20 de fevereiro de 2015

Raízes portuguesas

Não é uma homenagem a quaisquer dos portugueses ou descendentes que conheço. E estimo, embora implique vez ou outra com a literalidade deles. Não se pode, por exemplo, pedir a um garçom português ao escolher um prato: "olha quero aquele ali" apontando para um que está sendo servido na mesa ao lado. Certamente ele responderá: "aquele não é possível porque já foi pedido pelo senhor lá sentado".

Perdão, Isa!  (Riva a Isa está lendo isso?)

O tema de hoje foi inspirado num e-mail recebido noutro dia da amiga Beth que tem, também como eu, numa perna, ancestrais lusitanos. No meu caso a outra perna está firmada em outra península, a itálica.

Beth me enviou na citada mensagem eletrônica, uma série de ditados portugueses. Ao fim e ao cabo da leitura já pensava como minha avó Ana, a matriarca da família de onde veio minha mãe Edith.

O primeiro da lista era: "Os visitantes sempre dão prazer, se não quando chegam, pelo menos quando partem”.

Querem conceito mais preciso? Este é precioso.



Minha avó nasceu na região de Trás-os-Montes. Sua família vivia entre Lamego e Viseu. Seu pai era construtor. Fazia casas de pedra, comuns na época e no local. Era este também o ofício de seu primeiro marido, que a antecedeu na viagem para o Brasil, em busca de oportunidades.


Casa de pedra da região de Trás-os-Montes ( via Google)
Não tenho registro se este marido de minha avó (que não era meu avô), veio para o Brasil seduzido ou chamado (o que era comum na época) por algum parente que aqui vivesse. Esta carta de chamada facilitava a entrada no país.

Ficou viúva, aqui, e algum tempo depois conviveu, como se marido fosse,  com outro português, este sim meu avô. Não o conheci porque quando eu era menino minha avó já havia dado um pé na bunda dele, por causa de bebida.

Não que minha avó condenasse as bebidas por regra, preconceito. Não, ela mesma tomava suas taças de vinho até pra lá dos oitenta anos, até sua morte.

E pela manhã, durante muitos anos, comia côdeas de pão embebidas em vinho. O que ela condenava era o excesso. A bebedeira incontrolada.

Criou, praticamente só, suas seis filhas (duas nascidas em Portugal) e um filho. Ou porque enviuvou ou porque mandou embora o segundo companheiro. Já bastavam os filhos,  ainda iria sustentar um homem dado a bebida?

As duas filhas portuguesas casaram-se com portugueses. Assim,  nas reuniões de família, com avó portuguesa, duas filhas mais velhas portuguesas casadas com portugueses, era natural que a culinária adotada fosse a portuguesa.


Castanhas portuguesas
Alguns dos costumes foram incorporados  e perenizados por toda a família. Por isso até hoje como bacalhoada no Natal. E rabanadas e castanhas cozidas.  E “caldo verde” no inverno. Assim como meus filhos e netos.

Estes porque, para o bem e para o mal, têm no lado materno avós portugueses.

Minha avó Ana repassava para mim, que contava 14 ou 15 anos de idade,  uma moeda de um ou dois mil reais, que havia ganho de uma das filhas, toda vez que eu ia a sua casa, na Rua Ferreira Pontes, no bairro do Andaraí, levar um bolsa ou embrulho com alguns mantimentos enviados por minha mãe.

Ela viveu o quanto pode  sozinha, por teimosia, depois das filhas e filho casados. Como não tinha renda (pensão ou aposentadoria), as filhas e genros pagavam-lhe o aluguel da pequena casa; e levavam para ela gêneros alimentícios. Como morávamos em Niterói, cabia-me, alguns meses, levar até lá a cota de minha mãe.

Minhas tias, além de comida não perecível, deixavam umas quantas moedas para outras despesas (pão, etc). E era uma destas moedas que me propiciava o cinema semanal. 

Até hoje ressoam em meus ouvidos sua voz com sotaque carregado que nunca perdeu: "ó Jorge, anda cá ao pé de mim".

19 de fevereiro de 2015

Favorecimento e torcida da Globo

Muitas pessoas, muitas mesmo, acham que a Rede Globo, aliás todo o sistema Globo, de rádio e televisão, promove, torce e influencia nos resultados, em favor da Escola de Samba Beija-Flor de Nilópolis.
 
