quarta-feira, outubro 23, 2013

Os suecos devem nos invejar

Precisamos tomar cuidado com a inveja e o "olho grande" dos suecos. Devem ficar abismados com a riqueza que o Brasil ostenta e se perguntam se um  dia chegarão lá.
 
É lógico que nunca chegarão ao nosso estágio de desperdício, de prepotência, de egoísmo, de ganância, de soberba, de corrupção, de falta de vergonha na cara.

Seriam necessários anos de degradação, quem sabe com governos de viés petista/populista, para que a sociedade sueca atingisse nosso estágio de falta de cultura,  educação e espírito público.
 
Para entender aonde quero chegar sugiro acessar o vídeo cujo link está a seguir:
 
Tenho pena dos escandinavos, quanta pobreza.
 
Por falar em escandinavos, eis s história que me chegou aos ouvidos, um fato real, testemunhado por pessoa idônea.
 
Haveria um espetáculo artístico (eu é que não lembro se ópera, peça teatral ou show com  música popular).
 
A testemunha do ocorrido, levado por seu anfitrião dinamarquês, conta que chegaram cedo ao local e o estacionamento estava praticamente vazio. O anfitrião estacionou o carro logo na entrada, bem distante da porta de acesso ao local do espetáculo.
 
Tiveram que caminhar um bom trecho, sendo que havia vagas disponíveis mais próximas da sala de apresentação.
 
Curioso e comodista, perguntou o brasileiro que narrou o caso, porque seu host não estacionara mais próximo ao invés de lá tão distante.
 
Ao que o nórdico responde com a maior tranquilidade: porque nós temos bastante tempo para caminhar até o local, mas as pessoas que chegarem mais tarde um pouco, atrasadas, precisam estar mais próximas do local do show.
 
O brasileiro se deu conta de que não era apenas comodista, era também muito egoísta, sem nenhuma preocupação com o terceiro.
 
E lembremos que a gentileza que naquele dia favoreceu ao terceiro, um dia irá beneficiar este que assim procedeu porque esta é uma postura normal entre povos realmente de primeiro mundo.
 
Primeiro mundo pouco tem a ver com riqueza! Tem a ver com civilidade, educação.
 
E eu que já me espantara com os ingleses, que deixam, nas escadas rolantes, o lado esquerdo livre para aqueles mais apressados poderem ir subindo, querendo.
 
Deve ser duro viver na Dinamarca, na Noruega, na Islândia, nesses países de primeiro mundo, onde não tem espertos.

Bandeiras dos países  nórdicos
 
 
 

terça-feira, outubro 22, 2013

Santos negros

Fiz uma blague sugerindo imposição ao Vaticano de atendimento à cotas raciais na canonização.

Mencionei só conhecer um santo negro - Benedito.

Recebi um e-mail que deixa mais escancarada minha ignorância sobre o tema.

Ei-lo a seguir, sem menção da remetente eis que não pedi autorização:

"Numa rápida pesquisa no Google, encontrei estes santos. Além disso, Santa Efigênia (a que em SP vende importados da China) Tb era africana. Estou certa que muitos outros encontrará  se interessar o tema.

Em diversas pesquisas realizadas sobre santos africanos de pele negra ou não, o Jornal “A Gaxéta” encontrou centenas de nomes, o que vem a provar perante a igreja católica que, fosse qual fosse a origem ou história de determinado homem, este poderia sim, ser sacralizado e reconhecido como santo. Uma questão que merece grande destaque, é a polemica justificativa que a igreja se utilizou, para apoiar a escravidão africana: de que negros não tinham alma!

