17 de novembro de 2011

Números reveladores

Alguns números são sensacionais, assustadores, preocupantes, risíveis, absurdos, bizarros, deprimentes, angustiantes ou animadores. Sem ordem de importância ou relevância, cito abaixo números colhidos na imprensa nos últimos dois meses que deveriam nos fazer pensar e tentar mudar as coisas, ou comemorar.

O planeta atingiu a marca de 7 bilhões de humanos. Qual é o limite de população a viver no planeta? A China acaba de mudar suas leis e admitir que os casais tenham até dois filhos. A Igreja, alguns hipócritas e aqueles que vivem a custa da miséria e ignorância alheias são contra o controle da natalidade.

Os exames realizados pela OAB revelam números alarmantes. O índice de reprovação entre os 106.891 inscritos bateu o recorde de 90,26%. Isso significa que nove em cada dez candidatos não passaram na prova. O exame qualifica os bacharéis aptos a exercer a profissão de advogado e acabou se tornando uma barreira para estudantes de cursos fracos, nascidos em meio a uma explosão de faculdades de direito pelo Brasil.

Em Niterói, cidade com 500 mil habitantes, temos 6 Faculdades de Direito, sendo 5 particulares e a da UFF.

Se por um lado o exame da Ordem reprova muitos bacharéis, um simples teste aplicado em estudantes do último ano de medicina, em São Paulo, revelou que 46% deles não sabem interpretar uma radiografia.

Acho que os recém-formados em medicina também deveriam fazer um teste de suficiência, independentemente da residência médica.

Um americano surfou uma onda de 27,4 metros de altura. Foi documentado.

Alguém arrematou, em leilão, por R$ 54.000,00, um dente de John Lennon.

O número de matriculados no ensino superior no Nordeste já chega a 1 milhão de pessoas. Precisa aferir, agora, o nível do ensino ministrado, O aproveitamento dos universitários.

A Gillette, fabricante de lâminas de barbear, teria oferecido ao ex-presidente Lula, 1 milhão de reais para ele raspar a barba, sugerindo que ele doasse o dinheiro para uma instituição de caridade. Lula não topou. Não se sabe se por amor à barba ou porque deveria doar o dinheiro.

Existem, no pais, 340.000 ONGs. Não está errado não, são trezentas e quarenta mil Organizações Não Governamentais, que dão uma dimensão do vácuo de poder público.

Se muitas delas recebem subsídios, dinheiro do estado, é porque em tese estão fazendo coisas que os governos não estão fazendo.

Seis ministros foram defenestrados ou pediram o boné depois de apanhados em fraudes, desvios de verbas públicas (utilizando algumas da ONGs acima citadas) e outras tramóias, em menos de um ano de governo.

Foram afastados não porque desviaram dinheiro ou fraudaram contas. Mas sim porque foram apanhados. Se não tivessem sido pegos com a boca na botija, ainda estariam ai se locupletando.

Será construída no Brasil a maior fábrica de celulose do mundo, com financiamento do BNDES: montante da grana? 2,7 bilhões de reais.

Depois da ocupação da Rocinha, policiais encontraram, com ajuda do disque denúncia, revistas nas residências e farejamento de cães, muita droga (maconha, cocaína) e um arsenal em armamentos: 70 fuzis, uma metralhadora ponto 30, pistolas e granadas.

Eu dormiria mais traquilo se tivesse certeza de que darão um fim honesto ao que foi apreendido, sem risco de ser reciclado pela própria polícia (alguns policiais) voltando às mãos dos bandidos.

Anualmente são retirados de circulação, 30 bilhões de reais em valores de face das cédulas danificadas. São 2 milhões de cédulas jogadas fora, equivalendo a duas mil toneladas de papel por ano.

Quinze empresas brasileiras perderam, em seu conjunto, 18 bilhões de reais, em face da valorização cambial ocorrida depois da crise econômica dos países da zona do euro.

Alguém já disse, com muita propriedade, que o nome dado ao grupo de países que utiliza o euro não poderia ser mais feliz e significativo: zona. Zona do euro.

Misturaram gregos e alemães. Se ainda fossem gregos e troianos poderia dar certo. Mas com alemães não dá liga.

Cinqüenta minutos foi o tempo que perdi, pesquisando nos jornais e depois digitando este post. Muita energia despendida para produzir nada. Aliás, muita... bobagem.

