segunda-feira, agosto 13, 2012

Voltemos à rotina diária

Os jogos olímpicos de Londres  nos tiraram da rotina diária, diminuíram nossa produtividade, passamos mais tempo diante das telas de TV, torcendo, nos surpreendendo, nos decepcionando (muito) e vibrando um pouco.

A partir de hoje, acabada a festa, o show, registrados os recordes, distribuídas as medalhas, ouvidas as explicações e justificativas, enxugadas as lágrimas, é hora de voltar ao batente em tempo integral e recuperar o tempo perdido (ou ganho), se o caso.

O quadro de medalhas abaixo permite uma série de análises e observações de cunho político, cultural e esportivo. Países que têm tradição numa ou outra modalidade desportiva e confirmaram. Outros que tendo dominado durante bom tempo um certo esporte  agora decepcionaram. Potências emergentes e decadentes.

De minha parte louvo o desempenho da Grã-Bretanha. Fez um papel bonito como anfitriã, classificando-se em honroso 3º lugar.

Louvável, também, o desempenho da Russia, antiga forte potência desportiva e que mesmo depois do esfacelamento do União Soviética obteve resultado expressivo ficando em 4º lugar na classificação geral. Vale observar que somadas as medalhas obtidas por antigas repúblicas que ficaram independentes, como Cazaquistão, Bielorussia e Ucrânia, teriam suplantado a China.

A China, por sinal, além de potência econômica, desde as olimpíadas disputadas em seu solo, na cidade de Pequim, há 4 anos, vem se revelando, também, uma potência no campo dos esportes.

Cuba está entre os casos de forças decadentes. Economia falida, que sem o apoio e o dinheiro da antiga União Soviética não consegue mais manter seus  atletas em alto nível. Inclusive no boxe onde se destacavam.

A Coreia do Sul deu banho na Coreia do Norte, no geral e nos ouros. O que isto prova?

Nós jamais conquistamos tantas medalhas no cômputo geral, mesmo considerando que melhoramos muito pouco. Mas como dizia um empresário que conheci, uma unidade de produção e venda  a mais num mês representa crescimento.

A Jamaica manteve uma tradição, iniciada há poucos anos, de ser imbatível nas provas de velocidade de curta distância e sem barreiras. Ainda não dominam as técnica de ultrapassar os obstáculos, sem perda de rendimento. Os americanos dominam por completo a técnica.

Nas longas distância, só dá africano e pelo visto assim será por longo tempo, a julgar pela atenção que é dada por eles  a este tipo de modalidade.

Ficou consignado que, pelo menos nestes jogos olímpicos, os desempenhos da antiga Iugoslávia deveriam ser creditados aos croatas. Sérvios, montenegrinos e os outros novos países resultantes das lutas por independência, depois que o Tito morreu, muito pouco ou nada realizaram.

Bem, numa análise perfunctória é isso aí.

Vejamos:                                         
                                                                                                                                                                        



Quadro de medalhas completo                                                                  ouro   prata   bronze   total                                                         total
1


46
29
29
104
2


38
27
22
87
3


29
17
19
65
4


24
25
33
82
5


13
8
7
28
6


11
19
14
44
7


11
11
12
34
8


8
9
11
28
9


8
4
5
17
10


7
16
12
35
11


7
14
17
38
12


7
1
5
13
13


6
6
8
20
14


6
5
9
20
15


5
3
6
14
16


5
3
5
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17


4
5
3
12
18


4
4
4
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4
3
3
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20


4
0
2
6
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3
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1
3
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3
1
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2
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3
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30


2
2
6
10
No post anterior homenagem aos brasileiros e brasileiras que honraram as camisas, sungas e quimonos.

Nossas homenagens

Alguns surpreenderam. Outros decepcionaram.

"Ao vencido, ódio ou compaixão; ao vencedor as batatas", conforme Machado de Assis, em Quincas Borba.

Dourada seleção de voleibol

Yamagushi Falcão
Esquiva Falcão








Sarah Menezes

Yane Marques

Thiago Pereira

A seleção masculina levou uma virada que doeu. Mas tendo em vista que o adversário era forte,  o resultado final, excluídas as circunstâncias, seria normal e não classificaria como vergonha a perda do jogo e do ouro. Diferentemente do futebol, por exemplo; dos Hypólito e da Fabiana Murer; de certa forma do Rodrigo Pessoa e do Cielo dos quais esperávamos mais.

