11 de julho de 2011

Charlene é princesa, Kate, não!

                                                                                                                                          
Brazão Monegasco

Brazão Inglês

Outro casamento agitou as cortes européias este ano, há poucos dias. Duas plebéias conquistaram os corações de príncipes e, com eles, entraram nas respectivas famílias - Real Britânica e Principesca Monegasca – e conquistaram titulos de nobreza.


Catherine Middleton

CharleneWittstock
Embora o casamento de Catherine Middleton tivesse sido realizado com mais pompa e circunstância, até pela maior importância e tradição da realeza britânica, o fato é que Charlene Wittstock conquistou o título mais importante de princesa. Na verdade, Sua Alteza Sereníssima, a Princesa do Monaco. Kate, por seu turno, terá que se contentar com o de Duquesa de Cambridge . Não é pouca coisa, sabemos, mas jamais será princesa, embora casada com um príncipe. Virou Duquesa porque desposou o Príncipe William de Gales, que ganhou da avó o título de Duque de Cambridge.

Charlène, nasceu Charlene Lynette Wittstock, em 25 de janeiro de 1978, no Zimbabwe, antiga Rodésia. Após o seu casamento em 1º de julho de 2011, Charlene virou princesa consorte de Monaco, posição antes ocupada pela mãe de Alberto, Grace Kelly.

Grace Patricia Kelly foi atriz norte-americana, uma das mais belas, tendo conquistado um Oscar e foi também um ícone da moda. Após seu casamento com Rainier III, príncipe-soberano de Mônaco, ela ficou conhecida também como Princesa Grace de Mônaco. O filho de Grace e Rainier III, titulado Albert II, que casou com a Charlene, é o atual monarca do principado.


Kate e William

Charlene e Albert
Já Kate, nasceu Catherine Elizabeth Middleton, em Reading, em 9 de janeiro de 1982, sendo, portanto, 4 anos mais jóvem do que Charlene; coincidentemente nascidas no mesmo mês de janeiro.



A beleza das 3 é indiscutível, embora dificilmente Charlene venha a ter os olhos do mundo grudados nela, como teve Grace e como tem Kate.


Charlene

Charlene

Kate


Grace


9 de julho de 2011

Meu caro primo

O Francis Hime e o Chico Buarque compuseram uma música intitulada “Meu caro amigo”, e o objetivo era mandar notícias do Brasil, na época do regime militar instalado no poder.

Eis alguns versos da canção:

Meu caro amigo eu não pretendo provocar
Nem atiçar suas saudades
Mas acontece que não posso me furtar
A lhe contar as novidades”

Então é isso caro Ricardo. Pretendo lhe contar as novidades de Niterói, cidade de onde você se afastou há muitos anos. Sei que a família é grande e, muito provavelmente, você tem recebido notícias, principalmente do irmão Sérgio.

Estamos aqui sofrendo um”rigoroso” inverno de até 12º. O mar andou muito agitado e no outro dia a maré subiu tanto e era tanta a fúria das ondas que destruiu parte da calçada da praia das Flexas (assim mesmo com x). Em Icarai a rua ficou coberta de areia, levada pelas ondas.

Veículo do Ricardo
 com correntes nas rodas



Sei que para você esta temperatura é amena, em face do que suporta aí, na Carolina do Sul. A foto que você me mandou faz algum tempo, dá conta da neve que caiu no último inverno por essas plagas.






Niterói não para de crescer. Logo, logo, estaremos com meio milhão de habitantes o que irá atravancar ainda mais o já caótico trânsito. E há risco da cidade explodir e ficarmos soterrados por dejetos, posto que a rede de esgotos, muito antiga e deficiente não aguentará o aumento de carga.

São dezenas de lançamentos imobiliários nos últimos tempos, sendo 34 apenas nos últimos 6 meses.

