14 de julho de 2026

"TEMPUS FUGIT"

 

Este ano perdi para a vida eterna meu amigo, contemporâneo do Liceu Nilo Peçanha, e da Faculdade de Direito de Niterói, Carlos Augusto Lopes Filho.

Também blogueiro, mencionou-me em uma postagem encontrável no link a seguir, quando cobrei dele maior frequência em seu blog:

https://calfilho.blogspot.com/2018/09/memoria-nacional.html

O post é de 2018, fase pré-eleitoral, e serve como  uma luva para os dias que vivemos.

Publico a seguir um excerto, mas sugiro a leitura integral, utilizando o link acima ofertado.

“ Ontem, recebi um prazeroso telefonema do meu ex-colega Jorge Carrano,  do Liceu Nilo Peçanha de Niterói, onde estudamos alguns anos de nossas vidas. Batemos um agradável papo e ele me cobrou porque eu não escrevia mais nada aqui no meu despretensioso blog. Respondi-lhe que não estava tendo inspiração para ser alegre ou espirituoso, que considero requisitos indispensáveis para quem se dispõe a colocar no papel alguma coisa. A situação do nosso Brasil atualmente, perdido na política e com os políticos, justamente quando se aproximam as eleições que irão escolher os futuros governantes nos próximos quatro anos, não me anima a comentar ou emitir opinião sobre o que está por vir pela frente. Reclamei com ele do radicalismo que domina os pronunciamentos daqueles que pretendem ser presidentes da república ou governadores de Estado: preferem atacar raivosamente uns aos outros, chegando mesmo às ofensas pessoais e, as poucas propostas que apresentam são de uma utopia extraordinária.”

Esta opinião dele, que eu esposava, e mantenho, afastou-o deste meu espaço virtual, onde ensaiou alguns comentários. Foi uma perda que lamentei, por mim e por eventuais seguidores, porque ele agregaria muito em termos culturais e humanísticos em especial.

Em mensagem eletrônica, justificou-se: “perdão Carrano mas não vou debater em seu blog com radicalistas, de visão curta e que não conheço”. E se afastou para nunca mais comentar no blog.

Com imensa simplicidade, longe das vaidades, aliava o gosto pelo popular, como Noel Rosa, a cervejinha “Portuguesa”, bastante consumida na época, o futebol (em especial seu Botafogo), com resultados fantásticos nos concursos públicos aos quais se submeteu antes de desaguar na magistratura.

Banco do Brasil, migrando para o Banco Central quando da constituição deste. Primeiro colocado no ingresso no Ministério Público. E primeiro colocado no ingresso na magistratura estadual, tendo por isso o direito de optar pelo Tribunal do Juri, sua meta, onde judicou até o final de sua carreira no judiciário por aposentadoria voluntária tão decepcionado que não aguardou a promoção a desembargador.

Em outra postagem em seu blog, voltou a mencionar nossas passagens no Liceu Nilo Peçanha, vide, tendo curiosidade, em:

https://calfilho.blogspot.com/2015/02/boas-lembrancas-calfilho-depois-de.html

Ambos gostávamos muito de futebol e, claro, de jogar e não apenas torcer.

Não tínhamos, ambos, grande habilidade; por isso estávamos no time “B”, reserva, no Liceu. Vide foto abaixo:

Para  quem está olhando a foto, estou a esquerda do goleiro, e Carlinhos (Carlos Augusto Lopes Filho) agachado a direita.

Em outra postagem, que está no link abaixo, e pequeno trecho aqui reproduzo, concordamos:


Carrano uma vez comentou num dos “posts” de seu blog que “as amizades verdadeiras são aquelas que fazemos na infância e adolescência”. A frase talvez não tenha sido exatamente esta, mas o sentido é esse. Concordo plenamente com ele. E, nesse encontro, essa afirmação tornou-se mais verdadeira e presente, quando relembramos várias fases de nossas vidas e acabamos concordando que, realmente, a melhor delas foi quando éramos crianças e adolescentes.


5 comentários:

Jorge Carrano disse...

A cor de fundo (preta), é original no blog do Carlinhos.

Jorge Carrano disse...

Nos últimos seis anos perdi cinco de meus amigos mais diletos, frutos da chamada amizade que podemos rotular de raiz.

RIVA disse...

Acho que captei a essência do post.

Fui refletir sobre as amizades da infância e adolescência.

A formatura, caminhos diferentes, o trabalho, casamentos, mudanças, enfim, muitos caminhos distanciaram as amizades.

Temos um grupo baseado na turma do Ginasial, que se formou em 1966. Sim, nos reunimos no máximo 2x por ano, nos falamos diariamente pelo Whatsapp, e alguns encontros casuais no dia a dia, nada provocado. Amigos amigos desse grupo de mais de 30 membros, três.
Da infância (ou seja, na rua onde morava) e também adolescência por ali, ainda encontro três amigos(as) de uma turma espetacular de mais de 50 jovens - no tradicional bairro do Pé Pequeno em Niterói.

Os filhos crescem , suas amizades e seus pais se tornam também nossas novas amizades. O ciclo de trabalho traz novos contatos por décadas, a prática do Futebol (no meu caso) também trouxe mais tarde um grupo muito legal de colegas e alguns amigos.

E por aí vai, vamos .......

Perdas ? Sim, algumas, principalmente nos últimos anos .... e o vazio que provocam.

Vem aí o pior período pré eleições. Cuidem bem da família e dos amigos.

Jorge Carrano disse...

Pistas da essência:
1. Política é assunto tóxico. Afastamo-nos do devido respeito pelas opiniões contrárias.
2. Com os amigos cuja perda é lamentada, havia muita troca, não só de ideias, mas de ajudas, solidariedade. Carlinhos, personagem do post, foi deles o menos presente, a partir de certo ponto (quando cogitamos sociedade em um escritório de advocacia), porque aprovado em concurso público, ficou por conta dos afazeres da magistratura. Os outros éramos como irmãos. Você tem esta experiência de perda.
3. Tem dias em que a ausência física faz falta. O poder comentar algo; compartilhar prazer. Vou dar um exemplo: amigo foi assistir, no lendário Preservation Hall, localizado no French Quarter (Bairro Francês), este templo do jazz tradicional de Nova Orleans e ficou, claro, encantado. Em cartão postal comentou, "faltou você estar presente". Lamentou porque certamente trocaríamos interjeições, aplausos, sentimentos. Ele gostaria que eu vivesse o momento.
Coisa semelhante acontecia comigo quando indo ao cinema e assistia a um bom faroeste lamentava que meu melhor amigo de então, pré-adolescentes, não tivesse assistido para comentarmos cada cena.
That's all for today.

RIVA disse...

Acho que já comentei, acho.... quando fui N Orleans a trabalho, claro fui conhecer o Preservation Hall. Fiquei impressionadíssimo por ser extremamente simples e por ser uma pequena sala, de onde emanava TUDO aquilo do JAZZ.
Como não sou aficcionado do jazz, não tive a emoção que certamente o amigo BM teria estando lá, e ainda mais com algum amigo especial.