Os cachorros são os melhores amigos do homem, segundo conceito popular. Quem elege o whisky, argumenta que a bebida é o cão engarrafado, como já lecionado por Vinicius de Moraes.
Ou como recomenda Eurípedes Alcântara: "Se precisar de um migo fiel, compre um cachorro."
Tive também um cão fiel como já assumi aqui no blog, inclusive ontem, e conservo na memória, mas os Amigos que serão citados foram leais, o que por ser racional é humano.
Filhos, a meu juízo, estão num andar acima daqueles que colocamos os Amigos. Colegas, conhecidos (aqui incluídos eventualmente clientes e vizinhos), ficam no térreo.
Hoje entro na definição, pessoal e sem pretensões de transferível, do que seja Amigo, grafado com maiúscula.
Recorro a imagens e conceitos consagrados em sistemas de valoração utilizados em administração.
Elege-se uma bateria de fatores importantes e pertinentes, tais como lealdade, confiança, afinidades, respeito, compreensão, solidariedade, estima e, se o caso, outros desnecessários enumerar aqui e agora para o fim colimado.
Não perco de vista o aforismo: "Boas cercas fazem bons vizinhos."
Atribuo a cada um dos fatores um peso, considerando, para mim mesmo, a relevância do que expressa. Por exemplo, afinidades é mais relevante do que a lealdade?
O Amigo deve pontuar em todos os fatores do pacote. Nem pensar em hierarquizar estas amizades, porque ao fim e ao cabo no somatório os resultados se equivaleriam.
Você que me lê estará pensando, porque não tem como arguir agora, o Carrano estabeleceu um sistema de escolha da mulher para se casar.
Certo! Tirante beijo na boca e sexo, os valores importantes num casamento, são também para amizades sólidas, duradouras.
Este tema me veio a mente ainda há pouco, ao lembrar que três de meus melhores Amigos faleceram: Mário Castelar, Hermes Santos e João Jorge Bazhuni.
Com eles fiz projetos, planos, compartilhamos aventuras. E nos auxiliamos em alguma medida quando necessário.
Os três deram provas concretas, palpáveis, de lealdade, apreço e consideração, em diferentes momentos e contextos.
Se existe vida após a morte, com absoluta certeza gostaria de reencontrá-los...
Espero que seus espíritos estejam seguindo seus caminhos, com paz e luz.
Notas:

2 comentários:
Tirante os da casa, o comportamento do Bill estava mais próximo de um Canis lupus, do que de um Canis lupus familiaris.
Como chamar o retratado desta narrativa?
Amigo? Não caberia nem na conceituação latu sensu. Protetor? Solidário? Instrumento de meu Anjo da Guarda?
Além de estar de féria era um domingo e eu regressava da casa do Millar, em Itacoatiara, onde tomara uns quantos copos de cerveja.
A estrada era, como sabem os que frequentavam as praias oceânica, como Itaipu, Piratininga, e Camboinhas, muito ruim. Estreita, com piso sem manutenção e algumas curvas.
Apressado na volta para o almoço em casa. Com minha sogra, que nós levaríamos de volta no dia seguinte, para Cachoeiro de Itapemirim.
Pois bem, afoita e inconsequentemente tentei uma ultrapassagem numa curva. Não deu posto que vinha carro em sentido contrário. Voltei abruptamente para minha mão de direção, mas o espaço estava ocupado. Colidi lateralmente, perdi o controle e cai na pirambeira. O carro só parou ao colidir com uma árvore.
A porta do carro abriu, fui atirado para fora, e abracei o tronco ... espinhento. Filetes de sangue no peito, nada graves.
No alto, na estrada, todos pararam. Era um acidente e todo mundo tem curiosidade. Alguém gritava: irresponsável, maluco!
Já ao meu lado, lá embaixo, um rapaz me amparava e ajudava a retornar a estrada. E rechaçava possibilidades de agressão física.
Levou-me até seu próprio carro onde estava a namorada, e perguntou para onde eu queria ir? Como ele ia em direção às praias, resolvi retornar a casa do Millar.
Tomei um banho, lavando os vestígios de sangue, pedi perdão pelo transtorno e ganhei carona para Icaraí, onde morava.
Eu fumava na época e quando pedi ao meu socorrista um cigarro ele tirou do bolso da bermuda um maço de Continental todo amarrotado, onde havia um só cigarro. Recusei mas ele insistiu que eu fumasse.
Deixou-me na entrada de Itacoatiara (era um Condomínio no passado, lembram?). Agradeci, acho.
Como se chamava? O que fazia na vida para vivê-la?
Não sei, nunca soube. E nem ele jamais soube algo sobre mim. Nunca mais nos vimos e, quer saber? Talvez não o reconhecesse tão fortuitas e estranhas nossa ligação.
Amigo?
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