O abatimento de alguns atletas, abaixo retratado, confere a eles o direito de cumprimentos pela campanha e pela prata. São vencedores.



Imagens: Google

domingo, agosto 12, 2012

Festival Internacional de Folclore - Nova Petrópolis - RS

Quem pôde ver viu, quem não pôde avalie, pelas fotos abaixo, o grande espetáculo de música e dança, arte e cultura de diferentes regiões do Brasil e de alguns outros países que enviaram grupos para este festival que hoje termina.

Ainda é possível, embora sem a graça dos movimentos e o som que dão alma as manifestações  folclóricas, apreciar um pouco deste tradicional festival realizado no Jardim da Serra Gaúcha, que é e cidade de Nova Petrópolis.

Este festival foi objeto de post do Ricardo dos Anjos, em: http://jorgecarrano.blogspot.com.br/2012/07/carta-de-nova-petropolis.html








FOTOS: Mauro Stoffel, encontráveis em http://www.festivaldefolclore.com.br/

Comentando


Nos primeiros dias das Olimpíadas, comentei aqui sobre uma jovem nadadora americana, de 17 anos, que fez enorme esforço para conter as lágrimas quando no pódio para receber sua medalha de ouro, com quebra de recorde mundial dos 200 m nado de costas. Pois bem, a bela nadadora, já considerada o Phelps de cabelos compridos, acabou conquistando mais duas medalhas de ouro e uma de bronze. Ficou tão acostumada com o sucesso, que a execução do hino americano, com hasteamento da bandeira, não a comoveu mais. Veterana de vitórias aos 17 anos.

Outras duas adolescentes brilharam na piscina: Ruta Meilutyte, lituana, 15 anos, ouro nos  100m nado de peito; e Shiwen Ye, chinesa, 16 anos, ouro nos 200 e 400 medley.

Estas três estarão, certamente, aqui no Rio, conquistando outras medalhas, sem alegação de cansaço e que “faltou perna” a la Cielo.

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Duas apresentações imperdíveis no Rio de Janeiro. Uma de pintura,  e outra de jazz.

Obras de Monet, Gauguin, Cézanne e outros grandes mestres impressionistas, pertencentes ao acervo do Museu d’Orsay, já estão expostas no Centro Cultural Banco do Brasil em São Paulo e desembarcarão em outubro no Rio.

Quem não teve a chance de visitar o d’Orsay, instalado numa antiga estação de trem, às margens do Sena, em Paris, não pode perder esta oportunidade. Agende-se.

O jazz, de primeiríssima qualidade, ficará por conta da Preservation Hall Jazz Band, de Nova Orleans,  representada por 8 de seus integrantes, que se exibirão no Miranda, na Lagoa, na próxima quarta-feira, dia 15.

                                               __X__

Leio em revistas semanais que há uma campanha em curso, pela salvação dos tatuís.

Depois do mico leão-dourado e da baleia, agora é a vez um crustáceo pequeno (cerca de 3 cm), branco, invertebrado muito leve, cujo formato lembra efetivamente um tatu, que era encontrado abundantemente em nosso litoral, inclusive nas praias aqui de Niterói. Icaraí tinha bastante. Bastava enfiar os dedos na areia, logo no ponto onde o mar se entrega docilmente, e eles brotavam em grande quantidade. 

O sumiço do tatuí é atribuído a poluição do mar, e a escassez de grãos de areia fina.

Nunca comi, mas sei que algumas pessoas o consumiam.

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Niterói já tem uma linha de ônibus vermelhos. Falta que sejam de dois andares, remetendo-nos aos double-deck ingleses, onde são ícones da cidade de Lobdres.


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Obras de relevante papel social estão sendo executadas nas calçadas das ruas do centro da cidade. Estão sendo assentadas lajotas, com ranhuras em relavo, numa largura de aproximadamente 30 cm em toda a extensão das calçadas, de sorte a servirem de orientação para os deficientes visuais. Ótimo.

