sábado, junho 29, 2024

Ditadura das minudências

Os detalhes, dados quase imensuráveis, imagens manipuladas, palavras ditas de forma impensada, definem um resultado esportivo, e tisnam uma biografia, dão voz a imbecis, visibilidade a idiotas.

No jogo de tênis, ou no volleyball, se a bola trisca a linha, mesmo que não a sobrepondo, é considerada válida, boa para pontuação.

No futebol há ainda uma outra variável, ainda não aferida pela tecnologia virtual, que é a seguinte: a base da bola de jogo pode não estar sobre o quarto de circulo que limita a cobrança de escanteios, mas se vista do alto um pentelhésimo de seu diamêtro sobrepõe a linha demarcadora, está perfeita para a cobrança. E é conferido pelo olho humano.

Nas corridas de cavalos, ou de cachorros, nas cidades que têm tal competição, a eletrônica, o photochart  define um vencedor, por absurdos milímetros. A ponta de um focinho.

Photochart
No passado, a marcação de offside no futebol, que era assinalado por uma auxiliar da arbitragem (então chamado bandeirinha), considerava "mesma linha" se defensor e atacante estivessem lado a lado. E ficava por isso mesmo.

Com o Video Assistant Referee (VAR), ou arbitro de vídeo, a ponta de um nariz, o bico de uma chuteira decidem um offside.

Mas se for colocado na tela um "frame" anterior da filmagem, a situação pode se inverter.

Como o chefão da arbitragem disse numa entrevista que é o árbitro de vídeo que define que imagens são mostradas ao árbitro de campo, quando este é chamado para decidir, fico imaginando as fraudes que podem ocorrer.

O pior é que antes dos recursos tecnológicos a arbitragem errava, intencionalmente ou não, nós os chamávamos de filho-da-puta e, em casos extremos, eles saiam de campo protegidos pelo policiamento e ficavam horas presos no vestiário, até poderem sair em segurança, sem linchamento.

Agora, se houver fraude, e há, é um sistema, ou programa, que mal manipulado comete injustiças.

E tudo por causa de frações irrisórias de medida, desprezíveis porque não identificadas a olho nu.

Num laboratório, imagens de bactérias, vírus e coisas que tais (serem microscópicos), podem salvar vidas. Mas numa partida de futebol, sobretudo pelo componente subjetivo, uma marcação de penalidade, por exemplo, com toque intencional ou não, pode decidir uma partida.

Coisas menores, pequenas diferenças, miudezas, minudências, decidem, com ou sem recurso do VAR. 

Uma decisão de 6 X 5, no STF, faz diferença. Um voto pode decidir a eleição de um vereador, numa pequena cidade. Sempre detalhes no senso comum.

Termino esta digressão com um caso verídico, que acompanhei circunstancialmente, há anos. Num concurso público de provas e títulos, a nota de corte de uma disciplina era 5.

Meu amigo, ficou com míseros 4,8 aferidos subjetivamente, pois se tratava de prova de Direito.

Pois bem, ele recorreu, fundamentando seu pleito no princípio da aproximação, do arredondamento, buscando normas legais do Brasil e do exterior, normas consuetudinárias, e tudo quanto o mais pudesse servir de espeque às suas pretensões.

Hoje é aposentado do serviço público onde prestou ótimos serviços, com responsabilidade, competência e dedicação exemplares. 

Era bem qualificado; culto e inteligente, formado na PUC, dominando inglês e francês. 

Ia ficar fora do serviço público por centésimos na pontuação.

quarta-feira, junho 26, 2024

Vetusto

 

Tenho 57 anos de exercício da advocacia, com inscrição na OAB. Se adicionado o ano que atuei como “Solicitador Acadêmico” - condição que não mais existe - que me dava direito a atuação limitada; durante os quais vi, ouvi e li muita coisa, no âmbito do judiciário.



Durante o curso, na Faculdade de Direito, da UFF, vigoravam o Código Civil de 1916 (Lei 3071) e o Código de Processo Civil de 1939 (Decreto-lei 1608).

Considerando haver em tramitação no Congresso um anteprojeto de Código Civil, elaborado por comissão de juristas, terei que interpretar (hermenêutica ou exegese) novas disposições que regularão direitos e obrigações.

Será o terceiro Código com normas substantivas desde a formatura e juramento prestado na diplomação.

