25 de janeiro de 2026

Foot-Ball com grafia inglesa

 

O Canto do Rio Foot-Ball Club tinha (e ainda tem), sede e estádio (cedido pelo governo estadual), em Niterói. A sede, não mais o estádio.

Niterói era a capital do antigo (antes da fusão com a Guanabara) Estado do Rio de Janeiro. Disputava a campeonato carioca como convidado. 


Estádio Caio Martins que já foi chamado de Mestre Ziza

O campeonato carioca era a vitrine do futebol brasileiro. Afinal disputado na capital da República.

Seus jogos eram transmitidos, pelo rádio, para todo o país. Razão pela qual, ou uma das, que os chamados grandes clubes do Rio têm torcidas em todas as regiões geográficas.

Já que mencionei grandes clubes, vale registrar que o Canto do Rio ("Cantusca" como carinhosamente os de Niterói o chamávamos), era financeiramente modesto. E torcida de raiz, exclusiva, limitada.

Mas era o segundo clube do coração niteroiense. Como a América Futebol Clube era o segundo clube do coração dos cariocas.

O orçamento modesto me leva ao registro da primeira excentricidade. Real ou ficcional, mas verossímil. Os grandes clubes tinham concentrações e, claro, forneciam alimentação aos atletas.

Já o Canto do Rio, pobre, ouvia a recomendação de seu treinador: Amanhã (domingo) "todo mundo ao meio-dia, na estação das barcas, almoçados".

O horário do encontro tinha explicação: os jogos dos profissionais tinham início às 15: 10 hs. Com sol a pino e calor de quase 40º C? Sim. Os aspirantes (reservas) faziam a preliminar às 13:00 hs.

Este horário tinha, por assim dizer, alguns motivos. Um deles é que a maioria dos estádios não possuía refletores. 

Acreditem, mal a visibilidade ficava lusco fusca, no inverno por exemplo, trocavam a bola de jogo, que era uma capotão marrom, por uma bola branca. Na minha primeira infância (acompanho futebol desde os meus 7 anos de idade, quando me rendi ao Clube de Regatas Vasco da Gama), voltando à primeira infância, pensava que a bola trocada, branca, era de Volleyball.

Não era, tinha diâmetro e peso diferentes. E eram usadas excepcionalmente, em jogos noturnos.

Se o horário dos jogos e o tipo de bola (capa de couro com uma câmara de ar interna), que era preenchida até atingir peso e volume adequados, o que dizer dos gramados?

Os gramados eram casos a parte. Ou eram carecas, assim chamados pela ausência de grama, ou eram de grama alta e irregular, com formação de tufos que, quando nas proximidades das áreas tornavam-se o horror do goleiros (então chamados goalkeeper).

A bola era chutada, vinha rasteira com certa velocidade e - de repente - encontravam um tufo de grama alta, subiam  e desviavam o rumo resultando em goal. Dai ter sido criada a figura do montinho artilheiro, responsável por muitos goals.

grama alta
E os goleiros pagavam a conta, sendo rotulados de frangueiros. Não me perguntem o porquê.

A grama, diferentemente de hoje, não era aparada rente ao solo de terra. Era alta e escondia um terço das chuteiras. O ritmo de jogo era mais lento, a bola rolava com menos velocidade.

Tenho outras lembranças, bizarrices, para contar, mas ficará para um próximo post.

8 comentários:

Jorge Carrano disse...

Nas próximas 4 postagens darei continuidade ao assunto futebol carioca de antanho.

Jorge Carrano disse...

Confiando na memória.
Gostava muito de jogar botão. Recortava de jornais, com cuidado, os nomes (em tipo pequeno) dos jogadores, e colava como goma arábica sobre os botões.

Calfilho disse...

O Canto do Rio foi o meu quintal, eu que morava em apartamento, quando viemos residir em Niterói, quando eu tinha 7 anos de idade. Passei a frequentar suas dependências em 1952, quando já tinha completado meus 11 anos. A sede continua no mesmo lugar, na Visconde do Rio Branco, caminho para São Domingos. Derrubaram o prédio antigo, construíram um mais moderno em seu lugar. Lá pratiquei futebol de salão e tênis de mesa. A garotada ficava batendo papo com os jogadores do time profissional, que ali iam receber, em dinheiro, seus pequenos ordenados. Não perdia um jogo do time no Caio Martins, quando recebia os outros times cariocas em seu estádio. Torci pelo clube até meus 15 anos de idade, quando a estrela solitária me escolheu para ser mais um botafoguense. Grandes e deliciosas recordações daqueles tempos de transição entre a infância e a adolescência...

Jorge Carrano disse...

Obrigado, Carlinhos, por compartilhar conosco suas experiências com o Cantusca.
O mesmo Canto do Rio que, em 1953, aprontou para cima do meu Vasco e conquistou o Torneio Início do Campeonato Carioca daquele ano. Um feito histórico.

Jorge Carrano disse...

Outro marco foi a excursão à Europa, não lembro o ano, mas lembro que no comando técnico estava nosso amigo, o prof. Alber Pessanha, por ser diplomado e a lei exigia.
Lembra?

Calfilho disse...

Isso já foi nos anos 60, Carrano...
Nos anos 50, eu e Toninho Matheus visitamos vários campos da cidade, acompanhando o Cantusca. Em 1955, vários jogadores dos times grandes do Rio, vieram encerrar a carreira no Canto do Rio, entre eles, Veludo, Duque, Lafayette, Vitor, Orlando Pingo de Ouro (do Fluminense); Eli do Amparo (Vasco); Sinforiano Garcia (Flamengo). E, Gérson começou no futebol.de salão do clube em 1955.

Jorge Carrano disse...

Você conheceu a ala esquerda Gerson e Soca, né?

RIVA disse...

Éramos sócios do Canto do Rio mas nunca fui na sede, no Centro. No entanto vivia assistindo aos jogos no Caio Martins, entrando gratuitamente com a carteirinha do clube.

Estou falando creio que de 1960 (eu tinha 8 anos de idade) a 1964, quando o Canto do Rio foi tipo expulso do Carioca, por conta de uma briga generalizada num jogo contra o meu FLU (não estava nesse jogo).

Não esqueço um jogo contra o Bonsucesso numa 4ª feira à noite. Ganharam de 2x1 e deram a volta olímpica no campo, porque não ganhavam um jogo sequer há muito tempo !

Lembro com muita saudade a entrada dos times em campo com o foguetório das torcidas (sinto o cheiro só de escrever) e as charangas (principalmente a do Bangu).

Bons tempos ........