A história da Igreja está repleta de muitos negros africanos que se tornaram santos católicos, ou seja, que receberam o reconhecimento de grandes ações ou comportamentos meritórios. Muitos perderam suas vidas em defesa da fé. Muitos também foram homenageados por suas contribuições para a Igreja e sua comunidade. Durante as comemorações e homenagens que dizem respeito à população negra de diversas épocas e locais, personalidades como Martin Luther King e Zumbi dos Palmares, são amplamente destacados. Entretanto, pouco se sabe sobre outros gigantes da fé cujas contribuições se fizeram em forma de história cristã. Sábios ou não, esses homens e mulheres africanos, fizeram igualmente parte da história negra mundial ou mesmo africana ligada a outras etnias. Em diversas pesquisas realizadas sobre santos africanos de pele negra ou não, encontramos centenas de nomes, o que vem a provar perante a igreja católica que, fosse qual fosse a origem ou história de determinado homem, este poderia sim, ser sacralizado e reconhecido como santo. Uma questão que merece grande destaque, é a polemica justificativa que a igreja se utilizou, para apoiar a escravidão africana: de que negros não tinham alma! Conheça a seguir, alguns dos inúmeros homens santos da África, muitos absolutamente desconhecidos de grande parte da população brasileira:

São Simão de Cirene
Foi, de acordo com alguns Evangelhos, um homem que foi obrigado pelos soldados romanos a carregar a cruz de Jesus Cristo. Ele era oriundo de Cirene, nome de uma região do Norte de África que hoje se situa na Líbia. Simão “passava, vindo do campo”, o que pode significar que ele vinha naquele instante diretamente de Cirene para a celebração judaica da Pessach, e que dá ênfase a idéia de que Jesus teria carregado sozinho a cruz. Há rumores relacionados à substituição de Jesus por Simão no momento da crucificação. É precisamente esta troca, a visão islâmica sobre a vida de Cristo. Por vezes Simão é representado como um negro, devido à identificação deste com Simeão, dito Níger.

São Moisés Negro
Etíope, já foi um homem mau. Ele roubou de seu empregador, cometeu crimes e matou pessoas sem motivo algum. Não se fala muito de sua conversão, mas ele levou uma vida estelar, uma vez que trocou o inferno de sua sensibilização, pela humildade. Uma vez Moisés foi chamado para uma reunião de pais da igreja para julgar um homem. Ele chegou carregando uma cesta nas costas, com um furo na parte inferior onde escorria areia. Quando perguntaram o que era, ele disse: “É onde eu mantenho a minha quantidade de pecados. Eu os mantenho atrás de mim e estes são derramados para fora. Mas eu vim para julgar uma pequena falha?” Envergonhado, a vítima perdoou o agressor.

São Martin de Porres
Ele foi o primeiro santo negro americano. Nascido em Lima, Peru, em 1579, ele era o filho ilegítimo de um nobre espanhol, e uma jovem, ex-escrava. Com 11 anos de idade, ele começou a trabalhar como funcionário em um convento dominicano. Trabalhou com tanta devoção, que passou a ser chamado por seus irmãos de “o santo da vassoura.” Mais tarde, Martin trabalhou na enfermaria, dando conforto aos doentes. Suas curas espetaculares lhe renderam fama e reconhecimento, e sua profunda devoção mudou a cabeça de seus superiores de que nenhum negro poderia receber o santo hábito ou professar os votos na sua ordem. Ele se tornou o primeiro negro a pertencer ao hábito completa e tomou juramento solene como um irmão Dominicana. Segundo São Martin de Porres “não se deve desprezar os pequenos começos.
”
Santa Josefina Bakhita
Bakhita (afortunada) nasceu no Sudão, África, em 1869. Esta africana conheceu as humilhações, os sofrimentos físicos e morais da escravidão, sendo vendida e comprada várias vezes, o que lhe causou profundos danos a sua memória, inclusive o esquecimento do próprio nome. Na capital do Sudão, Bakhita foi finalmente comprada por um cônsul italiano, que depois a levou consigo para a Itália. Junto à família de um amigo dele, em Veneza, Bakhita tornou-se ama e amiga da criança que nascera. A família retornou a África, e o casal confiou Bakhita e a filha deles às irmãs da Congregação de Santa Madalena. Ali, Bakhita, conheceu o Evangelho. Com vinte e um anos, foi batizada, com o nome de Josefina. Sentiu o chamamento para a vida religiosa, e se consagrou para sempre a Deus, a quem ela chamava com carinho “o meu Patrão!”. Chamada por todos de “Irmã Morena”. A sua humildade, simplicidade e o seu constante sorriso, conquistaram o coração de toda população. Com a idade, chegou a doença longa e dolorosa. Ela continuou a oferecer o seu testemunho de fé: “Vou devagar, passo a passo, porque levo duas grandes malas. Numa vão os meus pecados, e na outra, muito mais pesada, os méritos infinitos de Jesus. Quando chegar ao céu abrirei as malas e direi a Deus: Pai eterno, agora podes julgar. E a São Pedro: Fecha a porta, porque fico”. Em 1992, foi beatificada pelo Papa João Paulo II. Há um filme que conta sua história: Bakhita, a santa!

