13 de fevereiro de 2016

Reflexões Carnavalescas - parte 2





Por
Carlos Frederico March
(Freddy)






SEGUNDO DIA - A TRANSMISSÃO

Como não começar já com os descaminhos da polêmica transmissão da Globo? Desta feita flagrados e disseminados pelas redes sociais. Recebi pelo Facebook mas mostro abaixo link obtenível (por quanto tempo?) na busca Google do desfile da Vila Isabel:

http://mauriciostycer.blogosfera.uol.com.br/2016/02/08/vai-ficar-estranho-diz-fatima-sobre-decisao-da-globo-de-ignorar-a-vila/

Como já comentei em post anterior, apesar de não gostar de samba em geral, admiro muito os desfiles das escolas por seu caráter artístico extremamente complexo. Assim sendo, pus-me cheio de paciência a esperar o fim do Big Brother Brasil desta noite de 2ª feira, dia 08/02, para que a Globo se dignasse a passar as escolas.

Para surpresa minha e dos apresentadores Luís Roberto e Fátima Bernardes, quis o destino que, quando as câmeras abriram para o estúdio panorâmico, a Vila Isabel ainda estava desfilando! Por norma interna, o “teatro” montado pela Globo teria de iniciar a noite com a segunda escola como se fora a primeira, no caso a Acadêmicos do Salgueiro e os apresentadores não estavam autorizados a dizer nada sobre a primeira escola real, que seria a última da transmissão, num compacto.

Perdidos com a inusitada situação, Luís Roberto e Fátima acabaram comentando em off sobre a gafe e a decisão interna da emissora de passar o compacto da Vila sem as 2 alegorias finais, já flagradas pelo público ao vivo no fundo da imagem - reforçando o “teatro” de que a primeira escola teria sido a Salgueiro e não a Vila . Só que o áudio vazou na Internet e já é de domínio público nas redes sociais.

SEGUNDO DIA - AS ESCOLAS

A Vila Isabel não tem nada a ver com isso e apresentou-se como a primeira escola da noite com um enredo homenageando Miguel Arraes, destacando o incentivo que deu à educação e à cultura popular no estado de Pernambuco.

O belo carro abre-alas, chamado de Miragem do Sertão, deu início ao relato que passou da caatinga às manifestações artísticas e culturais do estado e até o maior bloco carnavalesco do Brasil - o Galo da Madrugada - teve seu lugar garantido no enredo. Escolhi para ilustrar o desfile o abre-alas e uma cena da apresentação de frevo, um clique muito feliz de um dos profissionais que trabalharam para a Globo.

Vila Isabel: carro abre-alas Miragem do Sertão

Vila Isabel: Um instantâneo do frevo

Passamos então à “primeira” escola a ter seu desfile oficialmente transmitido pela Globo nesse segundo dia:  a Acadêmicos do Salgueiro, com o enredo “A ópera do malandro”, uma adaptação livre da obra homônima de Chico Buarque de Hollanda. Um tema bem animado e carnavalesco, diria eu.

Apesar de - repito - entender pouco de samba e de escolas, como mero admirador da arte achei o desfile do Salgueiro muito bonito, bem arrumado, luxuoso e coerente. Estava num nível que, no meu entender e também dos juízes, a categorizava como séria candidata ao título de melhor escola de 2016. Perdeu por 3 décimos, situando-se em 4º lugar na apuração geral.

O porque da perda dos pontos ficou claro logo no abre-alas. Um defeito no gerador do carro manteve-o apagado durante todo o desfile. Foi uma falha capital, apesar de que alguns comentaristas tentaram minimizar dizendo que a iluminação do Sambódromo e as cores claras do carro davam grande ajuda no visual prejudicado. Mas os juízes foram rigorosos e o Salgueiro saiu do páreo pelo título no finalzinho da apuração. Era o último quesito a ter os envelopes abertos, tremenda frustração mas já, de certa forma, esperada.

Os malandros fizeram muito bem a sua parte no enredo consistente e bem apresentado. Para não ser cansativo - afinal em todas as escolas acontece mais ou menos as mesmas coisas - uma novidade chamou a atenção: a bateria! Foi difícil, mas os carnavalescos Renato e Márcia Lage conseguiram convencer aquele monte de marmanjos a vestir uma fantasia cor de rosa e uma máscara que os caracterizava como a famosa Geni (“joga pedra na Geni”, no enredo da ópera original).

Salgueiro: Carro abre-alas com falha na iluminação

Salgueiro: Bateria fantasiada de Geni
A seguir desfilou a São Clemente. Gente, achei-a muito bonitinha! Mais de 1.000 palhaços no salão foi um enredo perfeito para a noite. Apesar de muito bem resolvido e com uma distribuição harmoniosa e coerente, as fantasias estavam mais para o lado simples, sem o brilho das outras escolas. O samba enredo era fácil, sem aquelas firulas incompreensíveis que acomete o de algumas escolas - só que os juízes não gostaram muito...