16 de novembro de 2011

Camille

O Paulo March conta que participou, em 1969,  de um festival universitário de música, em Valença – RJ, por conta da sugestão de um amigo, mas que não tinha nenhuma letra pronta ou imaginada.

Lendo O Globo, deparou-se com a manchete sobre um furacão que atingiu a costa americana provocando sérios prejuízos. Conforme a praxe o furacão recebeu um nome feminino – Camille. A inspiração veio de imediato. Vejam a matéria sobre o furacão no link http://pt.wikipedia.org/wiki/Furac%C3%A3o_Camille

CAMILLE

O dia raiou azul, viver
Em tudo há esperança, nascer

Havia amor na vida
Ilusões não perdidas

Há paz no coração de um povo a nascer
É chegada a hora de um povo sofrer ... porque

Camille, chegou, desmanchou,
O amor, que se gerou

O Sol se pôs lento a morrer
Os jovens não cantarão mais porque

Morreu o amor na vida
Desta gente agora sofrida

Será vingança do mar ao se enfurecer
E se arrojar sobre o povo até morrer

Camille, chegou, desmanchou,
O amor que se gerou

15 de novembro de 2011

Verão, sombra e cerveja gelada

Em périplo pela Península Ibérica, no início deste século, fui a loja do El Corte Inglês, em Lisboa. A idéia era comprar, como comprei, para meu filho, o livro “O Homem Duplicado”, do José Saramago, que ainda não havia sido editado no Brasil e, além de tudo, estaria no português original o que conferiria ao livro uma autenticidade maior.

Bem, quanto ao português, era bobagem, eis que por imposição do autor, nas edições em língua portuguesa haveria que respeitar o texto original, sobretudo a grafia.

Mas restou o ganho de podermos ler a obra antes do lançamento no Brasil.

O ganho adicional foi conhecer uma imensa variedade de cervejas de todas as procedências, menos do Brasil, que estavam a venda no setor de bebidas. Vale notar que havia marcas sul-americanas, mas não brasileiras. Bem, a AmBev ainda não existia. Pode ser que agora a cerveja brasileira marque presença e tenha consumidores pelo mundo afora, até porque temos boas marcas de diferentes tipos.

Bem, perdão periferia (como diria o Ibrahim Sued) mas já tomei cerveja pilsen no país de onde ela se origina, ou seja, República Checa.

Voltando as cervejas vendidas no El Corte Inglês, que é, mal comparando, uma espécie de Harrods (Londres), Galeries Lafayette (Paris) ou KaDeWe (Berlim), vejam as marcas e os preço, alertando que já estavam em euros, moeda então recentemente posta em circulação em Portugal.

Hoje não é novidade porque no Rio e até em Niterói, muitas destas cervejas já são encontradas. A minha predileta, como já mencionei neste blog, é a Guinness, irlandesa.

A bem da verdade, a moda agora, espero que passageira, é das cervejas artesanais. Fui almoçar do Noi (em Niterói) e provei agumas delas. Diferentemente dos vinhos, as cervejas ditas artesanais, não me fascinam.

















Galeries Lafayette é uma loja de departamento francesa.A loja principal da Galeries Lafayette fica em Paris é conhecida como Galeries Lafayette Haussmann e tem 10 andares.

A Kaufhaus des Westens , mais conhecida como KaDeWe , é uma loja de departamentos em Berlim. Tem 60.000 metros quadrados de area de vendas, onde vende mais de 380.000 itens .


A Harrods é a mais luxuosa e exclusiva loja de departamentos do mundo, localizada em Londres. Ocupa uma área de 90.000 m² de espaço de venda, sendo a maior loja da capital inglesa. O lema da Harrods é Omnia Omnibus Ubique - "Todas as coisas, Para todas as pessoas, Em todo lugar”


El Corte Inglés é uma cadeia espanhola de lojas de departamento. Conta com mais de cem localizadas em todas as importantes cidades espanholas e duas lojas em Portugal, uma em Lisboa e outra em Vila Nova de Gaia. - "Não se conforme com menos, não lhe custará mais."