Assim como a lei adjetiva codificada (CPC) que disciplina como exercer e defender tais direitos já está em sua terceira versão: 

DECRETO-LEI Nº 1.608, DE 18 DE SETEMBRO DE 1939.

LEI N o 5.869, DE 11 DE JANEIRO DE 1973.

LEI Nº 13.105, DE 16 DE MARÇO DE 2015.

O que significa tudo isso? Nada, senão que envelheci, estou cansado, e louco para me aposentar, de vez.

Já desacelerei há algum tempo, já descontinuei o escritório, passando a trabalhar em regime de home office. Falta planejar o freio.

Gosto das piadas sobre advogados. Alias e a propósito, dizem que não há piadas sobre advogados, porque tudo seria verdade. 😂😂😂

E tem uma verdade que virou piada, a do advogado que apregoava nunca haver perdido uma causa, posto que cobrava honorários antecipados. Quem perdia era o cliente. 😎😎😎

terça-feira, junho 25, 2024

GEORGIA

 

A julgar pelo título, a impressão é de que esta postagem  tratará do Estado norte-americano de tantas histórias, lutas sociais e raciais, inspirador de canções que enriquecem o acervo musical, não só do país, mas também do planeta.

Quem não conhece as páginas musicais (Rayni Night in Georgia e Georgia On My Mind), cujos links estarão a seguir, interpretadas pelo - registro logo, gênio - Ray Charles.

Ele é de Albany, na Georgia, e dá nome a uma praça que o consagra ao piano.




Mas qual o quê. O título nos levará à República da Georgia, desde há algum tempo independente, liberta da antiga URSS.

E por que? Porque este país europeu está disputando o Eurocopa. E por isso seus símbolos nacionais estão sendo mostrados para o mundo: seu hino, sua bandeira, seu brasão de armas.


Assim que prestei atenção em sua bandeira me encantei, pois me remeteu ao Vasco. Quando vi seu brasão me apaixonei.

Observem quem ilustra o centro como principal personagem.


Apressei-me em pesquisar sobre este país, banhado pelo Mar Negro, que tem a cidade de Tiblissi como capital.

Tiblissi

Vista parcial - Mar Negro ao fundo

Como foi o futebol que me motivou, pincei seu estádio,  e como foi a imagem de São Jorge estampada no  brasão de armas que me apaixonou, pesquisei a igreja.


Esta igreja ortodoxa, simples, pequena, construída com pedras calcárias, é dedicada ao "santo guerreiro."

São Jorge é o padroeiro de cidades e países espalhados por todo o planeta, reverenciado inclusive por mulçumanos. 

Estádio Boris Paichdze

Não, não pretendo visitar o país, mas fiquei com uma boa imagem.

Desejo aos georgianos sorte, saúde e paz. 


sábado, junho 22, 2024

E sem o GE, katsu !!

 

Esta frase do título foi pinçada da última postagem assinada pelo Riva. 

Caramba, o blog (Generalidades Especializadas), de nome fantasia Pub da Berê, também é uma panaceia.

Tocou meu Ego.

Na minha compreensão uma catarse, ou, aliviando um possível cunho psicológico, um desabafo, que se o aliviou da situação opressora, mesmo que momentaneamente, merece aplausos pela coragem, pelo desprendimento.

Está em:  

https://jorgecarrano.blogspot.com/2024/06/nao-sei-o-que-escrever-mas-quero.html


Como é fervoroso torcedor do tricolor das Laranjeiras* amanhã, dia 23 de junho, poderá melhorar ou piorar o seu humor.

Em razão disso vou terminar a postagem, aguardando o resultado do FlaxFlu.

Depois voltaremos.


* Momento professora Rachel: a dúvida se a palavra deve ser escrita com "g" ou "j", poder ser facilmente resolvida observada a etimologia. Se a origem é indígena ou africana, grafa-se com "j". Uma exceção poderia ser Sergipe.



sexta-feira, junho 21, 2024

NÃO SEI O QUE ESCREVER, MAS QUERO ESCREVER ...


 

Por 
RIVA







Pois é, caro BM (Blog Manager), o sentimento de desamparo às vezes é forte, na minha situação. 

Sem ocupação trabalhista (gostou do sinônimo para desempregado?) há 15 meses, sem feedback dos trocentos RHs para onde enviei 78 currículos, controlando a grana nos centavos a ponto da MV me ameaçar com “assédio patrimonial”, tendo em vista que todos os cartões estão sob meu poder, fogão apagado e delivery de marmitas pelo menos de boa qualidade, e agora, com o meu FLU literalmente na merda ...! 

