Vestibulando de Direito, em São Paulo, por pirraça, contestação, disfunção cognitiva transitória, sacanagem ou qualquer outra motivação que seja, fugindo do tema da redação, explicitou a riqueza vocabular, esbanjando seu léxico.
Ganhou nota zero e, inconformado, foi ao Judiciário (Processo: 1007416-32.2026.8.26.0053), e não encontrou guarida para sua tese defensiva.
O caso foi parar nas mídias eletrônicas e por esta mesma via chegou ao meu notebook.
Como já brinquei aqui neste espaço virtual, com palavras e até mesmo frases que me propunha vender, resolvi publicar o polêmico texto do candidato, citando a fonte como deve ser.
No caso o website "Migalhas", em:
Eis a íntegra da redação:
"Intentona pela Reconstituição da Interioridade
Perpassa em altivez, pela procela, a grandiloquência condoreira, em cuja máxima aforismática revela a tétrica languidez do sofrer recôndito. Djaimilia de Almeida concebe, em A Visão das Plantas, valer-se a epísteme lírico-narrativa de concepções hermenêutico-historiográficas, as quais decorrem da dialética antagônica e maquiavélica ao postularem a teleologia hodierna. Sob essa perspectiva, Ferdinand de Saussure preconiza a relação simbiótica entre significado e significante a partir da coesão engendrada pelo domínio tradicional concomitante ao coercitivo. Entretanto, à medida em que impera a dinamicidade, fragilizam-se axiomas em difusas postulações. Nesse ínterim, ressoa o sofrer recôndito na fragmentação identitária ao se concernir ao perdão - significado - múltiplos significantes: o condicionamento e a limitação, seja em razão da violência simbólica ou da tecnocracia.
Nessa vereda, sobrepuja-se a subjetividade ao “modus vivendi” da superestrutura cívico-identitária. Articula a dialética bourdiana - de Pierre Bourdieu - a internalização de signos culturais, fundamentados por efemérides violentas, a partir da impotência reflexiva inerente ao sujeito-interlocutor, o qual se resigna à unidimensionalidade distópica que o cerca. Dessa forma, transfigura-se a universalidade associada ao imperativo categórico no perdão condicionado: busca incessante por relegar a outrem o esvaziamento eudaimônico da individualidade esvaziada.
Ademais, nota-se haver a instrumentalização da razão a partir do Antropo-tecno-ceno - era em que ocorre a comodificação cultural a partir do uso de emergentes adventos tecnológicos. Nesse ínterim, Michael Sandel postula ser promovida pela tecnocracia a associação de concepções desenvolvimentistas à égide capitalista, ocasionando a negligência da seguridade social. Assim, desnuda-se o perdão limitado como sendo uma intentona à valorização do indivíduo cujo “status quo” encontra-se invisibilizado, uma vez que ocorre a busca mercadológica pelo perdão.
Diante do exposto, revela-se a tendência, no espectro contemporâneo, à fragmentação da “psique” coletiva, sendo o “perdão” a elucidação de sua fenomenologia. Nesse sentido, é diminuída a grandiloquência condoreira pela tecnocracia e pela violência simbólica, sendo o sofrer recôndito o seu suplício, em distintos significantes."
Nota: se o caro leitor tiver curiosidade de saber e ver onde aqui no blog fizemos pilhéria com frases e abordamos o tema "palavras", basta colocar na janela "Pesquisar este blog": palavras.

4 comentários:
Estou curioso com o demorado desfecho.
O vestibulando fugiu do tema, mesmo com um vocabulário vasto, porque priorizou a erudição ornamental em detrimento da clareza e do conteúdo. Em casos como o relatado (Fuvest), o uso de palavras rebuscadas e construções sintáticas confusas serviu como obstáculo à comunicação, fazendo com que o texto não abordasse o tema proposto.
Os principais motivos para essa fuga do tema, apesar do vocabulário sofisticado, foram:
Foco na forma, não no conteúdo: O candidato utilizou palavras difíceis e citações (ex: "relação simbiótica entre significado e significante", "superestrutura cívico-identitária") de forma desconectada do tema, funcionando apenas como "ornamento" e não para sustentar uma tese real.
Falta de clareza e hermetismo: O rebuscamento excessivo prejudicou a coesão e a coerência, tornando o texto difícil de ser compreendido pelos corretores.
Fuga ao tema (nota zero): A banca considerou que o texto não respondeu à proposta temática definida (ex: "O perdão é um ato que pode ser condicionado ou limitado"), o que zera a redação automaticamente, independentemente da sofisticação da linguagem.
Ausência de um "projeto de texto": O vocabulário vasto não substituiu a necessidade de uma estrutura argumentativa clara, resultando em uma redação sem uma tese clara ou desenvolvimento lógico.
Em resumo, a redação foi considerada "erudição sem conteúdo", onde o excesso de rebuscamento distraiu o aluno e o fez perder de vista o tema e a clareza exigidos.
Explicação da IA Dr Goo para o ZERO na redação.
"Erudição sem conteúdo", é boa definição.
Remete-me ao tempo de atuação na área de recursos humanos. Vira e mexe aparecia candidato, no setor de recrutamento e seleção, que não bebia, não jogava, não cheirava, enfim destituído dos chamados defeitos, vícios condenáveis. Mas não servia.
Da mesma sorte nada sabia, sem habilidades, conhecimentos, talentos, etc.
Um puro inútil rsrsrsrs
Há muitos anos eu tinha na minha equipe um Supervisor de Segurança chamado EDILAU. O apelido era EDILAU O CARA SEM IGUAL ....KKKKK
Quando ele fazia os relatórios de Segurança do Trabalho, colocava um Aurélio ao lado para substituir as palavras por outras menos usuais, pra pensarem que era um "letrado" ........
PS : e o Sacode Iaiá que o ATM tomou ontem em Bragança Paulista ??!!!
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