13 de novembro de 2011

Que país é esse?


de Gaulle
Não importa se Charles de Gaulle disse ou não, que o Brasil não é um  país sério. Não é. E nós sabemos disso.
Num pais sério a polícia não faz comboio dando cobertura a carro em fuga da favela, levando no porta-malas o bandido mais procurado do Rio de Janeiro.

Num pais sério não são afastados seis ministros de primeiro escalão, envolvidos em fraudes, sonegação e desvio de verbas. Isso tudo no primeiro ano de governo.

Alias, num pais sério não existem mais de trinta ministérios, cuja titularidade é exercida se atendidos, em conjunto ou alternativamente, os seguintes critérios: pertencer a partido da base aliada; ser filiado ao partido do governo ou for membro de umas das centrais sindicais que são afluentes deste mesmo partido. Mérito profissional? Conhecimento técnico da área? Idoneidade? Que fatores estranhos são esses, neste país?

Num pais sério, o Ministério da Educação consegue realizar provas de avaliação de ensino médio, sem que as perguntas vazem e comprometam o resultado da avaliação. Dirá você, um ingênuo ou cínico, que pode acontecer, pois o homem erra. Mas acontecer duas vezes, na sequência, e ninguém é preso ou demitido a bem do serviço público?

Um país sério não expõe sua seleção nacional de futebol, ganhadora de títulos mundiais, a jogar no Gabão, num lamaceiro, pouco menos que um chiqueiro que chamavam de campo de jogo, por um punhado de dólares que irão engordar a receita de uma entidade que nada faz pelo bem dos clubes a ela filiados e que deveriam ser a razão maior de sua existência.

Um pais sério não dá abrigo político a bandido comum, assassino frio e cruel, como o tal Batistti.

Um pais sério não se alinha politicamente e ideologicamente, com governos totalitários, tiranos, ditatoriais, como os de Mahmoud Ahmadinejad, Hugo Chaves, Muammar Kadhafi, irmãos Castro et caterva.

Num país sério, Organizações Não Governamentais (ONGs), não recebem verbas publicas. Se são entidades não governamentais, porque recebem dinheiro de nossos impostos? A maioria delas vive mamando nas tetas dos governos. Ora, se prestam serviços de interesse público, com dinheiro público, então não são não governamentais. É óbvio.

Não conheço direito o repertório do Legião Urbana, mas

Que País É Esse?

"Nas favelas, no Senado
Sujeira pra todo lado
Ninguém respeita a Constituição
Mas todos acreditam no futuro da nação
Que país é esse?"

O destinatário está errado, pois já não vive, mas a mensagem insinuada até que é inspirada. Vejam:





Imagens: circulam em mensagens eletrônicas, através da grande rede.

12 de novembro de 2011

Aviões Comerciais: evolução no design

Por
Carlos Frederico M B March

Eu sempre gostei de aviões. De vê-los, que fique bem claro, só entro neles por absoluta necessidade. Sejam de guerra, comerciais, de transporte, sempre me deliciei em observar-lhes as belas formas.

Posso até admitir que fui um adepto, ao final da infância e início da adolescência, de passeios ao então Aeroporto do Galeão. Lembro-me que os cariocas dizem que os paulistas adoram "tomar cafezinho no aeroporto", mas eu também gostava de passear lá só para admirar bem de perto os aviões que ali pousavam. A família aproveitava e almoçava num bom restaurante que ficava perto da entrada de passageiros. Tempos idos, tipo 1960...

Havia uma rota aérea de que passava quase em cima de minha casa, situada no Pé Pequeno / Santa Rosa / Niterói e eu afirmava conseguir identificar os modelos pelo ruído das turbinas ou hélices. É, é verdade! Raramente errava. Não era tão difícil assim, os aviões que faziam rotas internacionais via Rio eram poucos e, quando semelhantes em forma, havia algumas pequenas diferenças físicas que me ajudavam a diferenciá-los.

Boeing 720-B

Boeing 707











Por exemplo, comparando quadrijatos, o Boeing 720B era semelhante ao Boeing 707, mas era menor e equipado com turbinas que assobiavam de uma maneira que só um surdo não o identificaria! Os Convair CV-880 e CV-990A se diferenciavam dos Boeing pelo formato do nariz, que os fabricantes gostam de usar como "identidade", pelo estabilizador meio "puxado" pra trás, além do fato dos referidos Boeing terem um espeto na ponta do leme.