Mas tem o seguinte. Nas calçadas formadas por pedras portuguesas, tão a gosto de nossos administradores, estas são retiradas, na faixa onde serão substituídas pelo piso com a ranhuras. Como as pedras são de tamanhos e formas irregulares, é natural que na junção destas com as lojotas diferenciadas, seja necessário tornar a assentar as pedras.

E aí entra o sacrilégio, o crime de obra pública. Como faltam calceteiros formados, o trabalho é confiado a ajudantes de pedreiro que chegam a fixar as pedras com cimento.

Lembro que há uns poucos anos a prefeitura do Rio de Janeiro, iria trazer alguns calceteiros de Portugal, pais com enorme tradição de utilização deste tipo de piso de calçamento, daí porque o chamamos de “pedras portuguesas”.

Estes mestres luzitanos viriam para formar profissionais brasileiros, pois se trata de uma arte que não dominamos.

Estes profissionais dominam a técnica de colocação, seja no respeitante a forma de fixar as pedras sem uso de cimento, seja no tocante aos desenhos que se formam com a variação das cores preta e branca.

Aqui em Niterói, este tipo de calçamento é destruído frequentemente para execução de obras de interesse das empresas de telefonia, gás e energia elétrica. E a recolocação é feita de maneira incorreta  o que compromete a estética e viola a técnica de reaproveitamento das pedras quando as mesmas soltam por excessivas chuvas, por exemplo.


O calçadão onde caminhamos, em Icaraí, todo ele de pedras portuguesas, é inteiramente desnivelado. Formam-se bacias onde água é empoçada e expõe o caminhante ou corredor a risco por causa dos desníveis que podem causar contusões.

sábado, agosto 11, 2012

FORA MANO!!!


Ar professoral, Mano Meneses mede as palavras nas entrevistas. Pretenso antítese de Dunga, é um dos maiores blefes da história recente do futebol brasileiro.

Protagonizou,  a meu juízo, um fiasco maior do que o do Ricardo Gomes, que tendo em mãos uma seleção onde pontuavam ótimos jogadores, tais como Robinho e Diego, ambos do Santos, entre outros promissores jogadores, também não conseguiu a tão sonhada medalha de ouro.

Já tivemos Bebeto com Ronaldo, em Atlanta -1996,  quando ficamos com o bronze,  e tivemos Romário, Bebeto, Jorginho e Taffarel em Seul - 1988, onde,  sem tanta expectativa, ficamos com a  prata como agora.

Enquanto isso a Argentina (argh!), tem dois títulos, conquistados em Atenas – 2004 e Pequim – 2008, com Messi e Tevez brilhando intensamente.

Ao tempo das seleções amadoras, integrada por juvenis, sem contrato assinado nos grandes clubes, fazíamos papel bonito frente as seleções de países tais como a então Tchecoslovaquia, Bulgária, a também então Iuguslávia, etc. que competiam com adultos integrantes de seleções militares.

Desta vez, porém, o vexame foi enorme até porque a Espanha, o Uruguai e a seleção da casa (Grã-Bretanha), únicas apontadas como rivais a altura de nosso time, já haviam se despedido, deixando livre e pavimentado o caminho para o título.

Volto ao Mano para pregar:  FORA! XÔ DAQUI. Não soube convocar como não soube escalar. E Neymar, vamos combinar, que pretendende ser melhor do que Messi (que já conquistou medalha de ouro), tem muito que aprender. E a primeira coisa é aprender a ficar de pé, que é como se joga futebol.

O Dunga tão duramente criticado tem campanha infinitamente superior a do Mano na condução de nosso selecionado principal. Ganhou uma Copa América, a Copa das Confederações e nos classificou para o mundial com antecedência e folga que jamais tivemos.

VOLTA DUNGA!

Leis que não pegam ou desnecessárias


Todos já ouviram falar das leis que não pegam. Esta é, juntamente com a jabuticaba, uma das poucas coisas que só existem no Brasil, parafraseando Mario Henrique Simonsen.

São muitos exemplos, mas desnecessários neste post eis que falarei não de uma que não pegou, embora tenha ficado inócua de um tempo a esta parte, mas de uma desnecessária.

Acaba de ser aprovado na Câmara dos Deputados, um projeto que revoga dispositivo do Código Penal, na parte que se refere às contravenções.