São Elesbão
O relato da vida de São Elesbão segue a mesma trajetória de Santa Efigênia. Natural da Etiópia, ele era neto do rei Salomão e da rainha de Sabá, imperador no século VI, que mais tarde se tornaria cristão. O reino vizinho, renegara a fé e mandou matar todos os integrantes do clero e transformou as igrejas em sinagogas, tornando-se temido e famoso por seu ódio declarado aos cristãos. Elesbão decidiu reagir àquela verdadeira matança imposta aos irmãos católicos e declarou guerra ao reino. Liderando seu povo na fé e na luta, ganhou a guerra. Mas ele teve de vencer outra batalha ainda maior além dessa travada contra o inimigo: aquela contra si mesmo. Depois de um curto período de muita oração e penitência, aceitou o chamado de Deus. Abdicou do trono em favor do filho, seu sucessor natural, e dividiu seus tesouros entre os súditos pobres. Assim Elesbão partiu para Jerusalém, onde depositou sua coroa real na igreja do Santo Sepulcro e se retirou para dentro do deserto, vivendo como monge anacoreta, até morrer em 555. No Brasil, a partir dos escravos, foi muito difundida a devoção de Santo Elesbão, o rei negro da Etiópia.


Fonte:
Faiths Christianity Catholic The-Saints-of-Africa
Catholic Black Saints
Tio Sam
Google
Catolicanet

segunda-feira, outubro 21, 2013

Mais santos


Há alguns anos eu tinha uma página num hebdomadário, que ocupava com crônicas do cotidiano. Criticava o caos urbano, decorrente da camelotagem, da sujeira nas ruas; criticava alguns aspectos do judiciário; falava de acontecimentos na cidade;  e aventurei-me até, olha quanta pretensão, a tentar crônicas com viés literário com apoio no humor.

Deixei de escrever um pouco antes do fim do jornal, que era distribuído nas portarias dos edifícios, em algumas bancas no centro da cidade e nos estabelecimentos comerciais de anunciantes.

E deixei de escrever porque fui censurado pelo editor, meu amigo. Sim, porque somente  um amigo me confiaria uma página semanal para perpetrar bobagens. E além de tudo o Carias fazia as ilustrações.  Que colaboração luxuosa, não?

 A censura teve a ver com o prefeito Jorge Roberto (1º mandato), a quem critiquei veementemente numa crônica que acabou  não publicada por pedido/decisão do editor.

Eu dizia, na tal matéria, que o Jorge Roberto não era nem um rascunho de político como foi o pai, que governou o Estado e iria mais longe na política não fora o trágico acidente em Petrópolis. Não era nem um “genérico”, pois era inócuo.

Acontece que o editor, a quem encontrei na quinta-feira, dia 17, na Av. Amaral Peixoto, era correligionário do “Jorginho” e devia alguns favores a ele. Por causa disso pediu-me que amenizasse as críticas. Não concordei e fiz outro texto no qual só falava de pássaros, citando meia centena deles, ou um pouco mais. Só isso, até preencher o espaço (foi publicado). E nunca mais escrevi mais nada para o jornal.

