo, Gerson e Santos, no Botafogo; e Castilho, Píndaro e Pinheiro, no Fluminense.

Lembro até dos goleiros de Bangu e América, respectivamente Ubirajara e Osni (irmão do Ely, volante do Vasco e seleção nacional).

Perdi, faz tempo, o contato presencial com o Doraly, mas via internet trocamos mensagens há uns três anos. Ele está bem, família constituída, e é Pastor Evangélico, no Espírito Santo. Rubro-negro (arg!).

O ritmo/velocidade do futebol era bem mais lento. E razões não faltavam: grama alta, preparação física (alguns jogadores fumavam), temperatura no horário dos jogos, etc.

No et cetera está incluída a sabotagem praticada por alguns que  esvaziavam a bola, utilizando o bico adaptado para a bomba de enchimento. A bola mais murcha perdia velocidade.

O jogo mais lento permitia que Danilo dominasse a bola no meio-campo, erguesse a cabeça para ver a colocação de seus companheiros e fizesse o lançamento. Sem que um adversário chegasse nele para obstruir.

Muitos jogadores de clubes cariocas moravam em Niterói, que foi celeiro de grandes astros, como Gerson, Altair, Roberto (do Botafogo).

A lancha das 17  horas vinha repleta deles durante a semana.

Altair

Bem, que nasceram na cidade e se destacaram no cenário nacional são dezenas: além do já citado Gerson (Canhotinha), Zizinho (Mestre Ziza), Edmundo (Animal), Altair, César (Maluco), como escrevi, dezenas.

Ao longo dos anos novos clubes foram integrados ao campeonato carioca, como o Campo Grande e a Portuguesa.

A colocação nas competições usava o critério de pontos perdidos. Assim, o primeiro colocado era o que perdera menos pontos ao longo da disputa. A vitória valia 2 pontos e os empates 1 ponto para cada oponente.

Desse modo o perdedor do jogo, contabilizava menos dois na tabela de classificação; nos empates cada um perdia um ponto.

Timaços, expresso da vitória, trem bala da colina, esquadrões, o Vasco teve muitos ao longo dos anos:


Em 1947, campeão invicto, tinha Friaça, Maneca, Djalma, Lelé, Nestor, Ismael. Time base: Barbosa, Augusto e Rafanelli, Eli, Danilo e Jorge, Friaça, Maneca, Nestor, Isaias, Chico. Técnico: Flávio Costa

Preciso justificar porque sou vascaíno desde 1947, quando o Vasco venceu o poderoso Arsenal, da Inglaterra, por 1x0, gol de Nestor?

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