Estou orgulhoso - de mim mesmo - por estar conseguindo me controlar, mantendo-me silente diante do quadro estarrecedor que se delineia em face da implosão do STF.
Em outros tempos estaria enviando correspondência datilografada, antes da informatização, ou e-mails depois dela, para as redações dos principais veículos de informação do país, manifestando opinião e verberando contra o estado de coisas.
Experimentei satisfação semelhante em 1982, quando dos preparativos da viagem que faríamos na Semana Santa, para refúgio em nossa modesta casa em Inoã, distrito de Maricá.
Resolvido a parar de fumar, decidi não levar cigarros sabedor da dificuldade que teria em lá comprar posto que a casa ficava distante da birosca mais próxima onde eventualmente encontraria o Carlton que fumava.
Assim fiz e nunca mais fumei e já lá se vão mais de quarenta anos.
Algo semelhante, sob o ponto de vista de determinação levada a cabo, deu-se em 1995, quando decidi abandonar o cargo de diretor estatutário (eleito em AGE), de um laboratório farmacêutico constituído sob a forma de sociedade anônima, para retornar a Niterói.
Deixei boa renda e mordomias (fringe benefits) inerentes ao cargo, como carro (Santana) com todas as despesas pagas, bom plano de saúde e outros penduricalhos, para começar tudo de novo sem ideias claras, sem projeto estruturado, senão o desejo de voltar ao lar, ao lugar onde tinha raízes.
Estou resistindo e me mantendo calado, ansioso com as mãos nos bolsos, como o personagem torcedor da velha piada.
Para os mais novos e os de má memória, recordo a piada. Um amigo comentou com um torcedor apaixonado como ele conseguia se controlar e manter comportamento aparentemente tranquilo durante a partida de seu time.
O indagado retirou as mãos dos bolsos e exibiu as mãos cheias de pelos pubianos (pentelhos para os íntimos) dizendo apenas "cada um torce como pode."
Virou tema musical.
Cada um torce como pode - Sivucahttps://www.youtube.com/watch?v=cgg0uUOAM-A

Um comentário:
Mesmo no âmbito doméstico tenho me mantido silente sobre política e degradação moral e ética nos poderes da República.
Um AVC, em 2010, não deixou sequelas sérias. Mas o próximo poderá ser mortal ou pior virar abóbora.
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