Lembrei desta passagem de minha vida por dois motivos. A primeira haver encontrado o Hermes, a segunda o post sobre santos que publiquei aqui em 2009 e mencionei recentemente.

Relendo o texto sobre os santos, ocorreu-me que não abordei a questão das cotas raciais no Vaticano. Que me lembre  só há um santo negro (Benedito) e nenhum defensor, específico, para outras minorias (?) como homossexuais, lésbica e simpatizantes (o povo GLS).

Bem, agora me ocorre que, salvo engano, a Nossa Senhora Aparecida, pelo menos a imagem dela encontrada nas águas do Paraíba do Sul, é negra também. Mas ainda assim é muito pouco. Acho que pelo menos 20% dos canonizados deveriam ser negros ou afrodescendentes. Afinal a raça negra e assemelhados (mulatos, jambetes, sapotis e outros) é muito expressiva na sociedade brasileira.

Dois ex-Papas estarão ingressando no Olimpo, ou seu equivalente romano: João Paulo II e João XXIII, se lembro bem da notícia. 

Aproveitem para fazer deles seus santos de fé enquanto não têm muitos devotos e pedidos a atender, podendo, em consequência, dar mais atenção aos seus casos.







Já que o Freddy falou de reencarnação comentando post recente, pergunto se santo reencarna. E se na nova vida terrena continua santo ou pode degenerar e cair na gandaia?


Imagens Wikipédia

N.do B: o jornal se chamava Niterói Notícias e tinha o formato tabloide

domingo, outubro 20, 2013

A volta das ditaduras


Não, não estou fora de meu juízo perfeito não. Viram quantas negativas (não) estão na primeira frase?

Mas embora esta reafirmação, que parece convicção,  tenho dúvidas se estou de posse de minhas faculdades mentais, com as funções cognitivas preservadas.

Por que estou em dúvida? Porque estou com saudade do Eurico Miranda e da ditadura militar. Alias que pela primeira vez  me refiro ao período de governos  militares como sendo de ditadura.

Para mim não foi, pois não alterou em nada minha vida. Continuei com as liberdades que tinha até 31 de março de 1964. Para falar a verdade, agora mais distante e à luz da degradação total do legislativo ocorrida nas últimas décadas, acho que o Congresso fechado seria menos nocivo à sociedade.

O que faz aquela canalhada lá instalada?

Já no Vasco trocamos um sujeito arbitrário, segundo alguns desonesto, com pouco trânsito na imprensa, por um paspalho, banana, pateta e outros adjetivos menos nobres, que resumo aqui como babaca.

Se não é, parece um débil mental, com um sorrido de idiota pendurado nos lábios. Seu limite de competência se esgotou dentro das quatro linhas do campo de futebol.

Tem uns comentaristas que defendem a presença de ex- atletas como dirigentes de clubes. Eu acho um furo n’água. Patrícia Amorim e Roberto “Estalinho”  demonstram que estamos longe de ter atletas com a cultura, inteligência e vivência política como na Europa, onde Platini e Beckenbauer, para citar apenas dois, demonstram com paletó e gravata a mesma desenvoltura e capacidade que tiveram com chuteiras.


Se o desempenho nos gramados credenciasse para dirigir clubes e entidades desportivas, Pelé seria o presidente perpétuo da FIFA. Pelo menos até o aparecimento do Messi.

Imagens Wikipédia

sábado, outubro 19, 2013

Restinga artificial, natural

Voltei, no final de semana passado, à restinga que embora artificial, pois não brotou ali espontaneamente, foi construída com vegetação natural e típica.


E retornei para documentar, a fim de que ao cabo de um ou dois anos, possamos constatar o que aconteceu com aquele ambiente. Firmou-se e se desenvolveu  ou simplesmente pereceu ou se transformou numa lixeira como já acontece com alguns canteiros da cidade?