E os preços? Seja para aquisição seja para locação, o mercado anda tão aquecido que os valores estão atingindo níveis absurdos. Um apartamento de querto e sala, no Ingá, por exemplo, está valendo R$ 1.500,00 de aluguel mensal.

Dizem os analistas que não se trata de uma bolha, a exemplo do que ocorreu aí nos USA, e que poderá explodir criando dificuldades para que compromissos sejam honrados. A verdade é que a facilidade de crédito levou muita gente a assumir encargos elevadíssimos. Se a economia der uma esfriada ( não há indícios), teremos altos índices de inadimplência que poderá afetar o sistema financeiro.

E a exemplo do que ocorreu aí com os irmãos do norte, muita gente perderá seus imóveis. Tomara que desta feita os economistas e analistas imobiliário estejam certos e não haja quebradeira.

As ruas do centro da cidade estarão sendo dotadas brevemente de mais 32 câmeras para monitoramento pela Polícia Militar, posto que tem aumentado muito o número de assaltos a pedestres.

Consta que Niterói tem o maior poder aquisitivo entre todas quantas cidades existentes no país, segundo pesquisa recente. Parece ser verdade, a julgar pelo número de butiques de luxo instaladas em Icaraí, pelo número de agências bancárias e, como já dito, a enorme valorização imobiliária.

Por hoje é isso aí, caro primo. Niterói perdeu um pouco daquele caráter provinciano e a Vila Pereira Carneiro, sua conhecida, perdeu aquele bucolismo de minha infância.

Saudações cordiais e afetuosas.


Foto: cedida pelo Ricardo Wagner

Cara-de-pau

Esta expressão – cara-de-pau – que o Aurélio registra como equivalente a caradura, tem o seguinte significado: 1.Pessoa cínica, impudente, sem-vergonha.

Pois é assim que rotulo a governador Sergio Cabral Filho. E é com extrema tristeza que o faço, pois sou admirador de seu pai, o jornalista de mesmo nome, a quem respeito por sua cultura e simplicidade. Além, claro, de ser vascaíno. Como? O Sergio governador também é? E daí, o Eurico Miranda também é. Se as famílias por vezes têm suas ovelhas negras, porque nas torcidas dos clubes não haveria?

Mas voltando ao tema caradura, acho que a atitude do governador é exemplo típico. Depois de se locupletar, com ligações estranhas, perigosas e suspeitas, sugeriu que fosse baixado um código de ética para governantes no Rio de Janeiro.

Em outras palavras fez o que popularmente, em linguagem cifrada, se diz quando uma oportunidade passou: “Quem beijou, beijou; quem não beijou não beija mais, pois vou fechar o caixão”. Ou como se dizia nos tempos d’antanho: “Acabou-se o que era doce, quem comeu arregalou-se”.

Lendo e ouvindo, no noticiário, sobre este episódio, lembrei-me de uma história, que minha mulher conta como verídica, que teve meu sogro como personagem.

Consta que fizeram em casa um refresco de maracujá, servido bem gelado. Meu sogro teria tomado dois copos e, em seguida, sentenciado: “Está muito forte, pode botar mais água”.

Ou seja, se empanturrou do refresco gostoso e depois sugeriu aguar mais, diminuindo o sabor para os demais.

Sem comentários



Foto obtida no website globo.com

Mas cara-de-pau tem em tudo quanto é lugar, cidade, estado ou país. Querem mais cara-de-pau do que os juízes de um tribunal desportivo da Rússia, que acolheu a tese de um torcedor mais caradura ainda, que teria cometido um ato racista, oferecendo ao jogador brasileiro Roberto Carlos, uma banana. Segundo o torcedor, ele esticou o braço para fora do gradil, para evitar que a banana fosse amassada porque havia muitos torcedores em volta dele. O tribunal o absolveu.

Vejam a foto e digam se é não é de um cinismo sem tamanho a alegação do torcedor.