Estava bem me deliciando com um carnaval de verdade e não uma superprodução holywoodiana quando o destino foi amargo para a escola... Um dos carros alegóricos travou e, até que fosse manualmente (gente empurrando) posto novamente em movimento, um buraco de dezenas de metros se abriu entre ele e a ala que havia acabado de passar.

Isso é fatal para apuração e de fato a São Clemente perdeu pontos no quesito evolução. A elogiar: o sangue frio da turma, ninguém ficou nervoso, continuaram sambando e cantando. Assim que o carro voltou a se locomover normalmente, a escola prosseguiu o desfile como se nada tivesse ocorrido.

Outro acidente acometeu a escola, mas foi visível na transmissão apenas através da câmera aérea: a rainha da bateria, Raphaela Gomes (com 16 anos, a mais nova rainha dentre as escolas), levou um tombo e precisou ser amparada. Não posso dizer se os juízes viram e anotaram o prejuízo, pois a nota evolução engloba tudo que ocorreu na avenida, já prejudicada pelo “buraco” na formação.

Digno de destaque foi a última ala, onde a escola se deu ao prazer de relembrar recentes protestos políticos: a Ala do Panelaço! Bem a propósito da população estar sendo feita de palhaça (afinal, o cerne do enredo), os integrantes se juntaram à bateria principal com suas frigideiras. Foi muito bem colocada a crítica política.

São Clemente: Alegoria do Palhaço, tema central

São Clemente: Ala do Panelaço
A seguir entrou a preferida de minha esposa Mary, a Portela. O enredo era relacionado com o próprio símbolo da escola: “No voo da Águia, uma Viagem sem Fim”. Grande expectativa cercava o desfile por conta de ser o primeiro da Portela com o famoso carnavalesco Paulo Barros, provavelmente o mais criativo e moderno de todas as agremiações.

De cara, aterrissaram na avenida 3 pára-quedistas com parapentes brancos. Era só o começo. A comissão de frente trouxe uma releitura da “Odisséia de Homero” onde um Poseidon flutuava sobre jatos de água usando flyboard. Só o tanque de água pesava 30 toneladas.

Portela: Parapente pousando na avenida antes do desfile


 Portela: Poseidon flutuando sobre flyboard
Logo atrás a águia símbolo da escola era montada por um Moisés (sem escoras!) que abriu com veementes gestos as águas virtuais formada por figurantes e foi até o Monte Sinai, onde a águia pousou, numa coreografia arrepiante. Diga-se de passagem que houve muito debate até a direção da escola permitir que um figurante ficasse sobre a cabeça da águia, novidade absoluta nos desfiles portelenses.

Portela: Moisés montado sobre a Águia símbolo da escola
Teve luta de incas contra os invasores, onde um índio surrava um espanhol e o jogava do alto de uma torre. O dublê caía sobre um colchão oculto da plateia e a cena se repedia n-vezes. Teve barco viking em plena tempestade, inclinando-se até 40º de cada lado, com marinheiros desesperados pendurados em cordas sobre os mastros.

Portela: Barco viking na tempestade

Muito impressionante, como parte das viagens da águia através dos contos, foi o carro com Gulliver, uma cópia quase fiel de 17m de altura do ator Jack Black que interpretou o gigante num recente filme sobre as Viagens de Gulliver (2010). A cena o mostrava deitado sobre o carro e então vagarosamente ele se erguia. Figurantes que estavam sobre seu peito acabavam pendurados por cordas. Era muito alto!

Portela: Gulliver de pé, 17m de altura

Criativo ao extremo, apesar de mostrado apenas uma vez pela Globo durante a transmissão (que não cansarei de bradar aos ventos: terrível), foi o carro em que arqueólogas que pesquisavam a selva eram subitamente engolidas por dinossauros que apareciam sem aviso prévio. Muito bem ensaiada a cena!

Portela: Arqueólogas sendo devoradas por dinossauros
OK, eu não tenho escola pela qual estivesse torcendo a favor, mas com certeza minha favorita de 2016 foi a Portela, porque foi diferente - como era de se esperar tendo Paulo Barros à frente. Com ele não tem aquela mesmice das demais, há sempre algo inusitado para surpreender a plateia, e sempre executado de uma maneira muito bem ensaiada, perfeita. Daí a justificativa para tantas fotos da Portela, enquanto as demais ganharam 2 ou 3 cada.

A Imperatriz Lepoldinense também não me decepcionou. O enredo contava a história de Zezé di Camargo e Luciano e de cara apresentou uma novidade: Lucy Alves, ex-participante do The Voice, tocando acordeão junto com os violões, bandolins e percussão sobre o carro de puxadores de samba. Fiquei impressionado como ninguém nunca pensara nisso ao vivo, pois cria uma “cama” sonora muito bonita. Sim, claro, num enredo sertanejo.

Além da presença de uma acordeonista no carro de som, a bateria também mostrou novidades em suas paradinhas. Durante segundos, o samba dava lugar a uma frase de música sertaneja para então voltar à toda. Bastante interessante o efeito causado, foi elogiado pela crítica (e por mim).