Vamos conferir no futuro.






sexta-feira, outubro 18, 2013

Leis brasileiras... parecem piadas

Este texto abaixo não é de minha lavra. Recebi via e-mail de um amigo (operador do Direito, digamos assim), que por sua vez colheu de alguém de quem ele mencionou apenas o nome.

Indo ao Google e pesquisando pelo nome  fui parar num blog, cujo link colocarei ao final, onde encontrei o texto, mas com alertas sobre imprecisões legais.

Pelo assunto, também no Google, encontrei o texto em outro blog, cujo link também colocarei no final deste post.

Achei muito oportuno e curioso, por isso publico. Se o detentor dos copyrights reclamar poderei excluir o post.

Ei-lo:

"Quando você viajar ao exterior conte um pouco sobre as leis brasileiras ao seu amigo norte-americano ou europeu e até argentino. Explique para ele assim:

Se você for com sua esposa, seus filhos, noras, genros, netos, almoçar fora no domingo e tomar 1 ou 2 chopps, ou 1 ou 2 copos de cerveja no almoço e for parado numa blitz, você paga uma multa de R$ 1.960,00, tem a carteira cassada por um ano, o carro apreendido e vai preso. (Lei Seca)

Se você comer 1, 2 ou 3 bombons de licor, tomar xarope para a tosse ou tomar alguns comprimidos de homeopatia e for parado numa blitz, você paga uma multa de R$ 1.960,00, tem a carteira cassada por um ano, o carro apreendido e vai preso. (Lei Seca)

Se você fumar maconha, fumar crack, cheirar cocaína, tomar comprimidos de ecstasy, injetar heroina ou ópio e for parado numa blitz, nada vai acontecer. (As autoridades estão equipadas com bafômetros que detectam apenas ingestão de substâncias alcoólicas)

Se você roubar, assaltar, estuprar, atropelar e até matar alguém, com um bom advogado, o máximo que vai acontecer é você esperar o julgamento em liberdade e se for condenado como réu primário, ir para o regime semi-aberto. E se tiver bom comportamento só vai cumprir um terço da pena.

Já se você roubar milhões de reais do povo ou dos cofres públicos, várias coisas podem acontecer: pode se eleger deputado ou senador, pode passar 15 dias num resort na Bahia em companhia da amante, pode ser eleito presidente do Senado, pode ser nomeado ministro ou presidente de uma agência controladora.

E mais um detalhe: se você tiver menos de 18 anos completos, aí você pode beber e dirigir como quiser, roubar, assaltar, estuprar e matar à vontade, que não tem problema algum. Você não pode ser preso porque é criança.

Agora o melhor de tudo: se você tem uma arma em casa, comprada regularmente depois de passar por todas as dificuldades da compra, com todos os atestados, testes e documentos apresentados e tiver a infelicidade de atirar em um bandido que entrou na sua casa para roubar o que é seu, será preso por tentativa de homicídio e terá que pagar indenização ao bandido por danos físicos e morais. Pior ainda se o bandido for menor. Aí você está lascado mesmo.

E se por acaso ele estiver desarmado, aí é caso de tentativa de homicídio qualificado, sem possibilidade de defesa da vítima. Portanto cuidado: se um bandido entrar na sua casa, antes de atirar pergunte educadamente o que ele deseja, pergunte se ele está armado e pergunte se ele é menor.

Agora veja a cara do seu amigo estrangeiro. Ele está pensando se você é gozador, mentiroso ou ignorante mesmo."


quinta-feira, outubro 17, 2013

Papo de astronomia - Infinito X Religião






Por
Carlos Frederico March
(Freddy)
Astrônomo diletante






Estava escrevendo um comentário ao post "Assuntos polêmicos", do dia 13/10/2013, quando percebi que ia me estender o suficiente para gerar um novo post. Eis me aqui, portanto!