8 de julho de 2011

Inverno bissexto

No Rio de Janeiro – área metropolitana – não faz frio de verdade. Ou melhor, corrigindo, faz frio moderado, em alguns anos. Nunca nada comparado ao que faz nas serras gaúcha e catarinense.

Diria que os cariocas, e fluminenses da baixada, de Niterói e de São Gonçalo, temos inverno bissexto. Em alguns anos mais rigoroso, com cara mesmo de inverno para nossos padrões, e em outros aquele inverno mentiroso, que “dá praia” para os mais chegados em banho de mar. Puloveres e suéteres não saem dos armários.

Este ano de 2011, com temperaturas atingindo até 12 graus (acreditem), estamos num ano bissexto de inverno, no Rio. Pensei que o frio que estou sentindo pudesse ser atribuído à idade, agora já mais avançada. Mas vejo pessoas muito mais jovens reclamando da friagem. E o suéter, com cheiro de naftalina, voltou ao guarda-roupa diário.

Sou friorento, prefiro o calor se tiver que optar. Embora entenda que temperaturas oscilando entre 22 e 24 graus sejam as mais civilizadas.     

Nunca peguei temperaturas muito baixas, em invernos profissionais, com carteirinha de frio intenso, neve. Inverno de verdade, daqueles que podem matar, nunca peguei nem mesmo na Europa ou Serra Gaúcha, eis que nunca viajei para o velho continente no inverno (nem no verão, por outras razões). Sempre viajei na primavera ou, preferencialmente, no outono. Então a temperatura mais baixa de que me lembro foi de 5 graus, em Viena. Mas esta temperatura baixíssima, para mim, de 5 graus, peguei também em São Paulo, numa madrugada na Estação Rodoviária.

Dizem que no Natal a cidade de Gramado é linda, e a julgar por imagens disponíveis deve ser mesmo. Prefiro o chopp na área externa de um bar da Rua Coberta, do que o chocolate quente numa casa especializada.

Mas frio não é comigo, mesmo considerando que apetece chocolate quente com canela, fondue, e que os vinhos ficam mais saborosos.  Ainda prefiro o verão, a sunga, pé descalço, chopinho ou cerveja bem gelada, que evapora na garganta ao primeiro gole. E mulheres mais a vontade. Menos elegantes, por certo, mas mais interessantes.

Já são passados 3 dias com influência de massa polar, tomando sopa no jantar, e não sou urso, que pode hibernar.

Dizem que é bom para dormir, mas pergunto: e para acordar? Dizem que é bom para comer, e pergunto: para no verão fazer dietas e frequentar academias para perder o peso?

Vou parar por aqui, pois os dedos estão ficando duros. Lá fora está fazendo 15 graus. Brrrrrrr!


Fotos de fondue e Gramado, e ilustração do sol, obtidos no Google.

7 de julho de 2011

Desperdício de sorte

Vivíamos os primeiros anos da década de 1970. A Loteria Esportiva era, na época, o grande apelo para ficar rico de uma hora para outra.

Como devem se lembrar, ou não, o jogo consistia em acertar os resultados de 13 jogos de campeonatos oficiais de futebol. Quando digo acertar os resultados, não me refiro ao placar das partidas, mas, tão somente, acertar qual das equipes venceria ou se haveria empate.

Mas havia um grande complicador: a imponderabilidade. Futebol é apaixonante porque o resultado é sempre imprevisível, por mais que uma das equipes seja tecnicamente superior a outra. Muitas variáveis atuam e resultados surpreendentes são mais comuns do que se imagina.

Resutados inesperados eram, e ainda são, rotulados de zebras. E a loteria era tão popular na época que havia um quadro no Fantástico, programa dominical da TV Globo, para dar os resultados dos 13 jogos constantes do sorteio. E foi criada a figura da zebrinha, personagem que vestida de zebra anunciava os resultados estranhos, fora da lógica.

