Não estava em meus planos ter que me explicar ou muito menos me penitenciar pelo que escrevi sobre silicone, tatuagem, piercing ou brinquinho.
Mas meu amigo (ex-amigo?) já havia ligado enquanto eu caminhava no calçadão e voltou a ligar logo após eu haver voltado para casa, ainda há pouco. Wanda informou que ele havia telefonado mas não deixara recado.
Isso dá a medida do grau de insatisfação dele com minha crítica ao homem com brinquinho. Não que eu tenha dito claramente, mas por exclusão. Se ele não é mulher ou índio, foi atingido.
Quando atendi e ele mencionou o post de hoje, minha reação foi de júbilo. Afinal ter o blog como leitura matinal é motivo de alegria.
Mas ele ligou para estrilar sobre o uso de brinco. Frisou que usa há muitos anos - o que é verdade - e se sente bem usando.
Tudo bem, respondi, não se sinta o alvo de minha opinião. E repeti - mera opinião. Por mim nem mesmo as mulheres usariam. Acho um pecado uma orelhinha bem feita, delicada, bonitinha, com um penduricalho que a deixará, futuramente, com o lóbulo flácido, deformado, como o da fato ao lado que pincei na Wikipedia.
É óbvio que na conversa telefônica não dispunha da foto para ilustrar, então descrevi. Acrescentei que minha mulher tem, ainda apesar dos mais de setenta anos - uma orelha pequena e bem torneada. Brinco, quando usa - e usa eventualmente - é sempre pequeno, leve, daquele tipo que fica junto ao lóbulo.
Eu acho desnecessário, sempre. Mas não se trata de um julgamento, é opinião de um tradicionalista, conservador, ortodoxo, que segundo um de meus filhos já nasceu velho.
Para encurtar, assegurei-lhe - ao amigo, cujo nome preservo - não só o direito de uso bem como o direito de resposta usando o espaço do blog. Desafiei-o a defender a tese de que o brinco é essencial, importante, como adorno ou como expressão de personalidade.
Gente, e agora falo no geral, sempre defendi a tese de que a mulher ideal é aquela saindo do banho, naturalmente perfumada, cabelos ainda molhados, envolvidos, ou não, numa toalha em forma de turbante , mas algumas gotículas sobre os ombros.
Visão paradisíaca, para mim, é da mulher deitada de bruços, lânguida, cabeça apoiada de lado no travesseiro e os cabelos espalhados. Claro, sem um dragão tatuado nas costas, pelo amor de Deus!
Você já viu uma mulher, vestida apenas com uma camisa masculina ou um roupão curto, tentando alcançar, na ponta dos pés, uma lata no armário ? Se nunca viu azar seu. Tente imaginar, as pernas bem desenhadas...
Tudo sem desenhos, frases, nomes ou quaisquer coisas que desviem a atenção da perna.
Eu e Wanda nunca ficamos "brigados" mais de três dias.
Quanto ao silicone, o que imagino, não tenho experiência com mulher siliconada, é o seguinte e me perdoem a grosseira comparação:
Sabem aquelas bolas de soprar que os paulistas chamam de bexiga? Pois, quando criança, se uma delas estourava, a gente costumava pegar um dos pedaços maiores, colocávamos na boca e aspirávamos de sorte a formar uma pequena bola no interior da boca. Depois, claro, tirávamos a bolinha formada para brincar.
Pois é, aquele gosto da borracha, quando colocávamos na boca o retalho da bola estourada, é exatamente o gosto que me vem a memória quando vejo um seio siliconado.
Amigos e amigas tatuados, siliconados, com piercing, cabelos pintados de vermelho, ou como se sintam bem, não estou nem aí.
Só não uso. É questão pessoal.