No geral foi um desfile de primeira grandeza, a meu ver. Somava-se aos demais dessa noite tão melhor que a anterior. Teve diversas presenças ilustres, amigos e familiares da dupla homenageada. Igor, Wanessa e Camila Camargo e a ex-mulher de Zezé, Zilu Godoy, desfilaram juntas sobre um dos carros. A atual namorada de Zezé, Graciele Lacerda, desfilou à parte num carro alegórico, dizem que para não criar embaraço familiar. O pessoal de Luciano desfilou em outro carro.

Imperatriz: Lucy Alves e seu acordeão no carro de som

Imperatriz: Igor, Wanessa, Zilu e Camila Camargo

Imperatriz: Graciele Lacerda, atual namorada de Zezé
A essa altura me senti satisfeito com o que vira até então. Como disse antes, não tenho nenhuma preferida entre as que desfilaram, mas tem aquela que eu NÃO gosto, que é a Mangueira. Vai daí, apesar de ainda ter gás para assistir mais um desfile, desliguei a TV e fui dormir.

OK, a Mangueira venceu. Não que eu esteja totalmente frustrado, apenas não me agradou. Fiz questão de rever momentos do desfile para aquilatá-lo e tenho de admitir que estava bonito, coeso, rico e com muita animação - como sempre - dos figurantes.

O enredo versou sobre os 50 anos de carreira de Maria Bethania, de quem eu até gostava quando ouvia MPB no passado. Hoje não ouço mais, apesar de que considero Bethania uma excelente e exigente cantora. Colegas meus contam que ela é um terror na passagem de som de suas apresentações.

As fotos que posto a seguir têm sua razão de ser. A primeira, apresenta o tema do enredo, a própria Maria Bethania.  A segunda, é porque li num comentário anterior que o blog manager elogiou rasgadamente a rainha da bateria da Mangueira, Evelyn Bastos. A terceira, a porta-bandeira Squel, que ouvi dizer em comentários mais abalizados que o meu que será a imagem que ficará na história deste desfile. Quem sou eu para desdizer?

Mangueira: Maria Bethania, 50 anos de carreira

Mangueira: Evelyn Bastos, rainha da bateria

Mangueira: Squel, a porta-bandeira
Algumas más línguas me informaram que, assim como o Salgueiro teve problemas em seu abre-alas, a Mangueira também teve problema de intermitência luminosa num dos seus carros, por falha de gerador. Curiosamente os jurados foram rigorosos com o Salgueiro e tiraram pontos de alegorias e adereços, mas não tiraram nada da Mangueira. Mistérios que habitam a cabeça da comissão julgadora...

Mas tudo bem. A Mangueira mereceu, como teriam merecido o Salgueiro, a Portela ou a Unidos da Tijuca, que foram as que lutaram palmo a palmo até o último quesito. Relembrando minha opinião desde o início destes dois posts sobre minhas reflexões carnavalescas, todas mereciam um prêmio por seu esforço em desenvolver seus temas e enredos, mostrando-os com muita alegria e determinação no Sambódromo.

Umas se saíram melhor que outras, é a realidade das apurações. Nem sempre a que nos parece a melhor ganha ponto dos jurados porque eles se fixam em detalhes, em quesitos, e nós na arquibancada ou na TV estamos vendo apenas a beleza conjunta, quando não torcendo por uma ou outra agremiação.

COMPLEMENTO

Como vimos no post anterior, a Estácio de Sá ficou em último lugar e será a escola rebaixada para a Série A, cuja campeã de 2016 foi a Paraíso do Tuiuti. A escola originária do morro do Tuiuti em São Cristóvão apresentou o enredo A Farra do Boi e será agraciada com a oportunidade de abrir o desfile do Grupo Especial em 2017.

Paraíso do Tuiuti, campeã da Séria A
Escolas mais tradicionais como Império Serrano, Viradouro, Porto da Pedra ou Padre Miguel (a segunda colocada na apuração da Série A) continuam de fora dos holofotes. Como frequentemente acontece, houve pesadas críticas ao resultado, pois integrantes da Império Serrano e Padre Miguel discordaram do critério da comissão julgadora em notas que teriam favorecido a Paraíso do Tuiuti. Argumentam que a campeã desfilou com falhas de iluminação e erros de evolução que não sofreram perda de pontos.

Pior sorte teve a também tradicional Caprichosos de Pilares, que fez um péssimo desfile (talvez decorrente da sua delicada situação financeira) e foi rebaixada, dando lugar à Sossego, campeã da série B versão 2016.

Para 2017 teremos já a partir de março próximo o debate de interesses entre a Globo, que detém a exclusividade de transmissão (por quanto tempo?) e a Liga das Escolas. A Globo pretende impor limites para preservar sua programação normal - considerada prioritária pela empresa - e a Liga tentará preservar sua dignidade. Como admitir que só comecem as transmissões ao vivo após a 3ª escola? Ou a alternativa apresentada pela emissora, que é diminuir a menos de 1 hora cada desfile (hoje com 82min), para que possa começar mais tarde, tipo 23:00, e aí a Globo passaria tudo ao vivo?