Bem, eu, como uma grande parte da população, jogava vez ou outra. Minhas chances de êxito eram remotas pois eu não tinha coragem de marcar resultados que  achava que seriam absurdos pela diferença flagrante entre as equipes envolvidas. Ou seja, as zebras eu dificialmenete acertava. Como marcar vitória do Itumbiara se eu sequer conhecia a clube. Como marcar, por exemplo, derrota do Vasco frente a qualquer outra equipe se acabaria por torcer contra o que apostei, para não trair o coração vascaíno. Por exemplo, Corinthians versus Taubaté, cravar o Taubaté nem pensar. Mas acontece que acontecia do Taubaté vencer ou empatar, o que me derrubava.
                        
Por outro lado, as pessoas absolutamente alheias ao futebol, que mal distinguiam quem era a bola, só identificando esta pela forma física arredondada, cravavam em seus jogos muitos resultados improváveis, o que de resto também não era bom caminho posto que as zebras existiam mas não muitas em cada rodada. Só a sorte ajudava, pois adivinhar os resultados chamados absurdos era coisa para detentores de bola de cristal.


Eu tinha uma amiga, casada com um velho e querido amigo, que nada entendia de futebol. Não acompanhava e não gostava.

Bem, vou poupa-los, caros leitores, de mais detalhes.
                                                                                   
Imaginei uma estratégia que se revelou eficaz.

Propuz a Francisca, este era o nome da mulher do Castelar, meus amigos, que fizéssemos ums parceria num jogo. Ela marcaria os 13 jogos e eu faria os palpites duplos, que eram válidos embora encerecessem as apostas. Era possível, até mesmo, fazer palpites triplos (limitados a 2), ou seja, marcar como vencedores os dois contendores e ainda o empate.

O objetivo era calaro. Ela, certamente, por não ter preferências clubísticas e por ignorar por completo quais eram as meçlhores equipe, teria muita chance de marcar as tais zebras que tanto derrubavam os apostadores. Depois, verificando aqueles palpites que a meu juízo eram os mais improváveis, faria os jogo duplos, marcando também a possibilidade de vencerem os favoritos. Ou haver empate.

Eu morava em São Paulo num hotel, e no domingo à noite não tomei conhecimento dos resutados dos jogos que compunham o teste no qual apostaramos. Mas na segunda-feira, logo cedo, ao tomar ciência dos resultados, achei que acertáramos os 13 jogos. E acertamos.

Dinheiro a vista. Imaginei que ganharíamos um bom dinheiro. Talvez mesmo muito dinheiro. Que, óbvio, dividíriamos.

O valor do prêmio aos vencedores dependia do número de acertadores eis que era feito um rateio do prêmio total a ser distribuído, dividido pelo número de apostas vencedoras.

Alguns testes, por terem poucos ou até mesmo um só acertador, já tinham feito milionários, que compraram fazenda, carros importados e partamentos.

Mas a alegria, que transmiti de imedato a Francisca, em ligação telefônica, durou pouco. Um elevadíssimo número de ecertadores, recorde até aquele momento, reduziu o prêmio para cada aposta correta a míseros Cr$ 2.400,00 (dois mil e quatrocentos cruzeiros).

O sonho acalentado de enricar foi por água abaixo. Como tínhamos que dividir o prêmio a razão de 50% para cada um de nós, couberam a mim e a Francisca não mais do que CR$ 1.200,00 para cada um. Minha parte foi utilizada na compra de um relógio para Wanda. Bonitinho com design modernoso para época, mas que logo, logo, ficou cafona e deselegante sendo aposentado.

Esta é a história de uma opotunidade de sorte desperdiçada. Considerando a lei das probabilidades, minha chance de acertar de novo eram remotíssimas. E a sorte me ajudou a acertar os resutados, mas num sorteio em que muitas outras pessoas também o fizeram.