Elenco da Globo no desfile de 2014 - Beija-Flor

E isso não é de hoje. Não brotou espontaneamente na cabeça das pessoas neste ano de 2015. É que este ano, com o patrocínio de um país onde impera a ditadura, a escola chamou mais atenção.

Já em 2011 esta colaboração, esta promoção que a Globo faz foi alvo de matéria jornalística.



Neste último blog (link acima), entre outras coisas consta:

“A Beija-Flor apenas pegou essa rebarba e foi vaiada, porque no imaginário do povo brasileiro, querendo ou não, a Beija-Flor é vinculada à Globo. Ponto! E pagou com o sentimento de antipatia por grande parte do público.”

No ano passado a vaia comeu solta, por causa da homenagem ao Boni.

Leiam em:

Da matéria encontrável no link acima, destaco:

“Desde junho de 2013, a emissora também foi um importante alvo da revolta popular nas manifestações, devido à manipulação e o claro apoio dado ao governo.

A voz do povo é a voz de Deus. É ou não é?

Dizem também, os torcedores de futebol, que a Globo tem uma inclinação pelo Flamengo. Mal disfarçada! Porque é o clube de maior torcida, portanto maior audiência? Seria burrice porque o somatório das outras seria maior.

Existem outros vínculos. Ou seria só o coração?

Não duvido nem de uma coisa e nem de outra. Nem sei se sou contra um veículo de comunicação ter alma, ter preferências, fazer opções por bandeiras, brasões, estandartes ou flâmulas, de quaisquer que  sejam as agremiação que simbolizem.

O que, com absoluta certeza, não aceito e acho um escárnio, uma covardia, uma conveniência, ou o adjetivo pejorativo que queiram dar, é que venham apregoar que politicamente não têm cor, não têm preferência.

É claro que têm. E a opção é pelo dinheiro ou facilidades para ganha-lo.


A Rede do plim-plim deveria assumir que torce e ajuda o Flamengo, a Beija-Flor e o PT.

E pelo visto não sou o único a ver favorecimento, apoio, ajuda promocional da Globo em favor da Beija-Flor. A internet está cheia de matérias sobre isso. Os links que coloquei neste post são apenas alguns dos muitos que abordam esta tese.

Mas cuidado porque eles mudarão a casaca ao primeiro sinal de decadência ou perda de prestígio de uma destas agremiações.

Foi assim com os militares revolucionários, que tiveram todo apoio e cobertura e agora estão rejeitados. Os noticiários falam de ditadura militar, ou invés de movimento social espontâneo, apoiado por autoridades  civis  e militares.

E  agora recentemente deram e continuam dando toda cobertura àquela parcial e encomendada comissão da verdade. 

Já falei e repito. As produções da Globo são do melhor nível internacional. Eles têm corpo técnico profissional de primeira e elenco estelar.

Falta caráter, falta dignidade. Falta uma identidade ética e moral, e não apenas o símbolo (logomarca) criado pelo Hans.  


Anjos sem asas


Por
Ana Maria Carrano


Sou uma pessoa abençoada. Nasci em uma família que embora pobre financeiramente, era rica em idealismo, sonhos e vontade de aprender.

Meus pais com pouca instrução formal tinham como objetivo dar oportunidade aos filhos de estudo e conhecimento. A Escola ou Colégio eram prioridades. Nenhum dos filhos foi instado a trabalhar antes dos 18 anos. Pelo contrário, éramos desestimulados de qualquer atividade laborativa, que, segundo nosso pai, nos afastaria dos livros.

Os irmãos que tive me proporcionaram o embate e o carinho importantes para a formação de uma jovem.

Logo, como dizem os vencedores de games e concursos, meu primeiro agradecimento vai para Deus que me deu a família que, na ordem, recebe minha gratidão em segundo lugar.

Por toda minha vida fui ajudada e orientada por anjos que cruzaram meu caminho.

Isso deve ter acontecido desde a infância, mas só na entrada na idade adulta pude reconhecê-los.

Foi uma mão desconhecida que segurou meu braço me impedindo de atravessar uma rua, bem em frente a um carro em movimento; um burocrata que teve paciência e interesse em procurar um processo e desembaraça-lo; uma professora que me ofereceu um teste vocacional por acreditar que eu precisava de uma luz nessa escolha.

Por conta da aprovação no concurso de Ingresso ao Magistério do Estado, vim trabalhar em Teresópolis em 1965. Sem dinheiro, sem a presença reconfortante da família num cidade estranha, fui adotada (juntamente com outras 3 moças de Niterói) por um casal, donos de um bar na Av. Parque Regadas. Lá tivemos nossos aniversários comemorados, ganhávamos dose extra de café com leite e muito, mas muito carinho.

