Agora octogenário, há já cinco anos, deixei de ter que lutar contra a disposição para o ócio. Mas durante anos, desde os anos ginasianos, o nada fazer por obrigação ou compromisso era meu sonho juvenil.
O ócio é apaixonante, sedutor, rico em oportunidades. Mas é necessário reagir e lutar contra ele. Entregar-se, sem resistir, cobrará preço elevado.
Tive mais sorte do que juízo na travessia dos cursos científico (parte do ensino médio atual) e universitário. Progredir passando de ano, era difícil e corri sérios riscos.
Dois fatores, ocorridos simultaneamente, levaram-me a reagir com mais intensidade, vigor, ao ócio que me encantava.
Noivado e bacharelado em Direito. Pretendia casar e constituir família, e pretendia advogar. Ora, um marido e pai (o que não demorou a acontecer) não pode se permitir o luxo da ociosidade. Assim como também um advogado.
Mesmo tendo o apoio acadêmico de Domenico De Masi, sociólogo italiano que concebeu o ócio criativo, aplaudido por muitos, em especial os publicitários.
Ele se tornou famoso pelo conceito de "ócio criativo" segundo o qual o ócio, longe de ser negativo, é um fator que estimula a criatividade pessoal.
Não acreditei que no meu caso teria ganho de criatividade e, se ganho houvesse, que fazer com criatividade?
Aliás já me corrijo. A criatividade é um fator importante, seja no pátrio poder seja no exercício de poderes outorgados por clientes.
O que me desagradava era arriscar ser criativo por ser ocioso. Melhor não!
O ócio é primo-irmão da preguiça, por isso vítima de preconceito.😂😂😂
A ode? Não sou do ramo, faltam-me talento, vocação, inspiração.

Dolce far niente, dizem nossos ancestrais da bota.
ResponderExcluirNos últimos anos não tenho tido tempo para nada fazer. Até este blog me ocupa mais do que o agradável.
ResponderExcluirNão é só gerar conteúdo. Raspar resquícios de memória, pesquisar na rede. É moderar comentários ... já cansei rsrsrs.