Convair CV-990A

Convair CV-880 Lisa Marie (Elvis Presley)

Não bastasse, o 990A se destacava dos demais quadrijatos pelas grandes protuberâncias no bordo de fuga das asas, colocadas para melhorar o arrasto aerodinâmico. Como curiosidade, um dos mais bem conservados exemplares de Convair CV-880 hoje existentes foi propriedade de Elvis Presley e ganhou o nome Lisa Marie (sua irmã), estando exposto em seu memorial em Graceland.

No entanto, a motivação desse post é que meu inocente hobby - apreciação da beleza dos aviões comerciais - começou, lentamente, a se tornar monótono. Observando-se a evolução do design com o uso de computadores e simuladores, vai-se verificar que chegou a um ponto mais ou menos uniforme e que nenhum fabricante ousa modificar, a não ser em pequenos detalhes.

Nos primórdios, a coisa era decidida pelos engenheiros aeronáutico, "na munheca", e muitos fiascos aconteceram, para não falar de acidentes fatais, à medida que o design evoluía. Sempre na modalidade aprendizado via tentativa e erro, numa evolução gradual e que permitia experimentações diversas.

Consolidated PBY-5A - Catalina

Douglas DC-3
O hidroavião foi uma solução motivada pela inexistência de boas pistas de pouso. Ao final da 2ª Grande Guerra foi abandonada, apesar de que os veneráveis Consolidated PBY-5 Catalina e outros hidroaviões chegaram a ser usados pela Panair do Brasil na década de 40 e mantidos operacionais na Amazônia até meados de 70 como correio aerofluvial. O Douglas DC-3 foi um dos maiores sucessos comerciais da primeira metade do século e ainda se manteve em uso até os anos 70 em versões comerciais e militares (C-47 da FAB, por exemplo).

Lockheed L-188 Electra II


Lockheed L-1049 Constellation











O pós-guerra trouxe outras soluções aerodinâmicas. O Lockheed L-1049 Constellation é considerado, até hoje, como o mais belo projeto aeronáutico da história da aviação comercial a pistão, tendo sido operado, assim como o DC-3, pela Panair do Brasil. Inovações nos motores introduziram o turbo-hélice, mais eficiente, e o mais conhecido dos brasileiros foi o Lockheed L-188 Electra II, operado pela VARIG na Ponte Aérea Rio-São Paulo. Seus defeitos de projeto foram sanados a partir de análise de acidentes fatais, provocados por vibração excessiva dos motores que causavam stress nas asas.

A era dos jatos comerciais começou com o De Havilland Comet 1, cujas tragédias ajudaram a escrever os manuais posteriores de construção de jatos de passageiros. A mais importante descoberta foi que janelas quadradas trincavam sob condições extremas de pressão, de sorte que hoje todas têm cantos arredondados. Muitos Comet 4 da B.O.A.C. - versão final do modelo - passaram sobre minha casa em Niterói. Eram facílimos de identificar, pois tinham 4 turbinas incrustadas dentro das asas - solução muito valorizada por fabricantes do Reino Unido - e seu estabilizador e leme eram os convencionais da aviação a hélice.

De Havilland Comet 4

Douglas DC-8














O primeiro jato comercial bem sucedido foi o Boeing 707 (foto no início do texto), tornando-se também o marco inicial de crescimento dessa empresa que hoje é uma das maiores fabricantes do mundo. Seu desenho de 4 turbinas penduradas nas asas enflechadas marcou o mercado aeronáutico. Seu maior concorrente direto na época foi o também americano Douglas DC-8.

Diversos desenhos continuaram a ser tentados pelos engenheiros. Uma alternativa que se tornou muito comum no projeto de aeronaves de menor porte foi o uso de duas turbinas na traseira, com o estabilizador no alto do leme. Penso que o precursor teria sido o francês Sud Aviation SE-210 Caravelle, que inaugurou o uso de jatos no país, nas asas da Panair do Brasil. Seguiram-se diversos outros modelos, como o inglês BAC One-Eleven (operado aqui pela extinta Transbrasil).

