quarta-feira, setembro 09, 2026

Bolinho de chuva

 

Fui criado no meio de uma família portuguesa. Vó e duas tias mais velhas nascidas em  Viseu, Portugal. 

Daí que inevitavelmente comi muito bolinho de chuva nos lanches das tardes.

Existem algumas versões da iguaria, e até mesmo no seio da família existiam diferenças de receitas, ingredientes e até mesmo nome do bolinho.

Minha mãe, nascida no Brasil, herdou da mãe e irmãs mais velhas, o modo de preparo e simplificação de ingredientes.

Em nossa (de meus pais) casa chamávamos de "sola" ou "solado". Mas em outros lares da família chamavam de "orelha" (o formato esparramado lembrava), e até de "sonho" pela semelhança, sem  recheio.


Estes da foto foram, provavelmente, feitos a partir da receita mais tradicional, com os ingredientes abaixo, que achei em

https://www.tupi.fm/entretenimento/receita-de-bolinho-de-chuva-fofinho-e-sequinho-aprenda-todos-os-truques/

Ingredientes

2 ovos

1 xícara (chá) de açúcar

1 xícara (chá) de leite

2 e 1/2 xícaras de farinha de trigo

1 colher (sopa) de fermento em pó

3 colheres (sopa) de açúcar para polvilhar

1 colher (sopa) de canela para polvilhar

1 litro de óleo para fritar


Os nossos, quando nos mudamos para Niterói (eu já contava 3 anos de idade),  não levavam leite, que era substituído  por um pouco de água, para misturar a farinha e o açúcar. Eventualmente era acrescida a clara de um  ovo, para dar mais liga.

E não colocávamos fermento, o que justificava o nome dado ao bolinho: sola ou solado.

Mais simples impossível.

Bem, o inverno está por terminar, mas dias de chuva virão  ad aeternum. E cada vez mais.

Notas explicativas: 

1. Minha primeira infância foi vivida durante os últimos meses da II Guerra, quando havia racionamento. A farinha de trigo, por exemplo, não era pura de trigo. Era misturada com farinha de outros grãos ou fubá, sei lá. Era escura. Comprar pão era difícil.

2. O orçamento doméstico era apertado.

3. Atualmente, em minha casa, fazemos praticamente seguindo a receita supramencionada, que, convenhamos, é semelhante a do bolo comum, tradicional. A masa fica igual só que uma é frita (bolinho)  e a outra (bolo) assada.

a farinha, com o

5 comentários:

Jorge Carrano disse...

Hoje, 09.09.26, tempo nublado, chuvoso, apropriado para comer os ditos cujos. Se Wanda topar, será no lanche.

RIVA disse...

Estranhamente lá em casa, na minha infância, não "rolavam" doces, apesar da cozinha ser comandada por minha querida vó Carolina, portuguesa, que morava conosco junto com meu vô Joaquim.

Não sei porque ..... mas o foco eram os diversos pratos salgados da culinária lusitana. No máximo rabanadas, doce de abacaxi e pudim.

Jorge Carrano disse...

Aos 4, 5 anos, ficava espantado como alguns adultos da família, na reunião do Número Natal, comiam rabanada feita com vinho e não leite.
Éramos um número grande reunidos em volta da mesa. Esta minha avó teve sete filhos (seis mulheres e um homem), em seus dois casamentos. Todos casados e com filhos.
Rabanadas (com o pão próprio, leite, noz-moscada, açúcar e canela) como muita vezes ao longo do ano.

Jorge Carrano disse...

O pão próprio para rabanada é feito e está a venda durante todo o ano na Padaria Flor do Rink, no Centro, ou no Supermercado Princesa, na Rua. Pres. Pedreira (perto de minha casa), no Ingá.

Jorge Carrano disse...

Há quem faça as rabanadas, mas eu não goto, com fatias de pão de forma.