Por
Carlos Frederico March
(Freddy)
Faz tempo que eu queria escrever sobre isso, mas não gosto muito de polemizar sobre religião. Sabe como é, o modo mais rápido de se perder um amigo ou se meter em confusão é debater sobre futebol, política e religião. No entanto, o próprio patrocinador deste espaço, nosso amigo Carrano, adora acirrar ânimos, portanto lá vai!
Existe uma piada acerca de como 7 ceguinhos descreveram um elefante ao serem apresentados ao imenso paquiderme.
- O primeiro disse que o elefante era uma corda com um tufo na ponta, como se fosse um espanador. Havia pego o rabo.
- O segundo disse que o elefante era uma parede! Havia tocado o animal pelos flancos.
- O terceiro disse que ele era como uma mangueira de bombeiro, mas enorme: pegou a tromba.
- O quarto disse que ele era uma verdadeira arma, parecida com uma baioneta mas estranhamente encurvada: obviamente pegara uma das presas.
- O quinto avaliou e disse que achava o elefante um tronco de árvore. Ele havia abraçado uma das patas.
- O sexto, disse que ele parecia uma cortina, daquelas bem grossas! Havia pego uma das orelhas.
- O sétimo pensou que elefante era uma caverna úmida, acessara a bocarra do animal!
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| Elefante |
A tese que pretendo apresentar é a de que todas as religiões atuais, ao menos as maiores e mais bem estruturadas, se comportam como cada um dos ceguinhos ao descrever o elefante. Abordamos facetas de Deus e de sua criação, mas ainda não temos capacidade de abarcar o todo. Cristãos (católicos, evangélicos e espíritas), islâmicos, judeus, budistas, todos tocam partes do Criador com mãos toscas mas sem conseguir enxergá-lo em sua grandeza e plenitude.
Voltemos um pouco no tempo. Se você fosse um maia, ou inca (que nem a roda conhecia), um egípcio na idade antiga, juraria de pé junto que o ambiente que o cercava era todo ele regido por deuses diversos. Essa era sua verdade, ou melhor, a verdade que sua sociedade conseguia enxergar e descrever com os conhecimentos que tinha.
Doenças eram curadas com ervas e preces. De vez em quando nada dava certo e pestes dizimavam tribos inteiras, safras se perdiam e a fome grassava implacável. Para esses povos, tudo isso era punição por algo que alguém fizera. Raios, trovões, enchentes, erupções vulcânicas e outras catástrofes naturais, eram todas elas associadas ao mau humor dos deuses. De acordo com seus ritos religiosos, para aplacar a incompreensível ira divina, eles sacrificavam escravos, virgens, animais, o que fosse.
Oh! Isso não! Você dirá que hoje somos cultos e sabemos o que significa um trovão, um raio, uma erupção vulcânica. Um cometa que apareça e ilumine os céus com sua espada flamejante é nada mais que uma rocha cheia de gases que se volatilizam ao se aproximar do Sol e não um sinal dos céus de que algo importante (positivo ou negativo) está para acontecer.
A humanidade já dispõe de uma ampla gama de remédios e procedimentos médicos que curam inúmeras doenças, e aquelas que ainda não têm cura você sabe que é uma questão de tempo, não da vontade de um Deus vingativo. Nossa ciência já avançou até aí.
Faça agora, caro leitor, um exercício de imaginação: viaje ao futuro! A essa altura a humanidade já terá colonizado a Lua, Marte e estabelecido bases científicas em alguns satélites de Júpiter e Saturno.
A maioria absoluta das doenças já será curável, viver mais de 100 anos será corriqueiro. A ciência já explicou nebulosas e galáxias e agora entende como a matéria e energia que permeiam o espaço sideral foram criadas.
Imaginando-se nesse futuro, olhe então para trás e menospreze aqueles povos idiotas (nós hoje) que cultuavam várias religiões diferentes e se digladiavam entre si, cada uma defendendo seu Messias ou seu Guru, cada um com suas regras e ritos e ditames. Islâmicos querendo esmagar os infiéis, evangélicos berrando suas preces, católicos defendendo sua estrutura milenar com unhas e dentes, espíritas evocando vidas passadas, budistas orando por todos os demais, e por aí vai.
Parece-lhe um futuro improvável? Sei não... Coloque-se novamente na pele do tal maia ou inca, ou de um faraó egípcio, de gregos e romanos da Idade Antiga. Procure em profunda reflexão imaginar como era a vida naquela época primitiva, com todas as limitações e o pouco saber. Cada povo explicando a Natureza ao seu redor, ao lado, acima e abaixo, através de sua tosca religiosidade...
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| Pirâmides de Gizé - Egito |
Sinta-se vivendo nesse passado longínquo e procure refletir como absorveria (se é que teria condições mentais de absorver) a notícia de que no futuro haveria antibióticos, operações a laser, controle de safras. Imagine-se recebendo explicações sobre transmissão de imagens e comunicação à distância (TV, internet), máquinas voadoras, eletricidade, automóveis e naves espaciais.
Dá para perceber que o conhecimento daquelas sociedades não tinha base científica alguma para entender o que estariam lhes contando? Para elas, tudo isso não só era coisa de deuses (uma enorme quantidade deles) como em alguns casos era tão inadmissível que nem deuses seriam capazes de realizar!
Oh, mas NÓS sabemos! Já temos tecnologia e conhecimentos científicos para descrever a Natureza ao nosso redor, curamos doenças e nos comunicamos globalmente on-line! É bem verdade que ainda não conseguimos entender muito bem o Universo nem como ele pode ter sido criado...
Como não?! Eu - católico, evangélico, espírita, islâmico, budista, judeu, etc etc etc - conheço o Criador e sua obra! Eu oro para Ele e/ou para Seu representante entre nós todo dia, toda hora, ou a cada instante! Cumpro todos os ritos e exerço a minha fé (cada um em sua religião) com dedicação, respeito e temor!
Não se iluda porém, caro leitor! Haverá um tempo à frente em que você será um maia ou inca ou egípcio da era dos faraós para um povo do futuro. E então esse povo olhará o passado e dirá que, como cada um dos 7 ceguinhos, nem de longe você conseguiu compreender o que é um elefante!
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| Cometa Hale-Bopp (1997) |
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Créditos das imagens
Elefante
http://www.animalgalleries.org/Large-Land-Mammals/Elephants/
Pirâmides de Gizé
http://misteriosfantasticos.blogspot.com.br/2012/03/piramides-do-egito.html
Cometa Hale-Bopp (1997)
http://apod.nasa.gov/apod/ap131013.html
Image Credit & Copyright: Jerry Lodriguss (Catching the Light)