Em 1969, tendo terminado o Curso de Serviço Social e precisando de trabalho na área (era professora primária insatisfeita) fui convidada por Georgette Rosa Chagas que coordenava o trabalho de campo do Projeto Saldanha da Gama da Marinha do Brasil, para supervisionar estagiários.

No ano seguinte, aprovada num concurso para o INSS, fiquei sob a chefia de Hayméa Moura que me impulsionou para o trabalho junto a comunidades carentes.

Estas duas assistentes sociais me ensinaram algo mais que não se aprende na escola, e o ensinamento não foi com orientação, foi com apresentação de desafios, cobranças e exigências.

Por conta dessas duas orientadoras, me tornei uma profissional respeitada pelos meus pares.

Pra mim, estas pessoas e outras que não me lembro no momento, são anjos sem asas. Pessoas que foram colocadas em minha vida como amigos, amores, professores, funcionários e tantas outras posições.


Todos os dias sou ajudada por conhecidos ou desconhecidos e agradeço ao Riva, que com seu post me deu ensejo de trazer a público a gratidão que sinto.




Nota do editor: post do Riva em:

18 de fevereiro de 2015

Só poderia ter acontecido comigo

Ano de 1982. Estava morando e trabalhando em São Paulo. De “bagus plenus”, na expressão latina bem vulgar. Num clima empresarial péssimo onde eu estava. Vou confessar,  mas não vale rir, OK?

Trabalhava no Grupo Matarazzo. Segundo o diretor da indústria têxtil do grupo, que para minha honra e alegria virou amigo – chamado Marcos Telles – a localização da empresa ficava “entre o deprimente e o degradante”. Era o bairro do Belenzinho.

Bem, eu monitorava o mercado de trabalho no Rio, na expectativa poder me colocar aqui e voltar ao berço. Já eram decorridos cinco anos em São Paulo (sete, se somados os dois de Ribeirão Preto)

Apareceu um anúncio no extinto Jornal do Brasil que me chamou a atenção. Minha irmã Ana Maria, que trafega com desembaraço aqui pelo blog, escreveu uma carta respondendo ao anúncio citado.

Em síntese dizia que o irmão estava infeliz em São Paulo, longe da família, numa cidade hostil, de clima ruim. E, claro, falando de meu desejo de voltar ao convívio com os amigos na terra natal.

Resumo da história. Fui chamado para a entrevista, em Niterói. Não havia informado a vocês, porque o anúncio era fechado e não revelava a empresa. Mas agora posso declinar que era a Siderúrgica Hime. Que, ao que parece, já ficava em São Gonçalo, pois no bairro de Neves.


Vista de uma aciaria

Fui entrevistado pelo Carlyle Wilson, diretor do Banco Bozano Simonsen, e presidente da supracitada siderúrgica.

Ele falou da carta de minha irmã e que ao lê-la pensou e comentou com o Diretor Administrativo (Luiz Ribeiro Pinto): “este é o homem que precisamos”.

E, continuou me contando que a reação dele ao ler a carta é de que eu era uma pessoa dedicada e amante da vida familiar, consequentemente equilibrado e de vida social regrada.

Assim, graças à carta de minha irmã, fui contratado como Gerente Administrativo. E lá fiquei até que a siderúrgica foi vendida para a Cia. Siderúrgica Mannesmann.

Meu comentário para o presidente da empresa foi de que certamente eu proporia o emprego de métodos mais ortodoxos para contração de executivos (rsrsr). A área administrativa compreendia, claro, a de recursos humanos.

Outro caso:

Esta outra história, tão verídica quanto aquela acima, deu-se quando eu ainda cursava o ginasial. Ano de 1954.

Dia de prova oral de francês. Língua com a qual eu não me entendia, como até hoje. Não passava do abajur (rsrsrs).

No pátio do colégio havia, no entorno das edificações, uns telheiros de cobertura. Num determinado ponto, o telheiro era sustentado por duas vigas de madeira de cada lado, a uma distância de dois metros aproximadamente entre os dois pares. Não sei se a descrição permite visualizar (imaginar) o cenário.

Mas seu disser que o espaço era tentador para que os meninos improvisassem um jogo de bola (de meia, ou de borracha, mas furada para não quicar muito), acho que ajuda a imaginar. Era ótimo para o que chamávamos de goal à goal (na época era assim que grafávamos, à moda inglesa).