Encerro a narrativa com uma curiosidade, fato real que os jornais da época poderão comprovar. Houve um acertador que fretou um jatinho para ir de Goiânia, onde morava, até São Paulo para receber o prêmio em São Paulo. Em geral os acertadores com medo de assédio e riscos de roubo ou sequestro fugiam e se ocultavam com a família.Todos queriam sigilo por parte da CEF, para não ficarem expostos a riscos, e novos velhos amigos e parentes distantes procurando aproximação para tirar uma casquinha do prêmio.

Esta é a história real de ter sorte na hora errada.


Se tiver interesse em conhecer outras curiosidades entre em  http://apostenasorte.blogspot.com/2008/01/o-primeiro-caador-de-zebras-da-loteca.html

6 de julho de 2011

Culpado ou inocente?

No cinema são recorrentes enredos que desenvolvem erros de julgamento. Muitas vezes os filmes que enfocam cenas de tribunais, nos conduzem por uma certeza quanto a inocência do personagem. Torcemos pelo veredictum de inocente, quanto mais não seja porque o protagonista, advogado de defesa, foi vivido por ator que admiramos. Ou porque a tese foi brilhantemente defendida.

E o que pode acontecer? Encerrada a sessão de julgamento, comemorações a parte, um diálogo ou uma cena do filme, deixam claro que o réu era culpado, para decepção do advogado que o defendeu, e principalmente para nós assistentes. Na ficção o tema já foi bastante explorado.

Na vida real também experimentamos surpresas e decepções e vemos nossos julgamentos apressados transformarem-se em dúvidas e até arrependimentos.

A decepção é muito grande quando nutrimos admiração e respeito por determinada pessoa, louvamos seus méritos e aplaudimos seus resultados e depois ficamos sabendo que tudo foi conseguido graças a fraudes, comportamentos ilícitos. 


Exemplo deste caso seria o nadador Cesar Cielo, campeão olímpico e mundial, recordista mundial dos 50 m e dos 100 m livre, e maior nadador da história do Brasil; Cesar Cielo está envolvido em um caso de doping pela substância furosemida.

Agora empresário de outros atletas e dono de restaurante em São Paulo, Cielo, se confirmado o doping, será personagem de uma das maiores decepções que vivenciarei. Será que o restaurante chamado "Original da Granja", administrado pelo Cielo é confiável. Será que é original mesmo? E da granja?

No caminho inverso, Dominique Strauss-Kahn, todo poderoso do poderoso FMI, acusado de tentativa de estupro por uma camareira de hotel em Nova Yorque, que chegou a ser preso e libertado sob fiança para ficar em prisão domiciliar, e que todos julgávamos culpado, burro e de mau gosto, porque a tal camareira é uma baranga, talvez seja inocente (pelo menos desta acusação).

A camareira de hotel que acusou Dominique Strauss-Kahn de crimes sexuais seria uma prostituta e, depois do suposto incidente, teria falado com um amigo, traficante preso, sobre a oportunidade de lucrar com a denúncia.

Um investigador informou que a promotoria deve arquivar as denúncias contra Strauss-Kahn numa audiência judicial dentro de duas semanas, ou talvez antes, por causa das sérias dúvidas que pairam sobre a credibilidade da suposta vítima.

Culpados ou inocentes?


Fotos: Google imagens

5 de julho de 2011

Baixa classe média

Não tínhamos empregada - imaginem se poderíamos - de sorte que desde muito cedo fui orientado e compelido a ajudar na lida doméstica, não na faina diária, enfrentada apenas por minha mãe, mas na faxina mensal ou semanal. Foi assim que aprendi a passar palha-de-aço no chão e depois encerá-lo com Parquetina, em seguida lustrá-lo com um escovão; espanar o pó; passar óleo de peroba nos móveis e passar vermelhão no piso da varanda, que era de cimento liso avermelhado.