Se for viável juridicamente, creio que a saída será a Globo perder a exclusividade, mesmo que a Liga perca dinheiro, estendendo às demais emissoras o direito de transmitir o desfile como quiser. Assim era no passado. A questão financeira individual com cada emissora e demais patrocinadores seria discutida à parte e não acredito que no final a Liga vá perder tanto dinheiro assim, no somatório.

Créditos
Como no post anterior, muitas fotos foram extraídas da resenha fotográfica do site do Globo na internet, no presente caso postadas na 3ª feira (09/02/2016) pela manhã, quando constaram os respectivos créditos individuais. Infelizmente as informações são substituídas a cada dia, de modo que resgatar posteriormente o crédito individual de cada foto fica praticamente impossível.


Desta feita, contudo, várias delas foram extraídas do setor de imagens do Google quando se pesquisa cada escola pelo nome. Em havendo críticas ou solicitações, poderão ser removidas e eventualmente substituídas por outras aderentes aos respectivos temas.

12 de fevereiro de 2016

Reflexões Carnavalescas - parte 1




Por
Carlos Frederico March
(Freddy)







É esquisito uma pessoa que não curte muito Carnaval se propor a escrever algo sobre o assunto. É bem verdade que não gosto de samba de uma maneira geral, apesar de não ser radical e ter alguns preferidos. Posso destacar aqui:

- “Foi um Rio que passou em minha vida”, de Paulinho da Viola que, apesar de não ter sido o samba enredo da Portela em 1970, foi a que o povo cantou antes (aquecimento) e depois do desfile. Nesse mesmo ano a Portela foi campeã com “ Lendas e Mistérios da Amazônia” mas curiosamente o samba de Paulinho é que ficou associado a essa escola. 

- “Bumbum Paticumbum Prugurundum”, samba enredo da campeã de 1982, a Império Serrano. A autoria é dos desconhecidos Beto sem Braço e Aluísio Machado.

Apesar de não gostar de Carnaval em termos de participação e animação como em minha adolescência e início de juventude, o evento Desfile de Escolas de Samba é algo que me atrai. Não pelo samba em si, e sim pelo trabalho artístico desenvolvido. A análise que farei é de certa maneira inocente e superficial, já que não me enfronho demais no submundo do evento, onde forças imensas entram em combate.

É escolhido um tema, e a escola tem essencialmente um ano para preparar tudo. Aí os compositores saem em campo para a disputa acirrada do samba enredo, tem o desenho das fantasias, a escolha da sequência de desfile, o projeto de carros alegóricos. Tem a construção disso tudo, com patrocínios diversos, incluindo dinheiro escuso, mas não vem ao caso aqui.

A comunidade inteira se lança ao trabalho para confecção de fantasias e carros, artistas especializados são convidados dependendo dos itens a serem desenvolvidos na avenida. Malabaristas, acrobatas, lutadores, atletas de diversas modalidades, são apenas parte de todo um imenso universo de atividades que têm de ter aderência ao enredo escolhido e proporcionar um desfile coerente em harmonia e evolução.

A bateria ensaia novidades, que devem chamar atenção de espectadores e jurados, e tudo tem de ser executado à perfeição num cenário complicadíssimo em termos de sincronismo do som tendo em vista a distância entre o início e o fim da escola na avenida. Complexos circuitos de áudio com defasagem controlada são usados, é assunto de profissionais altamente especializados.

A disputa é desumana, a meu ver, apesar de ser ela que traz motivação para que cada escola invista o seu melhor para mostrar na avenida. Para mim, e para muitos analistas leigos, todas elas mereceriam o prêmio pela simples participação e desenvolvimento de toda uma ideia em uma hora e 22 minutos, depois de um ano inteiro de preparação.

Não sei analisar, ou melhor, não tenho competência para analisar cada quesito da planilha de julgamento, que apontará a campeã a cada ano, além da questão de acesso e descenso que traz a parcela de drama para as últimas colocadas no desfile das escolas de primeiro grupo.

Contudo, como mero espectador, como todos que ligam a TV ou que vão ao Sambódromo assistir ao desfile, sou emocionalmente atingido pelo que vejo. Tenho condição de fazer uma avaliação superficial do conjunto e da evolução. Como não torço, fica mais fácil apenas assistir e gostar ou não do que vi.

Abro parêntesis para declarar que, quando perguntado sobre escola de preferência, costumava citar Império Serrano, mas sem saber exatamente o motivo. Nunca me emocionei especialmente pelos seus desfiles. Sim, tenho ojeriza à Mangueira por motivos que não sei explicar, de modo que nesse ano de 2016 fiquei um tanto frustrado. Pelo que vi, preferia que a Portela tivesse vencido, mas vamos lá.