E sem o GE, katsu !! Literalmente abandonado à própria sorte. 

Nessa fase, tome programas globais para fazer companhia de sofá à MV ... e aí um mix de revolta com sofrimento assistindo às Patricias Poetas e Anas Marias Bragas com seu papagaio, diariamente.

Lembro que odiava ouvir a voz do Faustão nas tardes noites dos domingos, pois anunciava a véspera das 2as feiras, e agora a voz é do Huck .... só que era feliz e não sabia, pois na 2ª feira tinha trabalho e receita $$$$. Agora tanto faz uma 3ª feira ou um sábado .... 

E quando vc entra em contato com algum amigo ou com os filhos, pra conversar, pra marcar alguma coisa ? Vem aquela observação das entranhas...”não enche o saco deles, estão trabalhando !”. 

Resumo : perdi o norte. Minha bússola descaralhou. E aqueles medidores de entusiasmo/alegria/felicidade que já mencionei por aqui, estão no zero ...não tenho tocado violão, não tenho lido livros apesar de passar diariamente em frente à Livraria da Travessa (a caminho da padaria), não tenho caminhado porque preciso de um par. 



Atrações do momento : a Eurocopa, a Copa America, e vem as Olimpíadas. Brasileirão espero que o meteoro que falam tanto, colida logo com a Terra antes do Fla-Flu, antes da tragédia anunciada. 

Obrigado, de nada.  

segunda-feira, junho 17, 2024

Goodbye, Au revoir, Arrivederci, Adiós, Verabschiedung

Em outro idiomas, o simples "adeus, cinco letras que choram", exceto no espanhol, são mais complicados.


Hasta luego, Until the return, Jusqu'au retour, Fino al ritorno, Bis zur rückkehr .

Até a volta ... se tiver volta.


sábado, junho 15, 2024

Técnicos vencedores

 


Joel Santana, técnico brasileiro, já dirigiu o selecionado da África do Sul. Mas nunca a nacional.

Em seu curriculum uma façanha: foi campeão carioca comandando os quatro grandes clubes do Rio de Janeiro. Um feito digno de registro, por que não?

Acompanho, desde há muito, a trajetória vitoriosa de alguns técnicos (managers) de clubes, que jamais dirigiram uma seleção nacional.

Recentemente a Confederação Brasileira cogitou contratar o Carlo Ancelotti, mas ele, depois de fazer charminho, e “cozinhar o galo”, desistiu. Fez muito bem!

Mas vamos aos vencedores em clubes europeus, nos quais bateram recordes, levantaram troféus em mais de uma Liga, conquistaram tríplices coroas numa mesma, tiraram grandes clubes de jejum de muitos anos (Klopp/Liverpool), são poliglotas (Guardiola = catalão, espanhol, inglês, alemão, italiano e francês).

Alguns foram longevos, como Ferguson, no Manchester United (27 anos consecutivos), conquistando no período 38 títulos para os Diabos Vermelhos; e Wenger, no Arsenal por 22 anos consecutivos, ganhando 17 títulos no período. O escocês ganhou o título de “Sir”, e o francês conquistou o inédito titulo invicto, na Premier League, a mais importante do mundo.

Muita gente pergunta por que a Inglaterra, dificilmente, forma grandes seleções? Respondo com fatos. Vejamos os grandes vencedores na liga inglesa: Ferguson é escocês, Wenger francês, Guardiola espanhol, Klopp alemão, Mourinho português ... e nenhum deles foi convidado para dirigir a seleção.

Sim, a Inglaterra tem uma Copa Mundial, mas Deus sabe como.

Conquistar a Champions Legue, por mais de um clube, de diferentes países, não é para amadores, que o diga o Mourinho (Porto, Chelsea, Internazionale). Mourinho tem 26 títulos conquistados por clubes europeus.

José Mourinho

Josep Guardiola

Arsène Wenger

Alex Ferguson

Jürgen Klopp

Carlo Ancelotti

Uma observação, sobre técnicos brasileiros. Vimos que na Europa já brilharam escocês, francês, italiano, espanhol. alemão e português, mas nenhum brasileiro.

Felipão no Chelsea e Luxemburgo no Real Madrid, tiveram passagens decepcionantes.