Morro da Penha

Moravamos na Rua São Diogo, no bairro da Ponta D'Areia, que fica no entorno do Morro da Penha, que se vê na foto(no rodapé informações sobre o bairro). Meus pais mudaram para Niterói, vindos do bairro do Anadaraí, no Rio de janeiro, quando eu contava pouco mais de dois meses de idade.




Ajudava também nas compras que eram feitas no Armazém Dragão, do “seu” Amaral, que ficava na esquina da Rua Silva Jardim com Visconde de Uruguai. Os produtos eram praticamente sempre os mesmos, alguns com slogans que marcaram tanto que ainda me lembro deles:

Café Glogo, "bom até a última gota"; Açúcar Perola, "saco azul cinta encarnada"; Sabão Português, "um produto da União Fabril Exportadora" (UFE); ou, ainda, o Sabão Platino; Sabonete Vale Quanto Pesa, "grande, bom e barato" ( eu preferia o Eucalol, por causa das estampas). Alguns outros produtos eram chancelados pela procedência, como a manteiga de Macuco ou Cordeiro (RJ) e banha de Itajai (SC), mais tarde substituída pela gordura de côco Carioca. Bem, a cera já mencionei, era a  Parquetina.

Vale registrar que manteiga, por exemplo, era retirada, com uma grande pá de madeira, de uma lata de 10 Kg, pesada na quantidade desejada e embalada num papel impermeável, que todo mundo chamava de “papel manteiga”. Vários outros produtos eram vendidos no varejo e embalados em sacos de papel. Assim comprávamos feijão, arroz e farinha. O açúcar já era embalado de fábrica, na famosa embalagem de "saco azul e cinta encarnada". Assim como o café Globo, que tinha embalagem da torrefadora.

Legumes e frutas, apesar de haver uma quitanda próxima a nossa casa, na Visc. Uruguai, quase esquina com a Rua Santa Clara, eu era orientado a ir comprar nos caminhões-feira que existiam na Rua da Praia (Visc. de Rio Branco). Tais caminhões ficavam permanentemente estacionados na areia da praia, no trecho junto a banca de peixes (vários boxes). Ficavam no sentido longitudinal, em relação à calçada e bem junto a esta, de sorte que podíamos ir comprando de cima do calçamento. Bem mais tarde, fizeram um prolongamento no mercado de peixe, avançando mar a dentro. Os produtos eram pesados e embrulhados em jornal. Até bananas eram compradas a peso.

Já que mencionei o comércio local, complemento falando do sapateiro – Osni – que tinha uma portinha na Visc. e Uruguai, junto ao botequim do “seu” Henrique. No Osni, mandávamos colocar meia-sola nos sapatos e chapinhas na biqueira e no salto, de sorte a que durassem mais tempo. Estamos falando de classe media baixa, no limite desta com a pobreza.

No botequim do Henrique, além dos cigarros para meu pai (Liberty curtos), comprávamos o pão fresquinho para o lanche da tarde. Não, não era padaria. Esta ficava mais distante, na Rua Silva Jardim com a Visc. de Itaboraí. Era de lá que vinha, em grandes cestos de vime, o pão vendido no botequim. Sempre às 15 horas saia uma fornada, por isso nosso lanche da tarde era sempre com pão fresquinho.

Durante certo tempo, no pós-guerra, o miolo do pão era mais escuro, como decorrência da mistura de farinha de milho, e outros farelos, com a de trigo, estando esta muito escassa. Como sempre o trigo era importado e nessa época racionado.

Havia um comércio, difícil de rotular, pois vendia de um tudo. Era uma lojinha escura, quase um porão, que era de uma senhora já bem idosa, chamada Pergentina, e que ficava na Rua Santa Clara, bem defronte à pracinha.

Quem morava ali ao lado, era a família Sodré. Os rapazer chamavam-se Péricles, Homero e Álvaro. Estudei com o Álvaro e muitos anos depois, já adulto, trabalhei com o Péricles, agora festejado e premiado pintor. Trabalhamos juntos na Fiat Lux (Marca Olho).