A TRANSMISSÃO

Agora sim posso descer a marreta! Não consigo conter minha indignação pelo que essa emissora obriga as escolas a fazer, simplesmente por ser patrocinadora exclusiva. A coisa chega ao nível de humilhação. Desde o ano passado, para que o desfile do Grupo Especial não prejudique sua programação normal, a Globo passa a transmitir apenas a partir da 2ª escola a desfilar em cada dia (domingo e 2ª feira). Passa um compacto da primeira escola ao fim de tudo.

Acham pouco? Esse ano rolou o maior quebra-pau antes, pois a Globo já queria passar apenas da 3ª escola em diante, ou então que o desfile começasse sei lá, à meia-noite! A Liga fez valer um tico de sua dignidade e disse que o patrocínio da Globo não era tão grande assim que ela pudesse fazer tais exigências.

Ademais, fez com que a Globo tirasse aquele monstrengo que transmitia o desfile num arco que limitava a altura das alegorias. Quem não lembra a ginástica a que foi obrigada a Portela no ano passado para passar a sua águia? 

Outra imposição que a Globo vem tentando é a redução do tempo de desfile, que ela acha longo (1h22min). Se fosse mais curto (menos de 1h por escola), poderiam começar mais tarde e acabar mais cedo, prejudicando bem pouco a programação normal da emissora.

Sinceramente torço para que a Liga dê um pé na bunda da Globo e volte ao esquema anterior, tão simpático, de várias emissoras transmitindo simultaneamente. A gente simplesmente escolhia aquela que nos fosse mais agradável ou que mostrasse o desfile num ângulo mais favorável. Podíamos também alternar emissoras durante a transmissão, tirando de cada uma o melhor.

A Globo retaliou. Montou seu estúdio panorâmico e ali desenvolveu atividades paralelas que tiravam a atenção completamente do desfile. Dou exemplo. Antes mesmo da escola terminar, entravam os comerciais. Aí voltava já com alguns integrantes da escola para entrevistas - isso com a escola acabando de passar pelo portão, que é um estresse danado. Aí entrevista um, outro, faz-se uma série de comentários, e mais anúncios.

Ao voltar para o estúdio, percebe-se que a próxima escola já está bem avançada no desfile. Mas a Globo tenta enganar o público. Mostra a concentração, o aquecimento dos puxadores de samba, o nervosismo de certos integrantes ou diretores, e então volta à avenida como se estivesse tudo no tempo certo.

Que nada! Aí é uma correria na transmissão para recuperar o tempo perdido! A escola já vai longe e sobra pouco tempo para detalhar o desfile. As grandes manobras acrobáticas, detalhes dos carros, da evolução, são mostrados às carreiras! Em geral apenas uma passada em cada efeito e fim! Foi-se o tempo em que degustávamos as imagens em detalhe, câmera lenta, closes, repetições...

Nesse ano foi tudo corrido, às pressas. E mais uma vez a transmissão do desfile não terminava, a imagem voltava para o estúdio panorâmico e toda a série de eventos internos programados pela emissora era desenvolvida, independente do que estivesse ocorrendo na avenida nos momentos finais, em geral cercados de grande emoção.

Assim como aqui no blog se brada “fora PT!” em se tratando de política, é minha vez de bradar “fora Globo!” em se tratando de Carnaval.

O RESULTADO

Escrevo depois da apuração. Para meu desgosto pessoal, a Mangueira levou o título desse ano. Confesso que gosto tão pouco dela que desliguei a TV assim que terminou o desfile da Imperatriz Leopoldinense, desdenhando a última a desfilar. Concordo, vendo repetições esparsas do desfile, que foi bonito, provavelmente mereceu o titulo.

As 6 primeiras colocadas voltam a desfilar em ordem inversa no sábado dia 13/02, no Sambódromo do Rio de Janeiro, a partir das 21:30. Entre parêntesis, a pontuação de cada escola na apuração dos quesitos.

1 - Mangueira (269.8): Maria Bethânia, 50 anos de carreira
2 - Unidos da Tijuca (269.7): Semeando sorrisos, Tijuca festeja solo sagrado
3 - Portela  (269.7):  No voo da águia uma viagem sem fim
4 - Salgueiro  (269.5):  A ópera do Malandro
5 - Beija-Flor  (269.3):  Marquês de Sapucaí
6 - Imperatriz  (269.2):  Sonho de um caipira 
7 - Grande Rio (268.7):  Santos
8 - Vila Isabel (267.9):  Memórias do Pai Arraia
9 - São Clemente (267.8): Mais de 1000 palhaços no salão
10 - Mocidade (266.5):  O Brasil de La Mancha
11 - União da Ilha (265.8): Rio, olímpico por natureza
12 - Estácio de Sá (265.0):  Salve Jorge, guerreiro na fé

Não vi todas. Nenhuma das primeiras de cada dia, por causa do esquema global. Assisti União da Ilha e Beija-Flor no primeiro dia, mais Salgueiro, São Clemente, Portela e Imperatriz no segundo. Briga de cachorro grande, deu pra perceber e depois a apuração confirmou: foi uma disputa ferrenha de gigantes. Darei a seguir alguns pitacos sobre o que vi, seja ao vivo ou em resenhas.