No debate acabamos declarando que as religiões decorreriam da necessidade que as sociedades, desde tempo imemoriais, tinham de explicar o inexplicável: eventos naturais impossíveis de serem previstos ou controlados com os toscos conhecimentos que tinham. Claro, havia também um viés de controle da população por classes superiores, mas deixemos isso de lado...

Também foi abordado que muitos de nós - eu incluído - fomos criados dentro de preceitos da Igreja Católica. Curioso que Carrano (blogueiro chefe) e Riva (colaborador e por acaso meu irmão), ambos, foram coroinhas e cedo passaram a ter grande ojeriza aos ritos católicos. Eu, que apenas fiz comunhão e frequentava por vezes a missa, cheguei em minha juventude a participar ativamente de grupo jovem do Instituto Abel (Niterói, 1971/4), apesar de ter sido liceísta. Só mais tarde comecei a questionar minha fé.

Conversa vai, conversa vem, a Igreja Católica e seus ritos principescos foram criticados tanto no texto em pauta como nos respectivos comentários. De minha parte, acho que a Igreja apenas demora demais em se adequar às mudanças sociais e com isso se torna anacrônica. Tem também grande dificuldade em assumir erros passados, o maior deles tendo sido a Santa Inquisição.

Nada disso invalida os ensinamentos de Jesus Cristo, vistos à luz das religiões dele derivadas (católicas ou evangélicas) ou apenas como diretrizes morais e éticas. Você escolhe.

No fim de tudo somos, até os dias atuais, reféns da impossibilidade de explicar o que nos cerca.

Material e espiritualmente falando. Cheguei a cogitar que no futuro não haveria necessidade de religião, mas quem garante que a resposta a tudo não será realmente admitir um Deus Criador?

Bem, minha experiência pessoal com o Infinito começou muito cedo. Eu nem havia ainda feito a Primeira Comunhão, portanto não houve influência alguma de ordem religiosa. Era hábito da família estender umas espreguiçadeiras no quintal de nossa casa no Pé Pequeno (Niterói) em noites de verão e ficarmos conversando um pouco antes de dormir. E eu olhando as estrelas... Naquela época, havia pouquíssima poluição luminosa na cidade, o céu parecia que ia cair sobre nossas cabeças!

Minha paixão por balões ajudou a sedimentar esse hábito de olhar o céu noturno, confesso. Além dessa minha faceta lúdica, eu também costumava me deitar ao lado de minha mãe para escutar suas estórias e ensinamentos. A essa altura ela já estava quase cega e adorava conversar, mantinha-a conectada ao mundo. Minhas primeiras aulas de astronomia saíram de sua boca, nessas conversas
íntimas. Contou-me sobre o sistema solar e os planetas.

Eu tinha 12 anos quando ela me presenteou com um álbum sobre astronomia, uma daquelas toscas publicações que vinham com umas folhas ao final com cromos que você recortava para colar nas páginas do texto. Passei a me interessar não só pelos planetas e seus satélites, mas também por estrelas, supernovas, cometas, nebulosas, galáxias...


Nebulosa Cabeça de Cavalo, em Orion
Quando tinha 14 anos, a fim de estimular cada vez mais meu recém adquirido hobby, meus pais me compraram meu primeiro e único telescópio, um refletor newtoniano de 4 polegadas fabricado no Brasil pela DFV. Não sabia manuseá-lo direito e ele passou um tempo guardado até voltar a ser usado, 17 anos depois! Prestou-me então bons serviços até ser recentemente doado a um amigo.

O autor e seu newtoniano DFV de 4"
Mantive a paixão acesa comprando e lendo avidamente livros e revistas sobre astronomia, a maior parte delas estrangeiras. Até hoje assino a revista americana "Astronomy" e curto páginas específicas no Facebook, recebendo diariamente notícias e fotos.