Tinhamos duas farmácias bem próximas. Ambas na Rua Silva Jardim*. A do Demerval, ficava à esquerda, para quem, como nós, vinha pela Visc. do Uruguai em direção ao centro; a outra, onde clinicava o Dr. Dair Ched (médico de família), ficava à direita.

Na citada padaria da Silva Jardim esquina com Visc. de Itaboraí, meus pais assavam o pernil ou o peru nas datas festivas. Bem próximo desta padaria, ficava o salão de barbeiro, do Dirceu, que foi quem primeiro tosquiou meus louros, fininhos e cacheados cabelos, já aos 3 anos de idade.

Ora, como vimos a Rua Silva Jardim tinha um comércio bem movimentado. Também nesta via existiu um tipo de comércio que desapareceu: o abatedouro de aves. Sim senhor, escolhíamos a galinha que desejávamos, entre as expostas e espremidas em gaiolas retangulares, que ficavam sobrepostas encostadas nas paredes laterais da loja.

Escolhida a ave, era fácil pega-la pois como mencionei elas ficavam em gaiolas apertadas, sem muito espaço para movimentação. A coitada tinha seu pescoço puxado e torcido, numa manobra rápida do treinado atendente. Já morta, tinha o pescoço cortado e sangue recolhido numa tijela. Para muitos o sangue interessava, para fazer molho pardo. Em seguida era levada a um panelão e submersa em água fervente, a fim de que fosse depenada. A galinha chegava em casa ainda morna e com algumas penugens.

O frango congelado, vendido em supermercados, apareceu muitos anos depois. Assim como o próprio supermercado. A primeira rede surgiu no Rio, operando com o nome de Disco.

Outro dia, talvez, volto a escrever sobre sobre este meu universo infantil (até os 12 anos), retangular, que era circunscrito pelas ruas Visconde de Rio Branco e Visconde de Sepetiba, no sentido longitudinal; e as ruas São Diogo e Av. Feliciano Sodré no sentido tranversal.




Colhido na Wikipédia:
Ponta D'Areia é um bairro muito tranquilo de Niterói, composto na maioria de casas residenciais e forte perfil operário. O bairro tem boa proximidade do centro de Niterói, porém sem tumulto e trânsito. Bairro de forte presença da imigração portuguesa na cidade, abriga um pequeno trecho turístico chamado Portugal Pequeno, que, contudo, concorre com o perfil industrial e operário, à medida que é onde se situa vários dos estaleiros navais da cidade.
Possui uma comunidade muito antiga, denominada Morro da Penha, devido a presença da Igreja Nossa Senhora da Penha.
Com cerca de 5 mil habitantes vivendo em total harmonia, sem assaltos, tráfico ou qualquer desordem, nesta comunidade são formados cidadãos.



*Antônio da Silva Jardim (Vila de Capivari, hoje Silva Jardim, 18 de agosto de 1860 — Nápoles, 1 de julho de 1891) foi um advogado, jornalista e ativista político brasileiro, formado de Faculdade de Direito de São Paulo.
Teve grande atuação nos movimentos abolicionista e republicano, particularmente no Rio de Janeiro, na defesa da mobilização popular para que tanto a abolição quanto a república produzissem resultados efetivos em prol de toda a sociedade brasileira.
Aos 31 anos de idade, visitou Pompeia, na Itália e, curioso por conhecer o vulcão Vesúvio, mesmo tendo sido avisado de que ele poderia entrar em erupção a qualquer momento, foi tragado por uma fenda que se abriu na cratera da montanha - não se sabendo se foi um acidente ou um ato voluntário.
Em homenagem ao jornalista morto, foi determinado que o município fluminense de Capivari, vizinho a Araruama e Rio Bonito, passaria a ter o atual nome de Silva Jardim.