Bem, lembremos que estamos num dia de prova oral de francês.

A regra para nosso goal a goal era a seguinte. Um jogador arremessava a bola, com às mãos, em direção a meta defendida pelo adversário. Se passasse por ele, entre as duas colunas e a trave de sustentação do telhado era gol.

Se o adversário defendesse, pegando a bola, era ele que arremessava contra a meta do outro. Se, ao contrário, ele defendesse parcialmente, sem segurar a bola, dando mata, então a disputa era com os pés: dribles e chutes, em direção a meta do adversário. Entenderam?

Agora emendando com a prova de francês. Neste dia não tínhamos bola. E éramos poucos no colégio. Os horários das provas eram desencontrados.

Eu e um colega que não lembro (e pode ficar fora da história sem comprometer), improvisamos com uma amêndoa, enquanto aguardávamos o início do prova.

Joguei com tanta força a malsinada amêndoa que ela passou pelo companheiro e foi bater no vidro da janela sala, logo atrás, espedaçando-o. Nem pude “comemorar” o gol. Ouviu-se um grito, de susto, apenas, felizmente.

Dentro da tal sala cujo vidro da janela eu quebrei estava se desenrolando uma prova.

Para encurtar fui parar no gabinete da diretora. Já anoitecia, cerca das 18 horas, a prova terminando, fui liberado para fazer. Mas cadê clima para mim?  Enquanto no gabinete só pensava no que poderia acontecer. Ficar reprovado em francês (eu precisava de nota), meu pai sendo chamado para, quem sabe, indenizar o prejuízo, aquela bronca, enfim, o pensamento a mil.

Entrei na sala um pouco esbaforido,  e só faltava eu mesmo para encerrar o prova.

Sentei diante da professora titular Nilce Mesquita. Ela me viu abatido.  A notícia havia corrido e todo mundo sabia do acidente e do castigo que me fora imposto.

Dona Nilce sorriu e comentou com a Selma (a outra professora da banca) “ele é muito parecido com o fulano (não lembro o nome dito), meu namorado”. E me perguntou "nove está bem para você?" Eu sorri encabulado e acenei com a cabeça.

Pulei para a cadeira diante da outra professora da banca examinadora, a Selma Cecilia Dantas Monteiro, que nem me fez sortear o ponto. "Boa sorte Jorge!" Dispensou-me e não disse a nota (que depois fiquei sabendo que foi dez).

As duas não fizeram isto por meus belos olhos, mas sim, provavelmente, como uma represália contra a direção da escola, pela angústia e medo  que me fez passar.

Poderia acontecer com outro, mas aconteceu comigo.

Mais um (último) caso:

Já mais recentemente, anos 1990, tinhas umas gravatas das quais gostava, mas já estavam um pouco sujas (acumula gordura de suor do pescoço no nó) e também um pouco fora de moda porque largonas e o fashion do momento era usar gravatas mais estreitas.

Descobri que no Morumbi Shopping, em São Paulo, havia uma loja que fazia lavagem de gravatas e também consertos.

Numa noite fui com Wanda até o referido shopping para lancharmos (no Almanara), e aproveitando levar algumas gravatas para lavar. Eles tinham uma técnica  que funcionava bem. Limpava a gravata e não deformava na lavagem.


Vista do Almanara - Shopping Morumbi

Eles abriam a costura (atrás da gravata) tiravam aquele enchimento, espécie de entretela ou coisa que o valha, que ajuda a dar forma, lavavam o tecido, passavam a ferro e remontavam  o adereço.

Se pedíssemos para estreitar, depois de aberta e lavada, eles cortavam um pouco nas duas laterais de forma a manter a padronagem certinha.

Explicado isso, vamos ao caso propriamente dito, que me aconteceu e é inusitado.

Como falei estava acompanhado da Wanda. No balcão fui atendido por uma mulher (25 anos presumíveis), que perguntou o que eu queria com as gravatas (eram 3).

Mandei lavar. "Elas ficarão prontas amanhã depois da 18 horas". Disse a atendente do balcão.

Até aqui nada demais, certo? Poderia acontecer com qualquer um, mas vejam o desfecho. Ao me entregar o recibo destacado do talonário, roçando propositadamente seus dedos em minha mão, falou normalmente: “eu saio as 22 horas”, e mordiscou o lábio inferior.