Dito projeto, de autoria do Ministro da Justiça, ao tempo que exercia mandato parlamentar, revoga dispositivo da lei penal codificada que criminaliza a vadiagem.

Dispõe a lei que aquele que se entrega habitualmente a ociosidade, sendo válido para o trabalho, poderá ser punido com pena de 15 dias a 3 meses de prisão.

Aqueles que são da minha geração ou próxima a ela, hão de lembrar que o homem tinha que portar sempre a carteira profissional, porque se abordado pela polícia, precisava comprovar que era trabalhador sob pena de ser conduzido ao Distrito Policial para averiguação.

Acreditem, tinha polícia nas ruas e os malandros cortavam um dobrado para escapar “da cana” como se dizia então. Ir “em cana” era ser preso, mesmo não sendo apanhado em flagrante delito, senão o de estar nas ruas e nos bares, entregue ao ócio.

O Estado Novo, de Getúlio Vargas, amparado popularmente pelas classes trabalhadoras, criou a carteira de trabalho, documento de grande importância social, para lá de seu caráter contratual de relação de emprego.

Criou, também,  o ditador populista um órgão com a sigla de DIP, que era o temido Departamento de Imprensa e Propaganda, que censurava qualquer culto a malandragem e alusão ao ócio.

Muitas músicas foram censuradas porque as letras induziam ao ócio, a malandragem, a não trabalhar.

Vejam este samba de Ataulfo Alves e Wilson Batista, que valoriza o trabalhador, em consonância com os princípios do trabalhismo criado por Vargas:

“Quem trabalha é quem tem razão
Eu digo e não tenho medo de errar
O bonde de São Januário leva mais um operário
Sou eu que vou trabalhar”



Esta referência a São Januário tem razão de ser, também, pelo fato de ser no Estádio do Vasco da Gama, que fica na rua mencionada na letra, que nos dias 1º de maio o presidente fazia seus famosos discursos dirigidos aos trabalhadores, e que começavam invariavelmente com a frase: “Brasileiros, trabalhadores do Brasil”.

Wilson Batista já havia composto um samba enaltecendo a figura do malandro chegado a vadiagem, intitulado “Lenço no pescoço”, que é de 1933, ainda antes do patrulhamento dos vadios.  Diz assim a letra:

“Com meu chapéu de lado
Tamanco arrastando
Lenço no pescoço
Navalha no bolso
Eu passo gingando
Provoco e desafio
Eu tenho orgulho
De ser vadio”

Sambas deste gênero passaram a ser politicamente incorretos e censurados pelo DIP.

Malandros típicos
Mas voltando ao início do post, o projeto visa revogar o dispositivo que criminaliza a vadiagem porque, segundo o autor do projeto: “É evidente que a simples pretensão de punir aqueles que a sociedade já condenou a exclusão social, a fome e ao desespero revela uma crueldade talvez insuperável em nosso ordenamento jurídico”.

Lindo, não? Mas desnecessário e demagógico. A uma porque ninguém é preso hoje por vadiagem. Ninguém é retirado das ruas pela polícia porque esteja vadiando. A duas porque se não há, nas penitenciárias e cadeias das delegacias de polícia, espaço para trancafiar marginais perigosos, haveria para prender vadios? Ademais, nem mesmo as atividades municipais ligadas a área de bem estar social, conseguem tirar das ruas os pedintes e desocupados. E olha que não seriam conduzidos à prisão e sim a abrigos mantidos pelo Estado onde, mal ou bem, teriam um prato de comida e uma cama para dormir.

Esta lei ficou ultrapassada atualmente e, logo, pode ser revogada. Mas todo o Código Penal, que é de 1941 precisa ser revisto e atualizado porque já não atende as características e padrões de comportamento da sociedade atual. Assim é que delitos muito específicos, como os praticados com recursos da informática e no ciberespaço, e os crimes ambientais, preocupação da moda, não estão capitulados especialmente no código em vigor. Os delitos do gênero acabam por ser enquadrados em dispositivos gerais, por associação de princípios que os definem.

Bem, dia de ficar a toa, de dolce far niente é o domingo. "E abençoou Deus o dia sétimo, e o santificou; porque nele descansou de toda sua obra que Deus criara e fizera" (Gêneses 2:3)