Sud Aviation SE210
Caravelle BAC One-Eleven














Exemplares mais recentes deste tipo de design revelam o conhecido holandês Fokker F-100, que foi um ícone da TAM até acidentes forçarem sua retirada das rotas principais, e o nosso Embraer ERJ-145. Este sofre de preconceito em nossa própria terra, sendo bem vendido no exterior. Sua versão para uso militar e de rastreamento é usada no SIVAM (Sistema de Vigilância da Amazônia).


Fokker F-100
Embraer ERJ-145 para o SIVAM














Para aviões um pouco maiores, que necessitavam de mais potência, acrescentou-se uma turbina na cauda e tivemos alguns designs dignos de nota, como o bem sucedido Boeing 727. Uma exceção no mercado mundial foi o inglês Vickers VC-10, que adotou turbinas geminadas atrás. Tripulação e usuários reportam grande conforto em termos de ruído interno, por conta disso.


Boeing 727
Vickers VC-10














Então se chegou ao design derivado de quadrijatos convencionais, mas com apenas 2 motores sob as asas. O modelo precursor foi construído por um consórcio europeu com o objetivo de produzir um avião de grande capacidade de passageiros e baixíssimo custo operacional: um "ônibus aéreo". O A300 foi lançado e o nome AirBus passou a denominar o consórcio. Estava inaugurada a era dos aviões de cabine larga (wide-body). Não demorou a Boeing respondeu com o 767, de design praticamente idêntico e que se tornou mais um dos grandes sucessos de vendas da companhia americana. Nota histórica relevante: Osama Bin Laden os usou contra as Torres Gêmeas no atentado de 11 de setembro de 2001.


AirBus A300
Boeing 767













Antes que a mesmice se instalasse nos novos projetos, ainda se produziu alguns modelos cujas características visuais chamaram nossa atenção, curiosamente derivados da ideia acima. Para aumentar a potência desses enormes "wide-body", em vez de colocar mais 2 turbinas nas asas, optou-se por uma 3ª no leme. Tivemos o Lockheed L-1011 Tristar, com poucas vendas, e o bem sucedido Douglas DC-10, mais tarde modernizado pela McDonnell Douglas através do MD-11, virtualmente idêntico visualmente.

Lockheed _1011 Tristar
McDonnell Douglas DC-10













Em termos de desenho diferenciado, a década de 70 ainda nos rendeu dois exemplares notáveis, sendo que um deles perdura até hoje e ainda resiste através de remodelagem recente: o gigantesco Boeing 747, o famoso Jumbo, usado pela maioria das grandes companhias aéreas do planeta. O ápice em design, no entanto, fica com o anglo-francês Concorde, o mais rápido jato comercial de todos os tempos. Infelizmente questões ambientais (ruído excessivo), alto custo operacional e por fim uma tragédia transmitida ao mundo todo determinaram seu abandono.
Boeing 747

Concorde














O tempo passou, os computadores assumiram o controle e provaram que o modelo de 2 turbinas sob asas enflechadas se mostrou a solução mais razoável de todas, de sorte que agora temos uma miríade de modelos essencialmente iguais. Diferenciá-los se tornou quase uma arte e eu arrisco dizer que uma ida ao aeroporto hoje para apreciar os aviões já não tem a mesma graça de antes!


Boeing 737-400

Boeing 757



 

        








Boeing 777
AirBus 321













AirBus A330-200


Embraer EMB-195


      











O futuro chegando em breve, com materiais compostos e totalmente computadorizados :


AirBus A350 XWB


Boeing 787 Dreamliner










Os maiores do mundo, o futuro do presente já no ar:


Boeing 747-8



AirBus A380











Fotos tiradas da Internet, via Google.

11 de novembro de 2011

Um dos últimos românticos

As mulheres, algumas delas, queixam-se de que os homens perderam o romântismo e até mesmo o cavalheirismo. Não puxam a cadeira no restaurante, não abrem a porta do carro, não mandam flores, esquecem as datas de aniversário e outras indelicadezas mais.

Mas ainda existem homens românticos, como por exemplo o Paulo March, engenheiro, poeta diletante, colaborador eventual deste blog, que ao final de um dia de trabalho num canteiro de obras na Rodovia Rio-Petrópolis, retornando para casa, olhando a paisagem pela janela da pich up, descontraído já que não estava dirigindo, lembrou-se da esposa - ISA - e fez para ela o poema abaixo, que ele qualifica como sendo mais exatamente uma letra para uma canção. Intitulou-o de OUTDOORS.