PRIMEIRO DIA

Começou com a Estácio de Sá, com enredo homenageando São Jorge. Vencedora da Série A no ano anterior, coube a ela dar início à sequência de desfiles edição 2016, sem direito a transmissão ao vivo pela Globo, que mostrava o Fantástico. Portanto, não vi nada desta escola. Poderia ter ficado acordado até o amanhecer e ver o compacto. Pois sim... .

Posso inicialmente destacar que a Estácio era a preferida de nosso blog manager, devoto do santo. Pincei três imagens que considero representativas do enredo, sendo que uma delas destaca uma bela integrante sobre um dos carros. Nas rodas sociais ela provavelmente será considerada gorda. Alguma voz se levanta a favor da moça?

Os jurados não gostaram do desfile, provavelmente nenhum deles é devoto de São Jorge. Com isso, a Estácio de Sá sofreu o efeito gangorra: acabou de subir para o Grupo Especial e já foi rebaixada novamente. Alguma similaridade com o Vasco da Gama nos recentes campeonatos brasileiros? Hmmm...

Estácio de Sá: comissão de frente

Estácio de Sá: Martírio de S. Jorge

Estácio de Sá: Belo destaque em carro alegórico
A seguir entrou a União da Ilha, com um enredo “da moda”, ou seja, relacionado com os jogos olímpicos a se realizarem no Rio de Janeiro. Na comissão de frente paraplégicos treinados faziam belas evoluções, algumas quase impossíveis. Sobre um carro, outro realizava provas similares à do cavalo com desenvoltura exuberante.

Em sendo a primeira escola que assistia no carnaval 2016, estava ansioso pela evolução da ideia, dentro do que já relatei: tenho um imenso respeito pelo trabalho de todos os envolvidos no projeto. Todavia, achei-a, para minha frustração, “misturada”. Não consegui montar mentalmente um padrão de desfile. Muita cor, muita informação, achei que faltou um certo sentido de ordem, arrumação...

Cheguei até a pensar que, se o carnaval de 2016 fosse seguir esse padrão, seria muito ruim. Ao final, tendo visto muitas outras escolas de altíssimo padrão, mudei de opinião no sentido geral, tendo a impressão que a União da Ilha talvez fosse ser a escolhida dos jurados para descer. Salvou-se por conta da Estácio de Sá, que pontuou menos ainda.

Como fotos representativas do seu desfile, escolhi uma da comissão de frente e seus paraplégicos em evolução - que bem representa as Paralimpíadas, e uma de Bianca Leão, a bela rainha de bateria que receava que seu bumbum fosse tremer demais durante o desfile. E alguém se importa?
 
União da Ilha: detalhe da comissão de frente
 
União da Ilha: Bianca Leão, a rainha da bateria
Seguiu o desfile da Beija-Flor de Nilópolis, que comemorava seus 30 anos de existência. Aí sim, identifiquei diversos elementos de seus desfiles anteriores. Muito, muito luxo, muito dourado, fantasias riquíssimas, carros feéricos, dentro de um enredo que até pedia o dourado: versava sobre a vida do  Marques de Sapucaí. Abordava Minas Gerais e sua riqueza, com muito barroco e história da época do império, estudo em Portugal, volta ao Brasil...

O que eu achei, e parece que os jurados também, é que todo mundo já vira isso em incontáveis desfiles da Beija-Flor no passado. Tudo certinho, dentro do figurino, pasteurizado. A mim parecia que não havia falha que fizesse a escola perder pontos no julgamento, mas como já disse, entendo bem pouco. Os jurados acharam erros suficientes para jogar a escola para o 5º lugar na classificação geral.

A comissão de frente veio bem criativa, muito bem ensaiada. O leque mostrado na foto se abria por controle e a igrejinha se transformava numa espécie de mapa antigo. De dentro saía o marquês e se desenvolvia elaborada coreografia. Bonita.

Uma bossa diferente foi a tentativa de uso de violinos à frente da bateria. Interessante, mas juro que não consegui ouvi-los, para mim se tornaram apenas recurso visual. Escolhi também mostrar a ala das baianas, que representa de uma maneira geral o tipo de luxo que imperou no restante da escola.

A ala das Baianas, assim como a Velha Guarda, são elementos indispensáveis nos desfiles de cada escola por permitir que integrantes com idade mais avançada se mostrem e participem dos desfiles. Não pontuam separadamente, mas contribuem como essenciais.

Beija-Flor: comissão de frente

Beija-Flor: violinos à frente da bateria

Beija-Flor: ala das baianas
Pensei ter pinçado o essencial da noite e fui me deitar, sem ver o restante. Assim, sendo, o que mostrarei a seguir sobre a primeira noite de desfile se baseia em resenhas e fotos/vídeos que revi de cada escola citada.

Depois da Beija-Flor entrou a Grande Rio, com o enredo “Fui no Itororó e não achei água, achei a bela Santos e me apaixonei”. É um nome complicado como a maioria dos nomes oficias de enredos, por isso simplifico para “Santos”. Comentários abalizados disseram que quem não conhece a cidade de Santos não entendeu nada.