Pois bem... Quanto mais olhava pra cima, acrescido ao que lia e via em imagens cada vez mais bem definidas, aliado a descobertas científicas que atualizam nosso conhecimento do Cosmo ano a ano, mais minha pequenez frente ao Universo me impressionava.

E as religiões falando de um Deus que me monitora como um Big Brother onipresente! E eu vendo barbaridades acontecendo em volta, e para cada uma delas recebendo explicações sobre um "vale de lágrimas", "uma terra de sofrimento e expiação", e outras vãs tentativas de me dizer que existe algo ou alguém para o qual tudo isso faz sentido.

Putz... Eu sei, justo por estudar astronomia, o que é a Terra no Sistema Solar. A sonda Cassini bateu uma foto extraordinária de nosso planeta visto por detrás dos anéis de Saturno que demonstra o
quanto somos ínfimos no nosso próprio sistema.


A Terra está marcada com uma seta
E eu sabendo o quão insignificante é o Sistema Solar dentro de nosso própria Galáxia, a chamada Via Láctea. E o quanto a Via Láctea é inexpressiva dentro do Supergrupo Local de galáxias e nebulosas e o quanto isso tudo é nada frente ao Universo como um todo! COMO então aceitar que o tal Ser Supremo, o Criador, ficaria me espionando enquanto eu me aliviava dentro do banheiro, quando jovem?

Não há religião alguma no mundo que me faça aceitar a presença de um Ser Supremo interessado na minha pessoa como indivíduo enquanto assuntos de ordem superior como a peste negra na Europa, tsunamis, tornados, vulcões e terremotos, vêm dizimando impiedosamente milhares ou milhões de almas inocentes. Quem olha pela aterrorizada vítima quando está a ser seviciada, torturada e morta por um maníaco? É esse Ser Supremo?


Tsunami na Indonésia, 2004
Decerto continuo estudando. Hoje assisto atentamente palestras num centro espírita. Confesso que aceito a influência de correntes de pensamento entre pessoas, para o bem ou para o mal. Não me custa me juntar a elas para me alinhar e me proteger, procurando também fazer a minha parte mentalizando ajuda ao próximo.

Pessoalmente acho que a ciência já está madura para começar a entender a telepatia, fonte das tais correntes mentais. Com isso, muitos dos mitos e ritos religiosos passariam a ter explicação científica.

Mais religiões teriam de se adaptar às novidades ou serem substituídas por outras mais modernas.

Assim tem sido desde o início das sociedades humanas.

Mesmo confessando minhas toscas tentativas de estudar uma ou mais religiões, tudo cai por terra ou deixa de fazer sentido quando volto a meus estudos de astronomia e cosmologia. Mais um paradigma é derrubado: Peter Higgs acaba de receber o prêmio Nobel de Física junto com François Englert por seu trabalho em busca da partícula que cria matéria a partir do nada (apelidada de Bóson de Higgs ou a Partícula Deus). Escrevi sobre o tema no post "Higgs x Venter", aqui publicado em 07/04/2013. (http://jorgecarrano.blogspot.com.br/2013/04/higgs-x-venter.html)

Nossa pequenez e insignificância como indivíduo, sociedade, planeta, sistema solar, é impossível de ser aquilatada por uma mente lógica e científica. Sinto-me um gafanhoto... um grão de areia...

Ah, mas é porque eu seria materialista - alguns me acusam. Não, nem com explicações espiritualistas alguém vai me convencer que o tal Ser Supremo, o Criador, olha todo dia para mim, ou por mim, como indivíduo. A menos que Ele trabalhe com Assistentes, zilhões deles, espalhados pelos recantos do Universo, atendendo a Suas ordens e reportando a Ele relatórios periódicos!


Créditos de fotos:
Nebulosa - site APoD, NASA
Newtoniano DFV - acervo do autor
Cassini - blog Só Ciência, O Globo, via Facebook.
Tsunami - banco de fotos do Google sob o título Tsunami 2004