"Todos os dias eu volto
Sozinho a pensar
Um gosto doce e o corpo
Vibrando por te encontrar

Outdoors e luzes piscando,
Paisagens de infernizar
Mantos negros repletos
De listras a me ofuscar

A rampa de acesso ao ar puro
Agora me leva e me aperta
De encontro a um cenário mais calmo,
De cores bem mais abertas

Já posso sentir o seu cheiro,
Os ventos já me disseram
Pois todos os dias eu volto
E te encontro linda e sincera"

10 de novembro de 2011

Tatum, Jamal e Peterson

Este post foi publicado originariamente em http://primeirafonte.blogspot.com/search?q=tatum

Art Tatum, pianista, criou um estilo que virou escola seguida por muitos outros, durante sua carreira e após a sua morte.

Um estilo rebuscado, cheio de notas supérfluas, que o imperador Joseph II criticaria, eis que por muito menos criticou duramente ao Mozart, durante a apresentação deste de “As Bodas de Fígaro” (The Marriage of Figaro).

Vejam no rodapé, parte dos diálogos do filme “AMADEUS”, um clássico no gênero.

Art Tatum

Mas o Tatum foi um virtuoso que nos deixou muitos registros, inclusive em piano solo, e em parceria com outros mestres, como por exemplo o exaustivamente por mim citado BenWebster.

O Jamal, perdulário nas notas ao estilo Tatum, talvez seja pouco conhecido da maioria, mas sua discografia é incrível.

Ahmad Jamal

Tenho - olha aí eu outra vez autorreferente, mas eu avisei que só falaria do que conheço, vi ou escutei – dois bons CDs do Ahmad Jamal, com seu trio, nos quais encontramos interpretações muito boas de velhos temas, considerados clássicos do cancioneiro popular. Os CDs são: “Ahmad’s Blues” e “Live at The Pershing & Spotlight Club”.

Destaco as faixas: “Moonlight in Vermont” e “Autumn Leaves”, neste segundo álbum e Let’s Fall in Love” e Autumn in New York” no primeiro citado.


Oscar Peterson
Já o Peterson tem para mim uma enorme virtude. Saber se comportar em cada momento como deve ser. Ou seja, se é o solista, e existem dezenas de gravações de seu trio, ele é exibido e prolixo musicalmente, utilizando todo o teclado, bem ao estilo do Art Tatum.

Mas se, todavia, ele é acompanhante, sabe se comportar como tal, evitando roubar a cena. É ele – Oscar Peterson - que está ao piano nas únicas gravações feitas em estúdio pela famosa dupla Louis Armstrong e Ella Fitzgerald. Ele está contido, limitando-se a preencher parcimoniosamente os intervalos deixados pela voz e pelo trumpete. Daí que suas intervenções chamam a atenção pela simplicidade rica.

Estas gravações do Satchmo com Ella, são obras que precisam ser ouvidas. Chamam-se ‘Louis & Ella” e “Louis & Ella again”.

Há um outro álbum de ambos, que é o da opereta “Porggy and Bess”, que merecerá um capítulo especial no futuro. Só a abertura vale o preço pago.

Já que fiz uma alusão à música chamada clássica (opereta), e são inúmeros os apreciadores deste gênero, vou tentar mostrar a compatibilidade que existe entre o clássico erudito e o clássico popular.

O Oscar Peterson gravou duas faixas, em seu CD “We Get Requests “, que são imperdíveis para quem tem xodó pelo jazz mas aprecia também o erudito, pois o pianista faz nas tais faixas uma leitura ao estilo de Bach, ou Vivaldi (especialistas, pronunciem-se), que são duas obras primas. Recomendo sem receio de desapontar, que ouçam “My one and Only Love” e “You Look Good to Me”.

Diálogo do filme (encontrado no Google):

Imperador Joseph II: - My dear young man, don't take it too hard. Your work is ingenious. It's quality work. And there are simply too many notes, that's all. Just cut a few and it will be perfect.


Mozart: - Which few did you have in mind, Majesty?

Ou seja, grosso modo , o imperador recomendou ao Mozart que ele cortasse algumas notas de sua obra, porque haveria em demasia. Logo, se Joseph II tivesse ouvido Art Tatum também acharia que ele usava muitas notas. Em excesso.