Claro que tinha bola, tinha Pelé e Neymar Jr (sósias, pois os verdadeiros astros não puderam comparecer). Os times de futebol masculino e feminino do Santos F.C. estavam em carros alegóricos, que também apresentavam outros aspectos da cidade portuária, mas nem o futebol foi suficiente para elevar o nível da disputa. A essa altura só dava Beija-Flor. 

 
Grande Rio:  Pelé à vontade sobre uma bola

Grande Rio: uma alegoria representativa do enredo
Depois desfilou a Mocidade Independente de Padre Miguel. Ah, quem ainda lembra de quão célebre era a bateria dessa escola, a genuína nota 10 esperada em todos os desfiles. Hoje em dia, a planilha de notas dos jurados mostra a realidade: um desempenho apenas mediano.

O enredo tentando adaptar o Brasil a Dom Quixote de La Mancha mostrou-se quixotesco. O que pude pinçar de interessante foi a rainha de bateria, Cláudia Leitte - que se acha mais importante e bonita do que realmente é, sem deixar de ser uma bela estampa fantasiada e sambando. Também destaco o carro alegórico mais alto de todos os desfiles, segundo informação dada. Esse provavelmente não teria sido aprovado no ano passado, quando a altura era determinada pela barra da torre de transmissão da Globo, retirada este ano.

Mocidade: Rainha da bateria Cláudia Leitte

Mocidade: O carro alegórico mais alto de todas as escolas

A noite terminou em grande estilo. Assim reportaram os jornais na manhã seguinte e assim os jurados também acharam. A Unidos da Tijuca conseguiu lutar pau a pau, nota a nota com as outras favoritas, terminando apenas um décimo atrás da campeã Mangueira e empatada em pontos com a Portela, conseguindo a 2ª colocação por critérios de desempate.

O enredo era promissor: “Semeando sorrisos, Tijuca festeja solo sagrado”. Numa época de ecologia em evidência, exaltar o agronegócio caiu bem. Destaque visual já se mostrou logo no início do desfile, com cerca de 100 figurantes totalmente cobertos de barro, em bela coreografia encenando uma versão da criação do mundo.

Sem ter visto o desfile, tenho infelizmente pouco que comentar. Mesmo assim faço destaque de 2 elementos essenciais. Um deles, já mencionado e que não conta ponto a favor, mas contaria contra se não fosse mostrado, é a Velha Guarda. No caso, ela veio concentrada num dos carros alegóricos sobre agricultura.

O outro elemento destacado é o casal mestre-sala e porta-bandeira. Existe um casal principal (às vezes mais um ou dois casais secundários) e a responsabilidade que cai em suas cabeças é monumental: respondem por um quesito inteiro na planilha de julgamento, ou seja, 30 pontos da escola dependem de sua evolução. Basta um mero erro, uma escorregada, e pontos importantes serão fatais na hora de computar o total. Haja responsabilidade! No caso, desempenharam muito bem.
 
Unidos da Tijuca: Criação do mundo em barro

Unidos da Tijuca: Velha Guarda

Unidos da Tijuca: Mestre sala e porta-bandeira
A resenha das escolas que desfilaram no 2º dia, além de informações complementares, serão objeto de post subsequente.


Créditos:

As fotos foram extraídas da resenha fotográfica do site do Globo na internet da 2ª feira (08/02/2016) pela manhã, quando constaram os respectivos créditos individuais. Infelizmente as informações são substituídas a cada dia, de modo que resgatar posteriormente o crédito individual de cada foto fica praticamente impossível. Uma ou outra foto complementar foi pinçada no Google.

10 de fevereiro de 2016

Era no tempo do rei

Prefiro “Passarela do Samba”, ou como antes, quando de sua inauguração em 1984, “Avenida dos Desfiles”.

Admito que faz sentido haver sido batizada pelo povo de “Sambódromo” em face da correria dos desfiles, da aceleração dos sambas, que até mesmo para marchinhas têm hoje ritmo corrido demais.

Dromo, do grego, segundo o Aurélio (fui lá conferir) significa “ação de correr”, “lugar para correr”.

Imaginei que fosse este mesmo o sentido deste complemento – dromo - por causa de autódromo, hipódromo, que são locais onde se disputam corridas.

E as Escolas de Samba, de uns tempos a esta parte, disputam é isto mesmo: corrida. Com tempo cronometrado para o desfile de 4.000 a 5.000 figurantes, e vários carros alegóricos, o negócio foi acelerar os sambas de enredo que viraram marchinhas.

Vai longe o tempo do samba cadenciado, cantado e dançado num compasso sem pressa, sem hora para acabar.


E se falo em cantar é porque as letras contavam histórias. E história brasileira, porque o regulamento não permitia enredos estrangeiros.

Quantos personagens de nossa história oficial, quantas lendas, quanto folclore aprendemos através dos sambas que serviam de suporte para os desfiles. 