Eu e Wanda quando lembramos do episódio ainda achamos graça da cara de pau.

Estão curiosos para saber se fui buscar as gravatas às 22 horas, na saída  da atendente?



Nota do autor/editor: encontrei no Google uma anúncio fúnebre do falecimento da profª Selma, em: 
http://news.google.com/newspapers?nid=1246&dat=19820220&id=nXw0AAAAIBAJ&sjid=JM0EAAAAIBAJ&pg=6246,2082634
Sobre a profª Nilce nada encontrei. Selma, foi minha professora de inglês.

17 de fevereiro de 2015

LISTA DE GRATIDÃO

Por
Riva

Ouço a CBN RJ diariamente no carro, indo para o trabalho. Um dos programas da manhã chama-se Caderninho da Bel, onde ela dá dicas simples para melhorar ou aproveitar melhor nosso dia a dia, nosso relacionamento, nosso tratamento das prioridades, etc.

Recentemente ela mencionou uma Lista de Gratidão, que nada mais é do que fazermos uma lista com todos aqueles que passaram por nossas vidas, deixando algum tipo de ensinamento em atitudes, ações, lições, muito importantes, relevante para nós e/ou para aqueles com quem convivemos. Aqueles que nos tatuaram ao longo das nossas caminhadas, que nos ajudaram a crescer, a sermos o que somos.


Gostei da idéia e resolvi escrever a minha lista de gratidão por ensinamentos recebidos diretamente ou por convívio ou por observação (com receio de esquecer algo).

E como um bom engenheiro, com O&M no DNA, serei objetivo, sintético, sem muitas delongas, sem os detalhes que talvez fossem necessários .... mas deixando um pouco para a reflexão individual de todos que lerem o texto, e que queiram comentar.

Meu pai, Fred – além da sua dedicação com tantos ensinamentos pontuais, creio que os que mais me marcaram foram a justiça, a generosidade e o exercício da empatia.

Minha mãe, Flora – eficiência (não é eficácia, ok ?), superação, a música em minha vida.

Minha avó, Carolina – amor filial. Simples assim.

Carlos, meu irmão – o significado e o valor da individualidade.

Boy, meu cão – companheirismo incondicional.

Meu sogros – família, justiça, bondade.

Minha esposa e meus filhos – me mostraram o significado da minha existência por aqui, em todo e qualquer sentido. Amor e aprendizado constante, eterno.

Sérgio Antunes, meu superior por 18 anos – amor pela profissão, profissionalismo, gestão. Casos e mais casos de estudo na vida profissional. E tentou me ensinar a ser paciente.

Como deixar o futebol de fora dessa ? De jeito nenhum. Meu único ídolo no futebol, por sua dedicação ao clube, à sua profissão, por sua eficácia e eficiência : Castilho, goleiro do Fluminense.

Carlos Castilho
Reparem que a lista é pequena, sintetizada ao máximo. Pode ser que aos poucos vá complementando junto aos comentários que surjam.






16 de fevereiro de 2015

Martha Medeiros - crônica

Não sei se posso, mas sei que devo. Se não posso peço perdão ao jornal Zero Hora e à colunista Martha Medeiros, detentores dos direitos; e tiro do ar se for recomendado.

Mas publico, com todas as vênias porque acho que todos devem ter a oportunidade de ler (e este blog acrescentará alguns poucos leitores), e não somente os lêem o prestigiado jornal e/ou aqueles que tiverem a oportunidade, que tive, de receber o texto por e-mail de um amigo.

Vamos ao texto de Martha Medeiros, em Zero Hora.

           Aos remos

"Não sou só eu que tenho a impressão de que estamos sentados sobre um barril de pólvora. É só dar uma espiada nos comentários deixados nas redes sociais, em conversas de bar, nas trocas de mensagens por WhatsApp, nos telejornais. O Brasil descarrilou, e agora?

Apagões, crise hídrica, obras superfaturadas que não terminam, escândalos de corrupção em todas as esferas, ausência crônica de segurança, aumento de impostos, saúde e educação vergonhosas, desgoverno evidente e início de uma recessão de que não se conhece ainda as consequências. Uma amiga pergunta no Facebook: “Todo mundo já decidiu para onde vai se mudar?”.

Ah, se fosse fácil assim. Fazer as malas e se mandar para algum lugar em que se pudesse caminhar pelas ruas sem medo, em que os policiais fossem bem treinados, em que houvesse metrô e muitas ciclovias, em que não se racionasse nada, a luz não caísse no meio da tarde e os tributos pagos revertessem em uma vida digna. É claro que qualquer nação tem problemas, mas o Brasil abusou da prerrogativa.

