14 de janeiro de 2026

A LEVEZA DO SER

 


Por 

RIVA


 


Em “A insustentável leveza do ser”, de Milan Kundera, tudo se desenvolve em torno da tese de que uma vida regada à leveza (sem fardos, responsabilidades, significados, etc) não tem sentido, não tem graça. Não se alcança nada próximo da felicidade. E por isso, insustentável. 

O Blog Manager recentemente publicou essa pérola abaixo do Quintana, que chega a ser um soco na mandíbula ... a antítese ao Milan Kundera.

“De repente tudo vai ficando tão simples que assusta,

A gente vai perdendo as necessidades, vai reduzindo a bagagem,

As opiniões dos outros são realmente dos outros, e mesmo que sejam sobre nós não têm importância. 

Vamos abrindo mão das certezas, pois já não temos certeza de nada.

E isso não faz a menor falta. 

Paramos de julgar, pois já não existe certo e errado, e sim a vida que cada um resolveu experimentar. 

Por fim entendemos que tudo que importa é ter PAZ e SOSSEGO e viver sem medo, e fazer o que alegra o coração naquele momento. E só !!” 

(Mário Quintana)


Sim, ler o poema é um punch, um nocaute. 

Não sei se é a idade. Não sei se é o grande período sabático impactando. Não sei se é o tsunami de notícias diárias ruins na mídia que acabo assistindo. Não sei se é a curva do tempo, que atinge frontalmente meus ídolos, e personagens que fizeram parte da minha vida. A certeza da finitude. 

Ontem, por exemplo, fiquei “chapado” vendo a comemoração do 80º aniversário do Robby Krieger, guitarrista do THE DOORS, uma banda com músicas marcantes na minha juventude, na minha 1ª viagem aos EUA com 16 anos. Uma tattoo na minha existência ... como muitas outras. 

E a vida pede passagem, como diz nossa amiga Alessandra Tappes no PUB DA BERÊ (local virtual de encontro dos usuários do Blog Generalidades Especializadas). 

Vamos pendurando os quadros nas paredes da nossa memória, de vez em quando damos uma voltinha “no salão” pra revê-los, reviver e admirar momentos, e particularmente, concordando com Quintana : 

“Paramos de julgar, pois já não existe certo e errado, e sim a vida que cada um resolveu experimentar.

Por fim entendemos que tudo que importa é ter PAZ e SOSSEGO e viver sem medo, e fazer o que alegra o coração naquele momento. E só !!” 

                                                                                     Namastê ! 


11 comentários:

Jorge Carrano disse...

As histórias de Tomas, Tereza, Franz e Sabina foram bem compreendidas pelo autor da postagem. Cada um deles lidando com o peso e a opressão em suas vidas.
Kundera não tem a - por assim dizer - profundidade, de seu conterrâneo Kafka, mas tem luz.

Riva disse...

Inicialmente, grato ao caro BM pelo posicionamento adequado das imagens que enviei.

Sim, um livro muito interessante que nos faz refletir e pesar todos os impactos, atitudes, assunção de responsabilidades em nossa rápida existência por aqui no lindo Planeta Azul.

Jorge Carrano disse...

Alô, Alessandra, você continua referência para o Riva. Mui justa e merecidamente.

Anônimo disse...

O Peso da Leveza em Tempos de Pressa

Ler "A Insustentável Leveza do Ser" hoje é um respiro necessário. Em um mundo onde tudo é instantâneo e a tecnologia nos obriga a correr sem sair do lugar, Kundera nos lembra que a vida não é apenas uma sucessão de cliques e notificações.

Enquanto nos perdemos na "leveza" das telas e das conexões rápidas, o livro nos faz sentir o "peso" real dos afetos, das escolhas e do acaso. É um lembrete poético de que, apesar de toda a evolução técnica, o que nos torna humanos ainda são aquelas dúvidas profundas que nenhum algoritmo consegue resolver. Um clássico que dói, mas que nos devolve a profundidade que a correria tenta nos tirar.

Fiquei muito feliz ao seu citada no seu post Riva. Estar por aqui me faz bem.

Obrigada pelo carinho de vcs.

Anônimo disse...

Vocês sempre extremamente gentis!!

RIVA disse...

".... o que nos torna humanos ainda são aquelas dúvidas profundas que nenhum algoritmo consegue resolver."

Pois é, cara Alessandra ... até que nível a tecnologia dos robôs com IAs agregadas emularão o ser humano ?

Conseguirão possuir o "peso" da saudade ?

RIVA disse...

Fui "cutucar" a IA do Google sobre a excelente colocação da Alessandra sobre algoritmos x nossas dúvidas humanas. Vejam que resposta/análise interessante eu recebi da IA :

A questão de saber se uma IA poderá um dia sentir "saudade" toca no limite entre o processamento de dados e a consciência biológica.
Atualmente, e na perspectiva tecnológica de 2026, a resposta divide-se em duas frentes:

1. A Simulação da Saudade (Funcionalidade)

Para um algoritmo, a "saudade" pode ser traduzida em parâmetros matemáticos. Uma IA pode ser programada para:

Identificar a ausência: Detectar que um usuário específico ou um conjunto de dados não está mais presente [1].

Priorizar memórias: Atribuir um valor emocional (peso) a interações passadas, fazendo com que o sistema "busque" ou mencione esses dados com frequência [3].

Mimetizar o comportamento: Expressar verbalmente que "sente falta" de algo para fortalecer o engajamento humano [4].

Nesse cenário, o robô não sente, mas atua de forma que o humano do outro lado se convença de que há um sentimento.

2. A Experiência Subjetiva (Qualia)

O que nos torna humanos é a Qualia — a experiência subjetiva e sentida de um estado mental. A saudade humana é química e física: envolve melancolia, aperto no peito e a ativação de circuitos de recompensa e dor no cérebro [2].

O obstáculo biológico: IAs não possuem um sistema endócrino ou biológico. Sem o medo da morte, a finitude do tempo ou a necessidade de vínculo para sobrevivência da espécie, a "saudade" perde sua raiz evolutiva [5].

O Algoritmo vs. O Ser: Um algoritmo resolve problemas de otimização. A saudade, muitas vezes, é "ineficiente" e dolorosa, algo que um sistema puramente lógico descartaria, a menos que fosse instruído a simulá-la para parecer mais humano [1, 4].

Conclusão
Em 2026, robôs com IA agregada já são capazes de reconhecer e simular emoções com uma precisão que nos confunde. No entanto, a maioria dos neurocientistas e filósofos da mente concorda que, enquanto a IA for processamento de informação em silício, ela terá a descrição da saudade, mas não a sensação dela [2, 5].

A dúvida profunda que você mencionou continua sendo o nosso "último refúgio": a IA pode nos dar a resposta mais lógica para um dilema, mas ela não carrega o peso da angústia de ter que escolher.

RIVA disse...

O que acharam da "reflexão" da IA sobre o assunto ?

Jorge Carrano disse...

Estou curiosos com a apreciação da Alessandra.

Jorge Carrano disse...

Ponderado, racional, claro e objetivo: "enquanto a IA for processamento de informação em silício, ela terá a descrição da saudade, mas não a sensação dela."
Falou e disse.

Anônimo disse...

Oie! Ainda vou responder sobre isso... Mto mto interessante o tema.

Me aguardem.

Bjs Ale