Refiro-me aos bons tempos de Silas de Oliveira e de Mano Décio da Viola, ambos da Império Serrano, que isoladamente ou em parceria, são responsáveis pelos mais belos (ou entre os mais belos) sambas até hoje compostos. 

Quem não se encanta com “Heróis da Liberdade” ou  “Aquarela Brasileira” ?

Silas
Hoje os sambas são compostos por verdadeiros consórcios, com letras o mais das vezes de pouca inspiração e para serem cantados num ritmo alucinante de marcha.

Cinco, seis, ou até mesmo oito compositores, para fazer “aquilo”? Umas ONGs de comerciantes de arte popular.

Em 1966, eu tinha “apenas” 26 anos de idade, um jovem compositor da Portela (um dos responsáveis por ser minha escola do coração), carinhosamente chamado de Paulinho da Viola, compôs para escola de Madureira, o antológico “Memórias de um Sargento de Milícias”, baseado na obra homônima, escrita na século XIX, por Manuel Antônio de Almeida.

Quem leu o romance pode constatar que toda a história está contada na letra do samba, desde os primeiros versos. Imperdíveis, o samba e o romance.

Legal, ainda, o fato de que a trama do livro se desenrola na região do Mangue, que era a zona boêmia e de meretrício na cidade. E era onde aconteciam os desfiles antes da inauguração da passarela do samba.

Ao final do conteúdo da página que será possível acessar  com o link a seguir, vocês encontrarão a letra do samba, que é um resumo da história do livro.

Ou seja, leia o livro ouvindo o samba.

E neste outro link, poderão ouvir o samba cantado por um outro grande compositor de sambas de enredo, que é o Martinho da Vila.

Perceberam o andamento do samba? Outros tempos. Era nesta época que eu gostaria de ter desfilado. Sem pressa, sambando (as pernas ainda obedeciam) e cantando grandes sambas.




Notas do editor: foi causa da obrigatoriedade de temas nacionais, principalmente históricos, que Stanislaw Ponte Preta compôs o "Samba do Crioulo Doido". Uma bem-humorada confusão de fatos e personagens.

Além da mudança nos sambas, o visual virou quesito, no dizer dos inspirados compositores Neném e Pintado, samba cantado por Beth Carvalho, sob o titulo "Visual".

Hoje a tarde será conhecida a escola vencedora de 2016. Quer arriscar um palpite? O meu é ditado pelo coração: PORTELA.

8 de fevereiro de 2016

Castigo vem a cavalo

Não morro de amores pelo Silvio Santos. Não tenho motivos.

Louvo sua persistência, talento para vendas e disposição para trabalhar. Lembro dele no serviço de som das barcas (Rio-Niterói), depois de ter sido camelô.

Mas estou muito contente com matéria hoje divulgada, de que a Globo vem perdendo audiência televisiva no chamado horário nobre, e apenas o SBT tem melhorado seus índices.

É bem feito! Optaram pelo PT, de Lula e Dilma, e irão pagar um preço por isso. Se não politicamente, pelo menos financeiramente. 

A política econômica de Dilma, aquela eleitoreira que nos trouxe a estagflação (recessão com inflação), vai  mexer com o cash flow da Globo.

E nem vou falar sobre a concorrência forte que terá que enfrentar nas transmissões esportivas. Já não bastava a concorrência dos canais FOX e ESPN, que transmitem as ligas europeias, agora tem o canal Esporte Interativo que pretende adquirir direitos de transmissão das competições nacionais.

E tem grana para enfrentar. Melhor para nós que não ficaremos reféns desta emissora do plim-plim.


O EI já tem os direitos da Liga dos Campeões. Aguardo sua inclusão na grade da SKY.

Uma outra razão para a queda de audiência, e isso é palpite meu, é que está diminuindo o número de alienados que assistem BBBs, Faustãos et caterva. Suas novelas, carros-chefes da programação, estão carecendo de bons roteiros. O nível está cada vez pior.

No noticiário, maquiado para não desagradar ao poder constituído, estão apelando para previsão do tempo, que ocupa cada vez mais espaço nos telejornais. E vamos combinar que 90% do que informam, em especial as explicações sobre ciclones subtropicais, zonas de convergências do Atlântico, El Ninõ e outros fenômenos atmosféricos/climáticos nada nos acrescentam. Tantos mapas, gráficos e informações sobre o clima em Gararu, no Sergipe, com todo o respeito, não me interessam.


Eis a notícia que me agradou por completo, cliquem:

Se fosse outro canal também ficaria feliz do mesmo jeito. Sou contra a Globo. Até que “re-reconsiderem” o que o reconsideraram.

Se não tivessem – Rede Globo - se vendido, Lula estaria na cadeia e Dilma não teria sido reeleita. O Collor caiu porque a Globo tirou a rede de proteção, depois de tê-lo ajudado durante a campanha e até as eleições. Simples assim.

Nota do editor: re-reconsiderar é duro de engolir, mas o autor fez questão de dizer assim.