Eu adoraria fechar minhas contas e zarpar. Tenho condições de que raríssimas pessoas dispõem para fazer isso, a começar pelo meu trabalho, que não depende de nada a não ser de um laptop. Ainda assim, é muito difícil deixar amigos e familiares. E é frustrante desistir. Quem deserta está colocando um ponto final na confiança que um dia teve.

Por ora, ficarei, mas me pergunto: como ajudar este raio de país? De nada adianta declarar guerra à ponderação e incitar a violência. Em termos coletivos, o melhor caminho continua a ser a defesa da imprensa livre e sair todos às ruas de forma pacífica, como fizeram recentemente os parisienses por ocasião do atentado à Charlie Hebdo, como fizeram os argentinos por ocasião da morte do promotor Alberto Nisman, como fizemos nós mesmos em 2013 – é o jeito de exercer pressão e mostrar que nosso povo não é tão mole quanto parece.

Detalhe: de cara limpa, sem máscaras, sem queimar ônibus e destruir agências bancárias. Depredações são prova de fraqueza, não de força.

Nossa indignação coletiva precisa ser fotografada, filmada e difundida para o Planalto e o planeta, sem deixarmos de lado as atitudes particulares, que são fundamentais. É hora de agir com total responsabilidade dentro de casa, apagando as luzes, fechando as torneiras, economizando os gastos do prédio, do condomínio, da empresa. Essa corja política não merece nossos sacrifícios, eu sei, mas não podemos continuar esperando que eles resolvam hoje o que nunca os preocupou antes. Temos que tomar conta do Brasil, assumir este país que deu profundamente errado, mas que é nosso. Porque até aqui, perdemos de lavada. Eles lavavam dinheiro e nós lavávamos as mãos. Deu no que deu: escassez de água e de futuro."


Retiro no carnaval


Se você não gosta de carnaval, o som do tamborim e do bumbo incomodam, uma boa solução é fazer um retiro no calçadão da praia de Icarai .

Entre 7:30 e 9:00 horas da manhã o calçadão está deserto, poucas pessoas como você estarão de pé, já acordadas e caminhando lentamente. Não há atletas neste horário nos dias de carnaval.


A grande maioria dos moradores deixou a cidade. Dentre os que aqui ficaram boa parte foi a um baile na noite anterior e só vai acordar no almoço. Os demais são como você e  não têm mais idade para pular e cantar.

As escolas de samba, cujos desfiles iniciam já na sexta-feira, com o chamado grupo de acesso, não me despertam interesse. Não aguento ver mais do mesmo. As escolas se pasteurizaram, perderam suas características fundamentais e até as cores não são mais tão respeitadas.

Aproveite! Relaxe e faça seu retiro sem sair da cidade. O calçadão estava, no sábado, absolutamente tranquilo. Poucos caminhantes. O sol estava encoberto por nuvens  escuras que não sei onde foram parar porque mais tarde, pelas 10:00 horas o sol já brilhava intensamente e esquentava os gragumilos da gente de forma insuportável.

Sanhaço azul
Com o sol encoberto e correndo uma leve brisa, estava muito agradável. O silêncio, até mesmo no trânsito, propiciava ouvir os cantos dos sanhaços e dos bem-te-vis. Havia um outro pássaro, que não identifiquei, mas cujo cantar  era melodioso, diferentemente dos bem-te-vis que fazem estardalhaço. Gritam praticamente, parecendo tenores interpretando óperas alemãs.

Na calçada, ainda em grande quantidade, as últimas amêndoas que estão se desprendendo das amendoeiras, já maduras.

Amêndoas ainda verdes
O mar calmo, lamentavelmente poluído, broxava o desejo e um mergulho refrescante. Mas os mergulhos das gaivotas eram uma distração para o caminhante, envolto em seus pensamentos livres e distraídos.

Tomar uma água de coco geladinha satisfaz a sede e repõe minerais necessários ao nosso organismo


Recomendo sem restrição, a menos que você goste de algazarra, de barulho, de agito, de ecos de carnaval. Neste caso saia de Icaraí. 

Não vá para o calçadão.



Nota do autor/editor: sobre amendoeiras leiam em:
http://jorgecarrano.blogspot.com.br/2011/09/as-amendoeiras.html